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São 9:02. As notícias com Carla Jorge Carvalho e começamos com os acampamentos contra a crise na habitação. Os manifestantes do Movimento Acampada estão dispostos a prolongar os protestos até o fim do ano.
A organização já entregou um pré-aviso a dar conta do prolongamento das manifestações até 31 de dezembro. A noite foi calma, sem intervenção policial. Agentes da PSP abordaram os manifestantes ao início da madrugada para apelar a uma desmobilização voluntária dos acampamentos, mas os jovens recusaram. Avisam que estão dispostos a prolongar a manifestação até as reivindicações serem atendidas. O Carlos Pedro está em direto do acampamento no Rossio. Alguns manifestantes deixaram as tendas esta manhã para ir trabalhar, mas, Carlos, prometem voltar.
Precisamente, Carla, continua a haver uma presença bastante assinalável de tendas e pessoas aqui na Praça do Rossio, ainda que haja cada vez menos, como disseste, porque são vários os manifestantes que vão abandonando o local para irem para os respetivos trabalhos, para as faculdades, escolas, etc. Foi isso que nos disse uma das participantes desta acampada, a Matilde. Diz que há muita gente que vai sair agora, fazer um horário de trabalho completo e depois voltará até mesmo para ajudar com as refeições. De resto, pelo que fomos percebendo, será mais um dia com várias atividades aqui esta tarde, na Praça Dom Pedro IV, no Rossio, sendo que às 19h há novamente a Assembleia Popular para decidir o rumo deste protesto, ou seja, se ficam mais uma noite ou se abandonam a Praça do Rossio, levando consigo as tendas, sendo que sabemos que o grande objetivo destes manifestantes é precisamente ficarem aqui mais noites, pelo menos mais uma noite, na Praça do Rossio. Os manifestantes dizem que querem permanecer aqui no local até surgir uma resposta de cima, é a expressão utilizada, ou seja, uma resposta do governo. O objetivo é que as pessoas não desmobilizem e é isso que a organização desta acampada vai tentar durante todo o dia. Ontem, estes jovens tiveram o primeiro contacto com as autoridades e o superintendente Resende Silva foi o responsável por falar com estes manifestantes. Apelou a uma mobilização voluntária dos mesmos.
Esta situação não se vai poder manter, porque vai conflituar com outras atividades da própria cidade. Nós vamos ter que atuar. Pode não ser hoje, mas peço-vos isso, porque não é interesse de ninguém que haja esse tipo de atuação.
Ainda assim, o superintendente Resende Silva procurou também descansar quem está aqui presente ao dizer que as autoridades não vão atuar de forma repressiva.
Não vamos reprimir nada. Isso que fique muito claro. Não se trata de reprimir, trata-se de cumprir a lei e nós vamos ter que cumprir a lei. Portanto, não houve repressão. Vocês já estão acampados e não houve repressão nenhuma. Entendam isso, não há vontade nenhuma da nossa parte.
O superintendente Resende Silva a descansar os manifestantes que estão aqui presentes e, para lá das 09:00, vão tomando o pequeno almoço, uma espécie de cantina popular, juntamente com muitas tendas ainda presentes no Rossio.
E assim vai sendo a manhã no Rossio, com a reportagem do Carlos Pedro.
Situação semelhante no Porto, com os manifestantes a admitirem prolongar os acampamentos, apesar dos apelos da PSP.
Na Praça Dom João I, onde está o Miguel Pinheiro Correia. Miguel, por aí os manifestantes voltaram a acampar e admitem que temem uma nova carga policial.
Sim, falam num terror psicológico e muito frio, Carla. É esse o relato difícil que nos é feito da última noite. Por um lado, esse medo de uma carga que se pode repetir e, por outro, o frio. E é um relato que nos vai sendo feito por várias pessoas que passaram aqui a noite, na Praça Dom João I, numa manhã que ainda é muito fria e que falam que a noite terá sido, naturalmente, muito mais. Por esta altura, o sol começa a iluminar diretamente a fachada do edifício do Rivoli, por isso dentro em breve também começará a iluminar a Praça Dom João I e os manifestantes querem aquecer-se um pouco, alguns que vão tomando café, mas relatam também que os que vão saindo das tendas, o principal problema não foi o frio e também foi essa a mensagem que foi deixada por Catarina dos Santos, uma das porta-vozes deste movimento.
A noite foi longa, cheia de ansiedade, depois daquilo que aconteceu na quarta-feira passada. Há sempre uma variável de terror psicológico inalienável da nossa situação, pelo menos de quem esteve cá. Temos sempre algum receio com o que é que vamos ser despertados e que forma é que vamos ter para lidar com isso. De resto, não foi pior do que qualquer pessoa em condição de sem-abrigo neste país. Felizmente, temos tido a solidariedade de muita gente e temos recebido imensos donativos de mantas e cobertores, portanto, temos aguentado o melhor que podemos.
Catarina dos Santos, porta-voz do movimento, a dar conta desses dois problemas. Por um lado, o frio, que ainda se sente, também algum vento que vai abanando as tendas, mas esse terror psicológico, esse medo de uma carga policial que se pode repetir. E esse frio, pelo menos durante a noite, demos conta de que foi assistida aqui uma pessoa, primeiro pela equipe de socorro deste movimento e depois a própria equipe de socorro acionou o INEM, que transportou essa pessoa para o hospital. A garantia que nos é deixada pelo movimento acampado é que era uma pessoa que não estava na acampada, mas um sem-abrigo que aqui estaria também a pernoitar e que tiveram também que oferecer essa assistência. Não sabemos se pelo frio ou se por outra situação, mas foi dado conta dessa situação aqui durante a noite. Mas de resto, foi uma noite Calma, uma noite onde não se notou essa presença policial. Hoje de manhã, até agora, tem estado também poucos polícias aqui na praça. Neste momento estão dois carros da Polícia Municipal. Até há pouco estava só um. Essa presença policial a acompanhar uma manifestação que se prolongará nos próximos dias, com essa expectativa também, como dava conta o Carlos, em Lisboa, aqui também há essa intenção de por aqui continuarem até 31 de dezembro. Claro que antes esperam ser recebidos pelo presidente da Câmara e esperam que as suas preocupações e reivindicações sejam ouvidas pelo poder político.
Mas ainda a acertar detalhes sobre o local e os termos em que poderá decorrer esse encontro com o presidente da Câmara do Porto. Aqui fica a reportagem direta do Miguel Pinheiro Correia. Destaque também para as reações políticas. O secretário-geral do PS garante, num artigo de opinião no jornal Público, que vai propor ao governo mais medidas para a habitação. Dá como exemplo a isenção de mais-valias na venda de casas já existentes até €300 mil para habitação própria e lembra que já tinha enviado uma carta ao primeiro-ministro a apelar a um diálogo sobre a crise na habitação, mas diz que não teve qualquer resposta.
Em França, Emmanuel Macron recusou o pedido de demissão do ministro do Interior, isto na sequência dos protestos violentos que duram há várias semanas. O governo reuniu-se hoje de emergência.
De acordo com o comunicado do Palácio do Eliseu, o ministro do Interior pediu ontem a demissão. O presidente francês recusou e pediu ao governante para que tome medidas para travar os manifestantes. Esta madrugada, Paris voltou a ser alvo de protestos violentos, com registro de uma onda de assaltos. Os manifestantes voltaram a atacar o pequeno comércio, centros comerciais e lojas de luxo. O governo reuniu-se hoje de emergência e vai discutir, sobretudo, medidas de apoio aos comerciantes afetados. Ontem, Emmanuel Macron falou ao país para garantir que vai ser implacável com a violência. Esta manhã ouvimos o diretor do Lusa Jornal, Carlos Pereira, explicar que esta declaração do presidente francês não está a ser levada a sério por parte da população.
É um discurso de que já ninguém espera. A justiça não é célere, a justiça não funciona bem e o Estado foi completamente ultrapassado durante este último fim de semana. O que se veio a passar, a violência que aconteceu, mostra que o Estado não estava preparado, a polícia não tinha antecipado esta situação, ou pelo menos antecipou mal, e que ficou surpreendida, de facto, com o que aconteceu.
Um episódio que ultrapassou o Estado e qualquer outro protesto que até hoje aconteceu em França, é o que diz Carlos Pereira, diretor do Lusa Jornal. Agora, a expectativa recai, sobretudo, sobre os possíveis apoios que o governo poderá vir a decretar para os comerciantes que podem ter de fechar lojas.
São agora 9h11. Daqui a pouco, o explicador sobre a venda da TAP. Antes, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
Hoje é dia de greve do pessoal não docente. O presidente da Associação do Diretor Escolar explica que ainda não há números oficiais, mas dá conta de várias escolas fechadas devido a esta paralisação. Também são esperados constrangimentos em jardins de infância e serviços administrativos. A greve pretende chamar a atenção para a desvalorização salarial e profissional dos trabalhadores não docentes. José Sócrates afirma que o julgamento que começa hoje é um absurdo. O ex-primeiro-ministro e também o empresário Carlos Santos Silva começam a ser julgados por branqueamento de capitais. Um julgamento que resulta da decisão instrutória do processo Operação Marquês em 2021. Num comunicado enviado à Lusa, Sócrates critica a decisão e afirma que o tribunal se prepara para iniciar um novo julgamento sobre fatos que já estão em discussão noutro processo. No Brasil, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro trocaram acusações de corrupção no primeiro debate para as eleições presidenciais. Bolsonaro apostou no tema da segurança, enquanto Lula da Silva defendeu o legado enquanto presidente. A segunda volta está marcada para o próximo domingo. Os distritos de Faro e Beja vão estar nas próximas horas sob aviso amarelo devido à previsão de trovoadas, chuva forte, granizo e fortes rajadas de vento. De acordo com o IPMA, o aviso amarelo vai estar em vigor entre o meio-dia e às 18h de hoje.