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Abicorreia. Começamos este jornal, Vasco, com esta onda de calor que está já a provocar vários incêndios em todo o país. A Proteção Civil registou mais de 60 ocorrências desde a meia-noite.
Da meia-noite até às 15h, balanço feito pelo comandante nacional da Proteção Civil, há instantes, Mário Silvestre, numa conferência de imprensa conjunta com várias entidades para dar conta do trabalho que está a ser realizado de prevenção aos fogos, também para dar vários conselhos à população para estes dias mais quentes. Voltamos em direto até Carnaxide, onde, Martim Madeira, ainda decorre essa conferência.
Sim, agora houve uma questão sobre as aldeias, como é que vão fazer para acompanhar a população em termos do calor. Estiveram a falar de encontrar locais que muitas vezes nas aldeias podem ser as juntas, se for necessário, também o trabalho na parceria com a Proteção Civil, diárias, onde necessário, a passagem de pessoas. E agora voltamos a ouvir outra vez o presidente da Proteção Civil. Vamos esperar agora por uma das questões.
Questionava relativamente à situação que está ativa neste incêndio mais concreto. Perceber exatamente como é que a situação está neste momento, tendo em conta que diziam há bocadinho que a noite de hoje e a de amanhã terá aquela janela de tempo muito reduzida no que diz respeito àquele que é o vosso trabalho noturno, que permite, muitas das vezes, alcançar um pouco mais de terreno para além do fogo, perceber exatamente o que se espera das próximas horas e se nos conseguem fazer o balanço de como é que está o incêndio de Vouzela neste momento.
Está se a referir apenas ao incêndio de Vouzela, correto? Pronto, o incêndio de Vouzela é um incêndio que se caracteriza inicialmente, sobretudo, por um incêndio de vento, com uma propagação muito elevada do ponto de vista da sua velocidade de propagação. E, portanto, neste momento, o flanco esquerdo é o flanco que nos dá mais preocupações. Estamos a reforçar o teatro de operações com meios terrestres e com equipas de análise do uso do fogo para, com a rotação de ventos que temos prevista a partir das 20h, podermos, com essa rotação de ventos, extinguir o resto do incêndio. E, portanto, será uma noite de muito trabalho, será uma noite de trabalhos prolongados. Temos em crer que durante a noite, apesar da janela de oportunidade ser reduzida, vamos apostar para que quando isso acontecer, tenhamos a capacidade de extinguir o incêndio.
Só uma questão, de facto, ainda a completar. Não sei se consigo só perceber se o fogo está muito perto da aldeia ou não.
Aqui a fazerem a questão de que se o fogo está muito perto da aldeia ou não.
O incêndio chegou perto da aldeia de Vermoim, aliás, começou encostado à aldeia de Vermoim. Neste momento, não. O flanco esquerdo tem esse potencial, mas é mais uma vez uma situação que estamos a falar de um território muito povoado, por muitos apoios agrícolas, muitas casas dispersas e, portanto, tudo isto acaba por ser um problema para as operações de combate, uma vez que, como é óbvio, a principal prioridade que temos é salvar todos estes bens das pessoas e, portanto, isto causa, como é óbvio, uma dispersão significativa no dispositivo. Mas mais uma vez, estamos a mobilizar um conjunto de recursos que previsivelmente nos irá permitir extinguir o incêndio nas próximas horas.
Muito bem, muito obrigado. Só em complemento, não sei se só para ficar em tese, pelo aquilo que eu percebi da pergunta, quando o senhor comandante se referiu que vamos ter, de facto, noites tropicais e o IPMA corroborou através dos dados que tem, para nós, na perspectiva do combate, as noites sempre aproveitadas, porque existe uma entrada de condições de umidade nos combustíveis que permite atrasar o desenvolvimento dos incêndios. E por isso é que a noite é uma boa conselheira, quando elas não são tropicais. Quando elas têm esta característica e com este tipo de temperaturas, deixam de ser um fator que nos ajuda. Ainda assim, a noite é noite e, portanto, a perspectiva que existe relativamente a Vouzela será tal como o senhor comandante explicou. Mas em tese, para qualquer outra parte do nosso território, a noite tem esta bonomia, que é trazer com ela esta umidade, que infiltrada nos combustíveis finos, atrasa a forma de propagação dos incêndios. Não havendo mais questões, agradeço a vossa disponibilidade e também que se tornem nossos parceiros na difusão destas informações que aqui foram relatadas. Agradecer também a todos os agentes de proteção civil que aqui connosco nesta conferência de imprensa preventiva. Muito obrigado a todos e até uma próxima oportunidade.
Pronto, aqui o encerramento desta conferência de imprensa com todos os agentes responsáveis e em cooperação para estes incêndios. Aqui a relembrar a situação que está mais crítica neste momento, que é o incêndio em Vouzela, que teve início às 3 am, que está em curso ainda numa zona que Mário Silvestre disse ser complexa. Deram-nos conta de que existiram 1995 operacionais, 537 meios terrestres, 61 meios aéreos para todos os 62 fogos, mas especificamente neste de Vouzela, pelo menos 303 operacionais, 89 meios terrestres e cinco meios aéreos neste incêndio, que por agora tem estado a ser o mais crítico de todos no território nacional. Também falaram na questão da saúde, um dos outros pontos mais importantes desta conferência, sobre como é que se ia acompanhar a situação da saúde no interior. Falaram em encontrar locais que muitas vezes nas aldeias podem ser mesmo as próprias juntas de freguesia para as pessoas se refrescarem ou para ficarem num sítio mais fresco. Também disseram que vão ter um trabalho de parceria entre a DGS e a Proteção Civil para especificar planos e áreas onde, se necessário, caso as pessoas estejam a sofrer com o calor, seja um ponto de passagem nessas aldeias, nessa região do interior.
Martim Madeira, repórter do Observador, aqui em direto de Carnaxide, a acompanhar esta conferência de imprensa agora terminada na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. E esta tarde o Governo declarou situação de alerta. Luís Montenegro justifica a decisão com as altas temperaturas que já se fazem sentir.
E que vêm para ficar. Numa publicação na rede social X, o primeiro-ministro, que vai estar esta noite no Canadá a acompanhar o jogo da Seleção Nacional no Mundial de Futebol, garante que vai acompanhar ao detalhe a evolução do estado do tempo e pede respeito à população pelas indicações das autoridades. Diz que cabe a todos os cidadãos a responsabilidade da prevenção nestes dias mais difíceis.
A ministra do Ambiente e da Energia admite apagões localizados por causa das altas temperaturas e pede à população para poupar água.
Maria da Graça Carvalho esteve esta manhã na Galiza para inaugurar a nova interligação elétrica entre Portugal e Espanha. Apesar de não afastar essa possibilidade de apagões localizados por sobrecargas, sublinha que a rede elétrica está preparada.
Se isso acontecer, é natural de uma sobrecarga de utilização de ares condicionados, de muita utilização elétrica. Pode haver apagões localizados. Temos uma rede, neste momento, muito resiliente, porque temos feito muitos investimentos, mas não estamos livres disso poder acontecer.
É o que diz Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, que afirma também que se tem verificado uma utilização de água acima do normal em alguns pontos do país. Apela a uma gestão mais responsável.
Logo à noite há Portugal-Croácia no Mundial de Futebol. É uma partida dos 16 avos de final.
E que está marcada para a meia-noite, já a entrar no último dia desta fase a eliminar, ou desta primeira ronda da fase a eliminar. Aqui na Rádio Observador, há emissão especial de desporto para acompanhar logo depois das 10h30 da noite. É mais um teste à seleção rumo à final. A equipa portuguesa tem estado em campo e agora damos destaque a um dos internacionais portugueses, João Neves, autor do golo português no jogo contra o Congo, ainda na fase de grupos. Beatriz Félix, agora conosco em estúdio, tens algo a dizer sobre os laços familiares deste internacional português.
É verdade, Vasco, mas começo por te dizer que o João Neves é dos jogadores mais novos, tem 22 anos, nasceu no dia 27 de setembro de 2004, em Tavira, no Algarve, e é então daí que vem quase toda a linhagem deste médio português, até falarmos do pai. É precisamente desse lado que vem o apelido Neves, que usa nas camisolas de jogo, nome que parece ter tido também início com a sexta avó do João, Maria das Neves, que nasceu na freguesia de Nossa Senhora das Neves, em Beja, em 1779.
E João Neves tem parentes bem conhecidos, até improváveis, não é assim?
Sim, há pelo menos três grandes nomes que fazem parte da árvore genealógica de João Neves. Não te vou fazer adivinhar, Vasco, digo-te já quem são.
Obrigado.
Fernando Pessoa, Eça de Queiroz e António José Seguro. São ligações longínquas, porém válidas, e a contar praticamente sempre a partir dos nonos avós de João Neves.
E de onde é que vem esta ligação ao presidente da República?
A ligação vem precisamente do lado do pai de João Neves, Pedro Manuel de Mateus Neves, e dos ramos ascendentes que pertencem à Beira Baixa, tal como António José Seguro. É assim que nós conseguimos encontrar esta explicação para que João Neves e António José Seguro sejam parentes com, de um lado, João Simão e Isabel Gonçalves, serem nonos avós do jogador, também do presidente da República. Lá está aqui esta ligação sempre comum a partir dos avós mais lá para trás.
João Neves é parente, por isso, de António José Seguro, também de Fernando Pessoa e Eça de Queiroz. Esta é uma investigação histórica e científica feita pelo Observador em parceria com a Associação Portuguesa de Genealogia, já depois de terem sido feitas também as árvores genealógicas de outros elementos da seleção, como Cristiano Ronaldo, Vitinha, Rúben Dias e Bruno Fernandes.
Pode ler mais sobre esta notícia em observador.pt. Vasco, vamos ainda a outras notícias que estão em destaque a esta hora.
O Ministério Público pede a condenação de Mário Ferreira, o empresário que detém a Mystic Invest, dona da Douro Azul, foi acusado de fraude fiscal pela venda do navio Atlântida em 2025, a uma sociedade constituída em Malta. Venda que resultou num ganho de mais de € 3 milhões, montante que não foi atempadamente declarado. O Ministério Público acredita que a declaração tardia possibilitou a obtenção de uma vantagem ilegítima em sede de IRS de cerca de € 1 milhão. Portugal teve a maior subida da União Europeia nos preços das casas no primeiro trimestre deste ano. Os dados são do Eurostat, dão conta de um aumento de quase 18% face ao mesmo período do ano passado. Já na variação em cadeia, Portugal desce, mas apenas para o segundo lugar, com uma subida de perto de 4%. A circulação ferroviária da Linha do Minho está suspensa entre Nine e Arentim, devido ao incêndio junto a esta via. De acordo com as infraestruturas de Portugal, a circulação foi suspensa por volta das 14h45. De acordo com o Correio da Manhã, trata-se de um incêndio que deflagrou nos armazéns da CP, na estação de Nine, que poderá ter tido origem no outro incêndio ativo em Vila Nova de Famalicão. Para este incêndio em Nine, em Vila Nova, estão mobilizados mais de 70 operacionais apoiados por duas dezenas de viaturas e dois meios aéreos.