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Arranca agora mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360, que já sabe que também pode ouvir em podcast. Bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia, Maria João.
Bom dia, Miguel. Quem é o bom de hoje?
O bom de hoje é o PSD. O PSD por vezes pode não saber fazer oposição, mas pelos vistos, de vez em quando até sabe fazer perguntas. Em novembro, numa altura em que o primeiro-ministro decidiu processar judicialmente o ex-governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, precisamente por causa do livro "O Governador", do jornalista do Observador, Luís Rosa, nessa altura, o PSD fez 12 perguntas a António Costa sobre o BANIF e sobre Isabel dos Santos. Por essa altura, lembramo-nos todos bem, o primeiro-ministro estava a reagir de forma tão rápida e tão decisiva a todas as polémicas, que uma pessoa inocente imaginaria que a resposta às 12 perguntas demoraria umas 12 horas, no máximo 24. Mas não, ao fim de um longo mês, António Costa decidiu pedir mais tempo, argumentou que, e vou citá-lo: "Está ainda em curso a recolha de informação para resposta às mesmas, que se reveste de alguma complexidade por reportar a acontecimentos ocorridos há mais de seis anos." Portanto, num dia o primeiro-ministro lembra-se ao detalhe do que aconteceu seis anos antes e até avança para processos em tribunal, e depois no dia seguinte já não se lembra de nada e tem que recolher informação para lhe voltarem à memória os detalhes. Eu acho que o PSD é capaz de ter acertado em alguma coisa com estas 12 perguntas.
Parece que sim. E entretanto também ficámos sem saber se o tal processo contra Carlos Costa sempre avançou.
Pois, não se soube mais nada sobre isso. Parece que os advogados estavam a recusar.
A recolher a informação também.
Mas eu acho que aqui a oposição se calhar pode aprender com isto. É muito diferente tu responderes a uma pergunta assim oralmente.
Com os microfones à frente, claro.
Mesmo que isso fique registado e mesmo que volte a passar, do que ser escrito. Realmente quando as coisas têm que ser escritas há um grau de compromisso muito maior e por isso, se calhar, a oposição pode ter apanhado aqui alguma coisa que pode no futuro embaraçar o primeiro-ministro. Começar a fazer mais perguntas por escrito. Eu acho que pode ser um bom instrumento.
O bom é o PSD, quem é o mau?
O mau é Fernando Medina. Primeiro, o ministro das Finanças disse-nos que não sabia nada do que se tinha passado há poucos meses com a sua secretária de Estado na TAP. Depois decidiu fazer perguntas à TAP sobre o enquadramento jurídico em que se deu a saída de Alexandra Reis da empresa, como se o futuro da secretária de Estado no governo estivesse dependente da legalidade ou da ilegalidade da sua saída da companhia aérea. E ontem, depois de a TAP responder jurando que a lei foi cumprida até ao mais pequeno detalhe, Fernando Medina olhou para o papel, esperou umas horas e decidiu que afinal, depois de ter mandado tudo para a Inspeção-Geral de Finanças e para a CMVM, decidiu que afinal a legalidade ou ilegalidade não era o mais importante. Decidiu que o que está em causa é, e vou citá-lo: "A autoridade política do Ministério das Finanças e decidiu demitir a secretária de Estado." Mas se era para demitir Alexandra Reis por razões políticas, não era preciso esperar pelo fim da noite de ontem para fazer nada. Isso podia e devia ter sido feito no sábado, quando saiu a notícia, ou no domingo, ou na segunda-feira. Houve muito tempo para o ministro das Finanças fazer a avaliação política. Muitas pessoas fizeram essa avaliação política antes dele e portanto, vemos que Fernando Medina chegou à conclusão certa, mas demorou tempo demais e isso é fatal para um político, e ainda não explicou. Ainda não explicou como é que contratou para secretária de Estado alguém cujo percurso profissional recente, pelos vistos, desconhece ou diz que desconhece, já não sei se desconhece ou não desconhece. Enfim, acho que Fernando Medina e Pedro Nuno Santos, ambos ainda vão ter muito que explicar sobre isto.
Sim, o caso ainda está a começar e não acaba com a demissão da secretária de Estado. É o que está em jogo.
Eu espero que sejam mais rápidos a tomar uma posição sobre o futuro da CEO da TAP, que eu presumo que depois disto...
A CEO, o chairman e o ministro Pedro Nuno Santos, provavelmente perceber quem é que sabia o quê daquela rescisão.
Já está a saber de mais, ó Paulo. Quer dizer, eu estava aqui a falar da CEO e tu já vais ao chairman, ao ministro. Tem mais.
Cadeia de comando.
Cadeia de comando.
Pronto, Miguel, eu não digo mais nada.
Vamos então em frente, vamos ao vilão. Coitadinho do Paulo.
O vilão, por falar em cadeia de comando, o vilão é António Costa, onde a cadeia de comando termina com a sua maioria absoluta. O primeiro-ministro construiu um governo cujo grau de trapalhada política já só se compara ao longínquo governo de Pedro Santana Lopes, que como se sabe acabou despedido por um presidente da República no final de uma deprimente sucessão de casos, de casinhos e de escândalos. António Costa gabou-se na já célebre entrevista à Visão de estar a assistir com prazer às desistências sucessivas dos seus opositores políticos, partido a partido. Mas na verdade, este PS não precisa de temer os líderes atuais ou antigos do PS, do PCP, da Iniciativa Liberal ou de outros que venham a mudar a liderança. A grande ameaça a este PS é a sua própria incompetência, a sua própria indulgência e a sua própria soberba. Não há país que aguente quatro anos disto. Eu bem sei que nós somos um país especial, mas vai ser quatro anos disto, à média de um governante por mês.
Queres que eu te cite Fernando Henrique?
Vamos a isso, Paulo. Eu a primeiras pensei que ias citar Fernando Pessoa.
Eu sei, por isso penso que não.
Mas a esta hora pode ser Fernando Henrique. Fernando Pessoa fica para mais tarde.
Aguenta.
Muito bem. A cadeia de comando aguenta.
A cadeia de comando aguenta. Vamos então ao resumo. O bom desta quarta-feira é o PSD, o mau Fernando Medina e o vilão de hoje é António Costa. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 da Rádio Observador e que também pode ouvir mais tarde em podcast.