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Na Rádio Observador. Jornal das 10, com edição do Martim Madeira. Martim, as colocações do ensino superior saem já no domingo, mas ainda há alunos com problemas na candidatura.
Em causa estão erros nas reapreciações e problemas em associar a ficha ENS por falhas na plataforma, mas o Ministério da Educação nega e garante ao Observador que a ficha ENS de reapreciação permite ao candidato aceder à plataforma durante os três dias previstos para alteração da candidatura, na sequência da divulgação do resultado da reapreciação. Cristina Mota, da Missão Pública, diz à Rádio Observador que muitas das escolas já divulgaram as notas na sexta-feira e, por isso, as falhas podem se dever a atrasos.
Lembramos que os alunos têm efetivamente três dias para fazer essa atualização, a contar desde a data da afixação dos resultados e algumas escolas, ou a maioria das escolas, afixou os resultados na sexta-feira, tendo os alunos perdido dois dias desses três para efetuarem a candidatura. Portanto, colocamos aqui a hipótese de alguns destes constrangimentos estarem a resultar do fato dos alunos apenas terem tido acesso à ficha ENS já fora do prazo dos três dias.
Ainda assim, para dar resposta a estas situações, as escolas foram informadas que devem permitir uma ficha ENS de reclamação e que já pode permitir o acesso à plataforma de candidatura, é o que adianta o Ministério de Fernando Alexandre. Mas Cristina Mota, da Missão Pública, diz que apesar dos esforços das escolas, acumulam-se os registros de falhas na plataforma e, por isso, aponta para os códigos de acesso que vêm com a ficha ENS como o problema.
A informação que nós temos é que o que está a falhar é o código que é facultado aos alunos em conjunto com a ficha ENS. O código de acesso não está a corresponder. A plataforma diz que não é o código válido. Sabemos, efetivamente, que estão a ser emitidas novas fichas ENS, mas quando o aluno acede, não está a conseguir dar continuidade ao seu pedido.
Aqui a Cristina Mota, da Missão Pública, que relata vários alunos com problemas nas candidaturas ao ensino superior. Os alunos têm agora até sábado para resolver estes problemas ou vão ter de pedir uma vaga extraordinária e a Cristina Mota ressalva que, apesar do aumento de alunos inscritos no ensino superior face ao ano passado, esta questão deve-se ao fato de que, pela primeira vez, os alunos podem inscrever-se em algumas faculdades com apenas um exame.
E também a marcar esta terça-feira, Martim, o presidente da República promulga a lei das burcas e reconhece que as alterações introduzidas pelo PSD ao projeto de lei original do Chega foram decisivas.
António José Seguro reconhece que a matéria é de grande sensibilidade social e cultural e que é, por isso, difícil definir fronteiras para conseguir valorizar de forma equilibrada direitos e deveres dos cidadãos. Assume que decidiu dar luz verde ao diploma apenas depois das alterações que foram introduzidas pelo governo. Antes dessas alterações, o discurso voltava-se apenas para a proibição das burcas e só depois do documento ter sido suavizado e alterado para incluir várias formas de ocultação do rosto é que o chefe de Estado considerou que esta decisão estava em linha com os passos dados no mesmo sentido pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e é sustentada pela integração social, a não discriminação de gênero e a segurança. António José Seguro escreve que o rosto destapado constitui uma dimensão estruturante da confessa social, uma característica da sociedade portuguesa.
E seguimos agora com o Partido Socialista, acusa o governo de abrir a porta na privatização de parte da Segurança Social. Isto depois da apresentação do relatório do grupo de trabalho que estudou, Martim, a sustentabilidade do setor.
Um estudo que foi liderado pelo economista Jorge Bravo e que recomenda, entre outros aspectos, a existência de planos de pensões profissionais, a criação de um programa de poupança para as crianças e uma conta poupança consumo. Conclui também que os excedentes registrados na Segurança Social criaram uma ilusão de sustentabilidade. E ouvido esta tarde aqui na Rádio Observador, o deputado do PS e antigo secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, diz que nenhuma das conclusões do relatório é nova e acusa o governo de estar a fabricar uma narrativa falaciosa.
Nenhuma destas conclusões é surpreendente. Do nosso ponto de vista, o que está em causa é abrir a porta para a privatização de partes importantes da Segurança Social, porque estamos a criar uma narrativa, volto a dizer, enganosa e falaciosa de que o nosso sistema não tem condições de sustentabilidade e que haveria aqui números escondidos ou dados escondidos, afinal, um déficit que não existe. Todos os anos estes números estão presentes no relatório do Orçamento de Estado, por um lado, e no relatório da Segurança Social, por outro, porque são dois sistemas diferentes.
As críticas do socialista Miguel Cabrita, que insiste que a Segurança Social e a Caixa Geral de Apresentações são sistemas distintos e não devem ser tratados como um só.
E apesar das críticas do Partido Socialista, o governo garante, Martim, que só pretende reabrir o debate sobre a reforma da Segurança Social na próxima legislatura.
E evita deixar-se vincular às conclusões do estudo, uma informação avançada por fonte do governo ao Observador, que frisa que as conclusões do estudo são da exclusiva responsabilidade do grupo de trabalho e que o relatório é um estudo técnico, independente e preparado de forma autônoma. O governo pretende, por isso, olhar para este estudo como apenas mais uma fonte de informação e não, como sugere a esquerda, como um guião que serve para preparar o terreno para a privatização da Segurança Social. Como explica a mesma fonte ao Observador, a intenção do executivo é precisamente fugir deste rótulo e das críticas dos partidos mais à esquerda do Parlamento. Até 2029, não há, por isso, qualquer perspectiva de reabrir este debate sobre o sistema e a sustentabilidade da Segurança Social. Essa promessa já tinha sido deixada pela ministra Maria do Rosário Palma Ramalho.
E a esta hora, Martim, mais de mil operacionais combatem fogos em Moncorvo, Santo Tirso e Arouca. O incêndio no Conselho de Arouca está a aproximar-se de quatro aldeias.
O incêndio que lavra desde a noite de ontem em Arouca e que, de acordo com o comandante dos bombeiros locais, está para durar, mobiliza pelo menos mais de 400 operacionais, mais de 100 viaturas e quatro meios aéreos. O incêndio continua com três frentes ativas, aproxima-se de quatro aldeias, Bocodim, Cando, Rio de Frades e Pedrogão. Os bombeiros garantem que têm meios no terreno para evitar que o fogo chegue a estas habitações.
E também em Torre de Moncorvo, o fogo continua a preocupar as autoridades.
É neste incêndio que está concentrado o maior dispositivo, com quase 500 operacionais no terreno. A esta hora, segundo o site da Proteção Civil, estão também no terreno cerca de centena e meia de veículos, além de sete meios aéreos. Mantêm-se também três frentes ativas.
Já no distrito do Porto, Martim, continua ativo o fogo que deflagrou na segunda-feira em Rebordões, no Conselho de Santo Tirso.
Um fogo que mobiliza mais de 200 operacionais e mais de 70 viaturas. A mudança da direção do vento complicou durante a tarde de hoje o combate às chamas do incêndio. Foi o que disse à Lusa o comandante dos bombeiros voluntários tirssenses. O comandante Vítor Pinto explicou que a parte mais calma do incêndio tornou-se a mais ativa. Os operacionais no terreno encontram-se agora a recolocar os meios para as zonas mais críticas. Já arderam pelo menos 900 hectares em Santo Tirso, é o que indica a CNN Portugal, e o incêndio ainda está a lavrar.
E uma notícia que está a marcar esta terça-feira: morreu a atriz brasileira Glória Menezes, aos 91 anos.
A informação foi avançada pela assessoria de imprensa da artista, que morreu esta terça-feira em São Paulo. A atriz morreu por causas naturais. O Brasil perde mais um dos rostos marcantes da teledramaturgia do Brasil, com uma carreira de mais de seis décadas. Beatriz Félix.
Nasceu Nilce Soares de Magalhães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a 19 de outubro de 1934, mas foi como Glória Menezes que o mundo a veio a conhecer. Aos seis anos, mudou-se para São Paulo, onde frequentou a Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo e fundou um grupo de teatro chamado Jovens Independentes. A estreia artística aconteceu em 1959, no espetáculo amador, que lhe valeu um prêmio de atriz revelação, e foi nesse mesmo ano que entrou na primeira novela, "Um Lugar ao Sol", na TV Tupi. A carreira ganhou dimensão no cinema com o "Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, filme que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962, mas foi, sobretudo, na televisão que se tornou uma estrela nacional. Em 1963, protagonizou, juntamente com Tarcísio Meira, o projeto "2-5-4-9 Novocapado", considerada a primeira novela diária do Brasil. Os dois acabaram por formar um dos casais mais populares da televisão brasileira, não só na antena como fora dela. Casaram-se e permaneceram juntos durante 59 anos, até à morte de Tarcísio Meira em 2021. "Irmãos Coragem", "Brega & Chique", "Rainha da Sucata", "A Próxima Vítima", "A Favorita" e "Senhora do Destino" estão também na lista dos trabalhos mais conhecidos de Glória Menezes. O último trabalho em novelas foi no projeto "Totalmente Demais" em 2015, para depois passar a ter uma rotina mais discreta e longe das grandes produções de televisão. Ainda assim, em 2016, voltou a ser homenageada pela Globo na calçada da fama da emissora. Mais de seis décadas depois da estreia, Glória Menezes deixa uma das carreiras mais marcantes e mais longas da dramaturgia brasileira.
A jornalista Beatriz Félix, com alguns dos destaques da vida e obra de Glória Menezes, um dos maiores nomes da televisão brasileira. Morreu hoje, aos 91 anos de idade, no Rio de Janeiro, no Brasil.
Notícia de fecho nesta edição das 10 com o jornalista Martim Madeira, que está de regresso às 10h30 com uma síntese de notícias. Um abraço, Martim. Até já.
Até já.