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Jornal das 7 na Rádio Observador, com Vasco Maldonado Correia. O movimento da Acampada de Lisboa anunciou uma nova manifestação este fim de semana contra o que diz ser a especulação e pelo direito à habitação. Está marcada para sábado, às 15h.
Decisão que foi acordada ontem em Assembleia Popular no Rossio. Em comunicado, o movimento anuncia que a manifestação intitulada "Não Temos Casa, Montamos Tendas" vai partir da Rotunda do Marquês de Pombal e vai terminar na Praça do Rossio. Nesta nota divulgada esta tarde, são feitas seis exigências concretas ao governo. Primeiro, a reversão da lei do arrendamento, a que ainda vai ao Parlamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional. Pedem também que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários, pedem o aumento de habitação pública, a iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e, por fim, a aplicação de tetos às rendas verdadeiramente acessíveis. O movimento da Acampada de Lisboa apela ainda, tanto à CGTP como à UGT, que convoquem uma greve geral pela habitação para o dia 11 de novembro, à semelhança do que vai acontecer em Espanha.
E como tem sido habitual nos últimos dias, esta é a hora em que alguns manifestantes começam a concentrar-se nas praças em Lisboa e no Porto. Manifestantes com novos protestos pela habitação. Vamos fazer uma ronda, Vasco. Começamos por?
Vamos começar pelo Porto. 19h, como dizias, tem sido a hora de início destas iniciativas há já praticamente uma semana. Na Praça Dom João I está Laura Figueiredo. E Laura, eu pergunto se já começa a encher a praça a esta hora e se desta vez há ou não tendas por aí.
Boa tarde, Vasco. A praça começa, não diria a encher, porque está ainda bastante vazia, mas sim, sem dúvida, começam a chegar mais pessoas que estão agora concentradas no meio da praça onde está a decorrer a chamada roda de conversa sobre a iniciativa legislativa de cidadãos. Pretendem aqui começar a explicar às pessoas que aqui estão o que devem fazer para apresentarem propostas aos partidos ou ao governo, foi já também distribuído um pequeno panfleto a explicar a iniciativa com um QR code que dá acesso a um formulário onde os interessados devem indicar o que é que está mal no país e o que é que gostariam de mudar. Ou seja, a ideia é reunir propostas para depois o movimento chegar a propostas finais que possa entregar na Assembleia da República. Como dizia, a praça está, pelo menos para já, ainda com pouca gente, está também bastante frio aqui no Porto. Ainda assim, é geralmente a partir desta hora, pelo menos nos últimos dias, que começam a chegar mais pessoas. Para já, depois da explicação inicial a algumas intervenções, são abertas a quem quiser participar e depois está prevista a habitual assembleia popular. As tendas, como perguntaste, para já, foram guardadas há alguns dias depois de na madrugada de segunda para terça-feira a polícia ter aparecido aqui na praça por volta das 6h e ter dado ordens para desmobilizar. Depois disso, na terça-feira, o movimento ainda conseguiu juntar aqui mais de mil pessoas, mas ontem e anteontem a noite acabou cedo e sem tendas. Espera-se o mesmo para hoje. A programação cultural mantém-se, mas o movimento pela habitação dá sinais de abrandar antes de sábado, dia para o qual os manifestantes planeiam um regresso em força, embora, ao contrário do movimento em Lisboa, aqui ainda não são conhecidos os detalhes para esse protesto no sábado.
Reportagem da Laura Figueiredo, em direto da Praça Dom João I, no Porto. A Laura vai por lá continuar ao longo desta noite, mais uma noite de protestos na Praça Dom João I. Neste jornal, vamos também tentar ir ao Rossio, onde está neste momento também a repórter Maria Miguel Marques. Maria, faço-te a mesma pergunta que fiz à Laura. Nesta altura, está tudo calmo por aí, as pessoas vão chegando a conta-gotas?
Sim, as pessoas vão chegando. Neste momento, cerca de uma centena de pessoas estão aqui na Praça do Rossio. Ainda não começou a assembleia popular. A cantina popular neste momento também já está a ser preparada para logo, para o jantar, para às 20h30, mas de momento, pelo menos, a assembleia popular que está marcada para esta hora ainda não começou. O ambiente está efetivamente bastante calmo, apenas vejo três viaturas da polícia. Nada aqui a relatar a nível de confusões, pelo menos por agora. A assembleia popular deverá depois tentar decidir se estas pessoas vão ficar ou não a pernoitar, como tem acontecido, pelo menos na última noite aconteceu. Também dar nota que, apesar de não se saber se esta noite o que vai acontecer, se as pessoas vão pernoitar, já está marcado para este sábado um novo protesto com início no Marquês de Pombal, e sim aqui, de novo no Rossio, e no sábado continua em pé a intenção de pernoitar. Recordo a reivindicação que persiste ao longo destes dias, este movimento que deixou claro já que estes protestos só vão acabar com a reversão da lei do arrendamento.
Reportagem da Maria Miguel Marques, que vai estar também nas próximas horas no Rossio, à semelhança da Laura Figueiredo, a acompanhar aqui na Rádio Observador todos os desenvolvimentos de mais uma noite de protestos.
E a cinco dias das eleições em Israel, o atual primeiro-ministro Netanyahu está a esta hora numa das raras ações de campanha, está no mercado mais antigo de Jerusalém.
A acompanhar tudo no local estão os enviados especiais do Observador, o João Porfírio e o Pedro Jorge Castro, Pedro que está em direto neste jornal. Bem-vindo, Pedro. É muito diferente uma ação de campanha para estas eleições em Israel em comparação com aquilo que estamos habituados a ver por cá?
É bastante diferente, a começar pela segurança. Seria previsível, se calhar não estaríamos à espera, mas para estar dentro do mercado, onde se espera que a qualquer momento Benjamin Netanyahu apareça, tive que passar por um detector de metais, para começar. Depois perguntaram-me se tinha uma arma, o que pode parecer estranho, mas não é assim tão bizarro, tendo em conta que há muita gente armada nas ruas de Jerusalém. Um número que tem crescido desde os atentados de 7 de outubro. Além disso, ainda relacionado com a questão da segurança, é muito difícil saber qual é a agenda dos candidatos, a agenda dos eventos que os candidatos vão ter. Isto parece quase um clube secreto que os assessores vão informando com poucas horas de antecedência e sem grande rigor. Esta ação de campanha que vai decorrer aqui agora, esteve agendada para oito horas antes, os jornalistas estiveram aqui, foram-se embora para casa, voltaram. Parece que agora vai mesmo ser, porque entretanto já falei com alguns comerciantes para tentar perceber por que aqui, por que vêm especificamente a este sítio. Parece ser um dos locais habituais de campanha de Netanyahu noutras eleições. Há muita gente que gosta dele, de facto, nestas bancas, várias pessoas transmitiram-me isso mesmo, que vão apoiá-lo sempre, independentemente dos escândalos e de todas as outras controvérsias que vamos sabendo. Tem um grande bastião de defensores neste mercado específico e também porque é um sítio onde é possível controlar as coisas minamente. Aquilo que aconteceu foi que fecharam uma espécie de um triângulo dentro do mercado, tem um corredor interceptado por outra ala, onde ele vai passar e onde não estão as pessoas que passam na rua. Estão algumas pessoas que estão combinado que estejam aqui. É preciso passar, de facto, estas barreiras de segurança. Nem toda a gente está para isso, mesmo pessoas que gostam muito de Netanyahu. Mas, por exemplo, encontrei aqui turistas franceses que vieram aqui almoçar, disseram-me que o Netanyahu vinha aqui fazer esta ação de campanha hoje à tarde e compareceram e estão à espera que ele apareça. Neste momento, em Israel, as sondagens apontam para uma disputa muito renhida e uma grande indefinição no resultado. O primeiro-ministro Bibi Netanyahu está, neste momento, em segundo lugar nas sondagens, atrás de Eisenkot, mas muito dificilmente chegaremos a uma conclusão sobre como será o novo governo na noite eleitoral, porque há uma grande fragmentação entre os vários partidos, segundo aquilo que indicam todas as sondagens. Teremos que assistir a uma dura negociação entre os vários blocos para ver o que é que sai daqui.
Reportagem do Pedro Jorge Castro, que está com o João Porfírio, são enviados especiais d'O Observador aqui em direto de uma ação de campanha mais atípica em Jerusalém, no mínimo, em relação àquilo que estamos habituados em Portugal. Pedro e o João vão continuar a acompanhar a campanha para as eleições em Israel, que acontece daqui a cinco dias.
E há outras notícias a marcar esta tarde.
O Benfica entra em campo já daqui a pouco para defrontar o Omonia do Chipre, num jogo a contar para a terceira jornada da fase de Liga da Liga Europa. Os encarnados querem somar a terceira vitória consecutiva nas provas europeias, depois de triunfos frente ao AC Milan e ao Celtic. Marcos Silva tinha prometido algumas alterações no 11 inicial para este desafio. Miguel Cordeiro vai estar no relato do jogo. Confirmam-se essas alterações?
Confirmam-se mudanças na equipa do Benfica, tinha de ser, jogadores lesionados. Vamos a esse 11 escolhido por Marco Silva. Baliza para Anatoliy Trubin, é o guarda-redes que vai alinhando na Europa. Defesa com Alexander Bah à direita, El Karouani à esquerda. Os centrais são Tomás Araújo e Cherkaty. No meio-campo, Mano Silva é o homem mais recuado, um pouco mais à frente Fredrik Aursnes e na posição 10 é Cheddira. Jogam a extremos Rafa Silva à direita, Schjelderup à esquerda e lá na frente vai jogar Vangelis Pavlidis. O Benfica joga no Chipre. Já foi feliz em 1981 neste terreno, venceu precisamente o Omonia por 1 x 0, depois de vencer por 3 x 0 no Estádio da Luz, na altura na primeira ronda da Taça dos Campeões Europeus. Nesta altura, o jogo é para a Liga Europa. As duas equipas só sabem vencer nesta competição. O Benfica venceu os dois primeiros jogos, o Omonia fez o mesmo. Têm as duas equipas seis pontos. Hoje só uma pode sair a sorrir ou podem seguir com esse empate e continuar na luta de pontos na Liga Europa.
Miguel Cordeiro vai trazer o relato deste Omonia-Benfica. Os comentários são do Augusto Inácio, João Pinto e Pedro Henriques. Dar ainda conta que na outra partida da Liga Europa a envolver uma equipa portuguesa, o Torrense, defronte a esta hora o Ferencváros da Hungria, vai perdendo por duas bolas a uma. O gol do Torrense foi marcado por Poso. O jogo vai neste momento aos 69 minutos da segunda parte. Ricardo, há um museu na Escócia que ficou com as vitrines vazias por uma razão que está a dar muito que falar, a trazer algumas críticas em causa. Está uma polêmica em torno de múmias e outros restos humanos do Antigo Egito.
Mas desapareceram das vitrines?
Por assim dizer, sim. O Museu Kelvingrove, em Glasgow, decidiu retirar estas múmias por não ter consentimento dos falecidos ou, no mínimo, dos descendentes para os expor nestas vitrines.
Não têm consentimento de pessoas que morreram há milhares de anos, é isso?
É isso mesmo e é isso que está a dar polêmica. O museu diz que quer respeitar a dignidade dos mortos, seguir orientações éticas para a exposição de restos humanos, mas há claro quem critique a decisão, inclusive no Parlamento Escocês.
O que é que foi retirado mais da exposição?
Entre as peças que foram retiradas está uma cabeça mumificada de um homem, uma mão direita encontrada no Vale dos Reis, no Egito, e também um pé direito mumificado. Para já, estão guardadas nas reservas do museu, longe dos visitantes. Está ainda por decidir o destino definitivo destas peças, incluindo a possibilidade de repatriamento.
Eu acho que vai regressar já a seguir, porque é a gabinete guerra, não é?
Exatamente.
É isso mesmo. Então, agora fiquei picholas. Sem palavras.