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As notícias às 9, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. A noite terá sido mais calma, apesar da chuva e do vento. Proteção Civil registou 263 ocorrências até às 8h, a maioria queda de árvores.
Os dados acabam de ser atualizados pela Proteção Civil. A situação mais grave é a queda de uma grua sobre cinco prédios na Figueira da Foz. Não há feridos, mas seis pessoas ficaram desalojadas. Quanto às restantes ocorrências, a grande maioria está relacionada com a queda de árvores. Seguem-se também inundações e queda de estruturas. Em Lisboa, os bombeiros sapadores dão conta da queda de um talude na via pública, na calçada da estação de Campo de Ourique. Está criado um perímetro de segurança na zona.
A Rádio Observador está a ouvir os autarcas das regiões mais afetadas e todos dão conta de um cenário mais favorável esta manhã.
Começamos em Ourém. Cerca de 15 mil pessoas continuam sem acesso à energia elétrica no Conselho. A informação foi revelada já esta manhã pelo presidente da Câmara, que aponta, no entanto, para uma quase normalização do abastecimento de água, que já chega a cerca de 95% da população de Ourém. O presidente da Câmara, Luís Albuquerque, diz que esta última madrugada não foi fácil, mas admite que o cenário esteve longe das piores previsões. Já sobre os efeitos colaterais da passagem da depressão Christine, o autarca diz que ainda se sentem, apesar de algumas melhorias.
Hoje podemos dizer que já temos cerca de 95% do Conselho restabelecido com água. Esperamos que durante o dia de hoje consigamos atingir, senão os 100%, 99%. Em relação à energia, ainda há cerca de 270 PT inoperacionais, o que penso que deve dar cerca de 15 mil pessoas ainda sem energia elétrica e com muitas dificuldades de poder prever quando é que todas poderão ter acesso a esse bem essencial que é a eletricidade.
Tem um número concreto de desalojados, Luís Albuquerque?
Temos muitos desalojados, mas muitos deles foram deslocalizados para casas de familiares de pessoas. Nós neste momento temos 13 pessoas que estão ao nosso encargo.
De resto, importa também dizer que hoje vão reabrir 32 das 34 escolas do Conselho, 12 vão estar a funcionar com recurso a geradores, dados também do presidente da Câmara de Ourém.
No Conselho da Batalha, distrito de Leiria, o pior também já terá passado, mas 40% a 50% das habitações ainda não têm eletricidade.
Foi o que disse o autarca André Sousa na última hora aqui na Rádio Observador. O presidente da Câmara Municipal da Batalha faz o ponto de situação esta manhã.
A nível de fornecimento de água, nós temos o sistema todo montado na íntegra. Não quer dizer que não tenhamos falhas em algumas localidades, muitas delas ainda abastecidas por geradores, nos pontos críticos de fornecimento e abastecimento de águas, mas, na sua regra geral, o sistema está a funcionar. A eletricidade é efetivamente o mais crítico. Uma das freguesias do nosso Conselho ainda continua inicialmente sem eletricidade. E no centro da vila, a freguesia mais populosa, também parte da população ainda está sem eletricidade. Eu diria que 40% a 50% de todas as casas ainda continuam sem eletricidade.
O autarca André Sousa diz ainda que a prioridade agora é a reconstrução do município, mas adianta que não é possível ainda quantificar o valor dos prejuízos na Batalha. Sobre as medidas apresentadas ontem pelo primeiro-ministro, André Sousa fala num bom ponto de partida, mas diz também que é preciso mais apoios do Estado central. Continuamos a conferir a situação, agora em direto com o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes. Bom dia, obrigada por se juntar a nós neste jornal. Vamos precisamente começar por aí, pelos apoios anunciados ontem pelo governo. Parece-lhe que terão efeitos práticos para o Conselho de Leiria e para a destruição tão evidente?
Muito bom dia. As medidas anunciadas acho que são medidas que constituem um estímulo e que, naturalmente, devem ser reconhecidas como um passo muito importante no processo de reconstrução da região de Leiria. E por isso, o que pedimos é que seja um processo ágil, rápido, de modo que todas as pessoas voltem a ter esperança, a ver as suas casas reconstruídas, as empresas voltem a abrir e a laborar, evitando assim a criação de mão de desemprego.
E, portanto, vão no bom sentido. O senhor tem se queixado muito da falta de meios. Esses apelos públicos têm ajudado a trazer mais ajuda, agora concretamente para estes dias, para o Conselho de Leiria?
Sim, nós temos recebido muitas ajudas, muitas pessoas. O povo português tem sido excepcional. Tem sido excepcional, quer entrega de materiais alimentares, mas sobretudo materiais de construção. Estamos a receber camiões de telha e por isso temos uma operação montada no estádio de Leiria para entrega de telhas às pessoas que viram os seus telhados destruídos.
E tudo isso está a funcionar. Havia preocupações com a noite que passou. Os relatos dos repórteres que estão em Leiria dizem que a situação acabou por ser mais calma. Confirma também que não houve um agravamento desmesurado dos problemas no Conselho depois da chuva desta noite.
A chuva veio prejudicar, sobretudo, as casas que não estavam com telha e, portanto, seguramente vieram ainda agravar mais a situação dos espaços que não têm telhas. Houve um esforço muito grande de distribuição de lonas para proteger não só os telhados, os móveis, mas sobretudo também maquinaria de muitas fábricas. E, portanto, acho que se conseguiu minimizar os prejuízos com aquilo que foi a janela de oportunidade de sábado e de domingo até a hora de almoço.
Sim. Quais são as perspectivas agora para os próximos dias, Gonçalo Lopes?
Nós temos cerca de 50 mil pontos, ou seja, 50 mil casas e empresas que não têm eletricidade. Temos a maioria da população ainda sem eletricidade. Estamos a recuperar o sistema da água, que está sempre dependente do fornecimento de energia. O sistema está a ser alimentado com geradores. Hoje já conseguimos estabilizar a distribuição em baixa, vindo a alcançar a esmagadora maioria das freguesias.
Apreensão para os próximos dias, com a perspectiva de chuva permanente?
Sim, parece que é uma tempestade perfeita. Temos agora os próximos dias de chuva, é continuar nesta missão rápida, tática, distribuir o máximo de meios ao nosso alcance. Nós pedimos a colaboração de empresas de plástico, que foram excepcionais, empresas do norte. Mesmo empresas de Leiria, que somos a capital do plástico e da manga plástica, que mesmo com dificuldades, conseguiram colocar linhas de produção. Nós distribuímos, desde quinta-feira, praticamente até sábado, quase 100 toneladas de plástico e lonas. Acho que fizemos aqui um trabalho excepcional para tentar proteger o que conseguíamos. Os próximos dias serão dias de chuva e, naturalmente, vamos continuar este processo de minimização dos impactos, é aquilo que podemos fazer neste momento.
E é isso que se espera que aconteça. Muito obrigada, Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, em direto aqui na Rádio Observador. Dar conta dos trabalhos que estão a ser feitos nesta altura, numa das zonas mais afetadas pelo temporal. Mas outros autarcas que temos ouvido ao longo da manhã vão dizendo que a situação está hoje mais calma. Sobre os apoios do governo, dizem que são positivos, mas esperam que cheguem rápido.
E perante tudo isto, a Proteção Civil ativou o Plano Nacional de Emergência e o objetivo é fazer face às previsões de agravamento do estado do tempo e do cenário de risco para pessoas e bens.
Falamos de um plano que vai ser dirigido pela Ministra da Administração Interna. A aprovação foi aprovada por unanimidade numa reunião presidida por Maria Lúcia Amaral. O anúncio foi feito num comunicado divulgado ontem à noite. A Proteção Civil alerta para uma previsão de agravamento do cenário de risco para pessoas e bens nos próximos dias e, por isso, ativou este Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil.
São agora 09h09. Já a seguir, no Explicador, recebemos Manuel Castro Almeida, Ministro-Adjunto e de Coesão Territorial, sobre os apoios do governo às populações afetadas pelo mau tempo. Para já, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Uma mulher foi morta a tiro num parque de estacionamento em Lisboa esta madrugada. A vítima mortal teria cerca de 30 anos, foi encontrada junto à Avenida de Ceuta, é o que avança o Correio da Manhã. De acordo com testemunhos de moradores ao mesmo jornal, a mulher terá sido atingida por quatro disparos. O suspeito está em fuga. O crime terá acontecido pelas 05h. Neste momento, o perímetro está vedado e a Judiciária está a realizar diligências. Marcelo Rebelo de Sousa vai encontrar-se hoje com o Papa Leão XIV, no Vaticano. O Presidente da República chegou ontem ao final do dia a Itália, onde jantou com o chefe de Estado italiano. Confirmou também que vai convidar o Papa a visitar Portugal em 2027, por ocasião dos 110 anos das aparições de Fátima.