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Vamos às notícias. Miguel, o primeiro-ministro vai fazer uma declaração sobre a greve geral a qualquer momento na residência oficial do chefe de governo?

Sim, havia a indicação de que essa declaração seria feita às 15h30, assim não aconteceu. Luís Montenegro preside à reunião de Conselho de Ministros que, por norma, acontece todas as quintas-feiras. Haveremos de rumar a São Bento assim que o chefe de governo dê início a essa conferência de imprensa e a essa declaração sobre a greve geral.

A declaração de Luís Montenegro coincide com as manifestações que estão a decorrer em Lisboa e no Porto, no âmbito desta greve geral.

E que estão a ser acompanhadas pelos repórteres do Observador. Seguimos para a rua e começamos a esta hora pela cidade do Porto. A manifestação começou na Praça da Batalha com destino à Avenida dos Aliados. É aí que já estás, Miguel Pinheiro Correia.

Ainda não chegamos à Avenida dos Aliados. A cauda da manifestação saiu só agora da Praça da Batalha, isto porque era um largo grupo às 15h, hora que estava marcada pela CGTP esta manifestação. Eram ainda poucas centenas de pessoas. Entretanto, foram-se reunindo cada vez mais pessoas, o que atrasou o arranque da manifestação. Serão agora algumas centenas de pessoas que a parte da frente desta manifestação, desta comitiva, já estará a chegar à Avenida dos Aliados. Ao longo desta manifestação vão-se ouvindo gritos contra o pacote laboral, algumas críticas ao primeiro-ministro, também caricaturas de Luís Montenegro com cartazes a criticar precisamente o pacote laboral e também críticas à ministra. É o caso de uma das pessoas com quem falamos, Vanessa Oliveira, designer de 35 anos, que deixou uma crítica à ministra do Trabalho.

Eu penso que este dia é, de facto, um dia de união, porque eu não conheço uma pessoa que esteja a favor deste pacote laboral e isso inclui também pequenos empresários. E além disso, se isso não bastava, é impressionante ouvir no telejornal a ministra a negar tudo o que se está a passar em todo o país, inclusive a ministra da Saúde a dizer que o SNS está a funcionar de igual forma como todos os dias com atendimento de segundos. É claramente gozar com a cara de todos os trabalhadores que fazem este país mover.

É uma das críticas que vai sendo apontada ao governo, não só ao primeiro-ministro, também à ministra do Trabalho e, neste caso, ainda da ministra da Saúde, mas os participantes desta manifestação, também as pessoas que aderiram à greve, falam numa grande mobilização, uma união. E também, neste caso, Eurico Costa, professor de música de 47 anos, faz uma comparação com a última greve geral de dezembro.

Os números apresentados pelos sindicatos apontam para uma adesão maior do que no dia 11 de setembro e assim esperamos. E é só isso que faz sentido, porque a tensão deste tempo todo que passou desde a greve de 12 de dezembro tem vindo a aumentar e é natural que as pessoas adiram mais.

Eurico Costa, professor de música, que ia dar conta dessa contestação à reforma laboral no momento em que nos vamos aproximando da Avenida dos Aliados, nos vamos aproximando cada vez mais esta larga comitiva na manifestação convocada pela CGTP, mas que reúne, naturalmente, mais pessoas.

Miguel Pinheiro Correia é o repórter do Observador a acompanhar esta manifestação na cidade do Porto. Altura agora de rumarmos a Lisboa. A manifestação na capital desagua na Assembleia da República, partiu do Rossio. Já tens a escadaria da Assembleia diante dos teus olhos, Miguel Pina Andrade?

Sim, Miguel, chegou primeiro a comitiva liderada pela CGTP. Entretanto, chega também uma carrinha do STOP. O mar de gente é de perder de vista. São aqui vários milhares de pessoas. Tenho comigo Bruno Bairrão, não é sindicalizado, também não trabalha nem para o público nem para o privado. Está aqui contra o pacote laboral. Obrigado, Bruno. Por que está aqui? Qual é a medida que o faz mais estar contra este pacote laboral?

Aliás, antes de falar em medidas concretas, eu acho que a grande questão é o fato do governo ter avançado com uma proposta de revisão sem ser apreciada na altura da eleição. Ou seja, estamos a falar de uma medida que não foi apresentada aos portugueses e eu acho que isso é injusto. Ou seja, avança-se com uma medida que não foi apresentada e que não houve oportunidade dos portugueses decidirem. Ultrapassado esse ponto, eu acho que os dois pontos que mais me inquietam são os obstáculos que se pretendem criar à sindicalização dos trabalhadores, nomeadamente a entrada dos sindicatos em locais de trabalho onde não existem trabalhadores até à data sindicalizados, e a questão do banco de horas. Eu próprio, apesar de ser um trabalhador independente, já trabalhei por conta de outrem e conheço bem a realidade do que é trabalhar e do que é fazer trabalho para além das horas que são combinadas e a dificuldade que é depois de gozar essas horas. É sobretudo isso que me traz aqui, porque entre as mais de 100 medidas, são muitas, mas essas são as duas que me chamam mais a atenção.

O documento começa agora a ser discutido dia 18 de junho, vai ser discutido na especialidade. Quais são os próximos passos se esta reforma laboral for aprovada?

Eu quero acreditar que as forças políticas que têm assento na Assembleia irão escutar o povo português, porque é mais ou menos unânime que a classe trabalhadora não concorda com esta revisão, por todos os motivos que eu disse e outros motivos. Eu quero acreditar que as forças políticas irão ter isso em consideração e que não irá avançar para o dia 18 de junho.

Bruno Bairrão, um dos milhares de manifestantes que está agora aqui à porta da Assembleia da República. Escuta-se o Grândola Vila Morena, música de Zeca Afonso. Vê-se também vários cartazes, pedem que o pacote laboral seja mandado abaixo. Dizem os cartazes que estamos cansados de ser explorados.Também vários cartazes a dizer que só mais um empurrão e o pacote vai ao chão. É esta a toada da manifestação que agora escuta o Grande Vila Morena e que está aqui à porta da Assembleia da República.

Manifestação acompanhada pelo repórter do Observador, Miguel Pina-Andrade. Fazer ainda referência ao fato de se terem juntado a esta manifestação, Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP, e também José Manuel Pureza, o coordenador do Bloco de Esquerda, líderes partidários que marcam presença neste protesto organizado pela CGTP.

O secretário-geral da CGTP refere que a participação na greve é muito significativa.

Sim, Tiago Oliveira diz mesmo que está a ter uma adesão semelhante à greve geral do passado mês de dezembro. Não há números globais. O líder da Intersindical fez apenas referência a alguns setores e empresas, o caso do setor da indústria. Fez também questão de sublinhar o impacto da greve no setor privado da saúde.

Hospitalização privada. Impactos significativos nos Lusíadas, Amadora e Lisboa, no Hospital CUF em Sintra, no Hospital Luz em Lisboa. Setor do têxtil e calçado. Empresa Mabera, 99% de adesão, Tearfield, 95% de adesão.

Os números foram acompanhados de críticas dirigidas ao governo.

Nós estamos perante um governo completamente alheado da realidade de quem trabalha, um governo que tem uma agenda, que tem um objetivo e que hoje, com as declarações da ministra, revelou-se, de facto, perante toda a gente perceber qual é o objetivo concreto deste pacote laboral. Não é para responder aos interesses dos trabalhadores, é sim, um pacote laboral construído e apresentado por este governo, mas deverá se dar com o grande capital, com as associações patronais.

A acusação foi feita por Tiago Oliveira ao início da tarde.

É uma acusação feita a reboque das declarações da ministra do Trabalho, precisamente sobre esta greve.

Maria do Rosário Palma Ramalho chamou jornalistas ao ministério para fazer um balanço da paralisação e sobressai esta afirmação: "A esmagadora maioria dos portugueses está a trabalhar".

A expressão é muitíssimo reduzida no setor privado, o país está a trabalhar. O país e os trabalhadores a quem primacialmente esta legislação laboral se vai aplicar. No setor público já não é naturalmente assim, por força do que eu indiquei, mas os serviços continuam a ser assegurados, nomeadamente serviços de atendimento e em alguns casos específicos, como o da saúde, naturalmente, os serviços de urgência estão plenamente assegurados.

Os sindicatos do setor da saúde falam numa adesão a rondar os 80% no setor da saúde. Há também várias escolas encerradas de norte a sul do país. Perto de metade das escolas, segundo a ministra do Trabalho, estão hoje encerradas. O impacto faz-se sentir também no setor da Justiça. Por exemplo, foi adiado o início do julgamento da Operação Tempestade, para feita, por causa da falta de funcionários judiciais. Em relação a eventuais leituras políticas, a retirar desta greve geral e condicionar dessa forma a atuação do governo relativamente à proposta de lei da alteração ao Código do Trabalho, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, diz que o processo legislativo não vai ser interrompido.

O governo respeita integralmente o direito de greve e o exercício da greve, mas o que lhe cabe no final do dia é executar o seu programa e, portanto, o governo mantém, como é óbvio, a intenção de discutir o projeto da reforma laboral Trabalho 21, que, aliás, já está na Assembleia e esse projeto será tratado aí.

Esta greve geral não faz desmover o governo de avançar com as alterações ao Código do Trabalho.

Portugal pode vir a ser hoje eleito para o Conselho de Segurança da ONU. A votação tem início a esta hora.

A votação por voto secreto tem lugar na Assembleia Geral das Nações Unidas. Portugal é um dos países na corrida a um lugar não permanente. O Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes: China, Rússia, Estados Unidos, França, Reino Unido, todos com direito de veto. Depois são eleitos outros 10 membros, desta feita não permanentes, com mandatos de dois anos. Portugal é candidato a um desses mandatos. Vai ter adversários, Alemanha e Áustria. A concretizar-se a eleição, vai ser a quarta presença de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O mandato inicia-se em janeiro do próximo ano. A eleição é imprevisível. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, está em Nova Iorque para acompanhar este processo.

Vamos a outras notícias que estão em destaque a esta hora.

Dezoito de junho é a data para o arranque da discussão da proposta de lei do governo de alterações ao Código do Trabalho. Decisão saída da reunião de conferência de líderes desta quarta-feira. Para 12 de junho ficou marcado o debate da proposta de criação da Prestação Social Única, que vai substituir 13 prestações sociais. É já daqui a menos de uma hora, está agendada para 17h, a conferência de imprensa da Seleção Portuguesa de Futebol. Um jogador vai estar à conversa com os jornalistas neste dia de concentração dos convocados para o Mundial na Cidade do Futebol, em Oeiras. Portugal joga no próximo sábado o primeiro amigável de preparação para o Campeonato do Mundo. Vai ser frente ao Chile, no Estádio do Jamor.