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Vamos às notícias. Jornal das 8, com edição do Miguel Viterbo Dias. E Miguel, o Chega avança com a moção de censura ao governo e André Ventura avisa que Montenegro pode perder a autoridade política.
A confirmação foi dada esta tarde, em conferência de imprensa na sede nacional do partido. André Ventura critica a falta de esclarecimentos dados pelo ministro e a atitude de Luís Neves, e procura ainda colar-se a António José Seguro na rejeição ao titular da pasta da Administração Interna. Depois de dias de reflexão, a confirmação da censura ao governo Martim Madeira foi dada esta tarde.
O Chega deu entrada hoje no Parlamento de uma moção de censura com o objetivo claro: censurar o Primeiro-Ministro e o governo.
Foi a razão principal desta conferência de imprensa convocada por André Ventura, apresentar uma moção de censura ao governo, uma moção por parte do Chega, que apenas tem um culpado.
Deixámos de ter um governo liderado por Luís Montenegro e temos um governo liderado por Luís Neves. Se continuarmos a ter Luís Neves como ministro, sabemos que a autoridade do Primeiro-Ministro, não para prejuízo do PSD, mas para prejuízo de todos, está irremediavelmente colocada em causa.
O líder do Chega justifica a razão desta moção. Deixa o aviso de que a retórica de Luís Neves é um perigo para a democracia, principalmente a atitude que Ventura diz ser de rockstar.
O senhor ministro entendeu que não devia responder a nada e que não tinha que responder a nada, porque, lá está, vinha com a estrela de rockstar de ministro do governo. A lógica e linguagem "ninguém me afasta deste cargo, quer queira ou quer não", é um perigo para a nossa democracia.
E na sede do Chega, a mensagem de Ventura é clara: apresenta esta moção para mostrar que ninguém o intimida.
Quando há suspeitas de falta de integridade, onde há suspeitas de uso indevido de poder público ou de corrupção, a nós ninguém nos intimida. A mim, ninguém me intimida.
Por fim, depois de vincar que a moção é para avançar e após ser questionado várias vezes, Ventura finalmente diz o que é preciso por parte do Primeiro-Ministro para o Chega recuar na decisão.
Não pactuamos com autoritarismo, nós não pactuamos com a falta de-
Certo, mas o que Luís Montenegro pode fazer?
De integridade. E, portanto, o que pode fazer é substituir o seu ministro da Administração Interna.
É a única alternativa possível?
É a alternativa que, neste momento, a democracia e a integridade exigem.
O líder do Chega deixa ainda claro que se o PS votar contra esta moção, está do lado da continuidade.
Martim Madeira com os destaques da intervenção de André Ventura na apresentação desta iniciativa de censura ao executivo de Luís Montenegro.
E o presidente da Assembleia da República vai convocar os líderes parlamentares amanhã.
O objetivo é definir a data para a discussão da moção de censura apresentada esta tarde pelo Chega. Em declarações aos jornalistas nos Açores, onde está de visita até sexta-feira, Aguiar Branco diz que vai convocar uma conferência de líderes para resolver as questões sobre a data do debate.
Aquilo que terá que ser agora decidido é em relação à data em que ocorrerá a discussão, a partir do momento em que se conta essa data para a discussão, porque estamos num período de interrupção dos trabalhos parlamentares. Eu vou convocar uma conferência de líderes para amanhã, em que participarei de forma remota, para precisamente em conferência de líderes, nós podermos definir a data a partir do qual o prazo se conta para a discussão da moção que foi apresentada.
Aguiar Branco explica que existem várias teses em cima da mesa, por isso é preciso chegar a consenso sobre se o debate pode ser feito antes do arranque oficial dos trabalhos, marcado para 15 de setembro.
O porta-voz do PSD considera que a moção de censura apresentada por André Ventura vai ser uma derrota parlamentar do Chega.
Sebastião Bugalho diz que a moção vai ser chumbada e por isso vai representar apenas uma derrota para o partido liderado por André Ventura.
É uma moção de censura, ainda assim, não é? Que será chumbada. Nunca se sabe. Só no dia em que ela for votada é que se saberá. Era preciso o Partido Socialista votar a favor dela. O secretário-geral do PS ainda hoje afirmou que não haveria crise política, nem eleições por causa do PS. Eu não o tomo como mentiroso. Portanto, nesse sentido, a ideia de que uma derrota parlamentar do Chega, que é o que a moção de censura vai ser, fragilizará o governo, parece-me algo criativa, com todo o respeito.
Declarações do porta-voz e vice-presidente do PSD no Explicador da Rádio Observador quanto à escolha do Primeiro-Ministro de manter Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna. Sebastião Bugalho garante que não existe oposição interna dentro do partido.
Posso garantir que o PSD está firmemente ao lado do chefe deste governo e de todas as suas escolhas e decisões. A Aliança Democrática também? A coligação? Sim. Conhecendo bem o partido, não me parece que o CDS seja conhecido por ser um partido com falta de sinceridade. Portanto, se tivesse alguma coisa a dizer, certamente já teria dito.
Declarações do porta-voz e vice-presidente do PSD, Sebastião Bugalho, que reitera que Luís Neves não é um problema para o executivo liderado por Luís Montenegro. O PS já se afastou desta moção de censura. José Luís Carneiro critica o espetáculo pirotécnico do Chega e garante que não vai ser pelo PS que Portugal volta a ter uma crise política.
O PCP defende que o executivo liderado por Luís Montenegro merece censura, mas não se compromete com o sentido de voto.
O dirigente dos comunistas, Vladmir Vale, explica que os casos que envolvem o ministro da Administração Interna exigem esclarecimentos, que até o momento não foram prestados pelo governo. Ainda assim, acusa o Chega de fazer malabarismos políticos e de não querer realmente esclarecimentos de Luís Neves e do executivo. O dirigente do PCP diz que o partido ainda está a apurar se vai apoiar ou não a moção de censura anunciada por André Ventura. Também à esquerda, o bloco considera que a moção apresentada pelo Chega é motivada pelas razões erradas e não responde aos verdadeiros problemas do país. O líder bloquista, José Manuel Pureza, admite que Luís Neves se tornou um agente de confusão, mas sublinha que há motivos maiores para censurar o governo de Luís Montenegro.
O governo merece censura por ter deixado aumentar o preço das rendas e das prestações ao banco. O governo merece censura porque a conta do supermercado é cada vez menos sustentável. O governo merece censura pelo caos criado nos exames nacionais. O governo merece censura porque não há professores. Sim, merece censura Mas André Ventura não censura o governo por isso. Luís Montenegro agradece e as pessoas continuam com as contas por pagar. Isso é que é o drama deste momento em Portugal.
José Manuel Pureza, o coordenador do Bloco de Esquerda, em declarações recolhidas pela Agência Lusa esta tarde em Coimbra.
E a esta hora, Miguel, que outras notícias marcam a atualidade?
Amanhã a Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar o memorial do acidente do elevador da Glória, quando se assinala um ano do desastre. A inauguração está marcada para as 9h da manhã. Esta tarde, o Ministério Público disse que espera fechar o inquérito sobre o descarrilamento do elevador da Glória até março do próximo ano. De acordo com uma nota divulgada pela Procuradoria-Geral da República, a investigação não parou nas férias judiciais e as peritagens técnicas só devem terminar em novembro. Só depois é que se segue a análise de indícios e responsabilidades criminais pelo acidente que matou 16 pessoas. Este desastre provocou ainda 24 feridos. A Câmara de Albufeira admite fechar aos carros a conhecida Rua dos Bares, uma decisão que surge depois de um condutor de 35 anos ter atropelado 16 pessoas na Rua da Hora. Ao Observador, o presidente da Câmara, Rui Cristina, adianta que estão a ser estudadas soluções físicas de proteção, bem como um diagnóstico de segurança para o concelho. Ainda assim, esclarece que o encerramento total da Rua dos Bares ao trânsito é uma das soluções em cima da mesa. Depois das infraestruturas, agora é o Ministério do Trabalho a garantir que todas as metas do PRR foram cumpridas, integralmente cumpridas, é o que diz, aliás, o comunicado do ministério. Os investimentos totalizam 1,4 mil milhões de euros e direcionam-se ao reforço das respostas sociais, à melhoria de acessibilidades, à qualificação de profissionais e a uma profunda transformação digital da Segurança Social. A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho garante, em comunicado, que em muitos casos, as metas de investimento foram até superadas.
Miguel Vítor Dias com o Jornal das Oito.