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Do João Lourenço. João, boa noite. Mais uma vez em destaque nesta edição das 10: os médicos e gestores hospitalares do SNS criticam aquilo que chamam de turismo de saúde e dizem que a situação está fora de controle.
E há três regiões a destacar neste fenômeno: Grande Lisboa, Litoral Alentejano e Algarve. Afeta, sobretudo, uma área do SNS, particularmente pressionada pela falta de recursos humanos: a obstetrícia. Os utentes vêm principalmente do Hindustão e dos países africanos de língua oficial portuguesa, os PALOP. A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares já pediu para que o problema não seja ignorado. Maria Inês Rocha.
O turismo de saúde está a afetar o SNS, que para além dos residentes, tem de atender milhares de pessoas que vêm a Portugal para acederem a cuidados de saúde de forma gratuita. Isto acontece especialmente com grávidas que vêm para Portugal no fim da gravidez para terem os filhos. É o que garante o médico João Gamelas, que foi durante dois anos o diretor clínico da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental. O médico acrescenta que é uma tendência que se tem sentido cada vez mais. As grávidas vêm, sobretudo, da Ásia, especialmente da Índia e do Bangladesh. João Gamelas fala num episódio recente em que uma equipa do INEM se deparou com uma casa no centro de Lisboa em que estariam a viver mais de 20 grávidas vindas da Ásia, que chegaram a Portugal através de uma rede organizada com o objetivo de realizarem os partos aqui. A Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares pede que o problema seja atacado, mas nem os governos, nem a Assembleia da República intervieram ainda para limitar esta utilização abusiva do SNS. Mesmo perante os dados dos vários relatórios e auditorias elaborados pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, a IGAS concluiu que em 2024, quase 60% dos estrangeiros não residentes que recorreram às urgências da Unidade Local de Saúde de São José não tinham seguro ou acordo de saúde, sendo que se registou um aumento superior a 120% do número de partos de mulheres estrangeiras não residentes de 2023 para 2024 na Maternidade Alfredo da Costa. Posto isto, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde exige taxas moderadoras pagas à entrada dos hospitais e um sistema de checkout para evitar fugas a pagamentos. Já os gestores hospitalares defendem que os cuidados devem ser pagos e propõem mais foco na cobrança junto das embaixadas para que os pagamentos sejam assegurados.
Jornalista Maria Inês Rocha, com os detalhes sobre a situação atual do SNS, em que milhares de não residentes recebem serviços de saúde gratuitos. O tema do turismo de saúde voltou à agenda pública e também agenda política nas últimas duas semanas, depois da presidente da ULS Amadora-Sintra ter afirmado, numa entrevista ao Observador, que há muitas pessoas que chegam ao aeroporto de Lisboa e que se dirigem ao Hospital Fernando Fonseca de forma a receberem cuidados de saúde. É uma notícia que faz esta hora manchete no site do Observador, em observador.pt, da autoria do jornalista Tiago Queiro.
E seguimos com as comemorações de hoje da implantação da República. António José Seguro saúda o entendimento entre o governo e o Partido Socialista, João, para o aprovamento do Orçamento do Estado.
O chefe de Estado deixou um apelo para que mais partidos se juntem para viabilizar o documento. A proposta do Executivo ainda não é conhecida, mas tem já a aprovação praticamente garantida com o anúncio da abstenção por parte do PS. No primeiro discurso de António José Seguro como chefe de Estado nas comemorações do 5 de Outubro, o presidente da República elogiou essa aproximação entre Executivo e PS e pediu a Vasco Maldonado Correia mais exemplos de políticas pensadas a longo prazo.
No 5 de outubro, como em todo o mandato, António José Seguro deixa o apelo ao entendimento interpartidário.
Precisamos de soluções duradouras e de capacidade política para as aplicar. Portugal precisa de uma nova cultura política com base em entendimentos e compromissos interpartidários, focada na resolução concreta dos problemas das pessoas e numa visão estratégica para Portugal.
E volta a manifestar vontade em ver uma política que pense a longo prazo.
Agir sobre o curto prazo com uma ideia de futuro para Portugal obriga a políticas públicas que se apliquem em várias legislaturas. Não podemos estar sempre a voltar ao início, só porque se mudou uma legislatura.
Com o primeiro-ministro na plateia, fica também a lembrança que sem diálogo nada se faz.
No regime democrático, ninguém abdica das suas diferenças, mas a democracia também não pode transformar as diferenças em impossibilidades de entendimento, nomeadamente quando os governos não dispõem de apoio parlamentar maioritário.
Com a viabilização do Orçamento do Estado praticamente garantida, Seguro deixa um elogio direto a duas das três maiores forças políticas.
Saúdo o governo e o Partido Socialista pelo caminho de aproximação que têm vindo a fazer, tendo em vista a aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Oxalá outros partidos possam juntar-se a este caminho de compromisso e de convergência nestes e noutros processos legislativos.
O presidente da República entende que os eleitores sabem distinguir entre populistas e quem procura o bem do país.
E até mesmo aqueles que, porventura, só agem em função de incentivos eleitorais, digo-vos com muita convicção que acredito que os portugueses apreciam e recompensam os partidos e os atores políticos que acordam em soluções para melhorar a vida concreta das pessoas.
Com a mensagem de que os portugueses precisam de razões para continuar a confiar nas instituições, o chefe de Estado pede também soluções para a crise vivida em todo o planeta.
A crise energética, razão fundamental de muitos destes problemas, não pode ser enfrentada apenas com respostas nacionais. Não se resolve país a país. Exige uma resposta europeia coordenada que proteja as pessoas, a economia e reduza estruturalmente a dependência externa da energia.
Há muito a fazer e é preciso vontade para avançar. Mensagens de António José Seguro no primeiro discurso enquanto chefe de Estado, no dia em que se celebra a implantação da República em Portugal.
Jornalista Vasco Maldonado Correia a acompanhar as cerimônias do 5 de outubro na Praça do Município, em Lisboa, em que António José Seguro apelou a que mais partidos ajudem a viabilizar o orçamento de Estado. Proposta do governo deve ser entregue na Assembleia da República já esta sexta-feira pelo Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.
E também a marcar a atualidade nacional nesta noite de segunda-feira, dia 5 de outubro, no Conselho de Portalegre, João, uma colisão frontal provocou uma morte e um ferido grave.
E a fonte do Comando Subregional de Emergência e Proteção Civil do Alto Alentejo a revelar que a vítima mortal é um homem de 50 anos. As duas viaturas que tiveram uma colisão frontal levavam quatro homens. Um deles, de 45, sofreu ferimentos considerados graves. Foi já helitransportado pelo INEM para o Hospital de Évora. Já os outros dois ocupantes, com idades compreendidas entre os 20 e os 23 anos, são feridos ligeiros e foram levados em ambulância para o Hospital de Portalegre. A colisão rodoviária aconteceu na Estrada Nacional 246. O sinistro, cujo alerta foi dado perto das 18h, levou ao corte do trânsito dos dois sentidos desta Estrada Nacional 246.
Mudamos de tema nesta edição das 10, por aqui na Rádio Observador, para falar daquilo a que podemos chamar uma "futtonovela", o abandono de Cristiano Ronaldo dos trabalhos da seleção. O jornalista britânico Piers Morgan acusa Jorge Jesus de faltar ao prometido e de tratar CR7 como um jogador mediano.
Quando Ronaldo saiu do estágio da equipa das Quinas, em Copenhague, na Dinamarca, prometeu dizer toda a verdade aos portugueses. Enquanto isso não acontece, as versões da polêmica, de um lado CR7, são facultadas por personalidades próximas do antigo capitão. Desde a acusação de traição por parte do amigo espanhol Edu Aguirre, no programa espanhol "El Chiringuito", até agora a uma explicação mais profunda por parte de Piers Morgan. Esta noite, no programa "Football Uncensored", o jornalista britânico contou o que diz ser toda a verdade.
Foram-lhe dadas garantias absolutas sobre a forma como Ronaldo seria utilizado. Foi uma das razões pelas quais decidiu continuar a carreira internacional. No primeiro jogo, é substituído aos 67 minutos e fica um pouco chateado. Ao segundo jogo, Jesus diz-lhe: "Quero-te durante 30 minutos contra a Noruega", e o Ronaldo responde: "Está bem, se é isso que queres, eu faço". Para ele, é tudo uma questão de respeito, terem lhe prometido uma coisa e depois ter acontecido o contrário. Ter feito o aquecimento e não ter sido utilizado. O Ronaldo considerou uma falta de respeito. Até que, por fim, disse a Jesus: "Vai te lixar", apanhou um avião e foi-se embora.
Aqui fica parte da versão, neste caso, de um lado do Cristiano Ronaldo, acreditamos nós, até porque é narrada por Piers Morgan, jornalista britânico e também amigo do craque da seleção portuguesa. O jornalista britânico acusa ainda Jorge Jesus de quebrar uma promessa para com o CR7. O jornalista britânico diz que o selecionador português menosprezou e humilhou Cristiano Ronaldo.
Tempo ainda para olhar a situação em Espanha e, João, mesmo apesar do anúncio de eleições no país, os protestos pela habitação vão continuar.
O Sindicato dos Inquilinos, que coordena os protestos pela habitação em Espanha, assegura que não há motivos para parar o protesto. Em entrevista à rádio pública espanhola, o porta-voz desta associação sindical, Fernando de los Santos, indica que a paralisação geral já conquistou vários direitos ao longo dos últimos anos.
A nossa estratégia não muda. Na história, a greve geral é uma ferramenta para conquistarmos direitos. De facto, as eleições não mudam radicalmente, pois tivemos oito anos de legislação da habitação e outras décadas em que também se colocaram as leis ao serviço da renda do capital. A nossa forma de atuação continua a ser a mesma, que é a de construir a greve geral, que obviamente não depende apenas do Sindicato dos Inquilinos, mas estamos a fazer alianças com o sindicalismo laboral e com outros movimentos para que seja marcado o mais rapidamente possível.
Fernando de los Santos a referir que o objetivo não é alcançado apenas com esta convocação de eleições. Nesse sentido, os protestos vão continuar ao longo dos próximos dias. Já este domingo, dois sindicatos espanhóis anunciaram uma greve geral de 24 horas para o mês de outubro. A Confederação Sindical das Comissões Operárias junta-se assim ao Sindicato dos Inquilinos.
E a fechar, João Lourenço, o presidente do Irão, que diz que as negociações com os Estados Unidos não fazem sentido.
Massoud Pezeshkian acusa Washington de querer derrubar o governo iraniano. O presidente de Teerão afirma que este país deixou de confiar nos Estados Unidos devido aos ataques durante os últimos períodos de negociações. Segundo a agência de notícias iraniana Fars, o líder iraniano queixa-se ainda que sempre que os dois países se sentam à mesa de negociações, o Irão é imediatamente confrontado com uma guerra. O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, concluiu que os ataques mostram que Washington não procura o diálogo, mas sim derrubar as forças do Irão.
Notícia de fecho desta edição das 10. O João Lourenço está de regresso à antena da Rádio Observador às 10h30 com uma síntese de notícias. Um abraço, João. Até já.
Até já.