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Cinco horas. As notícias com Beatriz Félix. Bom dia, cinco da manhã, vamos às notícias na Rádio Observadores. Depois do primeiro dia de convenção do Bloco de Esquerda, é hoje que José Manuel Pureza vai suceder a Mariana Mortágua. Os congressistas voltam ao Complexo Desportivo do Casal Vistoso, em Lisboa. Depois de um dia de discussão e apresentação das várias moções setoriais, hoje vão ser eleitos os órgãos nacionais do partido. José Manuel Pureza encabeça as listas da Moção A, tanto à Mesa Nacional como à Comissão Política do Bloco. Esta é a lista da atual direção. Em 2023, a moção de Mariana Mortágua venceu com 80% dos votos, o que faz com que José Manuel Pureza seja o provável sucessor. O candidato que ontem, véspera da eleição, ouviu vários avisos dos principais fundadores do partido, Pedro e João Gama, um partido com os pés bem assentes no chão.
O primeiro foi Fernando Rosas. Na intervenção mais aplaudida do dia, o historiador e fundador do Bloco de Esquerda desafiou os militantes a fazer uma longa reflexão.
Queremos ser um efêmero e volátil partido de agitação borbotando sobre as lutas sociais e políticas sem criar raízes? Um partido toca e foge?
Para não ser um partido toca e foge, Rosas pede ao Bloco de Esquerda que regresse às bases, que volte a estar nos sindicatos, nas empresas e nas associações de estudantes. Mas avisa: o caminho não vai ser fácil.
Neste campo de batalha pela organização e reorganização do Bloco. Esta é uma tarefa hercúlea. Exige uma atenção e continuada da futura Comissão Política do Bloco.
A Fernando Rosas seguiu-se Luís Fazenda, de olhos postos na política externa, acabaria por citar um bem conhecido social-democrata.
E é neste momento que apraz sublinhar a inteligência de Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo Rebelo de Sousa disse que Trump era um agente russo. Acertou. Não tenho a menor dúvida.
Para pedir ao Bloco de Esquerda que saia desta convenção a envolver toda a esquerda na luta pelo desarmamento. O último dos três fundadores a discursar foi Francisco Louçã. É ele quem pede um partido da esquerda moderna que saiba o que quer.
Pés bem assentes na Terra. Respostas claras. Salário, casa e hospital. Salário, casa e hospital. Pés na Terra, no combate para a longa duração, que é a persistência da formiga que faz a vida.
O caminho para José Manuel Pureza seguir desenhado por Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas.
A reportagem do jornalista João Gama com algumas das principais intervenções durante o primeiro dia da Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. Os trabalhos são retomados hoje às nove da manhã. E à margem da convenção, o dirigente Jorge Costa puxa para trás a fita do tempo e responsabiliza a maioria absoluta do PS pelos maus resultados eleitorais do Bloco, mas também de toda a esquerda. O antigo deputado sublinha que os maus resultados do partido são fruto de uma circunstância internacional de crescimento da extrema-direita e acredita que o Bloco ainda está a sofrer da memória da governação de maioria absoluta de António Costa.
Apesar de ter sido coerente nesse percurso e de ter feito perante o Partido Socialista a exigência de uma intervenção firme sobre o SMS, sobre a legislação laboral e não o ter conseguido, foi essa a razão da ruptura que aconteceu em 2021. Apesar dessa clareza e apesar dessa consistência, o Bloco não foi capaz de que essas razões tivessem sido bem compreendidas. E o Bloco continuou a ser associado à governação do Partido Socialista, mesmo quando já não tinha nenhuma responsabilidade sobre ela e quando, na verdade, o Partido Socialista já governava em maioria absoluta. A esquerda toda sofreu do mesmo mal. Portanto, este espaço perdeu-se e perdeu-se no balanço do processo daqueles anos e de uma leitura popular que ficou muito marcada pelos anos da maioria absoluta do Partido Socialista.
Jorge Costa, que acusa ainda o atual governo de promover um pântano político e classifica a próxima greve geral como o momento mais importante da vida política do país. Seguimos agora com as presidenciais e falamos do debate de ontem entre Luís Marques Mendes e Jorge Pinto. A escolha do juiz Carlos Alexandre para a liderança da Unidade de Combate à Fraude no SNS foi tema em cima da mesa e com críticas do lado do candidato apoiado pelo Livre. Jorge Pinto questiona a nomeação do executivo de Luís Montenegro, mas não só, e diz que a nova Unidade de Combate à Fraude do SNS trata-se de marketing.
Isto parece uma jogada de marketing do governo. E vou explicar por quê. Porque repare, o governo, quando tomou posse na anterior legislatura, dizia que tinha um plano a muito breve prazo para responder aos problemas do SNS. Como não conseguiu apresentar resposta, foi inventando diferentes problemas. Ou eram os imigrantes, agora são as fraudes, fraudes essas que é evidente que existem. O que eu quero dizer é que já houve uma equipa semelhante em 2012, se a memória não me atraiçoa. Os resultados foram relativamente limitados em relação àquilo que identificaram. O que eu me pergunto é: por que o juiz Carlos Alexandre? Por quê? Qual é a sua experiência? Qual é a sua experiência em relação à saúde?
Opinião bem diferente tem Luís Marques Mendes sobre este tema. O candidato apoiado pelo PSD fala numa boa escolha e diz que não é preciso ter experiência na saúde para demonstrar que está à altura.
Acho que aquilo que foi anunciado na saúde é uma belíssima decisão. É uma boa decisão porque foi rápida, é muito bem escolhido. A experiência que ele tem, designadamente em matéria de tratar na área dele, da Justiça e Combate à Corrupção, incute respeito
Para não dizer até medo, mas sobretudo respeito. Eu acho que ele não precisa de saber de saúde, que ele não vai ser Ministro da Saúde nem Secretário de Estado da Saúde, mas vai criar as condições ou propor regras para, no domínio justamente da prevenção, poder haver, de facto, uma situação bem mais exigente do que o facilitismo que, pelos vistos, existe hoje.
Luís Marques Mendes e Jorge Pinto foram os protagonistas do debate presidencial de ontem, para hoje o Frente a Frente, que junta o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, e António Filipe, o candidato apoiado pelo PCP. É às 9 da noite, na SIC. Marcelo Rebelo de Sousa sente-se frustrado face aos números da pobreza em Portugal, números que não desceram durante os anos de mandato que cumpriu. O Presidente da República visitou ontem à noite o Banco Alimentar contra a Fome, em Alcântara, no dia em que arrancou a campanha de recolha de alimentos. O chefe de Estado fez um donativo e, no final, em declarações aos presentes, lamentou que os números da pobreza no país continuem acima dos dois milhões de pessoas.
Se há tristeza que eu tenho no coração é a de que a pobreza não diminuiu aquilo que devia ter diminuído, porque se tem diminuído e não estivesse e não continuasse a estar à volta dos dois milhões de pessoas, mais coisa, menos coisa, dois milhões de portugueses é muito português, e desses dois milhões haver quase 400 mil que recebem o apoio dos bancos alimentares, quer dizer que é um quinto. Essa é a tristeza. A alegria é mais voluntários, mais jovens.
Para o próximo ano, Marcelo Rebelo de Sousa deixa uma promessa: vai ser voluntário do Banco Alimentar contra a Fome. Falamos ainda de atualidades internacional. A Venezuela condena a mensagem do presidente dos Estados Unidos sobre o encerramento do espaço aéreo do país e classifica este anúncio como uma ameaça colonialista. Trump avisou ontem que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado totalmente fechado. Ora, a Venezuela reagiu, denuncia e condena a ameaça colonialista que pretende afetar a soberania do espaço aéreo. O país considera, por isso, que se trata de uma nova agressão extravagante, ilegal e injustificada contra o povo venezuelano. E na Ucrânia, o presidente ucraniano considera viável alcançar nos próximos dias um acordo para um fim digno da guerra com a Rússia. É, pelo menos, a convicção de Volodymyr Zelensky, transmitida no habitual discurso ao final de cada dia. Zelensky destaca que a delegação ucraniana para as negociações já está em solo norte-americano para continuar o diálogo com base nos pontos de Genebra. O líder da Ucrânia mostra-se otimista.
A delegação ucraniana deverá estar nos Estados Unidos ainda hoje, no horário americano. O diálogo baseado nos pontos de Genebra vai continuar. A diplomacia permanece ativa. O lado americano está a demonstrar uma abordagem construtiva e nos próximos dias será possível definir os passos necessários para determinar como dar um fim digno à guerra. A delegação ucraniana possui as diretrizes necessárias e espero que os membros trabalhem de acordo com as claras prioridades da Ucrânia.
Foram declarações de Zelensky no habitual discurso ao povo ucraniano. Entretanto, um responsável governamental dos Estados Unidos, citado pela agência noticiosa France Presse, indicou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, vão encontrar-se hoje com a delegação ucraniana na Flórida. E fechamos no desporto. Ontem, o Benfica venceu na Madeira o Nacional por 2 x 1. Esta que é uma vitória que marca o regresso das Águias aos triunfos na liga. No final do jogo, José Mourinho destacou a dificuldade do encontro. Não tem dúvidas quanto à justiça do vencedor e destaca a entrada em campo positiva dos suplentes.
Os três que entraram, o Prestean, o Ivanovic, o Michel Gruppá, entraram bem, deram outro andamento ao jogo. E depois há aquela coisa, quando se ganha nos últimos minutos, há sempre aquele dramatismo, mas eu acho que a performance do Benfica globalmente é muito bem conseguida. Nós em Guimarães tivemos uma muito boa segunda parte, mas aqui tivemos um bom jogo durante os 90 minutos.
Do lado da equipa da casa, Tiago Margarido assumiu a justiça da vitória encarnada, mas quis também deixar uma mensagem de satisfação aos atletas.
Foi o jogo dentro daquilo que era expectável. Obviamente que jogando contra uma grande equipa como o Benfica, com grande investimento, é difícil nós assumirmos as rédeas do jogo. Saíamos a espaços com competência, criávamos alguma fricção naquilo que era o jogo e o conforto do Benfica. Portanto, acho que os jogadores foram exímios a cumprir o plano de jogo. A verdade é que o Benfica, pelo somatório do jogo, tem uma vitória justa, mas não tenho como não ficar orgulhoso dos meus jogadores.
As Águias igualam agora a condição do Sporting com 28 pontos no segundo lugar. Os Leões só vão jogar hoje, recebem em Alvalade o Estrela da Amadora a partir das 18h. Depois disso, no Dragão, às 20h30, o Futebol Clube do Porto vai receber o Estoril. São estes dois jogos que contam com emissão especial de desporto, com relato e análise para ouvires em direto aqui na Rádio Observador. É a notícia de fecho deste noticiário das 05h. A informação fica por aqui. Está de regresso daqui a pouco, às 17h30, com a síntese de notícias.