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As notícias com Carlos Pedro.

Jornal das 6 na Rádio Observador. A começar pela política, em dia de debate quinzenal, demitiu-se a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral considera não ter condições para continuar à frente do cargo. O país ficou saber da demissão da ministra quando já passava das 9 da noite de ontem, através de uma nota publicada no site da Presidência da República. Foram pouco mais de oito meses debaixo de críticas da oposição, que culminaram numa altura em que o país está a braços com uma crise. Matilde Malva Sabino.

Maria Lúcia Amaral era Provedora da Justiça quando, em junho do ano passado, foi a escolhida por Luís Montenegro. Num cargo que é esperado que lide com situações de crise, Maria Lúcia Amaral enfrentou duas provas de ferro. Primeiro, os incêndios durante o verão de 2025 e agora a destruição provocada pela Depressão Christine. É acusada de ficar em silêncio em momentos complexos. Uma ministra com dificuldades em responder aos jornalistas, como ocorreu, por exemplo, em julho, quando esperou quatro dias para prestar explicações sobre o incêndio em Ponte da Barca. Mas não ficou por aqui. A capacidade de comunicação continuou a ser alvo de fortes críticas. Em agosto, numa conferência de imprensa de apenas cinco minutos, recusou-se a responder a perguntas.

E uma vez mais, em nome de todos, um muito, muito obrigado.

E ficou por aqui. Há duas semanas, tempestade Christine. Primeiro, a ministra apareceu na sombra de Luís Montenegro e depois na de Marcelo Rebelo de Sousa. Pelo meio, tentou justificar-se.

Há muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade. E foi no gabinete.

E sobre o que falhou, não sabe, disse três dias depois.

Não sei o que é que falhou. Não lhe posso dizer exatamente o que é que falhou, porque o sistema é complexo e as entidades coordenadoras do sistema de proteção civil têm tido todo o cuidado de garantir a colaboração entre todos.

Dificuldades de comunicação que marcam a saída da ministra Maria Lúcia Amaral, oito meses depois de assumir a pasta da Administração Interna.

Matilde Malva Sabino, com alguns dos momentos que marcaram o percurso de Maria Lúcia Amaral enquanto ministra da Administração Interna, sai do cargo para ser substituída de forma temporária pelo primeiro-ministro Luís Montenegro. E o presidente da República diz que entende a decisão tomada num contexto particularmente difícil, com o país a lidar com as trágicas consequências do mau tempo das últimas semanas. Aos jornalistas, já depois de aceitar a demissão da ministra, Marcelo Rebelo de Sousa diz que a decisão é para respeitar.

Não vou dizer mais do que isto. Quem tomou a decisão, tomou a decisão, ponderou as circunstâncias, entendeu que não tinha condições pessoais e políticas. É uma situação, naturalmente, complexa, esta que vivemos nestas últimas semanas e, portanto, perante isso, há que respeitar essa vontade da senhora ministra. E o senhor primeiro-ministro compreendeu isso, transmitiu. Eu compreendi, aceitei. E agora, amanhã veremos.

Amanhã veremos. O presidente da República, que se recusou a alongar em considerações sobre a saída de Maria Lúcia Amaral. Rapidamente se multiplicaram as reações partidárias. Do lado do PS, José Luís Carneiro acredita que a demissão da ministra demonstra falhas do governo na resposta à emergência criada pelas tempestades. Os socialistas atribuem responsabilidades ao primeiro-ministro.

É evidente que a demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade.

Espera pedir justificações ao governo amanhã?

Vou mostrar ao primeiro-ministro que ele não pode alienar as suas próprias responsabilidades. O primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil no país é o primeiro-ministro. Nunca tomei decisões, nem deixei de as tomar quando era ministro, sem falar com o primeiro-ministro. E, portanto, é natural e é um imperativo que decorre da lei que o primeiro-

José Luís Carneiro, na sede do Partido Socialista em Lisboa, antes da reunião da comissão política do partido. O líder do PS, que é também ex-ministro da Administração Interna, considera que o governo tem um problema na resposta às crises. Recorda a gestão do apagão e também dos incêndios. E o líder do CHEGA considera que esta é a prova da incapacidade do executivo para gerir adversidades. Foi através de uma publicação na rede social X que André Ventura reagiu para dizer que Luís Montenegro está a perder o controle do executivo passo a passo, dado da saúde à administração interna. André Ventura termina a mensagem a questionar sobre quanto mais tempo vai demorar até serem resolvidos os outros erros de casting deste governo, questão deixada pelo líder do CHEGA. A ministra demitiu-se no dia em que Henrique Homem deixou um artigo de opinião no público, pedindo a demissão precisamente de Maria Lúcia Amaral. Ontem à noite, em entrevista na SIC, o antigo almirante garantiu não estar à procura de emprego. Não quer imiscuir-se na governação, mas assegura que estará sempre disponível para trabalhar para o Estado português.

O governo tem certamente muita gente que está disponível para-

Mas Henrique Homem Melo diria que sim?

Eu estarei sempre disponível para trabalhar para o Estado português e para a população portuguesa. Foi isso que me fez trabalhar durante 45 anos na Marinha. Foi isso que me fez concorrer. Mas não está na minha perspectiva, nem no meu horizonte, fazer este trabalho.

Henrique Gouveia e Melo, numa entrevista à SIC, quando foi questionado sobre se seria a pessoa certa para desempenhar a função de Ministro da Administração Interna, garantiu não estar à procura de emprego. Este será um tema certamente em destaque no debate quinzenal desta quarta-feira no Parlamento, que contará com a presença do primeiro-ministro Luís Montenegro, que deverá ser fortemente questionado acerca da ação do governo na gestão das intempéries. Falamos precisamente de mau tempo na região de Coimbra. Mais de 3500 pessoas estão a ser retiradas de casa devido ao risco de cheias no rio Mondego. Os concelhos de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho são os que levantam maiores preocupações, com as autoridades a alertarem para o risco de arrebentamento de um dos diques do rio Mondego. Por isso, várias freguesias tiveram ser evacuadas e à Rádio Observador, a presidente da Junta de Freguesia de São Martinho do Bispo e Ribeira das Frades, Laura Fonseca, disse que as pessoas não têm resistido.

Tivemos muito poucas pessoas a dizerem isso, porque a maior parte delas acatou a saída que as autoridades disseram e acatou bem a saída. Mesmo os que tinham um primeiro andar acataram bem a saída. Não temos tido grande resistência nesse sentido.

Já Cândido Malva relata alguma resistência da população das freguesias de Taveiro, Amial e Arzila.

Todas, todas não. Nós demos o alerta, a sugestão de evacuarem as suas casas, principalmente das pessoas que vivem em zonas vulneráveis, mas nem todas acederam logo a este nosso pedido e ficaram em casa.

E não há muita resistência?

Há. Têm primeiros andares e, portanto, sentem-se seguros. Ou então já estamos habituados ao passado e têm sido estas as respostas. Umas outras, sim, saíram e vieram e já estão nas capas e preparadas para o efeito.

O autarca dá ainda conta de um cenário complicado.

Pelas previsões e pelo que sabemos, neste ano os terrenos estão mais saturados, estão com muita água, coisa que não tinham tanta no passado, o risco é maior. E esse foi também o alerta que nós demos às pessoas, porque apesar da experiência do passado, o que verificamos são estas condições diferentes, diferentes e mais gravosas.

Cândido Malva, presidente da União de Freguesias de Taveiro, Amial e Arzila. A Proteção Civil indica que vai colocar em prática o princípio de precaução. Em declarações à CNN Portugal, o comandante sub-regional da Proteção Civil de Coimbra, Carlos Luís Tavares, indica a principal preocupação das autoridades.

Três mil em Coimbra, cerca de 500 no concelho de Soure e cerca de 80 no município de Montemor-o-Velho, falando aqui na margem esquerda, partindo do princípio que o galgamento ou a rotura do dique pode acontecer à esquerda. Nós não sabemos onde vai acontecer. Como dissemos sempre do início, não há risco zero. E como tal, é uma situação que temos vindo a precaver. Tem sido bem gerida esta cheia, mas efetivamente estamos a atingir limites e como tal não queremos perder ninguém, queremos salvar vidas.

E em entrevista à RTP, a presidente da autarquia de Coimbra, Ana Abrunhosa, avisa para os riscos de arrebentamento do dique do rio Mondego.

Se houver arrebentamento de um dique, então aí não dou estimativas, porque o que está aqui mesmo em causa, o rio Mondego é um rio empazado, é uma obra hidráulica, e neste momento há a probabilidade de haver rutura nessa obra hidráulica e nós não sabemos aonde. Se houver um arrebentamento, é como uma bomba.

Ana Abrunhosa, entrevista à RTP. Fecha assim este jornal das seis na Rádio Observador. Já a seguir, o conferência de imprensa com o jornalista João Costa Campos.