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São três horas. As notícias com João Costa Campos.
Boa noite. Pedro Nuno Santos lamenta que o PCP tenha caído na armadilha do Governo ao avançar com uma moção de censura e revela que o PS vai votar contra. Para o secretário-geral do Partido Socialista, a comunicação desta noite feita pelo primeiro-ministro era uma armadilha na qual caiu o Partido Comunista e, por isso, os socialistas vão votar contra.
Eu lamento que o Partido Comunista Português tenha mordido o isco lançado pelo governo. Ora, o Partido Socialista também já disse, e eu próprio já o disse várias vezes, que também não viabilizaremos uma moção de censura.
Pedro Nuno Santos assegura que, a bem da estabilidade política, o partido não viabiliza moções de censura nem de confiança, mas avisa que, já que não se demite, Luís Montenegro tem de assumir as consequências da decisão.
Se o senhor primeiro-ministro não se demite e acha que tem condições para governar, que o assuma e que não transmita para o Parlamento uma decisão que é só sua. Se o senhor primeiro-ministro e o seu governo apresentarem uma moção de confiança no Parlamento, o Partido Socialista chumbará essa moção de confiança. Nós não temos confiança neste governo e, portanto, não viabilizaremos nunca nenhuma moção de confiança.
Declarações de Pedro Nuno Santos. Os socialistas vão votar contra a moção de censura apresentada pelo Partido Comunista Português. A decisão de avançar com esta moção foi revelada por Paulo Raimundo, minutos depois da comunicação de Luís Montenegro ao país sobre a polêmica empresa familiar detida pela mulher e filhos do primeiro-ministro, que recebia avenças mensais de empresas privadas. O secretário-geral do Partido Comunista Português diz que este episódio mancha a credibilidade do governo e que, por isso, merece censura e condenação por parte dos partidos.
Este governo e a sua política não merecem confiança, merecem, sim, censura e condenação. E com a autoridade e coerência de quem, desde a primeira hora, não alimentou expectativas, denunciou e combateu a sua ação e recusou qualquer cumplicidade com as suas decisões do atual governo, incluindo do Orçamento Estado, o PCP apresentará uma moção de censura ao governo nos próximos dias.
Declarações de Paulo Raimundo, secretário-geral do Partido Comunista Português, que já recebeu um não do Partido Socialista, mas um sim do Chega. André Ventura não acredita nos esclarecimentos feitos pelo primeiro-ministro esta noite. O presidente do partido Chega acredita que não há condições para confiar no governo, acusa Luís Montenegro de esconder informações ao país e compara o primeiro-ministro a José Sócrates.
Procurou fazer uma fuga para a frente, dizendo que nunca cometeu nenhum ilícito, nem nenhum crime, quando há comportamentos evidentes e à vista de todos, absolutamente inapropriados, quando há suspeitas do uso de dinheiro que não declarou nas suas declarações de rendimentos, mas mesmo assim opta por não dizer nada sobre isso. José Sócrates não faria muito diferente do que hoje fez Luís Montenegro.
Declarações de André Ventura. O Chega anunciou que vai votar a favor da moção de censura apresentada pelo PCP. Já a Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda e Livre, apesar de condenarem o governo, não revelam, para já, o sentido de voto na moção de censura que vai ser apresentada pelo Partido Comunista Português nos próximos dias. Moção de censura esta que surge depois da comunicação feita ao país esta noite por Luís Montenegro. O primeiro-ministro anunciou que vai passar a empresa da família para o nome dos filhos e desafia os partidos com assento parlamentar a pronunciarem-se sobre a confiança que têm no Executivo depois deste caso. Lamentou que para muitos, os esclarecimentos que deu até aqui não tenham sido suficientes e admitiu, por isso, apresentar, eventualmente, uma moção de confiança, que foi entretanto recusada por todos os partidos e entre críticas ao Partido Socialista e garantias de que trabalha em exclusividade total para o governo, o primeiro-ministro passou a bola para os partidos da oposição. Nadine Soares.
Acompanhado por todos os ministros no fundo, Luís Montenegro lança um desafio direto. Em São Bento, pede aos partidos que reajam para dizer se o governo tem condições para continuar, embora admita que há partidos que nunca vão estar satisfeitos com as respostas. O primeiro-ministro diz sentir que a vontade da maioria dos portugueses é evitar a crise política, mas atira ao Parlamento essa responsabilidade para que a verdade possa ser interpretada.
Em termos políticos e governativos, insto daqui os partidos políticos representados na Assembleia da República a declarar, sem tibiezas, se consideram, depois de tudo o que já foi dito e conhecido, que o governo dispõe de condições para continuar a executar o programa do governo, como resultou há uma semana da votação da moção de censura.
Caso contrário, à falta de clarificação política da oposição, deixa no ar a possibilidade de uma moção de confiança.
Sem essa resposta, a clarificação política exigirá a confirmação dessas condições no Parlamento, o que, por iniciativa do governo, só pode acontecer com a apresentação de uma moção de confiança.
Montenegro defende que a situação política tem de ser clarificada, mas admite que uma crise pode ser inevitável. E sobre a empresa familiar, que levou a uma declaração em horário nobre, Montenegro apresenta a solução: os filhos.
Relativamente à empresa familiar, ela será, doravante, totalmente detida e gerida pelos meus filhos. Mudará a sua sede e seguirá o seu caminho exclusivamente na esfera da vida deles.
O primeiro-ministro responde ainda às polémicas para dizer que nada foi descoberto.
Portugueses, eu confio no vosso critério. É verdade, eu nunca o escondi. E é bom repetir e lembrar. Tudo isto foi declarado por mim. Ninguém descobriu nada. Está tudo nas minhas declarações de interesses.
Luís Montenegro mostra-se pronto para ser escrutinado pela oposição e pelos portugueses.
Um trabalho da jornalista Nadine Soares, que esteve a acompanhar a comunicação do primeiro-ministro esta noite no Palácio. Sobre este episódio que está a abalar o governo, Joaquim Miranda Sarmento diz que não traz nada de novo ao panorama político. O ministro das Finanças relembra que se a moção de censura apresentada pelo Chega há uma semana foi chumbada, não faz sentido pensar numa outra.
Eu creio que o primeiro-ministro foi claro. Nós há uma semana tivemos uma moção de censura no Parlamento, que foi rejeitada. O primeiro-ministro disse que se os partidos da oposição entenderem que algo mudou face há uma semana, têm os instrumentos necessários para dizerem se o governo tem ou não condições para governar. Se não disserem, o governo teria que apresentar uma moção de confiança. O Partido Comunista acabou de anunciar que apresentará uma moção de censura. Essa moção de censura aparentemente será rejeitada, porque o secretário-geral do Partido Socialista acabou de dizer que votará contra. Portanto, o Parlamento volta 15 dias depois a reafirmar que o governo tem as condições necessárias para governar.
Declarações de Joaquim Miranda Sarmento, ministro de Estado e das Finanças, em declarações à RTP3, que admite que agora as movimentações políticas estão na mão dos partidos. Se olharmos agora para o plano internacional, a Argentina ameaça sair da Mercosul e assinar um acordo de comércio livre com os Estados Unidos. O presidente Javier Milei tece fortes críticas ao Mercosul, diz que apenas serve para enriquecer os grandes industriais brasileiros à custa do empobrecimento dos argentinos. No discurso de abertura da sessão legislativa do Congresso argentino, o presidente falou da oportunidade histórica de estabelecer um acordo comercial com os Estados Unidos e abandonar o Mercosul, o bloco económico da América do Sul, do qual fazem parte o Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, foi recebido com protestos pró Ucrânia à chegada do estado de Vermont. J.D. Vance ia passar férias com a família numa estância de esqui na região, mas foi recebido por protestos contra a administração Trump. Isto depois de ontem o próprio J.D. Vance ter sido um dos protagonistas num episódio de muita tensão na Casa Branca com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Numa discussão sem precedentes, o vice-presidente dos Estados Unidos criticou o presidente da Ucrânia por não agradecer vezes suficientes a Washington pelo apoio a Kiev. E fechamos com o futebol. O Porto bateu o Arouca por duas bolas a zero, gols marcados por Samu e Fábio Vieira. A partida fica marcada pelo regresso à competição de Iván Marcano. O defesa central espanhol foi titular, voltou aos relvados um ano e meio depois de se ter lesionado, ainda no início da época anterior. Para o Porto foi uma noite de glória, mas não para o Arouca. Vasco Seabra, técnico do clube, fala numa noite frustrante.
Estivemos quase sempre com a bola, mas numa outra saída o Porto estava a começar a criar problemas porque nós estávamos a projetar-nos mais e queríamos ter mais chegada e com isso, naturalmente, tínhamos algumas transições. E fica só essa frustração de não termos conseguido reduzir, porque acho que o jogo depois na segunda parte ficou com muitas faltas e faltinhas, muitas paragens, muito jogo travado, acabou por baixar muito o ritmo do jogo.
Declarações de Vasco Seabra, técnico do Arouca, em declarações captadas pela Sport TV. Com este resultado, o Porto fica a três pontos do primeiro lugar. O líder Sporting joga apenas na segunda-feira. Já o Benfica não entra em campo nesta jornada. Adiou a partida com o Gil Vicente para o final do mês. E é a notícia de fecho aqui neste Jornal das 13. A informação está de regresso às 13h30. Até já.