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Este é o som do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir a hora que quiser em podcast, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia. Pois é.

Estavas a anteclar, não estavas? A dizer a novidade.

Não, estava a anteclar, a dizer a toda a gente que eu conheço que vem aí o sucessor do Sargento na Cela 7. Quando é que será?

Para breve, como diz a Margarida.

Quando é que será?

Mas parece uma grande história.

Parece, sem dúvida. Os ingredientes todos.

Isso agora quando sabemos lá, mas imagino que esteja quase. Eu acredito na Margarida Vila Nova. Se ela diz que está quase, tenho a certeza que está quase.

Se ela diz isso, quem és tu para contrariar?

Tem de ficar muito atento à Rádio Observador.

Vem aí uma grande história.

Miguel, então e o nosso bom de hoje?

Para continuarmos aqui numa onda otimista. O bom é Marcelo Rebelo de Sousa. Ontem o Presidente da República voltou a deixar as coisas muito clarinhas a António Costa. Em visita a Bruxelas, Marcelo disse que o primeiro-ministro tem muito peso na Europa, mas disse também que qualquer saída para um cargo europeu em 2024 é do foro interno e obrigará necessariamente à realização de novas eleições com um novo candidato do PS a primeiro-ministro. Aqui não há volta a dar. Se há coisa que sem dúvida nenhuma faz parte dos poderes de um presidente é dar posse a um novo primeiro-ministro, por isso aqui é António Costa quem tem de se habituar.

Além disso, este é um cenário que o Presidente da República tratou logo de colocar em cima da mesa na altura da tomada de posse do governo. De forma muito clarinha.

Foi no primeiro minuto.

Exatamente. Aqui não haverá surpresas.

Não, aqui não há surpresas.

O bom é Marcelo e quem é o mau?

O mau é João Galamba. Ontem o Ministro das Infraestruturas irritou-se muito com os jornalistas. Enfim, aconteceu aquilo que acontece muitas vezes a responsáveis políticos que estão no centro de alguma polémica. João Galamba ia participar num congresso e à porta tinha vários jornalistas a pedirem-lhe uma declaração. Ele ficou muito incomodado e até reclamou: "Posso andar ou não? Estou a pedir para me deixarem entrar." Não estou a fazer isto bem o tom. Eu recomendo às pessoas que vão ouvir.

Tens que melhorar o teu acting.

Tenho. E depois ele ainda resmungou assim um bocadinho a dizer: "Se me deixarem falar, eu vou dizer apenas isto: nada tenho a acrescentar além do que foi dito pelo primeiro-ministro." Portanto, queria muito falar para dizer que não tinha nada para dizer, mas enfim. Mas estava muito irritado João Galamba quando lhe perguntaram se sentia que tinha condições para se manter ministro, ainda respondeu assim: "Então não vê que estou com imensas condições para continuar no governo?"

Calma, Miguel.

Não, Paulo, eu tenho calma. Mas esta conhecida arrogância de João Galamba, pelos vistos, voltou em dobro depois da polémica e não deixa o ministro perceber que a pergunta faz todo o sentido. Vamos lá ver, como diria António Costa. Há poucos dias, João Galamba apresentou publicamente a sua demissão por considerar, e vou citar, "que a preservação da dignidade e a imagem das instituições é um bem essencial que importa salvaguardar." E fez isso, vou continuar a citar, "em prol da necessária tranquilidade institucional." Ora agora, não tendo mudado nada a não ser a gravata de António Costa, Galamba já acha que está com imensas condições para continuar no governo. O ministro, naturalmente, pode continuar onde entender, mas pelo menos tem de responder às perguntas dos jornalistas. É uma obrigação de quem exerce funções públicas. Há muita gente por aí que gosta de ignorar as perguntas que são feitas, mas realmente quem tem cargos destes, é uma chatice, mas tem que ir dando explicações de vez em quando.

E há uma certeza: isto vai continuar a acontecer a João Galamba onde quer que ele vá em locais públicos, cerimônias públicas, como é evidente.

Sim, depois desta polémica virão outras. A vida política é mesmo assim.

Miguel, só fica a faltar, como sempre, o vilão.

Fica a faltar o vilão, mas eu não quero que te falte nada, Maria João.

Muito obrigada.

Eu estou cá para te servir.

Ainda bem que isto fica gravado.

O vilão é o PS. Ontem o primeiro presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP, Jorge Seguro Sanches, anunciou que ia deixar o cargo e foi substituído pelo ex-secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales, que por sua vez, se bem se lembram, já tinha substituído na mesma comissão o deputado do PS, Carlos Pereira. Pois bem, então qual é a primeira coisa que diz o novo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP, que foi nomeado pelo PS? Diz isto: "A meta é fazer com que a comissão termine o mais rapidamente possível, mas que se esclareça a verdade." Eu acho que está tudo invertido. Primeiro, Lacerda Sales fala sobre a necessidade de acabar depressa com a comissão e só depois é que fala no apuramento da verdade, quando me parece que isto devia ser ao contrário. Primeiro devia falar sobre a necessidade de apurar a verdade e só depois sobre a rapidez na condução dos trabalhos, rapidez que estaria condicionada a esta necessidade de apurar a verdade. Eu, já agora, deixo aqui uma pergunta ingênua para começar o dia. Talvez alguma das pessoas que nos está a ouvir possa ter a resposta. Se tiver a resposta, já sabem, e-mails para o Paulo Ferreira. paulinhoferreira@gmail.com, eu não me canso de lembrar.

Com certeza existe mesmo esse e-mail e alguém recebe.

Não é o meu e-mail, seguramente.

Ó Paulo. Ó Paulinho. Enfim, então aqui fica a pergunta ingênua: se a comissão ainda agora começou, o PS quer acabar com ela depressa por quê? Pronto, é isto. Já sabem.

É retórica a pergunta.

Já sabem. Não, é nada.

Não há razões à vista para eles quererem acabar com a comissão.

Eu não tenho prémios para oferecer a quem responder a isto. Não temos aqui representantes do Governo Civil, não posso fazer nada disto e quer dizer, não dá, mas fica o meu eterno agradecimento a alguém que me possa ajudar a tornar-me num homem mais sábio.

Vamos então ao resumo. O bom desta quinta-feira é Marcelo Rebelo de Sousa, o mau João Galamba e o vilão de hoje é o PS.