Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Oito e um. Israel e Hezbollah trocaram ataques esta madrugada. Há registro de, pelo menos, 31 mortos e de mais de 100 feridos no Líbano, sendo que esta manhã foram também ouvidas explosões em várias cidades dos países do Golfo Pérsico.

Ao início da madrugada, o grupo libanês do Hezbollah atacou Israel, sofreu a retaliação por parte das Forças de Tel Aviv. Esta manhã, o Irã lançou ataques em território israelita e também em outras cidades do Golfo. Esta é a mais recente atualização da guerra no Médio Oriente. Miguel Gato, o que é que se sabe?

A imprensa internacional relata que se ouviram esta manhã fortes explosões em Jerusalém. As Forças de Defesa Israelitas garantem estar a trabalhar para interceptar todos os mísseis que foram lançados desde o Irã. Teerão intensifica os ataques contra Israel e os vizinhos do Golfo pelo terceiro dia consecutivo. Vários órgãos de comunicação social, como a Agência France-Presse ou a Al Jazeera, confirmam estas explosões também em Doha e no Dubai, sendo que no Kuwait foi avistado fumo junto à Embaixada dos Estados Unidos. O consulado confirma que existe ameaça contínua de ataques com mísseis e drones. Pede, por isso, à população que não se dirija ao consulado e que procure abrigo.

Esta madrugada, Miguel, fica também marcada pela troca de ataques entre o Hezbollah e Israel.

Sim, o grupo libanês atacou o território israelita e Tel Aviv acabou por retaliar. Há registro de, pelo menos, 31 mortos e 149 feridos, isto segundo dados do Ministério da Saúde libanês. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel confirma os ataques e avisa: esta ofensiva israelita sobre os alvos do Hezbollah no Líbano pode vir a durar vários dias e, por isso, Israel já veio apelar à evacuação de quase 50 aldeias no país. Estes são os mais recentes desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente, que começou no sábado, depois dos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel no Irã. Já terão morrido mais de 200 pessoas e mais de 700 terão ficado feridas nos últimos três dias de conflito. Perante a situação de guerra no Médio Oriente, Reino Unido, França e Alemanha dizem estar prontos a colaborar com os Estados Unidos para parar estes ataques retaliatórios do Irã.

Miguel Gato, a acompanhar as últimas informações que chegam da escalada do conflito no Médio Oriente. Há instantes recebemos também a informação de que vários caças norte-americanos se terão despenhado no Kuwait. São informações do Ministério da Defesa do país. São dados que naturalmente contamos atualizar e confirmar nos próximos jornais.

Carla, e como seria de esperar, os preços do petróleo dispararam nas últimas horas.

No arranque da sessão de hoje, o Brent, que serve de referência às importações portuguesas, subiu 13% para US$ 82 por barril. Este é o nível mais alto dos últimos 20 meses. Em causa está o encerramento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo. São cerca de 15 a 16 milhões de barris em trânsito todos os dias de petróleo bruto e cinco a seis milhões de barris de produtos refinados.

O presidente dos Estados Unidos admite a morte de mais cidadãos norte-americanos neste conflito. Donald Trump repete que os ataques vão continuar, sendo que já avisou que podem prolongar-se por várias semanas.

Com, para já, os Estados Unidos a confirmarem a morte de três militares norte-americanos nestas operações. Donald Trump promete vingança, mas admite a possibilidade de mais militares virem a perder a vida nos ataques.

"Enquanto nação, lamentamos a morte dos verdadeiros patriotas americanos que cumpriram o derradeiro sacrifício pelo país. Infelizmente, poderá haver mais mortes antes que isto acabe. É assim que as coisas são, mas faremos todos os possíveis para que tal não aconteça. A América vai vingar a morte destes soldados e vai atingir com força os terroristas que lançaram a guerra contra a civilização".

É a mensagem deixada pelo presidente dos Estados Unidos num vídeo divulgado esta madrugada nas redes sociais, com Donald Trump a admitir também a possibilidade desta operação durar, pelo menos, um mês. Trump disse que estava disponível para negociar com o Irã após o início destes ataques. As autoridades de Teerão já vieram, no entanto, afastar essa hipótese.

O governo de Adia destaca que há consenso entre os parceiros europeus para retomar as negociações com o Irã e coordenar o repatriamento de cidadãos retidos no Golfo.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia estiveram ontem reunidos para discutir esta ofensiva militar contra o Irã. Portugal esteve representado pelo ministro Paulo Rangel, que no final da reunião deu conta de um consenso em torno da importância de retomar rapidamente as negociações com Teerão.

Houve um consenso no sentido de que é muito importante haver contenção, é muito importante haver limitação dos danos e, assim que possível, retomar as negociações. Portanto, eu diria que há uma grande frustração por as negociações terem sido interrompidas e ter havido este desenlace e, portanto, que há aqui um apelo mais pela positiva do que pela negativa a que se retomem as negociações.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, em declarações à Agência Lusa, a destacar também a importância de retirar cidadãos europeus da região.

Isto numa altura em que há cerca de 50 portugueses retidos num navio cruzeiro ao largo do Dubai há mais de dois dias.

O grupo estava a começar as férias quando foi surpreendido pelos bombardeamentos. O navio está parado ao largo do Dubai e está a ser protegido por dois navios de guerra. "O Observador" já contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros para tentar obter mais informações, mas até ao momento não obteve resposta.

E, entretanto, os Estados Unidos continuam a utilizar a Base das Lajes, na Ilha Terceira, nos Açores. O coronel José do Carmo não prevê consequências para Portugal.

Isto numa altura em que o Reino Unido confirmou o ataque do Irão a uma base britânica no Chipre. No gabinete de guerra desta manhã, o coronel não vê motivos para se colocar em causa o protocolo com os Estados Unidos. Diz, sim, que é importante manter a aliança com Washington.

No fundo, é para reabastecer. Não há aqui nada de especial. Não estão a lançar ataques a partir da base. Agora, isso é uma questão do governo português interpretar os interesses de Portugal. O interesse de Portugal é o quê? Eu, pessoalmente, penso que é-

Abastecer aviões que vão estar, que estão a entrar num conflito.

Sim, mas o conflito também é do nosso interesse. Nós temos o interesse sempre permanente, desde há muitos anos, que é a aliança com a potência marítima. Isso é uma questão geopolítica. Portugal não pode estar contra a potência marítima

A opinião do coronel José do Carmo no gabinete de guerra desta manhã com a Maria João Simões. Continuamos com a análise agora com o Bruno Cardoso Reis. Bruno, esta questão da Base das Lajes não é pacífica. Parece que há aqui uma questão que o governo português tem ou não para gerir.

Tem para gerir. Vamos lá virar aqui uma questão que é bastante clara. Eu convido os ouvintes a ir ler o acordo, quer o de 95, quer aliás, o de 1951, quer até os acordos ainda feitos na Segunda Guerra Mundial, ainda pelo Salazar. O governo português sempre fez questão de deixar muito claro. Aliás, as primeiras palavras do acordo, nomeadamente o de 95: a Base das Lajes não é uma base americana, é uma base portuguesa. É um território português. A soberania portuguesa não é posta em questão pelo fato de os Estados Unidos há muitas décadas que usam a Base das Lajes. É verdade que também se diz que quando há operações no contexto da NATO, quando o uso é no contexto da NATO, há uma autorização tácita, mas também se diz não havendo objeção de Portugal. Vamos imaginar, os Estados Unidos dizem sempre: "Isto é de operações da NATO". Portugal pode perguntar: "Mas que operação da NATO é que é? Nós não achamos que seja uma operação da NATO e, portanto, não vamos autorizar". Portugal, mesmo aí, pode sempre negar a tal autorização tácita. Comunicação tem de existir sempre, até para gestão do espaço aéreo. Aliás, há um comandante aéreo português. E em todos os outros usos, realmente tem de haver comunicação e autorização prévia. Também se diz que sendo para operações mandatadas por organizações internacionais, há uma presunção de que isso será visto favoravelmente por Portugal, desde que Portugal tenha votado esse mandato, por exemplo, uma operação das Nações Unidas com o mandato, mas obviamente aqui não aconteceu. Agora, é verdade que pode interessar ao governo português não fazer muitas perguntas, não colocar grandes questões. Pode interessar ao governo português dizer: "Bem, não há um uso direto da base para atacar o Irão, não saem aviões de combate para ir atacar o Irão e, portanto, há aqui um uso indireto e a nós interessa-nos mais preservar a aliança com os Estados Unidos do que estar a questionar isso". Acho que é nesses termos que se tem de colocar a questão. E depois, obviamente, pode-se debater se é assim ou não. A mim também me parece evidente que realmente a aliança com os Estados Unidos é muito importante, mas uma aliança funciona para os dois lados. Não pode ser uma espécie de alinhamento automático sempre com os Estados Unidos, independentemente do que os Estados Unidos façam, digam, no contexto global ou até em termos de interesses vitais para a Europa. Quando temos um aliado a ameaçar invadir um outro aliado, isso tem que colocar algumas questões. Eu acho que, por exemplo, os países europeus podiam até ter coordenado aqui posições. Claramente não foi o caso. O governo português, no fundo, toma a decisão com plena autonomia, como aliás poderia tomar sempre. Mas a mim parece-me que o que será importante, em todo caso, é passar esta mensagem, que isto é um grande favor que nós estamos a fazer aos Estados Unidos. Não é algo que nós temos de fazer porque não temos nenhuma alternativa.

A questão, Bruno, é se de facto Portugal tem peso estratégico para dizer aos Estados Unidos: "Não, não utilizem a base para estas coisas".

Tem menos peso estratégico do que outros países, mas, por exemplo, ninguém questiona a importância para a Grã-Bretanha da aliança com os Estados Unidos. Os britânicos até lhe chamam a relação especial. E, no entanto, os britânicos começaram por dizer que não e agora disseram que sim. Se calhar, isso quer dizer que os norte-americanos dão agora mais valor ao uso das bases britânicas, porque perceberam que podem dizer que sim, podem dizer que não. Quer dizer, pode-se sempre dizer: "Bem, os americanos se quiserem, tomam conta da base". Isso é verdade, mas os americanos têm mais de 700 bases pelo mundo. Não é realista andar a tomar bases pelo mundo todo, nem aliás, isso serviria os interesses norte-americanos, porque se uma pessoa tentar tomar bases pela força, é depois difícil estar a usá-las para projetar poder noutro lado. Apesar de tudo, parece-me que os Estados Unidos ainda funcionam minimamente como uma democracia constitucional. Mesmo no caso da Gronelândia, Donald Trump acabou por ser forçado a recuar, até por causa da opinião pública, por causa de muitos senadores e congressistas, inclusive republicanos.

E por uma posição conjunta também na União Europeia.

Não estou a dizer que seja uma posição fácil, mas Portugal poderia dizer que não. Em todo o caso, tendo dito que sim, tacitamente ou não, acho que é muito importante passar esta mensagem. Isto é um grande favor. E aquele argumento que se ouve demasiadas vezes atualmente da parte de alguns responsáveis norte-americanos, que as bases dos Estados Unidos na Europa são um grande favor à Europa, isso não é verdade. Aliás, quando eu estive nos Estados Unidos, tive a oportunidade de dizer isso a um ou outro elemento da atual administração naquelas reuniões informais, que é: as bases na Europa são absolutamente cruciais para os interesses americanos, não só na Europa, mas para projetar poder de forma eficaz e segura no Médio Oriente, em África, no Oceano Índico. E isto mais uma vez fica comprovado com esta operação.

Obrigada, Bruno Cardoso Reis. Vamos continuar aqui ao longo da manhã a olhar para o que se está a passar no Médio Oriente.

Em Explicador, vamos ouvir os eurodeputados Tiago Moreira de Sá, do Chega, Marta Temido, do PS, e João Olivar, do PCP. Para já, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de segunda-feira?

Pedro Passos Coelho garante que não tem quaisquer intenções políticas dissimuladas. Afirma que quando quiser candidatar-se a um cargo político, vai fazer o devido anúncio. É numa entrevista ao jornal Eco, o ex-primeiro-ministro volta também a acusar o governo da AD de inação, pede urgência nas reformas e defende que Luís Montenegro devia ter tentado fazer um acordo com o Chega ou com a Iniciativa Liberal. Quanto às intervenções públicas recentes que tem feito, Passos Coelho garante que não anda à procura de desforras, explica que vai falar em público sempre que achar útil. Esta é a primeira entrevista de Passos Coelho sobre política em oito anos. O primeiro-ministro apresenta hoje o dispositivo de combate a incêndios para este ano, um anúncio que vai ser feito em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo. Este mecanismo prevê mais de 15 mil operacionais e quase 80 meios aéreos para os meses mais críticos. Este é um ligeiro aumento de meios em relação ao ano passado.