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Quatro da tarde na Rádio Observador, temos as notícias com edição de Miguel Cordeiro e em destaque: o Hospital das Caldas da Rainha negou atendimento a uma grávida com uma hemorragia à porta do hospital depois de sofrer um aborto espontâneo.

E com o feto num saco de plástico, tudo sempre à porta do hospital. O que se sabe? Esta grávida, juntamente com o marido, dirigiu-se ao hospital por meios próprios, depois de um aborto espontâneo em casa. Chegou ao hospital com hemorragia. À entrada, foi-lhe dito que não poderia ser atendida. Terá sido dito ao casal que deveria pedir socorro ao 112, já que o serviço de obstetrícia estava encerrado. E aos jornalistas, o comandante dos bombeiros das Caldas da Rainha explica que esta grávida estava no carro à porta do hospital com uma hemorragia grave à espera de socorro e que só foi atendida devido à insistência dos bombeiros.

Nós fomos solicitados às 7h21 pela CODU para irmos ao Hospital de Caldas para uma jovem de 32 anos que tinha sofrido um aborto espontâneo e que não tinha sido recebida no Hospital de Caldas. É completamente inadmissível, ainda que não houvesse um médico da especialidade para a situação em causa. Nós estamos a falar de uma pessoa que teve um aborto espontâneo, que tem o feto dentro de um saco, que está com uma hemorragia abundante. O hospital tem que abrir portas, as portas têm que estar abertas, as pessoas têm que ser recepcionadas e depois encaminhadas a seguir. No mínimo, estabilizar estas pessoas. É inadmissível irmos à porta do hospital socorrer.

O Hospital das Caldas da Rainha diz que a grávida está internada. Não quer para já comentar o assunto. Junto ao Hospital das Caldas da Rainha está o repórter Miguel Gato. Está agora em direto. Miguel, ainda não há nenhum esclarecimento oficial por parte do hospital sobre o que se passou?

Ainda não há nenhum esclarecimento, Miguel Cordeiro. Neste momento aguardo a resposta por parte do Conselho de Administração da Unidade de Saúde Local do Oeste, aqui nas Caldas da Rainha, sobre este caso da mulher que sofreu um aborto espontâneo em casa e a quem lhe foi negada a entrada por parte do hospital. Esta mulher teve de esperar cerca de uma hora para que o hospital lhe desse entrada nas urgências, depois de, juntamente com o marido, se ter deslocado por meios próprios ao hospital e como disseste também, tinha o feto dentro de um saco. Neste momento esta mulher já está a ser assistida nesta unidade local de saúde. Teve de ligar ao 112 porque o serviço de obstetrícia no Hospital das Caldas da Rainha está encerrado. Foi o que explicou precisamente o comandante dos bombeiros das Caldas da Rainha aos jornalistas. Disse que a grávida em questão estava à porta das urgências, no carro, com uma hemorragia grave, e explicou também que teve de passar por todo esse processo moroso para que lhe fosse dada assistência médica. E como disse no início da minha intervenção, já contactei a administração do Hospital das Caldas da Rainha. Estou neste momento aqui junto à unidade de saúde. Miguel Cordeiro, estou a aguardar esclarecimento deste caso que marca o dia de hoje.

Sendo que o Observador já contactou também o Ministério da Saúde para obter esclarecimentos. Garante que está a investigar o que aconteceu. Remete esses esclarecimentos para mais tarde. Neste jornal temos a oportunidade de conversar com Vítor Marques, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. Muito boa tarde. Como é que reage este caso na sua autarquia, nas Caldas da Rainha?

Obrigado pela oportunidade de poder também falar para a vossa audiência. Lamentamos, para já, o que está a acontecer. Tem sido a degradar os serviços de saúde aqui na nossa região. É algo que tem-se vindo cada vez a complicar mais. E uma notícia destas, lamentamos imenso o que lhe acontecido. Desejamos também a reabilitação mais célere possível da parturiente que teve este problema. Lamentamos, de facto, todo este envolvimento, até porque por parte do município, dos municípios, do meu município em particular, para esse serviço da maternidade de obstetrícia, num investimento de um milhão e trezentos, fizemos uma intervenção e um apoio de 125 mil € e hoje temos das melhores respostas para a maternidade e obstetrícia que temos no nosso país. Infelizmente, é um problema que não é só de Caldas, sabemos isso, é de todo o território, pelo menos centro e sul do país, com muitas dualidades naquilo do serviço e que faz com que haja interrupções consecutivas dos serviços. Temos pedido e temos interagido desde a administração do hospital ao governo, quer com a ministra da Saúde, tanto com os outros governos, que desta vez ainda não tivemos a oportunidade, estamos a aguardar poder ser recebidos, à segurança pública, aos partidos, porque este serviço tem vindo a degradar-se e é importante fazer algo. É impossível continuarmos com este registo. Sabemos que realmente, admitimos a dificuldade que os serviços em Caldas da Rainha têm para suprir a falta de técnicos, de médicos para os serviços, mas tem que parar de uma vez por todas, tem sido a degradar esta oferta e está na altura de realmente dizer que chega e de ultrapassar todos estes problemas.

Vítor Marques, não sei se sabe mais alguma informação do que se terá passado, se já contactou a administração do hospital, se tem mais algum detalhe sobre este caso.

Não, não temos. Ainda só temos a informação através também daquilo dos bombeiros que tivemos, da parte da administração ainda não conseguimos ter esse diálogo, esperamos vir a ter, mas não temos mais informação. Agora, realmente, a informação que nos chega a todos é demasiado preocupante para os dias de hoje, em que realmente até temos unidades com todas as condições e depois não temos os serviços para dar. Mas não se passa só em Caldas, em Leiria temos o mesmo problema, aliás, com muito mais dias agora de encerramento. Percebemos que é uma altura crítica de férias, etc., mas está-se a pôr em causa realmente o serviço de saúde e a saúde das pessoas, a vida das pessoas e portanto, acho que é uma altura de dizer chega e temos que basta, porque temos realmente de contrariar esta situação. Solamos e temos dito ao longo do tempo que nos últimos anos se tem injetado mais dinheiro como nunca houve para o Serviço Nacional de Saúde, e os resultados continuam a não aparecer. Aparentemente, mesmo aquilo que este governo propõe, escrito, parece ser bastante interessante, mas até à data também não conseguiu ainda concretizar no trabalho. Hoje conseguimos ter a capacidade de alterar esta situação que tem vindo, dia após dia, a degradar. Como disse, daquilo que é da responsabilidade do município, tem feito tudo aquilo que está ao alcance e ainda mais um pouco, como tive oportunidade de partilhar, mas tudo o que são questões de saúde, temos a preocupação de realmente fazer aquilo que está ao nosso alcance e um pouco mais, para dotar das melhores condições, as melhores respostas aos nossos utentes, sejam eles do nosso município, uma vez que o hospital não é só da área do nosso município, também é da área da ULS do Oeste. Para que realmente isso possa acontecer é importante, de uma vez por todas, tomarem-se medidas efetivas que possam contrariar este problema.

Vítor Marques, muito obrigado por ter estado conosco neste jornal das 16h, aqui na Rádio Observador, presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha. E retomo a ligação com o nosso repórter Miguel Gato, que está junto ao hospital, porque acabas de receber um esclarecimento por parte da administração da Unidade Local de Saúde do Oeste.

Exatamente, Miguel. Acabo mesmo de receber há ligeiros minutos este comunicado do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Oeste. Resumo um pouco aquilo que se passou, diz que a grávida se deslocou pelos próprios meios e que teve conhecimento, através do cartaz afixado na porta da urgência, que esta não estava a funcionar, obviamente, a urgência de obstetrícia. E diz que se presume que a utente tenha ligado para a linha SNS 24 ou para o 112 e que tenha aguardado dentro da viatura pelas indicações telefónicas fora da urgência. E que posteriormente foram acionados os bombeiros para ir ao encontro da utente e outra informação que o hospital dá também é que a utente foi prontamente admitida quando houve o conhecimento de que estava a aguardar ser atendida e que a situação mereceu o atendimento necessário e que ficou em vigilância, ou seja, o hospital nega que tenha sido recusada a entrada desta utente no hospital. Depois também neste mesmo comunicado diz que a maternidade do Hospital de Caldas da Rainha, no dia de ontem, apesar de não estar a funcionar esta urgência de obstetrícia, que atendeu quatro utentes e realizou dois partos. Portanto, esta é a defesa por parte do hospital, que nega, mais uma vez, e friso, que negou a entrada desta utente no hospital.

Miguel Gato, com esse desenvolvimento deste caso, os esclarecimentos da administração da Unidade Local de Saúde do Oeste.

E Miguel, esta é uma situação impensável e que vai abalar a confiança das grávidas. É a opinião de Miguel Oliveira da Silva, professor de Ética Médica e obstetra do Hospital de Santa Maria.

Em declarações à Rádio Observador, explica que é uma situação muito grave e que não pode ser aceitável.

É impensável uma grávida que está a ter um aborto e a sangrar abundantemente não ser aceita, não ser observada, não ser internada. Também acho impensável que não houvesse lá nenhum obstetra ou nenhum interno de obstetrícia, mesmo que a urgência estivesse formalmente fechada. Mas no mínimo, qualquer médico com o mínimo de experiência e sabedoria sabe o que deve fazer a uma grávida que teve um aborto ou que está a ter um aborto espontâneo em evolução. E, portanto, a grávida, obviamente, em abstrato, não pode ser mandada embora.

O obstetra admite que desta forma a confiança das grávidas nos profissionais de saúde sai muito abalada.

Em Lisboa, o fim de semana foi agitado na Maternidade Alfredo da Costa. Foi a única maternidade aberta na cidade de Lisboa e Miguel, os números dispararam.

Foram atendidas quase o dobro das grávidas a comparar com o mesmo período do ano passado. Balanço da enfermeira-diretora da Unidade Local de Saúde de São José, Maria José Costa Dias.

Relativamente ao nosso fim de semana, efetivamente foi um fim de semana onde tivemos cerca de 400 atendimentos, portanto, neste fim de semana. Destes atendimentos, isto significa, comparativamente com períodos homólogos, quase o dobro, desde sexta-feira até hoje de manhã. Foram realizados cerca de 56 partos, que também está francamente acima daquilo que é a nossa média habitual.

Enfermeira-diretora da Unidade Local de Saúde de São José, Maria João Costa Dias, garante que nenhuma grávida sai da maternidade sem ser vista por um médico.

Passamos ao futebol. Já é oficial, João Neves é jogador do PSG.

Benfica e Paris Saint-Germain oficializaram o acordo durante o início desta tarde, num excerto de uma entrevista publicada pelo Benfica nas redes sociais. João Neves agradece o apoio aos adeptos e fala numa oportunidade financeira importante para os dois lados.

Foi muito difícil, porque se eu quisesse mesmo ir embora e se o Benfica quisesse mesmo que eu fosse embora, já tínhamos resolvido isto há muito tempo. Tentámos até ao máximo e chegámos a um consenso e achamos melhor das duas partes, em termos financeiros, é bom para o clube, é bom para mim. Queria enviar uma mensagem de agradecimento pela maneira como vocês me trataram desde o primeiro dia. Sou Benfica e serei sempre Benfica.

O meio português assinou contrato com o Clube de Paris até junho de 2029. Com esta transferência, o Benfica vai encaixar de imediato praticamente 60 milhões de euros, mas pode vir a arrecadar outros 10 milhões mediante a concretização de objetivos. João Neves abandona o Benfica, clube que representava desde 2012.

E ao dia 10 de Jogos Olímpicos, Miguel, Portugal consegue mais um diploma.

E vem novamente do triatlo, já depois da prova individual masculina, em que Portugal arrecadou dois diplomas olímpicos esta manhã, nesta feita mista. A equipe é composta por Ricardo Batista, Melanie Santos, Vasco Vilaça e Maria Tomé, terminou a prova em quinto lugar. Diogo Varela, quanto aos restantes portugueses que estiveram em ação até agora, não houve assim tão boas notícias.

Sim, tirando este diploma, Miguel, de facto, o dia não está a correr bem aos portugueses. Há, de resto, a acontecer a esta hora, um duelo muito intenso entre Portugal e Brasil no ténis de mesa por equipas, no ténis de mesa masculino. Nesta altura, Portugal está a perder por 2 x 1 para o Brasil. É ao melhor de cinco este jogo, ou seja, se o Brasil agora fizer o terceiro, ganha. Se Portugal empatar 2 x 2, vai ser preciso ir à negra. No primeiro jogo em pares, Portugal perdeu. Depois, nos confrontos singulares, Hugo Calderano levou a melhor sobre João Geraldo com 3 x 0. Também com o mesmo 3 x 0, mas a favor de Portugal, Marcos Freitas bateu Guilherme Teodoro. E agora nesse jogo individual entre João Geraldo e Vitor Ishiy, para já está 0 x 0 no primeiro duelo, Portugal não pode perder. Quanto aos restantes atletas, como referimos, Miguel, efetivamente não vêm boas notícias. João Coelho, no atletismo, nos 400 metros, foi eliminado na repescagem. A Mafalda Pires de Lima teve mais uma regata no kitesurf, mas hoje não correu tão bem, está nesta altura na 13ª posição da geral. A Cátia Azevedo também perdeu nos 400 metros e vai ter de ir à repescagem. A Lorraine Bazolo, já nessa fase da repescagem, mas nos 200 metros, acabou também por ser eliminada e, portanto, o dia para já a ser negativo para Portugal, sendo que ainda vamos ter vela a partir agora das 16h e vai ser tudo por hoje.

Jornalista Diogo Varela com as atualizações dos Jogos Olímpicos Paris 2024.

Três minutos para lá das 16h, Miguel, vamos a outras notícias que marcam a atualidade.

Foi restabelecida a circulação na Linha do Norte, que foi cortada nos dois sentidos entre Alverca e Sacavém, na sequência de um atropelamento ferroviário junto à estação da Bobadela, em Loures. Informação confirmada à Rádio Observador, por parte das infraestruturas de Portugal, as viagens de comboio em curso estão a realizar-se com alguns atrasos. Um condutor da TVDE foi detido depois de ter abusado de uma cliente que estava inconsciente. O caso aconteceu na semana passada e de acordo com a PJ, terá acontecido depois da vítima ter adormecido no banco de trás da viatura. O motorista, um cidadão estrangeiro de 26 anos, terá depois abusado da mulher enquanto ela estava inconsciente. Notícia avançada pelo Correio da Manhã. Para fechar, numa altura em que as provas de surf continuam a contar com grandes constrangimentos nestes Jogos Olímpicos, vamos falar de outro tipo de surfistas em destaque.

Realmente, o mau tempo, é verdade, Miguel, não tem dado tréguas na Polinésia Francesa. Mas pergunto que surfistas queres falar? Conta.

O tradicional campeonato do mundo de surf canino, que decorreu na Califórnia, nos Estados Unidos da América.

Cães em cima de pranchas a surfar ondas. Ouvi bem.

Parece filme, mas não é. A estrela da competição, neste caso, foi Cacau, uma cadela labradora. Vou para casa, casa no Brasil, neste caso, quatro medalhas de ouro e uma de bronze.

Quero muito ver imagens desta prova dos cãezinhos.

Olha, estão disponíveis todas as imagens numa fotogaleria em observador.pt. É não perder, para não faltar nada, está essa fotogaleria disponível deste campeonato do mundo de surf canino que aconteceu na Califórnia.

Fotos muito engraçadas, certamente, então neste artigo que está no site do Observador. Notícia de fecho do Jornal das Quatro.