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Jornal das quatro, edição do Luís Soares. O presidente da empresa que gere o SIRESP assegura que existe um escrutínio permanente. A garantia foi deixada numa audição no Parlamento.
Paulo Viegas Nunes foi ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Incêndios Rurais. Garante que todos os meses é feito um relatório que é entregue à Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.
O SIRESP tem vários mecanismos de report e de relação com os utilizadores, tem métodos formais, nomeadamente relatórios periódicos em que os vários utilizadores reportam anomalias que possam sentir na perceção de utilização que têm da rede.
A resposta do presidente do SIRESP ao deputado Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, sobre se existem ou não negócios abusivos relacionados com este sistema. O secretário-geral do ministério foi ontem demitido pelo ministro Luís Neves, lançou várias suspeitas à empresa que detém o SIRESP, nomeadamente a que recebe anualmente a indenização compensatória a cerca de 26 milhões de euros, sem qualquer fiscalização externa ou independente.
O antigo secretário-geral do Ministério da Administração Interna acusa Luís Neves de o proibir de enviar e-mails e comunicações escritas para outros gabinetes.
Foi entrevista à RTP Notícias, Ricardo Carrilho volta a considerar que a saída da Secretaria-Geral do ministério foi uma tentativa de saneamento político. Revela agora que estava proibido de enviar e-mails para outros elementos do ministério em assuntos relativos a processos de milhões de euros. Ricardo Carrilho considera essa proibição um ato de esconder provas.
A senhora chefe de gabinete e o senhor ministro, desde o início me disseram que me proibiam de mandar e-mails e proibiam de mandar comunicações. O senhor ministro o que me disse foi que se houvesse assuntos a resolver, eu que fosse reunir com ele e em 15 minutos nós despachávamos os assuntos. E estamos a falar de procedimentos de milhões de euros. E muitas vezes me acusou de eu fazer algo que ele não aceitava, que era enviar e-mails a ele ou ofícios ao gabinete, com conhecimento aos senhores de tal Estado, aos senhores chefes de gabinete dos senhores de tal Estado, porque alegadamente eu só tinha que tratar as coisas com ele e não tinha que pôr nada por escrito. Portanto, desde logo, há aqui uma tentativa, de fato, de não haver prova.
A acusação de Ricardo Carrilho deixada em entrevista à RTP Notícias, o antigo secretário-geral do Ministério da Administração Interna explica que Luís Neves deixou na gaveta um projeto de reforma do ministério que poderia poupar 11 milhões de euros aos cofres do Estado. Considera que os episódios graves apontados pelo governo são falsos.
Sobre a demissão do secretário-geral do ministério, os vários partidos querem esclarecimentos. O PS formalizou o pedido que tinha sido anunciado ontem por José Luís Carneiro.
E pede a audição parlamentar urgente do ministro Luís Neves e também do anterior secretário-geral para esclarecer os fundamentos da decisão de Luís Neves de demitir Ricardo Carrilho. O PS quer que estas audições sejam feitas com caráter de urgência, o mesmo tinham feito já ontem o Chega e a Iniciativa Liberal. O secretário-geral do PCP também quer clarificação. Paulo Raimundo deixa críticas ao modelo de gestão do SIRESP.
O modelo do SIRESP S.A., nas condições em que descreveu, é o mesmo que o governo quer fazer pra Saúde S.A., pra Educação S.A., pra Economia S.A., pras Finanças S.A., pra Habitação S.A. E um país Portugal S.A. não é o caminho pra Portugal, nem pra esses pequenos e médios empresários, nem para os trabalhadores.
Paulo Raimundo defende que é preciso clarificar o mais rapidamente possível o que se passou na Secretaria-Geral do ministério. Considera que este não é um problema do ministro, é um problema do governo. Também o Bloco de Esquerda quer esclarecimento. O coordenador do partido classifica a mais recente polêmica como constrangedora.
O presidente da Assembleia da República considera que se o Livre discordar da interpretação sobre o alegado conflito de interesses de André Ventura na presidência da Comissão de Inquérito ao Ministro da Administração Interna, então deve recorrer da decisão.
O Livre entende que pode estar em causa um conflito de interesses por o presidente do Chega ser assistente no caso do assalto ao gabinete na Assembleia da República, ao mesmo tempo que é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito. Num despacho publicado hoje, Aguiar Branco diz que os elementos apresentados pelo partido não sustentam a existência desse conflito, uma vez que são processos separados. Em declarações aos notícias em Aveiro, JP de Aguiar Branco desvaloriza o diferendo e sublinha que o Livre pode agora recorrer.
O partido Livre, se não está de acordo com o meu despacho, faz o respectivo recurso e depois segue aquilo que é a tramitação normal. Aliás, os recursos do presidente da Assembleia da República podem ser feitos para o próprio plenário e, portanto, tem essa situação, que é aquela que o Partido Livre deve fazer, não concordando ou não concordando com aquilo que é a posição do presidente da Assembleia da República. É tudo muito calmo, tudo com a tranquilidade democrática e com respeito das regras da democracia e do Parlamento. É isto que se espera que todos façamos e, portanto, não há nenhum drama a esse propósito.
José Pedro Aguiar Branco, em declarações transmitidas pela CNN Portugal, foi também questionado sobre a entrevista a Pedro Passos Coelho, diz que as palavras do antigo primeiro-ministro devem ser recebidas com atenção.
São sempre importantes e é sempre de ouvir com muita atenção as declarações de um antigo primeiro-ministro, portanto, também do doutor Pedro Passos Coelho. Eu conheço bem também o doutor Pedro Passos Coelho, porque até fui ministro num governo em que ele foi primeiro-ministro, e a única coisa que eu a esse propósito posso dizer é que tenho a certeza absoluta que ele estará sempre disposto a ajudar quer o primeiro-ministro, quer o governo a fazerem o melhor desempenho possível, porque inclusivamente o melhor desempenho do governo há de ser sempre aquilo que é bom para o país e eu acredito que o doutor Pedro Passos Coelho deseja sempre o melhor país.
O presidente da Assembleia da República rejeita fazer leituras políticas das declarações de Pedro Passos Coelho sobre as críticas do antigo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que o acusa de ter anormalizado o Chega. Aguiar Branco diz que não tem por hábito comentar declarações de antigos titulares do cargo, mas reconhece diferenças óbvias na forma de encarar a função de presidente da Assembleia da República e a própria democracia.
O antigo líder do PSD, Luís Filipe Menezes, diz que não percebe as críticas que estão a ser feitas a Pedro Passos Coelho.
Considera que o partido e o governo têm de saber lidar com a crítica. Explica que a força do PSD está precisamente na pluralidade de opiniões dentro do partido. No explicador desta manhã, Luís Filipe Menezes usou o passado para provar isso mesmo.
É uma tradição democrática e sempre foi a força do PSD. Lembra-se bem quando Cavaco Silva Foi uma peça fundamental da queda de Pedro Santana Lopes, quando escreve aquele famoso artigo das duas moedas.
Boa moeda, má moeda.
Lembra-se, por exemplo, quando o próprio Santana Lopes abandona o PSD, embora agora seja muito crítico do Pedro Passos Coelho, mas quando abandona o PSD discordando da liderança do Rui Rio, ou quando eu próprio discordei da liderança de Manuela Ferreira Leite. Portanto, é preciso que os líderes do PSD leiam a história do partido e convivam com a crítica.
Por esta razão, o antigo líder do PSD diz que o governo deve aproveitar os avisos de Pedro Passos Coelho. Foi no Explicador desta manhã.
Também o deputado do CDS, João Almeida, considera que Pedro Passos Coelho não é um inimigo da Aliança Democrática.
Admite, no entanto, que as críticas do antigo primeiro-ministro não são confortáveis para o governo.
Não é um inimigo, de maneira nenhuma. Nem acho que queira o mal do governo. Acho que tem opiniões que são próprias, não são novas. Eu acho que mesmo com divergências, o passado dos partidos é relevante, até porque há sempre militantes que continuam a rever-se em cada uma das fases e, portanto, deve haver cuidado nessa gestão.
Se isto atrapalha de alguma forma a ação do governo, para todos os efeitos e em consequência.
Não é bom, isso eu disse até recentemente. Claro que não é bom ter o último primeiro-ministro de uma AD, ex-líder do PSD, a fazer críticas que são críticas à condução política do governo. Não é bom, mas como alguém disse na política há uns anos, é a vida.
João Almeida, deputado do CDS, que foi convidado da comissão de inquérito desta manhã aqui na Rádio Observador.
Passam agora oito minutos das 16h. Atualizamos também outras notícias que estão a marcar a atualidade, Luís Soares.
O Papa Leão XIV é submetido esta tarde a uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão. O líder da Igreja Católica deu entrada no início da tarde no Hospital Gemelli, onde vai ser submetido a esta cirurgia. A recuperação deve durar uma semana. Morreu Netinho, o cantor brasileiro e autor do sucesso "Mila". Tinha 60 anos. Ao longo da carreira, Netinho tornou-se uma das figuras associadas à música que marcou o carnaval da Bahia há mais de um ano, a que o artista brasileiro estava a lutar contra um cancro do sistema linfático. E hoje é terça-feira, dia em que é possível ouvir mais um episódio do mais recente podcast Plus Observador, "Os Escândalos de uma Revolucionária", e o penúltimo episódio já está disponível.
O novo podcast Plus revela a história de Ani Silva Pais, a filha de Fernando Silva Pais, que foi o último diretor da PIDE.
E no Estado Novo, fugiu do marido, diplomata, com a ajuda de Fidel Castro e juntou-se aos cubanos.
Ani está na Holanda em mais uma viagem de trabalho quando Zé Manel é detido. Alguns dias depois, já em Madrid, onde está a aguardar voo de regresso à Havana, escreve à mãe. O postal tem data de 5 de julho. Nele, Ani assume-se um pouco triste com o que aconteceu, mas determinada a ajudar o namorado assim que voltar a casa. "Tenho de ter forças suficientes para, se possível, ajudar as minhas amizades. Sei bem o que sucedeu, o que desgraçadamente sucedeu e por quê. Mas vais ter grandes surpresas com a Helena António".
Um excerto do quinto episódio e o penúltimo do mais recente podcast Plus Observador, "Os Escândalos de uma Revolucionária", uma série em podcast narrada pela atriz Bárbara Branco e com música original de Frank Chavez.
Há novo episódio todas as terças-feiras, mas os assinantes Standard e Premium do Observador têm, desde já, acesso antecipado a todos os seis episódios. O Luís Soares regressa às 16h30 para atualizar as notícias. Daqui a pouco, já a seguir, aliás, Explicador, com António Rodrigues do PSD, Cristina Rodrigues do Chega e Isabel Moreira do Partido Socialista, sobre a saída do secretário-geral do Ministério da Administração Interna.