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Observador, são 9h01. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos com os efeitos da depressão Leonardo. A Proteção Civil registou mais de uma centena de ocorrências devido ao mau tempo durante a madrugada.

Foram ao todo 121 ocorrências até às 7h00, maioria na região de Lisboa e Vale do Tejo. Quedas de árvores e inundações têm sido as maiores preocupações para as autoridades. Foi o que revelou, há instantes, o comandante Rui Oliveira, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Entre as 0h e as 7h, tivemos um total de 121 ocorrências. A maioria diz respeito a ocorrências de inundação, queda de árvore e deslizamentos de terras. A região mais afetada foi a região de Lisboa e Vale do Tejo, sendo que depois temos também a região do Algarve com 26 ocorrências.

Rui Oliveira, o comandante da Proteção Civil, à Rádio Observador. Não há registro de vítimas, feridos ou de residências evacuadas devido à chuva que marcou a última madrugada. Destaque ainda para Oeiras, onde há registro de inundações em algumas zonas. À Rádio Observador, a Proteção Civil diz, no entanto, que a situação no Conselho está agora a caminhar para a normalidade.

Em Leiria, também se tenta um regresso à normalidade possível. Algumas escolas começaram a reabrir esta manhã. O governo garante que há condições de segurança para o regresso às aulas.

A decisão foi anunciada ontem pelo ministro da Educação, depois de reuniões com os diretores escolares e os autarcas dos 10 municípios do distrito de Leiria. O repórter Luís Soares está na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, precisamente, Luís, e os alunos já estão nas aulas.

Já estão nas aulas, que começaram na última hora. Os alunos começaram a se concentrar ainda antes das 8h00, depois foram entrando assim que os portões abriram e agora já estão em aulas, numa escola que está em condições, com alguns danos que foram reparados de forma provisória, nomeadamente na biblioteca, mas nada que impeça o regresso às aulas destes alunos, desta escola, mas também de cinco turmas da Escola D. Dinis, que fica aqui a 300 m, uma escola que não tem condições para os receber e, portanto, esta escola secundária vai receber essas cinco turmas. Além disso, vai providenciar banhos para quem está sem condições em casa. De resto, Olga Mouroço explica e sublinha essa importância deste regresso às aulas também para quem está sem condições em casa.

Parece-nos que o regresso será bem-vindo para muitos alunos, porque terão condições melhores aqui na escola do que nas casas neste momento. A escola tem água, luz e internet, portanto, permite-lhes condições de conforto. Inclusive, nós já informamos os diretores de turma para espalharem a mensagem de quem necessitar tomar banhos na escola. A escola vai disponibilizar tudo aquilo que puder para efetivamente minimizar o dano psicológico que este evento nos trouxe.

É também um apoio para os alunos, sublinha a diretora da escola, Olga Mouroço. De resto, os alunos Santiago e Lucas também admitem que é bom este regresso à normalidade.

Sim, era esperado, apesar da gente saber que a escola pode ter sempre um pouco de danos, a gente estava à espera que a escola abrisse quarta-feira.

E como é que foi lá em casa estes dias?

Foi complicado, caíram telhas em cima do carro, o telhado voou, mas está tudo bem. O mínimo.

E por isso é importante também este regresso a alguma normalidade, o regresso à escola, ao dia a dia normal?

Sim.

Sim, sem dúvida. Ajuda-nos a distrair um bocado o que está a acontecer à nossa volta.

E agora o Santiago e o Lucas já estão lá dentro da escola, em aulas, como é normal, já uma semana depois da tempestade, sendo que na semana passada estiveram em pausa letiva e por isso, na prática, só estes dois dias, segunda e terça, é que não houve aulas nesta escola, mas para já a normalidade foi retomada.

Reportagem do Luís Soares a dar conta esta manhã da reabertura de uma escola secundária em Leiria, uma de todas do distrito. Ainda em Leiria, a Câmara Municipal avança à Rádio Observador que há 30 pessoas desalojadas no distrito. A autarquia admite que o número pode subir e garante também que está preparada para dar resposta.

E da última noite, destaque ainda para as críticas do Presidente da República ao governo. Marcelo Rebelo de Sousa afirma que a comunicação não está a correr bem e alerta para falhas na prevenção da tempestade.

Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve ontem à noite em Ourém, falou aos jornalistas no final de uma reunião com elementos da Proteção Civil no posto de comando. O Presidente da República não se refere a nenhum elemento do governo em particular, mas deixa críticas à forma como o executivo tem comunicado.

Não é para dizer que o governo esteve melhor ou pior. Há coisas em que esteve melhor e coisas que esteve pior. A explicação às pessoas, em muitos casos, não correu bem.

Marcelo Rebelo de Sousa reconhece também que pode ter havido falhas na prevenção antes da passagem da tempestade, mas considera que a resposta está a ser melhor do que nos incêndios de 2017. O Presidente da República, que continua no terreno, vai visitar esta manhã a zona de Pedrógão Grande, também no distrito de Leiria.

Paulo Fernandes, o líder da estrutura de missão para a reconstrução das zonas afetadas, é elogiado por figuras tanto do PSD como do PS, mas todos avisam que vai precisar de independência para ter sucesso.

Paulo Fernandes foi presidente da Câmara do Fundão pelo PSD, foi agora escolhido pelo governo para liderar o organismo que vai acompanhar a reconstrução das zonas afetadas pela tempestade. Rui Casanova é um nome elogiado por figuras do PSD e do PS Importa conhecer o percurso do homem com a missão de reerguer o centro do país.

As pessoas com quem o Observador falou, falam num homem sério, honesto e com grande capacidade de comunicar com todos. Começamos com o ex-deputado do PSD, Duarte Marques. Fala num homem que conhece bem o território e que tem uma voz respeitada pelo governo, seja que governo for. Também Luís Miguel Gavinhos, atual presidente da Câmara do Fundão, eleito pelo PSD, destaca que Paulo Fernandes tem as capacidades técnicas necessárias para esta missão. Já nas redes sociais, o ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro escreve que Paulo Fernandes é dos melhores autarcas que o país já teve e dos melhores quadros do PSD.

Rui, os elogios são transversais aos adversários políticos que o conhecem bem.

É o caso de Rui Pelejão, vereador do PS na Câmara do Fundão, afirma ao Observador que a abertura para dialogar com pessoas de diferentes quadrantes políticos é o que torna Paulo Fernandes o homem adequado para esta missão. Essa capacidade de liderança em momentos críticos e sensíveis pode ser uma mais-valia, mas todas as figuras ouvidas pelo Observador alertam que o sucesso de Paulo Fernandes vai depender, sobretudo, da autonomia que lhe vai ser dada nesta estrutura de missão.

Rui Casanova, com o perfil de Paulo Fernandes. É o homem que vai liderar a estrutura de missão sediada em Leiria. Tem como objetivo coordenar a recuperação das zonas afetadas pela depressão Cristina.

Este perfil de Paulo Fernandes faz manchete a esta hora no site do Observador. São 9:08. Já a seguir temos explicadores. Recebemos João Barroca, secretário de Estado-adjunto e da Energia. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

O Ministério Público não tem condições para controlar os casos de corrupção no PRR. É a conclusão do relatório de auditoria e controle do Ministério Público e que é citado hoje pelo Jornal de Notícias. O relatório aponta como principal falha a inexistência de um mecanismo de detecção e denúncia de conflitos de interesse, fraude ou duplo financiamento. Rússia, Ucrânia e Estados Unidos voltam a reunir-se hoje em Abu Dhabi. Em cima da mesa estão as negociações de um acordo de paz na Ucrânia. O regresso das negociações surge numa altura em que a tensão aumenta, depois de Zelenskyy acusar Putin de não respeitar o cessar-fogo acordado no encontro trilateral de 23 de janeiro. Pelo menos 19 palestinianos morreram em Gaza nas últimas horas, consequência de ataques israelitas. É o que aponta o novo balanço da agência de notícias Al Jazeera, com base em dados dos hospitais da região. Os ataques aconteceram em zonas residenciais do enclave palestiniano.