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Seis horas. As notícias com Matilde Malva Sabino.
Começamos com o conflito no Médio Oriente, o oitavo dia de guerra. A madrugada deste sábado ficou marcada por vários ataques. Nos Emirados Árabes Unidos, ocorreu uma operação de intercepção sobre o aeroporto Dubai. Uma testemunha descreveu esta manhã a um jornalista da FP uma forte explosão, seguida de uma nuvem de fumo no céu. O governo de Dubai confirma um incidente menor que resultou da queda de detritos após uma intercepção que não causou feridos, mas desmente as informações sobre suspeitas de incidentes no aeroporto. Em Manama, no Bahrein, foi ouvida uma explosão por um correspondente da FP, onde soou uma sirene de alerta. Na rede social X, o Ministério do Interior escreve que a população deve manter a calma e dirigir-se ao local seguro mais próximo. Também o exército israelita afirmou estar esta madrugada a responder a um ataque com mísseis iranianos, a informação avançada num primeiro comunicado, mas numa segunda nota emitida minutos depois, o exército israelita levantou o alerta aéreo declarado no norte do país e informou que já era permitido deixar os espaços. Em Teerão, os céus cobriram-se de fumo depois de ataques em larga escala anunciados por Israel. De acordo com a CNN Internacional, o aeroporto de Mehrabad ficou em chamas no final da noite desta sexta-feira, após um bombardeamento israelita. Também no Líbano, mais uma noite mortífera. O Ministério da Saúde Libanês dá conta de três pessoas mortas e 16 feridas na sequência de ataques aéreos israelitas na região de Beqaa. Os Estados Unidos aprovaram uma venda de armas no valor de mais de 150 milhões de dólares a Israel, o que equivale a cerca de 130 milhões de euros. A venda de 12 mil bombas de quase 500 quilos foi aprovada pelo gabinete de assuntos político-militares do Departamento de Estado. O gabinete norte-americano detalha, em comunicado, que esta venda vai melhorar a capacidade de Israel para enfrentar ameaças atuais e futuras, reforçar a defesa israelita e servir como meio de dissuasão contra ameaças regionais. A Rússia estará a apoiar o Irão na guerra com informações sobre as bases norte-americanas e israelitas. A notícia é avançada pelo The Washington Post, que cita três responsáveis norte-americanos com o conhecimento dos relatórios das secretas. Os serviços de informação norte-americanos acreditam que Moscovo está desde o primeiro dia do conflito a transmitir informações das secretas ao Irão sobre a localização e movimentações das forças norte-americanas no Médio Oriente, incluindo tropas, meios aéreos e navais. Por agora, a Rússia é o único ator estatal que se sabe estar a apoiar o esforço de guerra iraniano, mas as secretas norte-americanas acreditam que também a China pode estar prestes a entrar na guerra do lado de Teerão, é o que avança a CNN Internacional. Os Estados Unidos dizem não estar preocupados com a participação da Rússia no conflito. Em entrevista à CBS, o secretário da Defesa garante que estão a acompanhar tudo e que tudo está a ser incorporado nos planos de batalha. O secretário-geral do Partido Socialista defende um plano de mitigação dos efeitos da guerra no Irão e na economia portuguesa. Em declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro apela ao governo para antecipar os efeitos e não andar a correr atrás do prejuízo.
O governo anunciou uma medida de redução do ISP, que me parece uma medida escassa nos seus efeitos. E aquilo que eu quero dizer é que o governo deve preparar um plano de mitigação dos efeitos desta guerra no Médio Oriente, que não apenas tenha efeitos nos combustíveis, mas também possa ter efeitos na redução dos custos com os bens alimentares e dos custos, nomeadamente, com os empréstimos à habitação. Esse pacote de medidas de mitigação dos efeitos da guerra no Médio Oriente devem ser adotados não apenas pelo governo da República, e também é importante que o governo regional dos Açores prepare um conjunto de medidas, porque aquilo que é expectável é que os efeitos nocivos desta guerra sejam profundos e possam ser mesmo duradouros.
O apelo de José Luís Carneiro à entrada de uma reunião com militantes para a apresentação da recandidatura ao líder do PS na Lagoa, ilha de São Miguel, nos Açores. José Luís Carneiro afirma que a redução de 13 cêntimos do ISP anunciada pelo governo corresponde ao aumento que acabou de fazer em final de dezembro e que, assim sendo, o executivo liderado por Luís Montenegro tem de deixar claro se quer ou não tomar decisões que tenham efeitos concretos na redução deste imposto. O PCP diz que a direita é cúmplice da guerra e escusa de chorar lágrimas de crocodilo face às consequências. No comício dos 105 anos do Partido Comunista em Lisboa, Paulo Raimundo exige preços regulados para impedir que sejam os portugueses a pagar o conflito. Paulo Raimundo afirma que o Estado português assumiu um posicionamento de submissão face a este conflito que envergonha o país e afronta a Constituição. O Bloco de Esquerda considera que Paulo Rangel não tem condições para continuar como ministro dos Negócios Estrangeiros. O coordenador do partido acusa o ministro de ter ocultado informação ao país sobre a utilização da base das Lajes. Uma situação grave, são as palavras de José Manuel Pureza.
Hoje o dia fica marcado pelo conhecimento que foi dado ao país pela imprensa de referência de que, relativamente à utilização da Base das Lajes por aviões norte-americanos, o governo ocultou dados, ocultou informação ao país. Isso é gravíssimo. O ministro Paulo Rangel indicou que havia condições que passavam pelos aviões que utilizassem a Base das Lajes não serem utilizados para missões ofensivas e hoje o país fica a saber que pelo menos sete utilizações não tiveram autorização explícita, e não tácita, que a lei obrigava, isto é, que o acordo da Base das Lajes obrigava. O ministro ocultou isto ao país. Não pode ser, é inaceitável.
Esta sexta-feira, o Expresso noticiou que os Estados Unidos fizeram sete voos a partir das Lajes antes do acordo condicional do governo e já com a guerra em curso. Para José Manuel Pureza, só há um resultado possível: a demissão de Paulo Rangel.
Na ânsia de prestar serviço a Donald Trump, nesta sua aventura que rompe completamente com a carta das Nações Unidas, com todo o direito internacional público, o governo empresta o território nacional para que as coisas sejam feitas e sejam feitas ilegalmente, sejam feitas à socapa, sem o conhecimento do país. A democracia não tolera isto. Este ministro não tem, portanto, condições democráticas para continuar a exercer o seu cargo, na nossa opinião.
É o entendimento do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, em declarações em Leiria. Na atualidade nacional, a Câmara Municipal de Leiria vai pedir um empréstimo de €25 milhões ao governo. O empréstimo tem como objetivo pagar os danos causados pela tempestade Cristine. O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, diz que, ainda assim, o valor não é suficiente face aos prejuízos.
O que o município quer fazer, que é muito, não é, mas é um início. Depois havemos de receber dinheiro do seguro, já voltámos a receber mais uma tranche do seguro. Importa dizer que o município tem um seguro de €230 milhões para cobertura de edifícios. Não sabemos qual é o valor final que vamos fechar, mas se não o tivéssemos, estaríamos muito piores. Isso também é um desafio que se deixa aos portugueses no futuro, é que o seguro da sua habitação deve ser equacionado como obrigatório, porque não sabemos o dia de amanhã.
Gonçalo Lopes numa visita a duas escolas do conselho, na qual acompanhou o ministro da Educação, que foi verificar os danos nas escolas. A Câmara de Leiria estima que os prejuízos rondam os €800 milhões, sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e também na floresta. As cerimônias fúnebres de António Lobo Antunes realizam-se este sábado, a partir das 10h, no Mosteiro dos Jerónimos. A missa de corpo presente está marcada para o 12h. O funeral segue depois para o Cemitério de Benfica, em Lisboa. Têm sido várias as homenagens das mais altas figuras do Estado a António Lobo Antunes, escritor que morreu esta quinta-feira. Entre os presentes no velório, estiveram o presidente da República, membros do governo, políticos, personalidades do campo da cultura, família e amigos. Um dia de despedida ao escritor que morreu aos 83 anos e que foi acompanhado pelo jornalista António José Soares.
A urna de António Lobo Antunes chegou ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, por volta das 15h. A primeira hora foi apenas para a família do escritor. As portas abriram depois às 16h, para o público em geral. Marcelo Rebelo de Sousa depositou o grande colar da Ordem de Camões junto à urna. O presidente da República disse que gostaria que o escritor fosse para o Panteão Nacional, mas lembrou que a decisão não depende dele.
Não sei o que é que a família pensa, mas a decisão não é minha, eu tenho que respeitar os parlamentares. No Panteão, tal como eu concebo, estaria.
No mesmo sentido, foram as palavras da ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes.
É antes de mais uma decisão da família e da Assembleia da República. O dia de hoje é um dia para recordarmos uma das figuras mais singulares da cultura portuguesa.
Luís Montenegro também foi prestar uma última homenagem a António Lobo Antunes. O primeiro-ministro sublinhou a contribuição do escritor para a língua portuguesa.
Um escritor exímio, alguém que de fato elevou a patamar elevadíssimo, a patamar máximo, a qualidade e a virtualidade da língua portuguesa.
Já o escritor Daniel Sampaio recordou o amigo de longa data.
O António dizia que a amizade era uma forma de amor. Foi amor que nós tivemos um pelo outro.
Entre os amigos presentes, esteve também o antigo ministro socialista Guilherme Oliveira Martins.
Um homem muito generoso e muito afetivo.
No velório marcaram presença ainda o comentador Daniel Oliveira e o seu irmão José Gusmão, do Bloco de Esquerda, o cantor Vitorino e a deputada do PS, Edite Estrela, entre muitos outros.
Reportagem do jornalista António José Soares, no velório do escritor António Lobo Antunes. A Federação Portuguesa de Futebol decretou um minuto de silêncio a cumprir nas competições deste sábado, dia de luto nacional. O Sporting visita à tarde o Sporting de Braga, com a expectativa de vencer o jogo. O treinador dos Leões, Rui Borges, diz que o foco da equipa é ganhar, independentemente do clássico de domingo. Isto porque o Benfica e Porto medem forças no Estádio da Luz, um dia depois do jogo entre Sporting e Braga, a contar para a jornada 25. Rui Borges afirma que a prioridade é fazer uma segunda volta extraordinária e que tudo começa com uma vitória este sábado.
Queremos fazer uma segunda volta melhor do que a primeira, porque a primeira foi boa, mas não chegou. Temos que fazer uma segunda volta extraordinária. Para a fazer, temos que ganhar amanhã. Isso é que eu sei. Mais do que tudo o resto, mais do que o jogo que existe entre os dois rivais. Temos que fazer a nossa parte, depois perceber qual é a consequência de nós ganharmos. Sei que temos é um jogo difícil, volto a dizer, contra uma boa equipa, onde nos vai criar muitas dificuldades e onde temos que estar no nosso máximo, claramente, durante 90 ou 100 minutos, o que for o jogo.
Rui Borges em conferência de antevisão ao encontro frente ao Braga. Já o treinador Carlos Vicent elogia o adversário, mas admite que o cansaço pode influenciar o resultado. O técnico espanhol diz que ter mais energia pode ser importante devido à intensidade do jogo.
Obviamente, é uma diferença que temos de tentar aproveitar. Vamos estar um bocadinho mais frescos, os níveis de energia podem estar um pouco mais altos. Temos que aproveitar. Acho que o jogo vai ser intenso porque são duas equipas que tentam impor-se e atacar. Como o jogo vai ser intenso, pode haver momentos em que a condição física é um aspeto importante. Pode ser.
Carlos Vicens e Rui Borges na antevisão do jogo entre Braga e Sporting este sábado, a contar para a jornada 25. O jogo começa às 18h, com relato e análises em direto aqui na Rádio Observador. Foi a notícia de fecho deste jornal. A informação regressa às 18h30.