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O Miguel Pinheiro já está conosco. Começa agora um novo episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão". Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. O teu bom hoje é o Chega. O que o partido fez bem?
O que o Chega fez de bem foi uma escolha, porque depois das legislativas ter ido buscar algumas figuras exóticas ao PSD, André Ventura anunciou ontem que o número dois da lista para as europeias vai ser Tiago Moreira de Sá, ex-deputado do PSD e apoiante de Rui Rio. Tiago Moreira de Sá é um respeitado especialista em matérias internacionais, por isso, de certeza que sabe chegar a Bruxelas sem um mapa e de certeza que conhece bem os assuntos que vão ser debatidos nos próximos anos no Parlamento Europeu. É alguém que pode não valer propriamente votos, não estou a ver o povo a mobilizar-se, mas serve de sinal de que o Chega está a conseguir ir buscar ao PSD pessoas com competência e não apenas suscetâneos de Maló de Abreu. Agora, dito isso, há coisas a explicar. Por exemplo, há apenas dois anos, Tiago Moreira de Sá dava entrevistas a elogiar aquilo que dizia ser a estratégia centrista e moderada de Rui Rio para o PSD. E se nessa altura, Tiago Moreira de Sá queria ser centrista e moderado, e se agora quer ser do Chega e pertencer ao grupo europeu dos partidos de Marine Le Pen e de Salvini, é porque alguma coisa mudou, e era bom que nos dissesse o que foi, e pode ser que durante a campanha nos explique.
Sim, e também, já que estamos a falar de eleições europeias, qual é a posição do partido em relação à Europa? Porque Le Pen e Salvini são tudo menos europeístas. Aliás, têm pontos de contacto com a extrema-esquerda também nestas questões. É interessante verificar isso.
É verdade. O André Ventura tem uma posição que me parece um bocadinho equívoca sobre este ponto. Parece-me que está num grupo que bate com algumas das coisas que ele nos diz. Ele esteve hesitante a dada altura sobre em que grupo é que o Chega ficaria, se ficaria neste grupo, se ficaria num outro grupo onde está, por exemplo, o partido de Giorgia Meloni. Optou por este. Portanto, é onde está. Não pode agora dizer que não tem nada a ver com aquelas pessoas que estão ali sentadas ao lado.
Hoje o bom é o Chega e quem é o mau?
O mau é Luís Montenegro. Ontem o Ministério Público pediu ao Parlamento o levantamento da imunidade de três deputados do PSD recém-eleitos para os constituir arguidos na chamada Operação Tutti Frutti. Dois deles, Luís Newton e Carlos Eduardo Reis, são suspeitos de corrupção. A terceira, Margarida Sá Vedra, é suspeita do crime de burla qualificada. E nesta história há uma coisa que eu não sei e há outra que eu sei muito bem. Eu não sei, obviamente, se Luís Newton, Carlos Eduardo Reis e Margarida Sá Vedra são culpadas ou não neste processo. Não sei, não sou polícia, não sou procurador, não sou juiz, não faço ideia. Agora, sei, para lá de qualquer dúvida, que estas pessoas nunca deviam ter sido convidadas para serem deputadas, tendo em conta que este processo estava em curso. Luís Montenegro, que falou muito sobre ética, também sabia tudo isto, sabia tudo o que se estava a passar. Mesmo assim, decidiu ceder ao aparelho do PSD e agora tem de passar por esta vergonha. Eu ia dizer que espero que sirva de lição, mas honestamente, tenho a certeza de que não serve.
Pois, e a tua esperança na humanidade é isto. Estás como tudo derrotado logo à partida. Sem esperança.
Paulo, sim. Resposta curta: sim.
Pronto, está bem.
Peço desculpa. Lamento.
Miguel, o teu vilão é Francisco Louçã por causa de Sebastião Bugalho.
É, o vilão é Francisco Louçã, porque o guru do Bloco de Esquerda decidiu ontem escrever sobre a escolha de Sebastião Bugalho como cabeça de lista da AD às europeias. Enfim, ali pelo meio, decidiu dar lições aos jornalistas sobre como devem exercer a sua profissão, coisa que me divertiu, mas eu agora não vou estar preocupado com isso. Eu não sou particularmente adepto de ter jornalistas a andarem de um lado para o outro, da política para o jornalismo e vice-versa. Não é coisa que eu adore. Dito isso, como se sabe, Francisco Louçã gosta muito de usar expressões como "perderam a vergonha" e fez isso agora também, claro, não ia estar agora a desiludir-nos não usando expressões dessas. Mas para lá disso, houve duas coisas que me fizeram espécie no texto que Francisco Louçã publicitou nas redes sociais. A primeira é que Francisco Louçã criticou aquilo que disse ser a mixórdia e criticou Marques Bentes e Paulo Portas por terem espaços de comentário personalizado na televisão, ao mesmo tempo que participam em iniciativas partidárias. Mas esquece-se que também ele está sempre em iniciativas partidárias e manteve, ao mesmo tempo, um espaço de comentário personalizado na televisão a que deu o pomposo nome "O Tabu de Francisco Louçã". Até acho que aparecia assim na assinatura dele, uma coisa muito bonita. Enfim, ele lá esteve a fazer as duas coisas. O segundo ponto que me fez espécie é que Louçã critica duramente jornalistas que saltam do documentário para a política, lá está, coisa que eu também não aprecio, mas esquece, talvez, de falar do exemplo de Fernando Alves, que em pouquíssimo tempo saltou da redação da TSF para comícios do Bloco de Esquerda e para um podcast, até com Francisco Louçã, promovido pelo Bloco de Esquerda. Francisco Louçã é um moralista, já sabemos isso há muito tempo, mas não há nada pior do que um moralista sem moral para falar.
E cá está, de facto, a razão para tu não teres esperança nenhuma na humanidade. Tens razão, Miguel.
Entre outras, Paulo. Posso-te dar outra razão para não ter, porque é que sempre que eu ponho a roupa a secar, chove.
Essa é invencível.
Se isto não é um sinal de que não há esperança, de que mais é que nós estamos à espera?
É verdade.
Vamos então ao resumo. O bom desta quarta-feira é o Chega, o mau é Luís Montenegro e o vilão de hoje é Francisco Louçã.