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Jornal das 9 da Rádio Observador, com edição de Laura Figueiredo. E Laura, começamos na atualidade internacional. Morreu Mari Carmen, a espanhola de 87 anos que desencadeou as manifestações pelo direito à habitação em Espanha.

Mari Carmen estava hospitalizada desde o dia em que foi despejada de casa, no bairro do Retiro, em Madri, há 14 dias. As imagens da idosa a ser levada pelos bombeiros numa maca, com centenas de pessoas concentradas junto ao prédio para tentar evitar o cumprimento da ordem judicial, tornaram-se num símbolo da luta contra a crise habitacional em Espanha. Esta luta de Mari Carmen, ao lado do Sindicato dos Inquilinos, para evitar o despejo do apartamento onde morava há 71 anos, alimentou protestos que culminaram mesmo numa ocupação na Puerta del Sol e que levaram o governo a aprovar dois decretos que foram posteriormente chumbados pelo Congresso. Em comunicado, o Sindicato dos Inquilinos lamenta a morte de Mari Carmen e diz que embora um acordo histórico tenha sido alcançado, que permitiria à idosa regressar a casa, a solução chegou tarde demais.

Na atualidade nacional, o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, critica Mário Centeno, diz que o antigo governador do Banco de Portugal não tem nenhuma ideia para o país.

Em entrevista ao Observador, durante a sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o eurodeputado e porta-voz do PSD reagiu ao artigo de opinião de Mário Centeno, no qual o antigo ministro e governador diz que Luís Montenegro tem menos controle nas contas públicas do que José Sócrates. À Vício Suave da Rádio Observador, Sebastião Bugalho diz que Mário Centeno foi habilidoso, mas critica a falta de ideias.

Lendo aquilo que ele vem dizendo, é que ele não tem uma única ideia para o país. Como devem imaginar, não sou um crítico da autoestima, pelo contrário, pratico bastante. Mas parece-me extraordinário que alguém que foi ministro das Finanças, governador do Banco de Portugal e presidente do Eurogrupo, tendo tido ambições também no Banco Central Europeu e no FMI, aparentemente rogadas, que a única ideia que tem para o país é ele próprio.

Sebastião Bugalho em entrevista à Rádio Observador, uma entrevista que vai para o ar na íntegra amanhã. O social-democrata afasta ainda uma mudança de estratégia no relacionamento entre o governo, PS e Chega. Para Sebastião Bugalho, chegar a acordo com os socialistas seria apenas um bônus para o partido de André Ventura.

O PSD e esta liderança do PSD estão convencidos, e até agora ainda não cruzei com nenhum dado que desmente isso, que esta é a forma mais responsável de preservar o sistema político. Se houvesse uma ambiência de bloco central, seria o sonho de André Ventura, porque faria campanha contra todo o sistema aliado em conjunto, como aliás tenta fazer mesmo quando nós não estamos aliados em conjunto. Ele já faz essa campanha sem essa ocorrência, imagine-se se ocorresse de fato.

O eurodeputado e porta-voz do PSD, em entrevista à Vício Suave da Rádio Observador, gravada no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

O líder do PS, José Luís Carneiro, diz que não espera surpresas na proposta de Orçamento Estado para 2027 e volta a confirmar a viabilização.

Em declarações aos jornalistas em Lisboa, o secretário-geral do PS reafirma que o partido não vai empurrar Portugal para um precipício e diz acreditar na palavra do primeiro-ministro e do ministro das Finanças sobre o conteúdo do Orçamento do Estado.

Não vejo que o governo apresente uma proposta que altere substantivamente aquilo que já apresentou à direção da bancada parlamentar. Naturalmente que se trouxesse corte das pensões, aumento dos impostos, alterações do Serviço Nacional de Saúde, isso seriam propostas que seriam inaceitáveis. Mas estou a crer na palavra que foi dada pelo primeiro-ministro e também pelo ministro das Finanças.

Declarações de José Luís Carneiro, depois de ter anunciado na semana passada a decisão de propor aos órgãos do partido a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027. O líder socialista foi ainda questionado sobre os alertas de Mário Centeno sobre o aumento da despesa pública. O secretário-geral do PS diz que é o saldo da Segurança Social que salva o país do déficit e sublinha que o partido nunca vai ser responsável pelo desequilíbrio das contas do Estado.

André Ventura insiste que o presidente da Assembleia da República está a proteger Luís Neves, em causa a data escolhida para o início da Comissão Parlamentar de Inquérito, conhecida hoje.

A conferência de líderes deliberou que as duas novas comissões ao ministro da Administração Interna e à questão dos exames nacionais vão ser constituídas na próxima semana, a 14 de outubro, mas não deverão ter reuniões até à votação final do orçamento, ou seja, até ao final de novembro. Perante esta decisão, o presidente do Chega acusa José Pedro Aguiar Branco de não querer que Luís Neves seja investigado.

Este é um conflito, porque o presidente da Assembleia da República está a fazer todo o possível e o impossível para que esta investigação não avance ou para que ela perca o seu sentido. Nós já tivemos, em casos de maior urgência, comissões de inquérito a decorrer. Já tivemos três a decorrer ao mesmo tempo. Já tivemos noutros casos em que não. Já houve pedidos de suspensão, já houve pedidos para não suspensão e sempre, que me recordo, da parte de todos os presidentes da Assembleia da República, houve tolerância àquilo que era o entendimento ou do grupo que propõe a comissão de inquérito, sendo ela potestativa, ou da maioria, sendo ela uma comissão ordinária.

Por este motivo, André Ventura anunciou também que o Chega vai pedir que a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Ministro da Administração Interna comece imediatamente na data definida e sem adiamentos.

Logo que esta comissão seja constituída, dia 14, vamos propor que ela não suspenda os trabalhos durante o Orçamento do Estado e vamos propor que ela inicie imediatamente os trabalhos que tem que fazer e que é o dever dos deputados levarem a cabo, que é não pararem de trabalhar, independentemente dos momentos do ano em que se encontram

Apesar de estar já agendada a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, ficou marcado um debate de urgência para amanhã, a pedido do Chega, sobre os trabalhos no Parlamento. O partido de André Ventura queixa-se de uma tentativa de bloqueio à escrutínio por parte de José Pedro Aguiar Branco.

O presidente da SDR Portugal, que gere o Volta, rejeita que as complicações resultantes da aplicação deste sistema sejam questões políticas.

Desde a implementação do sistema Volta, foram já recolhidos 400 milhões de garrafas, mas o sistema tem gerado contestação, especialmente pela voz do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, que exige o fim do Volta. Entrevistado no Explicador, Leonardo Matias receia, ainda assim, que este se esteja a tornar um tema político.

Tendo que, de repente, este tema virou um tema político e não um tema de gestão de ambiente. E, portanto, há quem queira, quem não queira, quem já disse que sim, quem tivesse voltado atrás. Isto não é um tema político. Isto é um autarca que tem que ajudar os seus munícipes, principalmente os empresários da restauração, da hotelaria, que como nós sabemos, são fundamentais. E ao ajudar esses empresários, está a ajudar também os seus munícipes a dar uma maior conveniência na rede existente.

A SDR, a entidade responsável pelo sistema Volta, tem agora um prazo para apresentar ao governo um plano de ação para corrigir problemas com a limpeza urbana causados pelo sistema. Essas medidas têm que ser apresentadas até o dia 16 de outubro. Ora, Leonardo Matias garante que os trabalhos estão em curso, mas apela à colaboração dos municípios portugueses.

Estamos, obviamente, a trabalhar afincadamente com várias equipes e vários participantes para ter aquilo que a senhora ministra nos pediu. No entanto, não conseguimos fazer tudo sozinhos. Aliás, a senhora ministra, no seu comunicado, o que diz é que deve apresentar soluções concretas para um plano de ação em articulação com os municípios. Portanto, número um: temos que nos articular com os municípios.

Leonardo Matias, o presidente da SDR Portugal, entidade responsável pelo sistema Volta, esta tarde no Explicador, garante que estão a ser encontradas soluções a médio e curto prazo para resolver os problemas existentes e afirma que um dos passos a dar deve ser a criação de mais quiosques para facilitar a devolução das garrafas de plástico.

E ainda na atualidade nacional, pelo menos 11 pessoas já foram detidas numa operação em grande escala da PSP, no Porto e arredores, contra o tráfico de droga.

É uma informação confirmada pelo Observador. A operação no Porto incide principalmente nos bairros Pinheiro Torres e Pasteleira Nova. As buscas estendem-se também para zonas fora do Porto, no controle da GNR, que está também a participar. Em causa, estão mais de 40 mandados de detenção numa operação que tem por alvo um grupo organizado de traficantes.

E agora com nove minutos para lá das 09h, vamos às notícias de âmbito local, Laura.

O Barreiro tem, a partir de hoje, a circulação condicionada na Rua de Lisboa, em Santo António da Charneca, uma medida que deve manter-se até 31 de dezembro, devido obras que vão permitir a ligação de novos eixos rodoviários. A Câmara Municipal aconselha os condutores a utilizarem como alternativa as ruas de Madrid e Atenas. Em Sintra, o elétrico do Conselho voltou hoje a circular depois de ter estado temporariamente parado para trabalhos de recuperação. De acordo com a autarquia, as obras estão concluídas, garantem que o serviço está a funcionar normalmente e em segurança. Em Famalicão, a Polícia Municipal já retirou mais de 600 carros abandonados das ruas desde 2023. Segundo as autoridades, até setembro foram registados mais de 190 casos de viaturas abandonadas. Em comunicado, a autarquia diz que estas ações da PSP pretendem manter as ruas livres e garantir a segurança de peões e automobilistas. Em Santa Maria da Feira, a Câmara Municipal vai investir cerca de €250 mil em videovigilância nas ruas da cidade, um sistema que tem como objetivo reforçar a segurança de pessoas e bens no espaço público. Entrada em funcionamento do circuito ainda não tem data prevista, mas a autarquia diz que pretende que seja instalado já no próximo ano. Na Batalha, vai ser possível trocar livros em bom estado por outros. A iniciativa Livra-te decorre sexta-feira e sábado na Biblioteca Municipal do Conselho. A ideia é incentivar a partilha de livros e o gosto pela leitura. Cada pessoa pode levar até três livros e escolher outros para levar para casa. Santarém vai receber o Festival Nacional de Gastronomia entre os dias 22 de outubro e 1 de novembro. Esta é já a edição 45 do evento, que celebra a gastronomia, os produtos e as tradições das várias regiões do país. Ao longo do festival, há pratos típicos, demonstrações de cozinha, degustações e workshops com chefs e produtores. O evento acontece na Casa do Campino. Tem entrada gratuita até às 16h.

E fica por aqui o Jornal das Nove, edição da jornalista Laura Figueire. Daqui a pouco está de regresso com o Gabinete de Guerra. Até já.

Até já.