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Jornal das 7, na Rádio Observador, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. A Proteção Civil ativou o Plano Nacional de Emergência por causa das previsões de agravamento do estado do tempo e do cenário de risco para pessoas e bens. O plano vai ser liderado pela Ministra da Administração Interna. A ativação deste Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil foi aprovada por unanimidade, numa reunião presidida precisamente pela Ministra da Administração Interna. O anúncio foi feito num comunicado divulgado ontem à noite. A Proteção Civil alerta para a previsão do agravamento do cenário de risco para pessoas e bens nos próximos dias, tendo em consideração as previsões meteorológicas e, por isso, ativou este plano de emergência. Carla, e o que prevê exatamente esse plano? Como já dissemos, vai ser dirigido pela Ministra da Administração Interna e vem garantir mecanismos de coordenação reforçados, integrados e de âmbito nacional. O plano garante também o fluxo de informação entre todas as áreas governativas e as entidades envolvidas no plano. O objetivo, explica a Proteção Civil neste comunicado, é assegurar uma resposta eficaz e articulada à situação de risco. De recordar também que o governo decretou a situação de calamidade, que já foi prolongada até ao próximo domingo. Seis pessoas tiveram de ser realojadas esta noite, depois da queda de uma grua sobre cinco prédios, na Figueira da Foz. Esta é a ocorrência mais significativa da madrugada. Não há feridos, mas os danos serão consideráveis. É o que avança uma fonte oficial da Proteção Civil. Esta ocorrência foi registrada pouco depois das 3h, na Rua Bernardo Lopes, no centro da Figueira da Foz. A grua caiu sobre cinco prédios e, por isso, foi necessário retirar os moradores e realojar seis pessoas. Esta é uma das 119 ocorrências registradas pela Proteção Civil esta madrugada. A região Centro volta a ser a mais afetada, seguida de Lisboa e Vale do Tejo. A maioria das ocorrências está relacionada com a queda de árvores e de estruturas por causa do vento forte. Há também registro de inundações, limpeza de vias e deslizamentos de terras. É o que indica a Proteção Civil, que adianta também à Rádio Observador que vai fazer um novo balanço daqui por uma hora, quando forem 8h. Já em Lisboa, os bombeiros sapadores dão conta à Rádio Observador de 40 ocorrências durante a madrugada, sobretudo pequenas inundações. Já na Guarda, Faro e Alcácer do Sal, as autoridades não dão conta de ocorrências significativas. Hoje, há oito distritos sob aviso laranja, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, e seis sob aviso amarelo, por causa das previsões de mau tempo. Toda a costa litoral está também sob aviso laranja, por causa da agitação marítima. E numa altura em que ainda se fazem contas aos estragos, importa ouvir quem está no terreno. Ao longo desta manhã vamos entrevistar autarcas das regiões mais afetadas. É o que fazemos agora, com destaque para Ourém. Ourém é um dos locais onde o restabelecimento de energia está a ser mais lento. Pode demorar ainda semanas até o conselho conseguir a cobertura total. Temos agora ao telefone o presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque. Muito bom dia. Obrigada por estar conosco. Antes de mais e antes de falarmos das dificuldades no abastecimento de energia, como é que foi a noite? Previa-se também muita chuva.
Bom dia. A noite não foi uma noite tranquila, mas penso que não terá atingido as proporções que se previam. Houve efetivamente vento no início da noite, cerca de 1h, talvez, soprou com alguma intensidade, nada comparado com a Depressão Christine. E choveu, também não com muita intensidade durante a noite. E por isso, uma noite difícil, mas talvez não com aquela severidade que se poderia imaginar e de acordo com as previsões que existiam.
E por isso mesmo, já por aí são boas notícias. Não há, e no resto, na verdade, Luís Albuquerque, como é que estamos ao nível do restabelecimento de energia? É uma das grandes preocupações do Conselho.
Estamos mal. Deixe-me dizer que, por exemplo, o restabelecimento de água, porque também era fundamental, se calhar, até mais do que a própria energia. E isso nós, felizmente, aqui com o concionário, com um esforço muito grande, com muitos geradores, com o envolvimento total de todos, hoje podemos dizer que já temos cerca de 95% do Conselho restabelecido com água. Esperamos que durante o dia de hoje consigamos atingir, se não os 100%, 99%, o que não deixa de ser significativo, tendo em conta a catástrofe que atingiu o nosso Conselho. Em relação à energia, não tenho dados atualizados, porque ainda não consigo atualizar os dados, mas o que sei é que havia ainda 308 PT inoperacionais e que durante o dia de ontem a RDS conseguiu reparar 40, o que significa que ainda há cerca de 270 PT inoperacionais, o que penso que deve dar cerca de 15 mil pessoas ainda sem energia elétrica e com muita dificuldade de poder prever quando é que todas poderão ter acesso a esse bem essencial que é a eletricidade.
E sem a capacidade de garantir geradores a todas estas pessoas.
Isso é humanamente impossível, porque não há geradores que valham. Nós conseguimos, os nossos geradores, e porque também era uma preocupação nossa, direcionar esses geradores para as escolas. Nós temos 34 escolas, todas elas sofreram danos significativos. Conseguimos, nestes cinco dias, recuperar 32. Hoje, 32 das 34 escolas que temos no concelho irão reabrir com toda a segurança, com fornecimento de alimentação, com o serviço de transporte a ser efetuado normalmente. Poderá haver aqui alguns constrangimentos em termos de vias, e foi para aí que direcionamos, porque dessas 32 escolas, há 12 que vão funcionar com geradores e foi para aí que tivemos que direcionar a nossa atenção para que hoje pudessem, pelo menos, as crianças terem o recomeço das aulas para decorrer com a normalidade possível.
Tem um número concreto de desalojados, Luís Albuquerque?
Neste momento temos muitos desalojados, mas muitos deles foram deslocalizados para casas de familiares que conseguiram acolher as pessoas. Nós neste momento temos 13 pessoas que estão ao nosso encargo, a quem estamos a garantir alimentação e alojamento enquanto as suas casas não são arranjadas, porque sofreram danos irreparáveis. E neste momento temos 13, mas admite-se perfeitamente que durante o dia de hoje mais gente possa vir solicitar este tipo de apoio, porque a devastação é total e há muitas casas, há muitas pessoas ainda com a chuva que caiu e que vai continuar a cair nos próximos dias, e irá com certeza solicitar-nos apoio, porque as suas casas, mesmo com o fornecimento de lonas, e ontem nós demos mais de mil lonas às pessoas que nos pediram e continuamos a ter hoje lonas disponíveis. Pelo que eu aqui deixo, se precisarem de lonas, se precisarem de telhas, nós também vamos ter cerca de cinco ou seis mil telhas disponíveis para dar às pessoas, que se dirijam ao posto de comando, ao estaleiro municipal, que nós ali estaremos para dar aquilo que for necessário para garantir o maior conforto possível às pessoas.
O conforto possível. O Conselho de Ministros decidiu ontem uma série de ajudas para os conselhos mais afetados, de que faz parte naturalmente Ourém. Faz uma avaliação positiva dessas ajudas?
Tudo o que vier é bom. Sinceramente, há dias quase que não vejo notícias, não ouço notícias, também porque não há comunicações. O que vejo é aquilo que vou vendo quando estou no posto de comando e tenho estado quase que 24 horas ininterruptamente desde quarta-feira, aqui através das redes sociais. Já estive mais ou menos a olhar para aquilo que o governo disponibilizou. Eu mais do que os apoios, mais do que aquilo que é necessário vir e é urgente que venha, é que venha rápido e que venha com a maior agilidade possível para que as pessoas possam rapidamente poder aceder a elas para poderem começar a refazer as suas vidas.
Luís Albuquerque, muito obrigada por ter estado conosco em direto, apesar de todas as dificuldades e destes dias muito difíceis que está a ter. Foi importante sabermos como é que Ourém está a passar estes dias com esta indicação. A noite não foi tão má como se previa e algumas coisas começam a dar algum ar de normalidade. Hoje vão reabrir 32 das 34 escolas do Conselho. E no Jornal das 8 continuamos a série de entrevistas a autarcas. Vamos ouvir Rui Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro. Já no Explicador das 9 recebemos Manuel Castro Almeida, ministro-adjunto e da Coesão Territorial, sobre os apoios do governo às populações afetadas. Entretanto, Carla, a Marinha Portuguesa já tem mais de 220 militares a participar em ações de limpeza e reparação de estragos nas zonas mais afetadas. Setenta estão em Leiria e o dispositivo ainda pode aumentar. Informação adiantada à Rádio Observador pelo porta-voz da Marinha. Foi durante uma ação de ajuda a quem perdeu o telhado das casas em Leiria. O repórter Luís Soares acompanhou os trabalhos nos arredores da cidade.
Puxem lá mais um bocadinho para vocês. Puxem bastante.
Numa freguesia dos arredores de Leiria, meia dúzia de fuzileiros tentam colocar uma lona para tapar o buraco da casa de Luís Miguel.
Mais um bocadinho só. Está bom, foi muito.
Caiu uma chaminé dentro da sala. E olhe, depois fiquei com um buraco para aí, sei lá quantos metros, um, dois, três, quatro metros.
À espera desde quarta-feira de madrugada, a chegada dos militares é um alívio.
Eles que aliviem devagarinho, está bem? Alivia mais.
Eu estou desde as 5h da manhã de quarta-feira à espera que venha alguém. Tive que andar eu ali e mais uns amigos em cima do telhado.
Tenta puxar mais agora.
Não resolve, mas fica um pouquinho mais tranquilo.
Exatamente, agora assim fica melhor. Pus aquela lona, mas estava a chover na mesma dentro de casa.
É muito, está bom!
Uma equipa que não parou ao longo de todo o dia. O tenente Yuri, que comanda este pelotão, explica os trabalhos que tem realizado.
De manhã, remoção de alguns destroços, árvores e vegetação junto ao rio Lis. E agora no período da tarde, atividades como esta que estamos agora a observar, de primeira intervenção, alguns remendos em habitações que foram muito prejudicadas pela tempestade. E o nosso apoio é numa tentativa de ajudar a população, dar alguns cuidados para evitar que os danos aumentem.
Para já são mais de 200 os militares da Marinha mobilizados por causa da passagem da tempestade, 70 só em Leiria, mas podem vir a ser mais, como admite o porta-voz Ricardo Sá Granja.
Tendencialmente irá aumentar. Neste momento estão 220 militares mobilizados, com especial enfoque aqui no município de Leiria, com 70 militares, e também com enfoque muito grande junto às margens do rio Mondego e do rio Tejo.
Para já, as atenções dividem-se entre os trabalhos de limpeza e reconstrução depois da tempestade da semana passada e a prevenção de situações de cheias.
Está bem. Puxa lá.
A reportagem do jornalista Luís Soares, em Leiria, que acompanhou os trabalhos da Marinha Portuguesa, que está no terreno a ajudar as populações afetadas. As Forças Armadas estão a reforçar a assistência às populações atingidas. Há equipas em várias zonas a ajudar na remoção de destroços e na reposição de infraestruturas essenciais e também a garantir que a comunidade tenha acesso a refeições e higiene.
Os candidatos à Presidência da República reagiram de forma bem diferente aos anúncios feitos pelo primeiro-ministro ontem, depois do Conselho de Ministro extraordinário. Luís Montenegro anunciou várias medidas de apoio às famílias e às empresas. Disponibilizou o executivo 2,5 mil milhões de euros para famílias, empresas e autarquias. Há apoios até 10 mil euros para quem precisar de reconstruir casas próprias ou explorações agrícolas, subsídios de 537 euros e até 1075 para pessoas e famílias carenciadas. Estas são algumas das medidas que foram ontem anunciadas. Em entrevista à SIC ontem à noite, António José Seguro admite que o Estado tem a obrigação de reagir melhor a este tipo de situações climatéricas. No entanto, o candidato presidencial recusa, para já, criticar diretamente o governo. Diz que neste momento o foco é outro.
Eu tenho para mim que, neste momento, nós devemos acudir às famílias, às empresas e às autarquias para os ajudar rapidamente a recuperar a sua vida normal e também ajudá-los na recuperação dos estragos das casas, dos telhados. Essa é a preocupação.
E a resposta que foi dada hoje pelo primeiro-ministro, depois do Conselho de Ministros, parece-lhe a mais adequada?
Mas depois temos que fazer essa avaliação. Nós temos que tirar ilações.
"É preciso tirar ilações, mas primeiro acudir às pessoas", é o que diz António José Seguro. Já André Ventura não poupou nas críticas ao primeiro-ministro e ao governo.
Eu acho que foi dos piores dias da história do nosso governo, francamente. É que falharam na prevenção, falharam na mobilização de meios, falharam em coisas básicas. Reparem, nós temos que andar a distribuir e vamos querer distribuir mais lonas, porque o Estado nem se preocupou sequer em ajudar as pessoas a cobrir os telhados das suas próprias casas. Olhe, senhor primeiro-ministro, se é para isto que estamos a contar consigo, então hoje ficou bem claro que não podemos muito contar consigo. E eu sempre tive esta lógica: os políticos devem ou fazer ou sair da frente para deixar que os outros façam.
André Ventura, ontem numa ação de campanha em Vila Verde, no distrito de Braga. O candidato apoiado pelo Chega vai estar hoje em Chaves e Aveiro. António José Seguro vai estar no distrito de Portalegre. São agora 7h13, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de segunda-feira? Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se hoje com o Papa Leão XIV, no Vaticano. O Presidente da República chegou ontem, ao final do dia, a Roma. Jantou com o presidente de Itália. Em declarações aos jornalistas à chegada, Marcelo Rebelo de Sousa confirmou que vai convidar o Papa a visitar Portugal em 2027. O chefe de Estado lembra que Portugal assinala os 110 anos das aparições de Fátima e, por isso, afirma que é uma boa razão para o líder da Igreja Católica vir a Portugal. Donald Trump espera chegar a acordo com o Irão. É a reação do presidente dos Estados Unidos depois do líder supremo iraniano ter alertado para o risco de uma guerra regional em caso de ataque norte-americano. A tensão entre os dois países escalou nas últimas semanas, com Donald Trump a fazer ameaças militares por causa da repressão aos protestos contra o regime. Trump também já veio exigir um acordo sobre a política nuclear de Teerão. O Benfica e o Tondela empataram zero a zero, no jogo a contar para a jornada 20 do campeonato. Este é o sétimo empate dos encarnados nesta edição da Liga. Antes, o Sporting recebeu e venceu o Nacional por 2 x 1. Hoje é a vez do Futebol Clube do Porto entrar em campo. Joga no Casa Pia, no fecho da 20ª jornada. O jogo começa às 20h45. Trará relato e comentários aqui na Rádio Observador.