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Jornal das seis, com a Vanessa Cruz.

Falhou mesmo a eleição de Tiago Antunes para Provedor de Justiça. O Observador já tinha noticiado que a eleição estava em risco e o antigo secretário de Estado de António Costa não conseguiu mesmo reunir os votos suficientes. Miguel Viterbo Dias, em direto do Parlamento. Os apelos e garantias dos líderes parlamentares de PS e PSD não colheram junto de todos os deputados das respectivas bancadas. Vamos a essas contas.

Sim, precisava de 154 votos para ser eleito, teve apenas 104 votos a favor. Tiago Antunes registou ainda 86 votos em branco e 36 nulos, portanto, bastante longe dos dois terços necessários para a eleição como Provedor de Justiça. Por agora, resta aguardar para conhecer a decisão sobre se o PS e Tiago Antunes vão tentar uma nova volta, uma nova ronda de votação, ou se irão retirar este nome e propor um outro para o lugar de Provedor de Justiça. Também nos outros órgãos externos, que já foram contabilizados a esta hora, no Conselho de Estado, tudo como previsto. O PS elege um nome, o de Carlos César. Já a lista do PSD e do Chega elege quatro. Entram assim Carlos Moedas, também Leonor Beleza e Pedro Duarte e ainda André Ventura. Por fim, e porque o tema está também no topo da agenda por estes dias, Luís Pais Antunes, indicado também pelo PSD, foi reeleito presidente do Conselho Económico e Social, teve 191 votos a favor. Mas confirma-se aquilo que o Observador já tinha adiantado, de que Tiago Antunes era um nome que colhia muitas divisões na bancada do PSD e também algumas no PS, e registou apenas 104 dos 154 votos que precisava para ser eleito.

Miguel Viterbo Dias, com estas contas às eleições que estão a decorrer na Assembleia da República, marcadas por esta que acabou por não se revelar positiva para Tiago Antunes, não conseguiu ser eleito Provedor de Justiça. Foi adiada, entretanto, a votação para o Conselho de Opinião da RTP por causa de incompatibilidades nos nomes dos indicados pelo Chega, que são deputados. André Ventura e também o PSD protestaram contra este adiamento.

E o Partido Socialista vai apresentar uma alteração à lei para que possam continuar a ser conhecidos os nomes de quem doou dinheiro aos partidos políticos.

Esta iniciativa surge na sequência de notícias que referem que, depois de um parecer, a entidade que fiscaliza o financiamento dos partidos deixou de disponibilizar a identidade dos doadores. Os problemas foram levantados pelo Bloco de Esquerda, PCP e Chega. Perante as dúvidas, o PS anunciou esta tarde, através do deputado Pedro Delgado Alves, que vai apresentar uma iniciativa para evitar um retrocesso nesta matéria.

O Partido Socialista dará entrada, já na próxima semana, de um projeto de lei que, de forma muito clara e muito simples, é uma pequenina alteração à lei do financiamento dos partidos, em que denota que os donativos recebidos devem ser públicos e acessíveis. Seria um enorme retrocesso que, por faltar uma clarificação na lei, por faltar uma expressa habilitação, que possamos recuar nesta matéria. Portanto, acho que não há tempo a perder e faremos já a apresentação disto na próxima semana.

Pedro Delgado Alves, na Assembleia da República, a responder aos jornalistas esta tarde. O Bloco de Esquerda anunciou também que quer chamar ao Parlamento a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos e também a Entidade das Contas dos Partidos Políticos para ter esclarecimentos sobre esta interpretação da lei.

Entretanto, terminou o encontro em sede de concertação social. O governo entregou uma nova versão aos parceiros sociais. A UGT, à saída, mostrava-se pessimista.

Ainda longe de um acordo, é o que diz o secretário-geral Mário Mourão. Vamos em direto até o Palácio das Lanajeiras, onde fica o Conselho Económico e Social, onde decorreu este encontro. Laura Figueiredo, quais são as reações dos parceiros sociais?

Boa tarde, Vanessa. Como dizias, Mário Mourão saiu algo pessimista, a dizer que estamos longe de chegar a acordo e que a UGT vai agora analisar esta mais recente versão do anteprojeto que foi hoje entregue pelo governo, uma versão em que constam alguns pontos que têm sido consensualizados durante as reuniões bilaterais, é o que diz Mário Mourão, que diz também que esta reunião serviu apenas para esclarecer algumas declarações que têm sido feitas ao longo do tempo. Nomeadamente, a UGT tinha a percepção de que os empresários tinham abandonado as negociações. Mário Mourão diz que parece que não é bem assim, mas que continua a faltar neste anteprojeto, por exemplo, matérias como a questão da jornada contínua, os contratos a termo, outsourcing ou o banco de horas. Ainda assim, a UGT continua aberta a fazer pontes para ver se é ou não possível assumir compromissos. Diz que depende agora de outros parceiros e que vão continuar a aguardar. Já pela CGTP, Tiago Oliveira diz que hoje se assistiu a uma enorme falta de respeito ao ter sido excluído da reunião inicial que antecedeu esta reunião da concertação social. Tiago Oliveira diz que isto representa bem a farsa com que tem sido construído todo este processo e atribuiu responsabilidades deste tal encontro inicial ao governo. No entanto, as confederações patronais falaram a seguir e vieram assumir responsabilidade pela tal reunião que deixou a CGTP de fora. Os patrões explicam que este primeiro encontro partiu das confederações patronais, que queriam apenas perceber as duas propostas que foram apresentadas pela UGT na segunda-feira, relativas ao banco de horas e à jornada contínua. A falar em nome das quatro confederações patronais, Armindo Monteiro, da CIP, disse também que esta nova versão do anteprojeto traduz as opções que permitiram fazer um quase consenso e os patrões refutaram também os argumentos de que este projeto traz precariedade. Dizem, por exemplo, que a duração dos contratos foi um ponto que caiu e que, portanto, já não se pretende fazer essa alteração. Terminou, então, sem acordo, uma vez mais, esta reunião de concertação social, depois de quase nove meses de negociações e já mais de 50 reuniões, Vanessa.

Laura Figueiredo, a resumir aqui este encontro, que durou cerca de hora e meia entre os parceiros sociais, em sede de concertação social. Amanhã há mais um encontro para discutir o pacote laboral. A Confederação dos Agricultores de Portugal, que tem assento na concertação social, diz que cada confederação e cada central sindical tem de dizer se aceita ou não um acordo.

E no plano internacional, deverá começar ainda esta noite um cessar-fogo entre Israel e o Líbano.

Para durar 10 dias. O anúncio foi feito pelo presidente dos Estados Unidos há cerca de uma hora, que falou, Donald Trump, hoje, com o presidente libanês, escreve na rede social de que é dono que os dois países se reuniram pela primeira vez em 34 anos em Washington DC e que os Estados Unidos estão a trabalhar tanto com Israel como com o Líbano para alcançar uma paz duradoura. Donald Trump diz que vai arrumar o assunto e resolver mais uma guerra, sendo que foram os norte-americanos e os israelitas que iniciaram esta no Médio Oriente. Já o outro cessar-fogo, que esse já está em vigor entre Estados Unidos e Irão, é para vigorar até à próxima terça-feira.

E num comentário à atualidade da guerra, o major-general João Vieira Borges diz acreditar que vai ser cumprido este cessar-fogo. Isto se o Hezbollah, entretanto, não atacar Israel.

E o Hezbollah já veio reagir a este anúncio de uma trégua, fala num pecado grave. Entrevistado pelo jornalista João Lourenço, o major-general João Vieira Borges acredita que o grupo libanês pode ser um problema para a eficácia das negociações e pode colocar um acordo em risco.

Israel, certamente que vai ter liberdade para atacar ou, pelo menos, para contra-atacar qualquer ataque que seja desenvolvido do Hezbollah. O Hezbollah aqui é que é a questão essencial. Vamos ver qual é o posicionamento, porque obviamente eles não estão de acordo com este acordo por parte do governo libanês.

O major-general João Vieira Borges diz também que ainda é muito cedo para falar num alívio no clima de tensão à volta do Estreito de Ormuz.

E por causa desta guerra no Médio Oriente, há um alerta a fazer furor na Europa. O diretor da Agência Internacional de Energia diz que pode faltar combustível para os aviões.

Sim, só há mais seis semanas de combustível para a aviação. O diretor da agência, Fatih Birol, avisa que sem um acordo para a guerra no Irão, que reabra de forma permanente o Estreito de Ormuz e que desbloqueie, dessa forma, o abastecimento de petróleo, o resultado vai ser o cancelamento de voos por todo o continente europeu.

Nós, na Europa, temos talvez seis semanas ou algo assim de combustível aéreo. Se não pudermos abrir o Estreito de Ormuz, se as refinarias, em resultado disso, não começarem a funcionar, eu posso dizer que em breve ouviremos as notícias de que algumas das viagens de cidade B para cidade A podem ser canceladas, tendo em conta a falta de combustível aéreo.

O diretor da Agência Internacional de Energia, em declarações à Associated Press, acredita que estamos a viver a maior crise energética global.

E perante esta previsão que acabámos de ouvir, Vanessa Cruz, já há voos cancelados?

Já, através da KLM, que acabou por anunciar o cancelamento de 160 voos já em maio. A Associação das Companhias Aéreas de Portugal admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética continuar. Entretanto, está a decorrer a esta hora a conferência de imprensa que se segue ao Conselho de Ministros, uma conferência marcada pelas medidas já pré-anunciadas ontem no debate quinzenal por Luís Montenegro. Medidas para alguns setores dos transportes de mercadorias e transportes de passageiros para fazer face ao aumento do preço dos combustíveis. Vamos dar-lhe conta desta conferência de imprensa nas próximas edições.

E os bispos portugueses reiteram que a Igreja está disponível para ajudar outras instituições da sociedade a combater os abusos sexuais de menores.

A disponibilidade foi manifestada pelo porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, numa conferência de imprensa em Fátima, depois da eleição do novo presidente desta Conferência Episcopal, Virgílio Antunes. Manuel Barbosa sublinha que o flagelo dos abusos atravessa toda a sociedade e por isso a Igreja reafirma esse compromisso em usar a experiência dos últimos anos para proteger as vítimas e reforçar a prevenção junto dos mais vulneráveis.

E Vanessa Cruz, os bispos aproveitaram também para se posicionar perante uma semana que acaba por ficar marcada por uma troca de palavras entre o presidente norte-americano Donald Trump e o Papa Leão XIV.

Solidariedade total com o Papa nos tempos de tensão em que vivemos é a mensagem que sai desta assembleia dos bispos.

E o que é que disse o Papa hoje?

Também falou sobre os conflitos mundiais. Diz que o mundo está a ser destruído por alguns tiranos. O chefe da Igreja Católica está de visita aos Camarões e criticou mais uma vez os senhores da guerra.

Os senhores da guerra fingem não saber que basta um instante para destruir, mas que muitas vezes uma vida inteira não chega para reconstruir. Fecham os olhos ao fato de que se gastam milhares de milhões de dólares em morte e destruição. Jesus disse-nos bem-aventurados os pacificadores, mas ai daqueles que manipulam a religião em nome de Deus para seu benefício militar, econômico ou político, arrastando o que é sagrado para as trevas e para a imundice.

Papa Leão XIV, no encontro pela paz com a comunidade de Bamenda, foi recebido pela população da região anglófona dos Camarões, aqui com mais uma declaração que pode encaixar em Donald Trump, tendo em conta que esta semana o Papa Leão XIV disse que não tem medo do presidente norte-americano e vai continuar a falar sobre as guerras. Entretanto, olhamos ainda para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que já recebeu mais de 3 mil participações relativas às declarações da apresentadora Cristina Ferreira sobre um caso de uma alegada violação de uma menor, é o que está a dizer a Agência Lusa, a citar fonte oficial da ERC. Estas participações estão agora a ser apreciadas. Ontem a TVI emitiu um comunicado, já ao final da noite, a rejeitar as acusações de banalização de um caso de violação discutido no programa da Cristina Ferreira. Diz que as declarações da apresentadora foram descontextualizadas, alvo de manipulação grosseira e prometeu ir até à Justiça com este caso. Uma equipa de especialistas da Universidade de Lisboa descobriu seis novas espécies de aranha na serra de Grândola. A Saittot é uma delas e é do grupo da aranha que serviu de inspiração para o Homem-Aranha em 1962.

Daquela aranha radioativa que picou Peter Parker?

Pois é. E qual é que é o superpoder desta aranha, Ricardo? É cuspir teia com veneno para aprisionar as presas, mas ainda não foram feitas as medições, desenhos científicos, enfim, tudo o que é preciso e também as comparações com outras espécies. Mas, por agora, sabemos que as aranhas descobertas são muito pequenas, mesmo muito pequenas, tamanhos entre 2 milímetros e 1,5 centímetro, para termos aqui uma noção, vão do tamanho da cabeça de um alfinete ao de uma moeda de €0,01.

E vivem na serra de Grândola, é isso?

Sim, os cientistas dizem que esta serra pode ter funcionado como uma ilha isolada que levou algumas espécies a evoluírem de forma diferente de outras comuns. Acaba por ser um local único para a investigação científica e para inspirar o Homem-Aranha.

Sim, e aranhas radioativas são mesmo no mundo da Marvel. E a Vanessa Cruz vai regressar às 18h30.