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Quatro horas. Boa noite, eu sou o Martim Madeira e este é o Jornal das quatro da manhã. Começamos pela atualidade nacional. Catorze pessoas morreram até agora nas estradas portuguesas neste fim de semana de Páscoa. É o balanço mais recente da Guarda Nacional Republicana, que adianta que é o registro mais grave dos últimos três anos e o dobro do que tinha sido registrado no ano passado, numa altura em que já se contam perto de 2 mil acidentes só nesta época festiva. O capitão Pedro Antunes manifesta o desânimo com os números deste ano.
Sem dúvida. Estes números não são felizes, sobretudo por uma época em que está marcada essencialmente pela união familiar e passagem da Páscoa, pelo que a GNR continuará firme na estrada ou, neste caso, nos principais eixos rodoviários, sobretudo agora a preparar o regresso.
Capitão Pedro Antunes, num registro captado pela RTP. O excesso de velocidade e de álcool, assim como a condução ao telemóvel, são as contraordenações mais comuns. A GNR vai estar na estrada nesta "Operação Páscoa" até à próxima segunda-feira. Esta Páscoa fica também marcada pelo aumento dos preços e não só do combustível. O cabaz de bens essenciais atingiu o valor mais caro de sempre. Os portugueses vão ter de pagar mais para ter o tradicional cabrito e o folar à mesa e notam isso mesmo na carteira. O Observador passou a manhã de sábado no mercado de Lisboa, numa altura em que o cabaz essencial ultrapassou os €254. A população queixa-se dos aumentos. No talho, o cabrito continua a ser procurado, diz o talhante José Silva ao repórter do Observador, Ricardo Lopes, mas o preço subiu, e não foi pouco.
Hoje e ontem havia bastantes encomendas e saiu bastante, mesmo.
E diga-me uma coisa, qual é que é o preço do cabrito por quilo? Aumentou muito comparativamente ao do ano passado?
Ao do ano passado, aumentou, pois. Está €25 o quilo.
E recorda-se quanto é que estava o ano passado?
O ano passado devia estar na casa dos 19,5, 20.
E ainda que Sandra Mira, dona de uma padaria, tenha vendido os folares que tinha pra manhã de sábado, confessa que também ela teve de ajustar o preço.
Nós tivemos que fazer uma atualização, porque os preços têm subido gradualmente, é quase ao mês em determinadas coisas, como por exemplo, ovos, o chocolate, o cacau. Nós utilizamos muita coisa que está sempre em aumento de custos. Portanto, de alguma forma, e em determinados momentos, temos que o fazer refletir no nosso preço. Tentamos não demasiado pro lado do cliente, mas temos que gerir isso e esperemos que não suba muito mais.
As declarações de Sandra Mira, dona de uma padaria, quando também o tradicional folar atingiu preços mais elevados esta Páscoa. Este foi um trabalho do jornalista do Observador, Ricardo Lopes. A Deco Proteste acusa o governo de hipocrisia por querer taxar os lucros extraordinários das petrolíferas. A defesa do consumidor, não tem dúvidas, é o Estado que está a encaixar receita fiscal extra, por exemplo, na garrafa de gás. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e quatro outros ministros da União Europeia propuseram criar um imposto às energéticas por causa dos lucros extraordinários, na sequência do conflito no Irão. O objetivo seria mesmo passar uma mensagem clara às empresas que estão a lucrar com as consequências da guerra. À Rádio Observador, Pedro Silva, analista de mercados energéticos da Deco, acusa o Estado de estar a ganhar lucros caídos do céu.
Os aumentos de preços que já se começaram a verificar, a garrafa de gás de 13 quilos aumentou de 34 para valores que já estão neste momento a chegar à casa dos 37, 38, ou chegarão muito em breve, sobre isto incide IVA. E portanto, há aqui uma receita que o Estado não está a devolver, seja por via de ISP, seja por algo muito mais óbvio, que é tratar um serviço público essencial, que é o gás engarrafado, da mesma forma que trata eletricidade e gás natural, que na maioria das faturas é taxada a 6%. No caso do gás engarrafado, continua a ser um bem de luxo, taxado a 23%, e que quando sobe, é o lucro caído do céu para o Estado.
Pedro Silva não tem dúvidas: esta crise energética pode prolongar-se até ao final do ano.
Estamos perante uma crise energética que, ainda que hoje o Estreito de Ormuz fosse totalmente aberto à navegação, não se resolveria num prazo, provavelmente, antes do final deste verão. Portanto, o ano de 2026 vai continuar a ter aqui alguma tensão, uma vez que vai demorar tempo a que tudo regularize.
As declarações do analista de mercados energéticos, Pedro Silva, à Rádio Observador sobre o petróleo e também a situação da crise energética do Médio Oriente. E é pra lá que passamos, vamos pra atualidade internacional, mais propriamente pro conflito no Médio Oriente. Uma acusação do Irã. O Irã acusa os Estados Unidos de estarem a tentar matar o piloto norte-americano desaparecido do caça que foi abatido pelas forças iranianas. É uma notícia dada pela agência de notícias iraniana Tasnim. A agência cita uma fonte do exército iraniano que afirma que os Estados Unidos estão em estado a bombardear as regiões de Kohglie e Julieh e a Boyer Ahmad, onde os norte-americanos acreditam que está o piloto perdido em combate. Estes bombardeamentos, segundo a fonte da Tasnim, aconteceram apenas momentos depois da confirmação do desaparecimento deste piloto. A fonte do exército iraniano recusa-se a comentar se o piloto está sob custódia iraniana ou não, apenas diz que os Estados Unidos não estão a dizer toda a verdade sobre a situação, acusa-os de ainda estarem a mentir sobre o resgate do primeiro piloto. Afirma que a história deste piloto desaparecido em combate vai ser mais um escândalo pra administração norte-americana e diz que há uma razão pra o quererem matar, sem mencionar qual. O exército iraniano avisa Donald Trump que a região vai tornar-se num inferno para os Estados Unidos se a ofensiva escalar. É a resposta do porta-voz do comando do exército iraniano às ameaças do presidente dos Estados Unidos. Donald Trump tinha estabelecido, na tarde de sábado, um prazo de 48 horas para Teerão chegar a um acordo ou abrir o estreito de Ormuz. Caso contrário, avisou e ameaçou que o Irão se ia tornar num inferno. Agora chega a resposta iraniana. Diz que a região vai se tornar num inferno para os Estados Unidos e não para o Irão e sublinha que a ilusão de derrotar a República Islâmica do Irão tornou-se num pântano no qual os Estados Unidos se vão afundar. São declarações citadas pela Al Jazeera. O exército iraniano considera ainda que as ameaças de Donald Trump são estúpidas. Passamos do conflito no Médio Oriente para o desporto. O Futebol Clube do Porto empatou 2 x 2 com o Famalicão no Dragão. Pelo Famalicão marcou Sorriso e Rodrigo Pinheiro, já pelo Futebol Clube do Porto, Alberto Costa e Seko Fofana fizeram os gols dos Dragões. Um jogo que esteve com o resultado em aberto até o fim. Primeiro marcou o Porto, Alberto Costa marcou o primeiro dos Dragões, depois Sorriso empatou o jogo para o Famalicão. Aos 90+1, Seko Fofana fez o gol que parecia encaminhar a vitória do Futebol Clube do Porto na partida, mas quem acabou mesmo por fechar o marcador foi o Famalicão. Rodrigo Pinheiro colocou a bola no fundo das redes aos 90+10. O avançado ex-Futebol Clube do Porto foi formado nos Dragões, acabou por carimbar o empate para os famalicenses. Em reação à partida, Francesco Farioli, que deixou o campo visivelmente desiludido, admite que o Porto não esteve no seu melhor.
"Acho que a nossa performance, em geral, esteve abaixo dos nossos padrões, mesmo que tenhamos liderado uma parte do jogo. É uma pena que não tenhamos levado a vitória para casa, mas é como digo, não foi o nosso melhor jogo. Só que agora está feito. Não podemos voltar atrás. Agradeço aos adeptos o apoio ao longo de 100 minutos. Agora é virar a página. Temos quatro ou cinco dias para os quartos de final da Liga Europa e não temos tempo para ficarmos presos a isto."
Ainda na conferência de imprensa, Francesco Farioli, treinador dos Dragões, deixou duras críticas à arbitragem. Também deixou umas mensagens para o rival, o Sporting Clube de Portugal. Diz que a zona cinzenta está cada vez a tornar-se mais verde. Já do lado do Famalicão, Hugo Oliveira enaltece a prestação do Futebol Clube do Porto, mas sublinha a garra dos jogadores da equipa famalicense.
Jogamos aqui frente a um grande adversário, um grandíssimo adversário, muito forte, com muitas alternativas, com muita capacidade individual, mas também muita capacidade coletiva. O jogo entrou numa toada forte, agressiva, mas muito tática, e eu tenho que tirar o chapéu aos meus rapazes, porque tiveram um comportamento incrível do ponto de vista da interpretação daquilo que foi o jogo. Tivemos jogadores com exibições, na minha opinião, fantásticas, porque com a idade que eles têm, com a capacidade de interpretar o jogo como eles tiveram. Hoje experimentamos uma forma de estar um bocadinho diferente, sem bola, e a capacidade interpretativa deles muito boa, mas mantendo a mesma coragem perante um ambiente fantástico. Um grandíssimo jogo de futebol entre o Futebol Clube do Porto e o Famalicão.
Com este resultado, o Futebol Clube do Porto mantém a liderança do campeonato a cinco pontos de vantagem do Sporting. É importante relembrar que o Sporting tem menos um jogo devido ao confronto que foi adiado contra o Tondela. Portanto, esta liderança de cinco pontos está à condição. Ainda no sábado, o Sporting de Braga jogou e venceu em Moreira de Cónegos o Moreirense por 1 x 0. Os bracarenses, com esta vitória, consolidam assim o quarto lugar com 49 pontos, mais quatro do que o Gil Vicente e Famalicão. O único gol da partida foi marcado pelo espanhol Fran Navarro. O Moreirense soma a terceira derrota seguida, mantém-se na nona posição com os mesmos pontos do vizinho Vitória de Guimarães. Ponto final neste jornal. A informação está de regresso às 16h30 com a síntese de notícias. Até já.