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Rádio Observador. Jornal das 8, com edição da jornalista Laura Figueiredo. Começamos com o alerta do Sindicato dos Médicos na Zona Sul. As urgências do novo Hospital de Sintra estão a funcionar à custa das equipas do Amadora-Sintra, por não terem sido recrutados clínicos pra unidade ontem inaugurada.

Em comunicado, o sindicato lembra que o Hospital Fernando Fonseca, que já tinha as equipas muito desfalcadas, vê agora agravadas as dificuldades ao serem retirados médicos para a urgência do novo hospital. A estrutura sindical diz que a promessa de aliviar o Amadora-Sintra vai, desta forma, transformar-se numa maior sobrecarga para os médicos desta unidade. Em declarações à Rádio Observador, a presidente da Federação Nacional dos Médicos, a que pertence o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, defende que o novo hospital tem de significar mais recursos humanos e não realocação.

A partir do momento em que estão a usar recursos humanos partilhados com o Hospital Fernando Fonseca, que já de si é um hospital que é extremamente carenciado, o que nós entendemos é que isto é desumano, é irresponsável. E o correto não é retirar recursos de um serviço que já está tão desfalcado para colocar noutra instituição.

Joana Bordalo e Sá, em declarações à Rádio Observador. A presidente da Federação Nacional dos Médicos pede que o Ministério da Saúde aposte no reforço dos recursos humanos. Caso contrário, os dois hospitais vão enfrentar falhas de resposta aos utentes.

E ainda na saúde, Laura, o PSD nega que o governo esteja a protelar a decisão sobre a concentração das urgências hospitalares com medo dos resultados nas eleições autárquicas.

A decisão tem sido adiada, apesar de o Executivo já ter, desde junho, uma proposta de um grupo de peritos que defende essa opção. Entrevistado no Explicador, o deputado Miguel Guimarães, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, assegura que as eleições autárquicas não justificam o adiamento de soluções para a crise na saúde.

O problema não é as eleições autárquicas. O problema é que os médicos e as várias direções dos vários hospitais se entendam, no sentido que os médicos possam fazer serviço de urgência num hospital diferente do seu, durante um determinado período.

Também no Explicador desta tarde, o deputado do Chega, Rui Cristina, admite que a solução pode passar pela concentração das urgências.

À porta do pico, que é em agosto, vêm anunciar mais uma solução milagrosa: a concentração de urgências. Mas por que só agora, quando o problema está quase a atingir o seu pico? É que surgem estas conversas bem-pensantes.

Pensa que é esse o caminho, Rui Cristina, concentrar as urgências?

Poderá ser esse o caminho.

Apesar de também concordar com a concentração de urgências, a socialista Maria Antónia de Almeida Santos acusa o governo de causar estragos nos processos de resolução de problemas.

Não é só nas urgências. Foi no socorro, foi na emergência médica. Desde logo, o que se passou há poucos dias com o INEM. Quem não assume responsabilidades e que tem que as assumir agora é, por exemplo, o senhor primeiro-ministro, que tem tido um silêncio ensurdecedor.

Maria Antónia de Almeida Santos, Miguel Guimarães e Rui Cristina, membros da Comissão Parlamentar de Saúde, que foram ouvidos no Explicador sobre o plano de verão para o Serviço Nacional de Saúde.

O Ministério da Educação alega dificuldades técnicas como justificação para o atraso no envio das classificações dos exames nacionais do nono ano para as escolas.

As notas deviam ter chegado hoje. Sem esta informação, os estabelecimentos de ensino não podem afixar as classificações finais, já que os exames nacionais de português e matemática pesam 30% na nota final. A natureza das dificuldades técnicas não é explicada. Entretanto, o Júri Nacional de Exames assegura, num e-mail enviado aos diretores das escolas, que vão ser enviados amanhã os resultados. À Rádio Observador, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas diz acreditar que as pautas possam mesmo sair amanhã. Filinto Lima sublinha que esta situação é incomum.

Não é normal este atraso na divulgação das classificações, portanto, das provas finais. Algo se terá passado e penso que os professores, os diretores e os pais deverão ser conhecedores daquilo que de fato obviou a este atraso na divulgação das classificações. Eu faço votos para que amanhã, na verdade, as escolas do nosso país tenham acesso a essas classificações.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas espera que o Ministério da Educação esclareça a situação.

José Sócrates acusa o Supremo Tribunal de Justiça de ter como único objetivo proteger o procurador-geral da República.

Em causa a rejeição do pedido de recusa de Sócrates contra Amadeu Guerra, por ter nomeado o representante do Ministério Público no julgamento da Operação Marquês e a respectiva equipa de apoio. À saída do tribunal, depois do quinto dia de julgamento, Sócrates pediu o afastamento de Amadeu Guerra e acusou o tribunal de andar a brincar com coisas sérias.

O Supremo deve estar a brincar. O Supremo está a brincar com coisas muito sérias. Quando um procurador diz o que disse, dizendo que eu tenho que provar a minha inocência em tribunal, esse procurador devia ser afastado de tomar decisões no processo. Eu acho que isso é muito razoável, mas protegem-se uns aos outros, protegem-se todos uns aos outros. Por que o Supremo toma essa decisão? Apenas com um objetivo: proteger o procurador. É muito lamentável.

Já sobre este quinto dia de julgamento e antes das férias judiciais, Sócrates faz um balanço positivo. O antigo primeiro-ministro acredita que rebateu todas as acusações do Ministério Público.

Oito horas, seis minutos. Laura Figueiredo, que outras notícias importam destacar a esta hora?

A ministra da Justiça recusa interferir na discussão entre os procuradores em greve e a Procuradoria-Geral da República. Rita Alarcão Júdice admite que o eventual decretamento da providência cautelar do sindicato vai causar um transtorno muito grande. De acordo com o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, a greve nas cinco comarcas da Procuradoria-Geral Regional de Coimbra registou hoje uma adesão de 94%. Na atualidade internacional, a Ucrânia diz que já recuperou mais de 50% das capacidades de produção de eletricidade destruídas pelos ataques russos, um anúncio do vice-ministro da Energia da Ucrânia, citado pela imprensa ucraniana. O governante explica ainda que a produção de energia térmica e hidroelétrica foi a mais atingida pelos ataques de Moscou. A União Europeia vai manter um olhar próximo sobre Israel para ver se são cumpridas as medidas para melhorar a situação humanitária na Faixa de Gaza. É o que indica a alta representante da União Europeia para as Relações Externas e a Segurança. Kaja Kallas explica que o cumprimento vai ser verificado a cada duas semanas.

A jornalista Laura Figueiredo com as notícias que estão a marcar a atualidade. É o ponto final no Jornal das Oito.