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5 horas.

Bom dia, eu sou o Martim Madeira, são 05h, vamos atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos com uma notícia de última hora: o Irão prometeu lançar o maior ataque da história contra as bases militares israelitas e norte-americanas e está a cumprir. Estão neste preciso momento a soar as sirenes em Tel Aviv, na capital de Israel, alertam para uma nova retaliação por parte do Irão. Foram também ouvidas, há poucos minutos, explosões no Dubai, pelo segundo dia consecutivo, numa altura em que já tinham sido desligados os sistemas de defesa aéreos quando o sol nasceu. De acordo com a CNN Internacional, as explosões foram às 08h15 locais, há poucos minutos. Também o Qatar sofreu. A cidade de Doha foi alvo de mísseis iranianos. Também a base americana aérea de Erbil, no Iraque, já foi atingida. Portanto, Iraque, Qatar, Dubai e também Israel, alvos esta manhã de ataques por parte do Irão há poucos minutos. A situação está intensa. O Irão prometeu que ia atacar com força, está a cumprir. Estes ataques acontecem depois de ter sido confirmada a morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, também a filha e um dos netos de Ali Khamenei morreu na sequência dos ataques israelitas. Imediatamente depois da morte do líder supremo, o Irão abriu fogo através das defesas aéreas. Oitenta e oito clérigos seniores escolherão agora o novo sucessor pra liderança do Irão. Por agora, um governo interino, um conselho com o presidente do Irão e também o líder da parte judiciária do Irão, agora a liderar durante o interinamento a liderança do país. Continuando na linha de bombardeamentos, a capital iraniana, o Teerão, foi novamente bombardeada, de acordo com os media iranianos. Foram ouvidas algumas explosões na cidade. As forças militares israelitas confirmaram à Reuters que Israel lançou uma nova vaga de ataques aos sistemas de mísseis e defesa iranianos. Até agora, pelo menos 130 civis foram mortos pelos ataques israelitas e americanos no Irão. Já em Israel, confirma-se um morto e mais de 120 feridos na sequência da retaliação iraniana. Passamos ao aeroporto internacional de Dubai, que foi atingido esta noite por ataques iranianos. As imagens mostram muito fumo no interior de um dos terminais e partes de peças partidas no chão. Falam-se em danos muito elevados, segundo a agência Reuters. Pelo menos uma pessoa morreu e sete ficaram feridas. Também o hotel Burj Al Arab, no Dubai, foi atingido. Este estabelecimento de luxo tem 321 metros de altura e fica à entrada da ilha artificial da Palmeira, também o maior porto do Dubai, onde entra a maior parte das mercadorias do Dubai por acesso naval, ficou em chamas depois de vários bombardeamentos e também a capital, Dubai, está a ser atingida neste preciso momento com mísseis por parte do Irão. Donald Trump diz que a diplomacia está agora mais fácil depois de ter atacado o Irão. Numa entrevista à CBS, Trump considera que os Estados Unidos estão melhor posicionados para chegar a uma solução diplomática com os iranianos, diz ser mais fácil porque, de acordo com o próprio, o Irão está a levar uma grande tareia. Na entrevista, o presidente norte-americano diz que já tem uma ideia de quem quer que seja o líder no Irão, mas não pode revelar quem. Diz que há muitos bons candidatos. Afirma ainda também que esperava mais retaliação por parte do Irão. A eventual queda do regime iraniano com a morte do líder supremo Ali Khamenei pode ter o efeito inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e Israel. Até porque o sucessor pode trazer uma linha ainda mais endurecida ao regime iraniano. Quem o diz é o professor catedrático Luís Tomé, coordenador do Observatório de Relações Exteriores. Foi entrevistado pela Rádio Observador. Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado para a morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu pretendem.

O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade de, quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do corpo da guarda revolucionária serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei, a confirmar-se, por si só, signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura ou um regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa antever do controle de escalada.

A análise do professor catedrático Luís Tomé à situação no Irão, agora com a morte oficialmente confirmada. Entre os possíveis sucessores, de acordo com o plano do Aiatolá, estão três pessoas possíveis para liderar o Irão. Neste caso, o chefe do Judiciário iraniano, o Gholamhossein Mohseni Ejei, é conhecido no Irão por ter uma linha dura e pelo profundo conhecimento do aparelho de segurança e de inteligência. Também o chefe do gabinete do Aiatolá, Ali Asghar Ejeazi, é conhecido como um homem dos bastidores que tem um enorme poder sobre as forças militares. Também um dos netos de Ali Khamenei, Hassan Khomeini, é um neto do fundador da República Islâmica, possui uma forte carga simbólica por ser neto de Ali Khamenei, mas tem uma inclinação mais reformista que não se enquadra com o governo iraniano. Há quem indique também que possa ser o filho de Khamenei, mas de acordo com fontes, o líder supremo não queria que fosse hereditário. O representante de Khamenei, Ali Larijani, também é um dos grandes favoritos para a sucessão, mas não consta no plano do agora falecido líder iraniano. Por agora, apenas está um conselho a liderar o Irão com o presidente iraniano e o líder do departamento jurídico iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, agora interinamente a governar o Irão. Outro dos possíveis candidatos para liderar este país reagiu ao anúncio da morte de Ali Khamenei. Nas redes sociais, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, escreve que o assassino de dezenas de iranianos foi apagado das páginas da história. Segundo o autoproclamado príncipe herdeiro, com a morte de Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e rapidamente vai fazer parte do caixote do livro da história. Reza Pahlavi apelou ao exército e às forças de segurança para que se juntem à população iraniana nesta fase política que considera ser decisiva para o futuro do país. Durante anos em exílio, o príncipe herdeiro do Irão nunca negou a possibilidade de poder assumir uma monarquia iraniana. A restauração da monarquia também foi inclusivamente pedida pelos manifestantes nos últimos protestos no Irão. O secretário-geral das Nações Unidas considera que o mundo está a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. António Guterres condena severamente os Estados Unidos e Israel pelos ataques contra o Irão, mas também condena as retaliações iranianas contra vários territórios vizinhos. Numa reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral deixou vários reparos à situação no Médio Oriente.

A lei internacional e a lei humanitária internacional devem ser sempre respeitadas. E é por isso que, desde manhã, eu condeno os ataques massivos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão. E também condeno as subsequentes retaliações do Irão ao violar os territórios do Bahrein, Iraque, Jordânia, Koweit, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Estamos a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. As ações militares têm o risco de desencadear eventos que ninguém consegue controlar nesta que é a região mais instável do mundo.

António Guterres aconselha também todas as partes a regressarem à mesa de negociações. O secretário-geral da ONU leu durante este discurso uma carta de vários princípios da ONU. Saímos do conflito internacional e passamos agora o foco para a política nacional. Pedro Passos Coelho diz que caso seja necessário o regresso à política, é sinal de que o governo do PSD fez um mau trabalho. Uma posição assumida numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa, onde o antigo primeiro-ministro deixou ainda críticas à estratégia do Executivo para reformar o Estado. Passos Coelho recorda que nunca disse que se tinha retirado da vida política ativa para sempre, após a saída da liderança do PSD. Reforça que os sociais-democratas estão no poder e, por isso, acredita que apenas vai ser necessário ao país caso a governação corra mal.

Não há de ser, seguramente, pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo por quê. Não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.

Pedro Passos Coelho terminou a palestra a dizer que gostaria de ouvir as ideias que apresentou a serem debatidas, ao invés de ouvir a conversa sobre um possível regresso, deixa ainda alertas sobre a sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Antes de fecho deste jornal, apenas dar uma notícia de última hora. As forças iranianas anunciaram ataques a 27 bases americanas no Médio Oriente. Isto faz parte da resposta e da retaliação iraniana, que disseram que ia ser muito expressiva sobre Israel e sobre os Estados Unidos. Portanto, 27 bases norte-americanas no Médio Oriente a serem atacadas neste preciso momento por parte do Irão. Notícia de fecho deste jornal, a informação regressa às 17h30. Até já.