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As notícias com Teresa Freire.
Bom dia. O governador do Banco de Portugal recusa que o crescimento econômico do país tenha sido um milagre. Em entrevista ao Observador, Álvaro Santos Pereira lembra que o crescimento da economia portuguesa foi alcançado depois de um período complicado. Para manter a tendência, Álvaro Santos Pereira diz que são necessárias reformas e coragem para as pôr em prática. O governador do Banco de Portugal afirma que um crescimento de cerca de 2% deve ser considerado como moderado e que é sinal de melhoria. Ainda assim, contém entusiasmos.
Antes da crise financeira, nós tivemos quase 20 anos quase sem crescer, crescer bem abaixo de 1%. E isso nos levou onde nos levou. Nós, neste momento, com crescimentos de cerca de 2%, crescimentos totais, estamos a falar de uma economia que claramente está bem melhor do que estava nos anos após termos aderido ao euro. Esses anos até à crise financeira e um pouco depois. Quer isso dizer que somos um milagre econômico? Não, não somos. Nós temos uma economia a crescer de uma forma moderada. Nós precisamos crescer mais. Para crescermos mais, precisamos de reformas.
Álvaro Santos Pereira, que considera ainda que o novo debate sobre a reforma laboral não seria negativo, assegura que não é o único a pedir flexibilidade.
Eu já há muitos anos que defendo isso e, aliás, a OCD faz a mesma coisa e vários bancos centrais falam sobre essa matéria. Eu defendo um modelo de flexissegurança, ou seja, eu defendo que tem que haver maior flexibilidade, mas protegendo mais o trabalhador. Ou seja, dá-se mais flexibilidade no posto de trabalho, mas protege-se mais o trabalhador. É isto que foi feito há uns anos, há mais de 20 anos, na Suécia, na Dinamarca e outros países.
Álvaro Santos Pereira, que garantiu ainda que não entra em duelos com o antigo governador do Banco de Portugal, Mário Centeno.
Primeiro, eu não vou entrar em duelos de palavras com ex-governadores. É uma questão de decoro e é uma questão institucional. Eu sou muito institucional. Acho que é importante, como disse, o projeto evoluiu e não vou entrar em jogos de palavras com ex-governadores. Segundo, eu sei o que é que defendo para mim próprio e para o Conselho de Administração atual e tenciono haver essas mudanças de regras. Sobre o passado, é o passado, eu não vou estar a comentar.
Álvaro Santos Pereira, entrevista no "Sob Escuta", da Rádio Observador, um artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador, na versão podcast, já está disponível e vai para o ar depois do Jornal do Meio-Dia. Hoje o primeiro-ministro abre o debate do Estado da Nação no Parlamento, um debate que deverá ser marcado pelos problemas relacionados com a correção dos exames nacionais, mas também pelas críticas ao ministro da Administração Interna. O debate tem uma duração aproximada de quatro horas. Luís Montenegro tem até 30 minutos para abrir o debate sobre o Estado da Nação. A última palavra também é do governo e depois do discurso do primeiro-ministro, seguem-se os pedidos de esclarecimento dos partidos, a começar pelo CHEGA. Apesar de o prazo para a correção dos exames nacionais já ter terminado, ainda há professores que vão classificar exames hoje, tendo em conta que a publicação das notas está prevista para amanhã. De acordo com o Movimento Escola Pública, há professores que receberam itens para corrigir ontem à noite. Em declarações à Agência Lusa, Cristina Mota, porta-voz do movimento, coloca a hipótese de as pautas divulgadas não contarem todas as classificações, mas o ministro da Educação garantiu que sexta-feira as notas vão estar disponíveis. Já Hugo Soares diz que apesar dos problemas com a correção, o método de classificação digital é uma mudança positiva, tanto para os professores como para os alunos. O líder parlamentar do PSD sai em defesa do ministro da Educação para dizer que a grande maioria dos professores está a favor desta mudança.
A esmagadora maioria dos professores estão de acordo. Esta é uma mudança que eu não tenho dúvida, é boa para o sistema educativo e para os alunos. É mais justa, mais equitativa e é melhor para os professores, como de resto, repito, os professores consideram.
Perante as declarações do ministro da Educação, que afirmou que o método devia ter sido introduzido de uma forma gradual, Hugo Soares admite as dificuldades, mas reforça que é uma transformação para melhor.
Quando se faz uma transformação desta monta, deste tamanho, há sempre dificuldades. Sim, nem tudo correu bem. Sim, estamos a mudar para melhor. Eu tenho dito, quero aqui repetir: se fosse para deixar tudo na mesma, deixem governar o Partido Socialista, eles são ótimos nisso. Nós viemos mesmo para mudar. As mudanças têm resistências, como disse o senhor primeiro-ministro. Claro que têm. Trazem dificuldades? Trazem. Eu ainda não vi ninguém dizer no espaço público que esta mudança é para pior.
Hugo Soares na SIC Notícias sobre os problemas na classificação digital dos exames. O Ministério da Educação garantiu que as notas dos exames vão ser publicadas esta sexta-feira. Caso isso não aconteça, o secretário-geral do Partido Socialista diz que vão avançar para uma comissão parlamentar de inquérito. José Luís Carneiro considera que está exposta a incapacidade do governo em gerir o processo de correção dos exames, diz que o futuro de milhares de jovens está em risco. Agora, o líder socialista diz que essa é a data limite para evitar uma comissão de inquérito.
Se na sexta-feira houver falhas e se mantenham as falhas, é muito provável que a nossa decisão, vou ouvir os órgãos do Partido Socialista, vou ouvi-los, aliás, no decurso das próximas horas, quer o Secretariado Nacional, quer a Comissão Política Nacional, é provável que o PS venha a acompanhar a iniciativa de uma comissão de inquérito
José Luís Carneiro que diz que tem recebido muitas queixas de professores. Já sobre o ministro da Administração Interna, o líder socialista diz que Luís Neves deve explicações aos portugueses. Em causa a polémica em torno do monte do ministro em Odemira. Luís Neves divulgou as faturas das obras, mas continua sem mostrar os comprovativos de pagamento, situação que leva José Luís Carneiro a pedir mais explicações.
Ele, mais do que qualquer outra pessoa, sabe da importância do escrutínio democrático para quem desempenha funções de natureza política e da importância que tem esclarecer todas as questões que há a esclarecer. É isso que eu espero que ele venha a fazer.
A exigência de José Luís Carneiro a Luís Neves, em entrevista na CNN. O antigo líder do PSD, Rui Rio, acusa o atual governo de não ter coragem nem vontade para fazer reformas que considera urgentes, desde logo no sistema político e na Justiça. O antigo presidente dos sociais-democratas esteve numa conferência em Bragança sobre reformar o regime e o retrato da crise do regime democrático. Aos jornalistas, Rui Rio disse que a classe política não faz reformas porque tem medo de ir contra os interesses instalados.
Muito difícil fazer reformas e a própria classe política, chamemos assim, não gosto muito de dizer desta maneira, mas enfim, não tem tido a vontade e a coragem de as fazer. Não tem tido coragem porque tem medo também de fazer essas reformas e de mexer com interesses instalados. Porque quando se mexe com interesses instalados, obviamente que há tumultos e há problemas, porque os benefícios de uma reforma aparecem uns anos depois, mas a contestação aparece logo no momento. A verdade é que as coisas se vão desatualizando.
E é por isso que o antigo presidente do PSD defende reformas urgentes no sistema político, na Justiça e no próprio Estado.
É fundamental uma reforma do sistema político, é absolutamente vital uma reforma da Justiça, é fundamental uma reforma do Estado, seja na vertente da forma como gerimos o Estado e os organismos públicos, que cada vez funcionam pior, seja na forma como governamos o Estado, ou seja, muito centralizado, precisando nós de descentralizar, de desconcentrar, quiçá até de regionalizar, mas pelo menos descentralizar e desconcentrar.
Rui Rio, que também acusou o Ministério Público e a Polícia Judiciária de não estarem a fazer o suficiente para combater a corrupção. No Médio Oriente, os Estados Unidos continuaram os ataques contra o Irão pelo quinto dia consecutivo. De acordo com o comando central norte-americano, a última vaga de ataques atingiu centros de comando iranianos, instalações de defesa aérea e capacidades de mísseis e drones. Os bombardeamentos tinham como objetivo degradar a capacidade de Teerão de comprometer a navegação no Estreito de Ormuz. A Agência Mehr adianta que os sistemas de defesa aérea foram ativados na capital iraniana para fazer face a ameaças hostis. Já citado pela Al Jazeera, o Ministério da Saúde iraniano dá conta de 35 mortes e mais de 300 feridos depois desta recente onda de ataques. O vice-presidente norte-americano diz que a prioridade estratégica dos Estados Unidos é manter o estreito de Ormuz aberto e garantir o livre fluxo do abastecimento de petróleo e de gás. Em entrevista no podcast de Joe Rogan, J.D. Vance admitiu que destruir as instalações nucleares do Irão e a capacidade de as reconstruir era um objetivo a curto prazo. J.D. Vance rejeita ainda a ideia de enviar soldados para o terreno, diz que essa era terminou e que as Forças Armadas dos Estados Unidos não vão determinar o futuro político de outras nações. Hoje, o secretário de Estado norte-americano recebe em Washington representantes de mais de 70 países, incluindo Portugal. Marco Rubio quer abordar o ressurgimento do terrorismo político e, em particular, o terrorismo político de extrema-esquerda. O evento pretende incentivar uma ação conjunta mais firme para reforçar as defesas na linha da frente. Portugal vai estar representado pela Embaixada dos Estados Unidos. É o ponto final neste jornal das 18h00. A informação volta a ser atualizada às 18h30, mas antes temos conferência de imprensa. E vamos à bola.