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Jornal das quatro, com Miguel Videira. E Miguel, o ministro da Administração Interna elogia a atuação dos agentes da PSP para desmobilizar os manifestantes que, em Lisboa e no Porto, protestavam esta manhã pelo direito à habitação.

E se no Porto os manifestantes acataram o pedido da Polícia de Segurança Pública para abandonarem a Praça Dom João I, o mesmo não aconteceu na Praça do Rossio, em Lisboa. Alguns manifestantes recusaram sair. A polícia acabou por avançar na direção de quem ali se encontrava, empurrando esses manifestantes. Cinquenta e cinco foram detidos por desobediência. O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, considera que a atuação dos agentes foi adequada e o ministro da Administração Interna, também. Luís Neves falou há instantes com os jornalistas à margem de uma iniciativa na FIL, em Lisboa. É para lá que seguimos agora. David Biléu, há elogios do ministro às forças de segurança.

Luís Neves aproveitou aqui uma visita à Feira Internacional de Lisboa para defender a atuação da PSP nas manifestações pela habitação no Porto e em Lisboa. Em declarações aqui aos jornalistas, no Salão Internacional de Proteção de Segurança e Defesa, o ministro da Administração Interna diz que a atuação das forças de segurança esta última madrugada sobre os manifestantes em Lisboa, teve apenas como objetivo repor a ordem pública e sublinha que a lei é para ser cumprida.

É uma competência absoluta operacional das forças de segurança e da Polícia de Segurança Pública, que de acordo com aquilo que está no momento no território e no terreno, tem que encontrar as formas mais adequadas para repor a ordem pública. É isso que estamos a falar. No Porto, e a PSP fê-lo muito bem durante vários dias, aproximou-se dos promotores, falaram, houve alertas. Eu próprio, em mais do que uma ocasião, deixei alertas no sentido de que a lei neste país é para imperar. E eu quero dizer, não só a propósito deste tema. Quero dizer de uma forma global. A lei é para ser cumprida. A força, a firmeza e a robustez das forças serão para ser exercidas quando for necessário.

Luís Neves deixou ainda um apelo aos manifestantes, tanto do Porto como em Lisboa. Diz que os comportamentos extremistas vão ser sempre reprimidos.

Todas as valências do Estado, da prevenção, da ordem pública e da investigação criminal serão acionadas sempre que se verifique a desregulação da lei. E, sobretudo, deixar esta nota muito tranquila, muito firme, que é a que ninguém ouse tentar aqui trazer o caos ou trazer a violência. Quaisquer comportamentos extremistas, e extremistas do ponto de vista criminoso, serão naturalmente reprimidos.

Foi a defesa, a atuação das forças de segurança feita pelo ministro da Administração Interna, aqui na Feira Internacional de Lisboa, Miguel.

Ontem com outras, David Biléu, repórter do Observador, que captou estas declarações do ministro Luís Neves com elogios às forças de segurança e também com este aviso: "Ai de quem ouse importar protestos de outras latitudes", naquilo que se interpreta como uma referência aos violentos protestos que aconteceram em França.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa vê com normalidade a intervenção da polícia na acampada pela Habitação no Rossio.

Carlos Moedas sublinha que o direito à manifestação é sagrado, mas não pode justificar atos de vandalismo no espaço público e aponta culpas aos executivos do PS pela crise na habitação.

Eu vejo com normalidade. A polícia, ou seja, o direito à manifestação, ele é sagrado, as pessoas estão ali a manifestar, e bem. Agora, não podem estar a vandalizar o caso de uma estátua que tem 150 anos e não podem estar constantemente no espaço público, que é de todos. E, portanto, é normal que isso aconteça. Portanto, é uma causa que tem uma raiz, e essa raiz foram 10 anos parados. E, portanto, aquilo que nós estamos a fazer é mudar esse paradigma. Claro que não chega, porque foram 10 anos sem fazer nada. Foram 10 anos de ideologia. A ideologia não dá casa a ninguém.

A reação do autarca de Lisboa à intervenção da PSP na acampada do Rossio, à entrada para a sessão extraordinária da Assembleia Municipal, registro captado pela CNN Portugal. Questionado sobre se está disposto a falar com os manifestantes, Carlos Moedas disse apenas que a Câmara está disponível para receber todos.

Os 55 detidos esta manhã no Rossio já foram libertados e vão ser presentes a tribunal amanhã.

Entre críticas à atuação da polícia. Marina Caboclo, advogada de 27 detidos, considera que a ação da PSP foi ilegal e revela que vários manifestantes ficaram feridos, não apenas os dois que são referidos pelas autoridades. A advogada acusa a polícia de agir sob pressão do poder político.

Na verdade, a ação policial foi uma medida desproporcional e injustificada contra pessoas que estavam a exercer o seu direito de manifestação, que não cometeram, na verdade, qualquer tipo de ilegalidade que desse azo ou que desse pretexto à intervenção. Portanto, aquilo que nós tivemos foi uma intervenção policial, que foi fruto de uma decisão do poder público, não é uma decisão de repressão de uma manifestação que estava a decorrer no exercício do direito constitucional, do direito de manifestação e de reunião.

Ora, os clientes da advogada vão amanhã ser presentes a um juiz de instrução criminal para a aplicação das medidas de equação. Para já, foi aplicada a medida mais leve, o termo de identidade e residência, mas a medida aplicada pode vir a ser mais gravosa, no limite, a prisão preventiva, sendo que Marina Caboclo espera que a medida aplicada seja leve. Refere também que não sabe quais os crimes que estão a ser imputados aos arguidos que representa.

Não posso me pronunciar por um processo que está Isso aqui foi apenas a detenção. Nós não temos sequer conhecimento formalmente, nessa fase do processo, da conduta que está a ser imputada a cada uma das pessoas. Portanto, nós não temos sequer a informação do que estão a imputar, que essa ou aquela pessoa possa ter cometido. Nós só sabemos que foram detidas essas pessoas, aqui 27 pessoas, outras que foram conduzidas também para a esquadra do Martim Moniz. Nós não sabemos mais nada, por enquanto.

Os 27, os 55 arguidos vão ser presentes a juiz para primeiro interrogatório judicial amanhã, às 14h.

Sem recuo, o governo mantém a proposta de alteração à lei das rendas, apesar das críticas ouvidas durante as manifestações dos últimos dias.

E apesar do apelo, também nesse sentido, o Partido Socialista feito ainda esta manhã pelo secretário-geral José Luís Carneiro, e da ameaça do Chega de rasgar o acordo com os partidos do governo e votar contra o projeto em sede de especialidade. Ora, o vice-presidente social-democrata Alexandre Poço espera que os compromissos sejam honrados.

Eu projeto para os outros a minha forma de ser. E o PSD, quando fala com os outros partidos políticos, parte de um princípio de confiança. Se eu assinar um acordo consigo, eu assumo que os dois vamos honrar. E, portanto, aquilo que ficou decidido é que a proposta ia para a especialidade, ia ser discutida ao detalhe, para que as pessoas também entendam o que é isso da especialidade, ia ser discutida ao detalhe, em particular sobre quatro tópicos. E nós somos pessoas de palavra.

Alexandre Poço, face à eventualidade do Chega voltar com a palavra atrás e deixar de apoiar esta proposta do governo de alteração à lei das rendas. O vice-presidente social-democrata responsabilizou ainda os governos do Partido Socialista pelo aumento dos preços no setor da habitação ao longo da última década.

O governo francês garante que as ruas de França vão contar com uma presença policial massiva e o apoio de forças militares para conter os novos protestos estudantis marcados para este fim de semana.

Ao parlamento francês, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reitera que os protestos transformaram-se num plano de insurreição liderado por grupos de extrema-esquerda e ultraesquerda. E diz que a ação policial foi uma escolha entre a violência e a República.

O dispositivo de segurança para o próximo sábado será de grande dimensão. Senhor ministro, voltaremos. Este assunto será apresentado ao ministro da Administração Interna. Eu próprio terei a oportunidade de o apresentar no próximo domingo. Está em causa a segurança de um exercício democrático absolutamente fundamental. No domingo reunirei também com as organizações sindicais para abordarmos a proteção da liberdade de expressão dos sindicatos. Por isso, volto a afirmá-lo, é preciso escolher de uma vez por todas de que lado estamos, do lado da violência ou do lado da República.

A declaração do chefe de governo francês no Parlamento Galejo ao ministro do Interior anunciou que vão ser acionadas forças militares para reforçar a segurança durante os protestos previstos para o próximo sábado.

No desporto, o Sporting recebe amanhã o LASK Linz, em Alvalade, para a terceira jornada da Liga dos Campeões e vai procurar a terceira vitória em três jogos.

Imparáveis os Leões, dois jogos, duas vitórias. Rui Borges, o técnico, destaca a importância da partida frente ao Linz ser em casa.

Damos um passo importante se conseguirmos nove pontos naquilo que é conseguir o primeiro objetivo, que é o playoff da Liga dos Campeões. Será sempre esse o nosso primeiro objetivo. Agora, é importantíssimo ganhar. É importante, como eu disse, sabemos o quão importante é ganharmos em nossa casa e quão importante foi a época passada, nesse sentido, ganharmos os nossos jogos em casa, mesmo perante grandes adversários. Por isso, é importantíssimo e a equipe e o grupo sabem disso.

O Sporting está com um pé na próxima fase da Liga dos Campeões, pelo menos no playoff, em caso de vitória amanhã frente ao LASK Linz, a equipe austríaca. Para já o Sporting, dois jogos, duas vitórias. Esta terça-feira entra em campo o Porto, com um trajeto bem diferente. Dois jogos, duas derrotas. Um ciclo que o Porto procura inverter. Mais logo, no Estádio do Dragão, 20h, o adversário é o PSV Eindhoven. Vamos contar-lhe tudo numa emissão especial que arranca logo a seguir à síntese das 19h30.

Para fechar, Miguel, outros temas em destaque.

Um apenas. O presidente da Assembleia da República, outra vez, indeferiu o pedido do LIVRE para realizar amanhã um debate de urgência sobre habitação. Mantém-se, explica o presidente da Assembleia, a inobservância do intervalo temporal entre debates de urgência. Esta a justificação de José Pedro Aguiar-Branco. O LIVRE apresentou na segunda-feira um pedido de reapreciação de um despacho do presidente do Parlamento, que indeferiu o requerimento para esse debate de urgência. Na quarta-feira, amanhã, subordinado ao tema "Responder à Emergência". Ora, em causa, a limitação estabelecida no Regimento da Assembleia da República, segundo o qual em cada quinzena pode realizar-se um debate de urgência a requerimento potestativo de um grupo parlamentar. Sendo que no passado dia oito ocorreu um debate da mesma natureza, este requerido pelo Chega, Aguiar Branco decidiu recusar este pedido do LIVRE. Os porta-vozes do LIVRE, Jorge Pinto e Isabel Mendes Lopes, prometem reagir a esta decisão do presidente da Assembleia daqui a pouco nos Passos Perdidos.