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Edição das 8 com Laura Figueiredo. A começar com a notícia que marca esta terça-feira: a morte de Joana Marques Vidal, ex-procuradora geral da República, antecessora de Lucília Gago.

Joana Marques Vidal morreu aos 68 anos no Hospital de São João, no Porto. Ao longo do dia temos estado aqui na Rádio Observador a ouvir as reações a esta notícia. Contamos agora, em direto neste jornal das 8, com Paula Teixeira da Cruz, que foi ministra da Justiça do governo de Passos Coelho, na mesma altura em que Joana Marques Vidal exercia o cargo de procuradora-geral da República. Paula Teixeira da Cruz, boa tarde. Agradeço desde já a sua disponibilidade. Pergunto-lhe como é que recebeu esta notícia e como é que foi a experiência de trabalhar de perto com Joana Marques Vidal.

Em primeiro lugar, naturalmente com profunda tristeza e que lhe seja permitida uma palavra de conforto, a primeiríssima palavra, para a família e os amigos de Joana Marques Vidal. Eu creio que Joana Marques Vidal era um exemplo e de certa forma o país estará de luto pelo exemplo sublime que ela foi. Ela foi um exemplo na sua dimensão humana, cívica e profissional. Do ponto de vista humano, era uma pessoa profundamente independente, uma pessoa muito corajosa, uma pessoa muito generosa e muito empenhada. Do ponto de vista cívico, a forma como exerceu o seu mandato enquanto procuradora-geral, eu penso que fala por si, mas não se limitou nunca a isso. Ela foi para além do Judiciário, teve uma militância conhecida na APAV e foi também uma sindicalista notável, emérita. Por outro lado, do ponto de vista profissional, não há como não reconhecer em Joana Marques Vidal uma imensa capacidade e uma imensa consistência técnica em áreas particularmente difíceis, sobretudo em áreas como família e menores.

A Joana Marques Vidal foi apontada por várias personalidades como uma procuradora que exerceu o mandato querendo mudar o que era de fato necessário no Ministério Público. Concorda que Joana Marques Vidal era uma procuradora-geral que não tinha medo da mudança?

Não só não tinha medo da mudança, como a impulsionava. E eu tive o privilégio de trabalhar com ela nesse sentido, sempre pugnando por uma autonomia material e não apenas formal do Ministério Público, por uma autonomia que o Ministério Público deve manter e preservar, não a confundindo em nenhum caso com princípios outros e, portanto, buscando essa autonomia a par de uma imensa responsabilidade. Foi alguém muito esforçado e que deu passos fortes nesse sentido.

Joana Marques Vidal teve em mãos vários processos midiáticos que deram em acusações. Falamos, por exemplo, da Operação Marquês, da Operação Fizz, os Vistos Gold, a Operação Atlântico. Que diferenças encontra entre a forma como o Ministério Público atuava nessa altura em relação ao presente?

Eu gostaria que estas minhas declarações, e peço que compreenda, fiquem cingidas, sobretudo, à figura ímpar de Joana Marques Vidal. Não gostaria de fazer comparações, e muito menos comparações que de certa forma nos atiram para uma comparação inevitavelmente pessoal. Permita-me que diga apenas que entre o mandato de Joana Marques Vidal e o mandato da procuradora, da atual titular do cargo de procuradora-geral da República, existe algo absolutamente determinante e que a alteração, ou as alterações feitas ao estatuto do Ministério Público em 2019. É aí que reside muita da disfunção que hoje encontramos em algumas atuações do Ministério Público. Isso não pode, todavia, servir de desculpa, em caso algum, para beliscar a autonomia do Ministério Público. Nós podemos viver com o Ministério Público com erros, mas não podemos viver com o Ministério Público politicamente amordaçado.

Muito obrigada, Paula Teixeira da Cruz, antiga ministra da Justiça.

Obrigada, até pá e uma boa noite. Obrigada.

Muito obrigada. Antiga ministra da Justiça, aqui em direto no jornal das 8 da noite, a pretexto da notícia que marca esta terça-feira a morte de Joana Marques Vidal, ex-procuradora-geral da República.

São agora 20h05 e também a Bastonária da Ordem dos Advogados reagiu à morte da ex-procuradora-geral da República.

Entrevistada no Direto ao Assunto, na Rádio Observador, Fernanda Almeida Pinheiro descreve Joana Marques Vidal como uma mulher de coragem, de elevada competência.

A senhora conselheira era realmente uma pessoa absolutamente notável, de uma enorme inteligência, de um enorme sentido de serviço público, e isso era visível em toda a sua atuação, em toda a sua forma de estar. Uma mulher corajosa, uma mulher sempre frontal.

Fernanda Almeida Pinheiro, a Bastonária da Ordem dos Advogados, destaca ainda o trabalho de Joana Marques Vidal na defesa do papel da mulher.

Pedir para que as pessoas se recordem desta grande mulher que foi a senhora conselheira Joana Marques Vidal, uma mulher da Justiça, uma mulher do Direito, que deixou realmente um exemplo para aspiração de todos nós como operadores judiciários e das mulheres operadoras judiciárias que nós temos na Justiça portuguesa.

A Bastonária dos Advogados, em declarações à Rádio Observador, enalteceu o facto de Joana Marques Vidal ter sido a primeira mulher a assumir a liderança da PGR.

E a quem pede vez, o governo conseguiu hoje chegar a um acordo com sindicatos das Forças de Segurança.

Três sindicatos da PSP e duas associações da GNR, são eles o SNOP, ASSP e o Sindicato Nacional de Carreira de Chefes, e ainda a APG e a Associação Nacional da Guarda. A ministra da Administração Interna fala num dia histórico, mostra-se satisfeita por ter acabado o impasse com as forças de segurança, ainda que não tenha sido com todos os grupos.

É um dia que marca um acordo muito importante, quer para o governo, quer para as associações socioprofissionais, quer os sindicatos, respetivamente da GNR e da PSP. Foi um trabalho árduo, muito pensado, muito discutido, trocamos muitas opiniões.

O presidente do SNOP e da plataforma da PSP e GNR, Bruno Pereira, considera este acordo uma meia vitória, mas diz que foi assinado a pensar nos mais jovens.

Este acordo foi o que nós acordámos e achámos que era suficiente neste momento, tendo em conta que desta maneira conseguimos ter uma alavancagem salarial, sobretudo para quem acaba de entrar, para os policiais mais novos e para policiais que queiram ingressar nestas duas forças de segurança, é extremamente importante ter uma valorização salarial. É a solução possível. É a solução possível neste momento, mas não quer dizer com isto que percamos a vontade, o foco em melhorar e vários outros níveis, porque ter esta questão por resolver seria indiscutivelmente um problema para poder revisitar toda uma série de outras, também do ponto de vista pecuniário, que deram maior dignidade a esta profissão.

Por outro lado, César Nogueira, da APG, não considera este dia histórico por ter ficado aquém do pedido, mas realça também a importância deste aumento nos agentes mais velhos.

Não só para resolver o impasse, mas também para que esses profissionais que estão na situação de reserva e que vão passar à situação de reforma, possam levar mais algum que será contabilizado na sua pensão de reforma. Caso isto não avançasse já, eles não iriam receber nenhum e isso não seria contabilizado para efeitos de reforma, que atualmente é pouca e, por isso, todo e qualquer euro vem engrossar um pouco a sua pensão.

Declarações de César Nogueira aos jornalistas. Os restantes sindicatos e associações que não assinaram o acordo admitem voltar à rua em protesto e a Associação Nacional de Sargentos da Guarda até pondera recorrer ao Tribunal Constitucional. Para dia 6 de janeiro, já no próximo ano, ficou agendada outra reunião, esta para rever os estatutos da profissão.

Agora 08h09, e Laura, em andamento com gol, a França já na frente perante a Espanha, é a primeira meia final do Campeonato Europeu.

É na arena de Munique que se realiza esta primeira meia final do Campeonato da Europa de futebol. Amanhã, Inglaterra e Países Baixos também vão a jogo. O jornalista Diogo Varela está a acompanhar este jogo. Diogo, acabou de marcar França.

Golo de Kolo Muani. Está na frente a seleção francesa e até de forma algo surpreendente, pode-se dizer, Laura, num cruzamento de Mbappé, ele que está a jogar pela primeira vez sem máscara, desde essa lesão logo na primeira jornada em que fraturou o nariz. Hoje soltou a máscara e também já começou a soltar todo o talento. Cruzamento com conta, peso e medida e Kolo Muani de cabeça a dar o 1 x 0 à seleção francesa, quando estão decorridos apenas nove minutos na arena de Munique. Espanha até entrou melhor, entrou superior, com mais bola, com mais ataques, mas a verdade é que a França, na primeira vez que lá foi, atirou ao contrário. Este é, de resto, Laura, também o primeiro gol em bola corrida, pode-se assim dizer, por parte de França, que até aqui, neste Campeonato da Europa, tinha dois autogolos e um pontapé de pênalti. Este foi o primeiro gol em que houve uma jogada francesa com um cruzamento e um cabeceamento certeiro. França na frente, com ligeira surpresa em Munique, para já 10 minutos de jogo, Espanha zero, França um.

Diogo.

É noite de terça-feira, agora são 20h10. E para fechar, Laura, que outras notícias estão a marcar a atualidade?

O primeiro-ministro israelita vai começar a depor em julgamento na sequência de um processo de suspeitas de corrupção, já a partir de 2 de dezembro. Esta foi uma decisão do Tribunal Distrital de Jerusalém. Netanyahu é acusado desde 2019 de fraude, suborno e quebra de confiança em três casos de corrupção distintos. O primeiro-ministro israelita é também acusado de receber presentes em troca de favores e também de alegados acordos de favorecimento para receber cobertura mediática positiva. Zelensky anuncia hoje um apoio ao hospital pediátrico atingido pelo ataque russo levado a cabo esta segunda-feira. O governo ucraniano aprovou um pacote de mais de €2 milhões para a reconstrução do hospital, que ficou parcialmente destruído pelo ataque que atingiu Kiev. Hoje a Ucrânia cumpriu um dia de luto nacional em homenagem às vítimas do ataque.

Edição das 20h com Laura Figueiredo na informação. Laura, de regresso às 20h30, porque a seguir a primeira parte do convidado extra. Então até já.

Até já.

Até já.