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Jornal das três, com edição do Carlos Pedro. E Carlos, diálogo e moderação dentro de portas, equilíbrio no contexto internacional. São estes os apelos de António José Seguro no primeiro Dia de Portugal celebrado como presidente da República.
As celebrações ocorreram nos Açores, na Ilha Terceira. O discurso do presidente da República foi marcado por apelos de união dentro e fora do país. Vasco Maldonado Correia.
Em busca da unidade nacional e de um país com mais ambição, Seguro escolheu os Açores para celebrar o 10 de Junho. E por entre os mares e o nevoeiro do arquipélago, o presidente da República identifica tempos difíceis.
As ansiedades que sentimos na economia, na geopolítica, na segurança das cidades, na proteção dos mais desfavorecidos, nas questões muito concretas da vida das pessoas reais, criam esse impulso de fechar fileiras, de escolher um lado, de erguer muros.
Mas encontra nas palavras a solução.
Faltam-nos cada vez mais as palavras do meio. Aquelas que não nascem entre muros, mas nos espaços abertos. São o antídoto para o vírus da polarização, que tende a substituir a argumentação, o debate e a negociação.
Seguro pede coragem ao governo.
A coragem prática de fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo, de defender o interesse de longo prazo, mesmo quando o ciclo eleitoral empurra para o curto prazo.
E nos Açores deixa uma exigência de igualdade aos aliados internacionais.
A garantia da segurança dos países europeus só é possível em articulação com os nossos aliados, numa relação de equilíbrio e reciprocidade, de respeito pela soberania dos Estados, assente em valores que, apesar da incerteza dos tempos, não mudam.
Já Miguel Monjardino, presidente das comemorações, alerta para uma nova era internacional.
A grande ruptura está em curso. Estamos presentes novamente na criação de um novo ciclo histórico.
O professor e especialista em geopolítica pede pragmatismo e reconhecimento da realidade.
Este não é o tempo de alimentarmos ilusões sobre as mudanças que estão em curso e as suas consequências. Este não é o tempo de enterrarmos a cabeça na areia e negar os factos. Este é, sim, o tempo de deixarmos para trás o campo de sonhos em que temos vivido.
Avisos de Miguel Monjardino nas celebrações do 10 de Junho diz que o país deve ter uma boa relação com os aliados, mas primeiro, e acima de tudo, depende do caminho que quiser seguir.
O jornalista Vasco Maldonado Correia, que acompanhou na Ilha Terceira este 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, aqui com os destaques dos discursos do chefe de Estado e do presidente das comemorações, Miguel Monjardino.
Nas reações, os três partidos com mais deputados na Assembleia da República elogiaram o discurso do presidente da República.
O PSD diz que foi uma intervenção adequadíssima. Hugo Soares fala num discurso a puxar pelo patriotismo, pela voz do líder da bancada parlamentar do PSD. Do lado do Chega, Pedro Pinto diz que o presidente fez um discurso realístico, vai ao encontro do que o partido defende. Mas apesar destes elogios, Pedro Pinto acusou António José Seguro de faltar o respeito aos imigrantes portugueses quando esteve no Luxemburgo. Em causa, para Pedro Pinto, as comparações entre os imigrantes portugueses e a imigração descontrolada no país, palavras do líder da bancada parlamentar do Chega. Já no Partido Socialista, José Luís Carneiro realça os apelos ao diálogo e à concertação sobre o projeto europeu. O líder dos socialistas reforça o compromisso de Portugal, mas pede que não se desvalorize a relação com os Estados Unidos. José Luís Carneiro não quis, ainda assim, assumir uma posição sobre uma eventual alteração ao acordo da Base das Lajes com os Estados Unidos. Não respondeu sobre se concorda com a renegociação do acordo.
E o politólogo André Azevedo Alves considera que António José Seguro deixou claras críticas a Luís Montenegro e a André Ventura.
Na Rádio Observador, André Azevedo Alves diz ainda que a única novidade no discurso de António José Seguro foi o apelo que fez à necessidade de reformas.
Creio que foi talvez um discurso um bocadinho mais voltado para dentro do que eu esperava, retomando o que tem sido a sua linha discursiva, criticando a polarização, criticando o populismo. E eu acho que talvez a principal nota com alguma novidade tenha sido um apelo relativamente explícito que fez à necessidade de reformas, porque se, por um lado, as críticas à polarização e ao populismo têm como principal alvo, naturalmente, André Ventura e o Chega, também não deve haver dúvidas de que esse apelo à coragem para governar, esse apelo à necessidade de tomar decisões difíceis a bem do país, tem um quarto destinatário, e esse quarto destinatário é Luís Montenegro.
O politólogo André Azevedo Alves, na Rádio Observador, a analisar o primeiro discurso do 10 de Junho de António José Seguro como presidente da República.
Mudamos de tema neste jornal. A Federação Portuguesa de Judo afirma que não recebeu alertas para qualquer ligação de Jorge Fonseca ao consumo de drogas. O presidente Sérgio Pina confessa que todos foram apanhados de surpresa.
É uma posição que surge depois do envolvimento do atleta e medalhado olímpico no chamado caso do Uber da Droga. Jorge Fonseca está na lista de testemunhas, mas também surge como um dos clientes de Nuno Ricardo na sentença que levou à condenação de três arguidos. Ao Observador, o presidente da Federação de Judo mostra-se aliviado e lembra, Miguel Pina Andrade, que o atleta não é arguido de forma nenhuma.
Na primeira reação, Sérgio Pina admite que a notícia o deixou de boca aberta. Recorda as regras apertadas a que os atletas de alta competição estão sujeitos. O presidente da Federação de Judo diz que, para já, não vai falar com o atleta para tentar perceber os contornos do caso. Afirma que falou com o treinador e que agora está a dar espaço para Jorge Fonseca aclarar as ideias. Sérgio Pina explica que não quer ser um elemento que vá ter alguma interferência negativa no caso.
Importa então, Miguel, recordar qual é o envolvimento do judoca português no chamado caso Uber da Droga.
Jorge Fonseca foi interceptado numa escuta da PSP a pedir quatro pastilhas ao sócio do dealer dos famosos. Ao Observador, o advogado do atleta nega qualquer compra ou consumo de estupefacientes. Já esta semana, Jorge Fonseca veio reiterar não ter cometido qualquer crime, nem ter consumido drogas. A verdade, Carlos, é que a escuta é de outubro de 2024 e quando questionado sobre quais os testes antidoping a que o atleta tinha sido submetido, Sérgio Pina diz que desde os Jogos de Paris, em 2024 e até o início do ano passado, Jorge Fonseca não fez qualquer competição internacional. Não fica por isso claro a que teste foi submetido naquela fase. O presidente da Federação insiste apenas que nunca recebeu nenhuma notificação de problemas com o atleta.
Miguel Pina Andrade com os mais recentes desenvolvimentos do caso Uber da Droga. O negócio era feito na Grande Lisboa, à porta de restaurantes, a centros comerciais ou mesmo nas principais praças da cidade.
Carlos, vamos também atualizar as notícias de âmbito local.
A começar por Constância, no distrito de Santarém, o Dia de Portugal é celebrado por volta desta hora. Junto ao monumento dedicado a Luís Vaz de Camões, vai ser depositada uma coroa de flores. A cerimónia conta com a presença do presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira. Ainda hoje termina o evento Pomonas Camonianas, que recriou o universo do século XVI e no qual se voltou a pedir apoios estatais para concretizar a Casa Memória dedicada ao poeta. Também por esta hora, mas em Lisboa, começa uma marcha para assinalar o Dia Europeu da Vida Independente. Esta iniciativa pretende celebrar a deficiência como expressão da diversidade humana e reivindicar os direitos que ainda estão por garantir. A convocatória da Associação Centro de Vida Independente destaca a importância de celebrar as pessoas com deficiência no ano em que a Constituição portuguesa faz 50 anos. Já no Porto, há outra manifestação a decorrer esta tarde intitulada Dia 10 de Junho, Dia de Luta Antirracista. A manifestação quer relembrar as vítimas de racismo e xenofobia em Portugal. Pretende também homenagear Alcindo Monteiro, que foi assassinado no Bairro Alto em junho de 1995. A Universidade de Aveiro vai premiar a dedicação e o mérito da comunidade acadêmica com a entrega de medalhas a trabalhadores e diplomas a graduados. Esta sexta-feira decorre a entrega das 206 medalhas aos funcionários, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão. Já no sábado de manhã, a cerimónia é dedicada a 238 diplomados e a 50 estudantes premiados. No distrito de Setúbal, arranca hoje a edição número 18 da Feira Medieval de Alhos Vedros. A organização é da Associação Alios Vetos, Associação Cultural de História e Património, conta também com o apoio da Câmara Municipal da Moita e da Junta de Freguesia. O Parque das Salinas, em Alhos Vedros, acolhe esta feira até domingo, dia 14 de junho. A fechar, no distrito de Leiria, quatro pessoas foram detidas por tráfico de droga e permanência ilegal em Portugal. A PSP explica que a detenção ocorreu durante uma operação realizada há uma semana na Nazaré. Esta ação decorre no âmbito da Operação Nacional Portugal Sempre Seguro, que envolve diversas autoridades na fiscalização de estabelecimentos de diversão noturna e restauração.