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E são seis da tarde, hora de atualizar as notícias com o Miguel Cordeiro. Miguel, 22 mil milhões de euros é este o valor do PTRR. O primeiro-ministro apresentou na última hora esse plano de transformação, recuperação e resiliência. Foi anunciado que este plano vai ser gerido pelo ministro Manuel Castro Almeida, com o apoio de uma agência especializada temporária até 2034.
Ou seja, até o final da execução deste plano, que se vai estender por nove anos. O PTRR foi, na última hora, apresentado pelo primeiro-ministro. Cerimónia na Expo, em Lisboa. Há destaque para esses valores: 22 mil milhões de euros é o total deste plano. O valor é composto por três fontes de financiamento. Os fundos públicos nacionais representam 37%, o financiamento privado 34% e os fundos europeus 19%. No Parque das Nações está o jornalista Vasco Maldonado Correia. Escutou, durante a última hora, este discurso do primeiro-ministro e agora em direto. Vasco, este programa assenta em três pilares e é pensado para mais do que uma legislatura.
São nove anos, Miguel, o que compromete, por isso, os próximos governos com este PTRR, sendo que o primeiro-ministro garante que o programa é pensado para ir sendo reavaliado e revisto ao longo do tempo. Esses nove anos estão pensados também para três fases: o curto prazo, medidas para agora, médio prazo para os próximos três anos e o longo prazo para o período entre 2030 e 2034, fixando assim esses nove anos. Como dizias, há assim três pilares, um deles com especial preponderância. O pilar Recuperar concentra-se em medidas pensadas para os territórios diretamente afetados pelas tempestades do início do ano e a esse pilar está destinado um pacote de mais de cinco mil milhões de euros, dos quais três mil milhões vêm diretamente de dinheiro público. Há ainda outros dois pilares, Proteger e Responder, e esses, sim, são já direcionados também para todo o país, incluindo as regiões autónomas. Apesar de todo este investimento, Montenegro garante que o PTRR não substitui o programa do governo e mais, só é possível por causa do brilharete nas contas públicas.
Este plano, é também preciso dizê-lo, só é hoje viável porque temos em Portugal uma situação virtuosa de equilíbrio orçamental, de gestão das contas públicas, que felizmente tem promovido crescimento económico.
E, como explica Luís Montenegro, o PTRR vai ser gerido por uma agência temporária que vai trabalhar diretamente com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida. Dizer apenas, Miguel, que para este plano, o governo diz ter ouvido a Presidência da República, partidos políticos, em especial, acolheu várias propostas do Partido Socialista e também a administração pública, autarquias, parceiros sociais, empresas, academia e garante também ter ouvido cidadãos em geral. Por aqui, já está tudo terminado. Eram 500 cadeiras que estavam preenchidas, agora já estão vazias, mas ainda há muita gente que por aqui continua nesta cerimónia. Nas primeiras filas, esteve, claro, a maior parte do governo.
Está apresentado o plano para transformar, recuperar e para apostar na resiliência do país. Plano apresentado por Luís Montenegro. Tem 22 mil milhões de euros para serem gastos ao longo de nove anos, sendo que 5,2 mil milhões de euros são dedicados à recuperação das zonas mais afetadas por catástrofes.
E falamos agora de José Pedro Aguiar-Branco, que hoje falou sobre a polêmica depois do discurso no 25 de abril. O presidente da Assembleia da República diz que comentar a atitude de Pedro Delgado Alves desvia a conversa do essencial.
Aguiar-Branco diz que esse gesto de Delgado Alves, que virou as costas no final do discurso de Aguiar-Branco, desviou o foco do essencial, que para Aguiar-Branco, o essencial é discutir a forma de chamar mais pessoas para a atividade política. Ainda assim, diz que Pedro Delgado Alves e essa atitude enquadra-se na liberdade de expressão, mas deve ser analisada consoante os critérios de respeito de cada um.
A liberdade com certeza que sim. Se o deve ou não fazer, fica naquilo que tem a ver com o critério de cada um, no que acha que é prestigiar, no que acha que é ser educado. Eu não quero entrar por aí, porque isso desvia aquilo que é o essencial da matéria que eu quis colocar. E eu acho que toda gente reconhece que os temas que eu quis falar, mesmo os que concordam com o que eu disse ou que não concordam com o que eu disse. As matérias que eu coloquei são matérias importantes, muito importantes para a nossa democracia.
As palavras de José Pedro Aguiar-Branco, hoje, esteve na Covilhã. Fez uma visita a uma escola, e esteve a almoçar com a jovem Lua Afonso, jovem que foi mencionada no discurso do 25 de abril, por ser uma estudante exemplar e também por ter sucesso num vasto conjunto de atividades extracurriculares.
Ora, é precisamente neste jornal, recebemos agora esta jovem estudante que tem sido notícia nos últimos dias pelo desempenho escolar de excelência.
Tem 18 anos, é aluna exemplar a tudo, 20 valores a todas as disciplinas. Estuda na Escola Secundária Quinta das Palmeiras, na Covilhã. Mas há mais, para além da escola, é atleta de competição, faz parte da seleção nacional de Trail Running, é pianista, já venceu o Concurso Nacional de Leitura e muito recentemente foi selecionada para representar a Europa numa das mais prestigiadas competições acadêmicas internacionais na área do design e da engenharia espacial. Vai estar este verão na final mundial da International Space Design Competition. Aos 18 anos, esta aluna exemplar com uma série de prêmios e conquistas em várias áreas. Várias professoras enviaram uma carta ao presidente da Assembleia da República, sinalizaram este caso. O e-mail tinha como título "Lua Afonso, uma jovem excecional".De outro mundo. José Pedro Aguiar Branco mencionou Lua Afonso no discurso no 25 de Abril. Hoje temos a oportunidade de falar com esta jovem do outro mundo, Lua Afonso. Bem-vinda à Rádio Observador.
Boa tarde.
Como correu este almoço com José Pedro Aguiar Branco durante o dia de hoje e de que é que falaram?
Foi uma receção muito agradável. É uma pessoa que admirava muito e que acompanho sempre. Foi uma visita que correu bastante bem. Falámos sobre muitos temas muito vastos, sobre a atividade dele e também esteve a explicar-me um pouco o percurso dele até chegar aqui e sobre muitos temas muito variados.
Como é que têm sido estes últimos dias? Esta carta enviada pelas professoras gerou muita atenção. Houve essa menção no discurso no 25 de Abril. Tem sido possível manter a agenda, que já deve ser apertada, entre aulas e tantas atividades?
Estes últimos dias têm sido desafiantes, mas com o apoio da minha família, dos meus professores, que têm sido também extremamente compreensivos, tenho conseguido manter as minhas obrigações, que têm de ser mantidas dê por onde der. Já tenho testes, já tenho competições, portanto, tenho de continuar a rotina e tenho conseguido dentro do possível.
Lua, como é que organiza o dia para ter tempo para tudo?
Ao início da semana ou no final da semana anterior, sento-me com os meus pais e tento analisar como é que vai correr a semana. Eles ajudam-me sempre e a maioria das atividades são contínuas, todas as semanas é igual, portanto já consigo prever um pouco aquilo que vai acontecer. Depois as outras que vão surgindo, vai sendo um improviso e vou tentando articular aquilo que são as prioridades da minha semana e aquilo que preciso de me esforçar mais naquele momento específico.
Para além deste gosto pelo espaço, pela NASA e depois deste almoço com José Pedro Aguiar Branco, Lua, a política poderá ser um caminho no futuro?
Não me comprometendo, é uma área que eu também tenho interesse. À atividade política, ainda não estou envolvida de uma forma como a maioria das pessoas associa à política ou a um partido político, por exemplo, mas a área da política interessa-me muito. Por exemplo, na área do associativismo, da intervenção social e que eu acho que é uma parte da vida política que é igualmente importante.
Lua, com tão boas notas, com tanto sucesso em tantas áreas, creio que sejas uma jovem com muitas ambições. Gostaria de perceber se Portugal é um país que consegue dar resposta às ambições de uma jovem de sucesso em tantas áreas diferentes.
Depende. Em algumas áreas, como é óbvio, nós não temos a dimensão e a projeção que seria necessário, mas também não é esperado e não se exige isso de um país como o nosso. Por exemplo, no setor aeroespacial, estamos a crescer de uma forma bastante consistente, mas claro que ainda não temos a dimensão de uns Estados Unidos ou das grandes potências europeias, o que é perfeitamente normal. Portanto, não sei se ficarei por cá, se terei o meu futuro noutro país, mas é gratida até agora pelas oportunidades que o país tem dado.
De certeza que esta pergunta é repetida, mas há tempo para sair com os amigos, para ter outro tipo de atividades próprias de uma rapariga de 18 anos?
Há tempo para tudo, há tempo para ter amigos, há tempo para ter uma relação, há tempo para sair, para me divertir, para almoçar, para conviver, porque isso acaba por também ser a base para todas as outras coisas serem possíveis e para eu conseguir continuar com a sanidade mental ou a predisposição que eu tenho para fazer tudo o resto. E depois dentro das atividades também, acabei por criar vários grupos de amigos que me acompanham, me inspiram e me ajudam a ser cada vez melhor em cada uma delas.
Lua Afonso, muito obrigado por esta participação no nosso Jornal das 6. O nosso tempo chega ao fim. Lua Afonso, que foi destacada durante o último discurso de José Pedro Aguiar Branco no 25 de abril e hoje teve um almoço com o presidente da Assembleia da República, precisamente na Covilhã, onde estuda.
Uma verdadeira jovem do outro mundo. São agora 18h11, vamos a outras notícias que estão a marcar a atualidade.
A violência contra os profissionais de saúde disparou mais de 30% no ano passado. Foi batido um novo recorde, os episódios ultrapassam a barreira dos 3 mil. Os dados revelados hoje pela Direção Executiva do SNS e pela Direção-Geral da Saúde provam também que a violência contra os profissionais levou a mais de 2 mil dias de ausência ao trabalho. Quanto aos tipos de violência, a psicológica representa cerca de 60% do total dos casos, com mais de 2 mil episódios registados durante o ano de 2025. Na Casa Branca, Donald Trump recebe a esta hora o rei da Inglaterra e já discursou. Foi logo no início desta receção. O presidente norte-americano quis destacar a relação de séculos entre o Reino Unido e os Estados Unidos da América. Espera que perdure essa relação. Ainda hoje há também um jantar de Estado oficial oferecido por Donald Trump aos monarcas britânicos na Casa Branca. O rei Carlos III vai também discursar perante as duas Câmaras no Congresso dos Estados Unidos da América. Fechamos com Peter Magyar. Reúne-se amanhã com Ursula von der Leyen pela primeira vez depois de ter vencido as eleições na Hungria. O objetivo do encontro é desbloquear fundos do plano de recuperação e resiliência. Os 17 mil milhões do PRR húngaro expiram a 31 de agosto e foram bloqueados depois da Comissão Europeia considerar que o atual governo húngaro, de Viktor Orbán, violou princípios democráticos e o Estado de Direito.
Miguel Cordeiro e as notícias às 18h. Atualizamos a informação de novo às 18h30. Daqui a pouco, o Vence Torres, aqui estão em estúdio a Regite França, o Ancelmo Crespo e o Nuno Gonçalo Passos.