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Quatro horas. As notícias com Maria Miguel Marques. A noite de protestos no Porto terminou de forma abrupta, depois da maior enchente de manifestantes nas ruas do Porto, a Praça D. João I está vazia. Os manifestantes alegaram falta de condições de segurança e acabaram por abandonar a praça, apesar de antes terem dito que iam voltar a dormir na rua. Este novo protesto pelo direito à habitação chegou a reunir milhares no Porto ontem, depois de na última madrugada ter existido uma intervenção policial. Na Praça D. João I esteve a acompanhar esta montanha-russa o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia.
À sexta noite de protestos e depois do que foi, até hoje, a maior mobilização deste movimento, a praça, que de tarde se encheu de milhares de manifestantes, está agora praticamente vazia. Foi uma verdadeira montanha-russa aquilo que aconteceu hoje na Praça D. João I, mas não só. Já de manhã se sentiam os ânimos exaltados depois da carga policial da última noite. As palavras do primeiro-ministro e também do presidente da câmara não terão contribuído para um apaziguar dos ânimos, e isso foi visível no início dos protestos. Havia muitos cartazes dirigidos a um novo alvo, claro, Pedro Duarte, o autarca do Porto. Depois de uma mobilização incomparável com as últimas noites, a praça encheu tanto que transbordou. E sem que se esperasse, os manifestantes invadiram as ruas do Porto com a polícia a olhar atentamente, mas a verdade é que foram os próprios manifestantes que cortaram o trânsito num pequeno, pequeníssimo percurso até à Avenida dos Aliados. Ainda subiram as rampas de acesso à câmara, mas, e nestes momentos de maior tensão, a caminhada acabou por terminar pouco depois, com o regresso à praça, onde havia uma decisão a tomar e essa decisão foi tomada em assembleia popular: iriam voltar a dormir na praça, mas desta vez, sem tendas. Era esta a decisão, até que um pequeno episódio condenou esta intenção, porque a certa altura, perto da meia-noite, uma pessoa foi assistida pelo INEM depois de um desacato e a partir daí começaram a surgir insinuações por parte dos manifestantes de que haveria pessoas infiltradas e armadas com facas com o objetivo de causar distúrbios. Estas preocupações foram partilhadas com a PSP, mas ao que o Observador conseguiu apurar junto de fonte policial, a polícia revistou sim duas pessoas, mas não apreendeu armas. A verdade é que mesmo assim as suspeitas já estavam lançadas e a decisão de dormir já tinha sido revertida e por isso agora esta praça, que ainda há pouco estava completamente cheia, com milhares de manifestantes, está agora vazia. Restam poucas dezenas de pessoas, mas muito longe desses milhares que chegaram a encher a praça naquele que foi o maior protesto dos últimos dias.
Miguel Pinheiro Correia dá conta desta reviravolta no Porto, na Praça D. João I. Os manifestantes desistiram desta acampada de protesto pelos direitos da habitação nesta noite, por falta de condições de segurança. E o Partido Comunista diz que Luís Montenegro é o verdadeiro egoísta na luta pela habitação. Em causa, as palavras do primeiro-ministro dirigidas aos manifestantes pela habitação no Porto, onde pediu para que não fossem egoístas quanto à tranquilidade e à ordem pública. Em reação a estas declarações, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, devolve a acusação ao líder do governo.
O senhor primeiro-ministro classificou as pessoas que estavam nessa ação como egoístas. O senhor primeiro-ministro é que é um verdadeiro egoísta, não só egoísta, como se coloca ao serviço dos egoístas, dos fundos imobiliários, da banca, dos especuladores. Toda a política da sua iniciativa, convenhamos, não é apenas do senhor primeiro-ministro, não é apenas do governo, é também do Chega e Iniciativa Liberal, estão ao serviço dos egoístas. E, portanto, para egoísta, egoísta e meio.
O líder do PCP, Paulo Raimundo, sublinha ainda que o partido apoia todas as ações que expressam indignação e que exigem soluções para os problemas da habitação. Pedro Passos Coelho não pretende desafiar Luís Montenegro internamente e só admite regressar ao poder depois de vencer eleições legislativas. O Observador sabe que o antigo primeiro-ministro não pretende assumir funções governativas, nem passar diretamente pelo crivo dos eleitores. Um eventual regresso deverá depender da saída de Luís Montenegro ou de uma derrota eleitoral do PSD, que abra caminho a uma mudança na liderança do partido. Passos Coelho considera que um governo com ambições de promover reformas estruturais deve ter legitimidade eleitoral. O cenário poderá colocar o PSD perante decisões difíceis sobre a formação do governo, caso as próximas legislativas não deem uma vitória aos sociais-democratas. Para já, o regresso de Passos Coelho mantém-se condicionado a um eventual mau resultado eleitoral do PSD. Este é um artigo que pode ler com mais detalhe no site do Observador. É assinado pelo editor-adjunto de política, Miguel Santos Carrapatoso. Falamos agora da privatização da TAP. Pedro Nuno Santos diz que o fato de o governo reclamar vitória pela venda sem atribuir mérito ao PS é uma verdadeira história da carochinha. O antigo ministro das Infraestruturas lembra que Luís Montenegro classificou, na altura do governo socialista, o investimento na TAP como um crime político, dizendo que era impossível recuperar esse valor. Pedro Nuno Santos diz que agora o primeiro-ministro garante que tal vai acontecer.
O PSD, a AD, Luís Montenegro, estiveram estes anos todos Enganados ou a enganar o povo português, porque nos termos deles nós vamos recuperar o investimento que foi feito na TAP. E isto é muito importante, porque nós não podemos fazer de conta que há políticos que estiveram anos a destratar o PS e, já agora, a mim, enquanto Ministro das Infraestruturas, e depois, ontem, celebram uma venda. Porque ontem vários membros do governo foram às televisões e fizeram este exercício: "Nós fizemos uma grande venda sem qualquer responsabilidade do governo anterior". E essa é uma história da crochinha.
O antigo ministro das Infraestruturas socialista, Pedro Nuno Santos, em entrevista à CNN, já quanto à privatização a 100% da TAP, a opinião de Pedro Nuno Santos não alterou. Está contra. Reitera que o governo socialista provou à direita e aos liberais que a TAP pública pode ser rentável e lucrativa. Na atualidade internacional, um tiroteio numa escola primária provocou quatro mortes, incluindo três crianças, no estado de Oregon, nos Estados Unidos. O incidente ocorreu ao início da tarde, da hora local, ontem, na Escola Primária Silver Trail, na cidade de Bend, e resultou na morte de três crianças de cinco, oito e 11 anos e de mais um professor, sendo que pelo menos outras duas pessoas foram hospitalizadas com ferimentos. Segundo as autoridades locais, a polícia recebeu uma denúncia sobre um atirador ativo na escola, atirador que foi já encontrado morto no momento em que as autoridades chegaram ao local, segundo avança a CNN. Entretanto, a polícia local confirmou que este atirador tinha 16 anos. As autoridades ainda se encontram a investigar quem matou este atirador. O diretor do FBI, Kash Patel, anunciou nas redes sociais que foram destacados já agentes para auxiliar na investigação. Olhamos para o futebol. O Benfica venceu o Celtic por 4 x 1, no jogo a contar para a Liga Europa. O treinador dos encarnados diz que a boa entrada no jogo foi fundamental para a vitória. É a segunda vitória consecutiva do Benfica na competição, após ter batido o AS Milan por duas bolas a zero na primeira jornada da Liga Europa. Na reação à vitória, Marcos Silva diz que apesar do resultado expressivo, não foi um jogo fácil e elogia a primeira parte de grande qualidade do Benfica no encontro.
A nossa entrada foi muito positiva, a comandar o jogo, a levar o jogo para caminhos que nós queríamos levar, a conseguirmos posicionar o nosso meio-campo ofensivo e depois com a qualidade de podermos criar por fora. Fomos criando sempre com grande qualidade e, como disse, pareceu fácil, mas de fácil não tem nada. A reação do Celtic na segunda parte mostrou a qualidade que tem. É óbvio que a nossa superioridade na primeira parte foi muito boa e foi uma primeira parte de grande qualidade.
Reação do treinador do Benfica, Marcos Silva, à vitória frente ao Celtic, com o resultado que coloca os encarnados entre os líderes da prova, com seis pontos em duas jornadas. Do lado do Celtic, o treinador Brendan Rodgers diz que a equipa não desmoronou, mesmo a perder por 3 x 0, e sublinha que o Celtic não vai desistir de se qualificar para a fase de eliminações da Liga Europa.
A perder por 2 x 0, tivemos uma ótima chance de deixar o marcador em 2 x 1. Poucos minutos depois, já estávamos a perder por 3 x 0. Poderíamos facilmente ter desmoronado na segunda parte, mas não foi nada disso que aconteceu. Sinceramente, fiquei extremamente satisfeito com o desempenho na segunda parte. Não é demérito do Benfica, que é uma excelente equipa. Eles vão chegar muito longe nesta competição, mas nós ainda não desistimos de nos qualificar.
O treinador do Celtic, Brendan Rodgers, após o jogo frente ao Benfica. A equipa encarnada visita o Chipre na terceira jornada da liga para um encontro com o Omonia daqui a uma semana. Terminamos assim esta edição das quatro da manhã. A informação está de regresso com a síntese das cinco da manhã. Para já, fique com a primeira parte do Contracorrente desta quinta-feira.