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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador e sempre com Miguel Pinheiro. Fala, Miguel. Bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Miguel, o teu bom é algum PS. Algum, não é todo.
É só algum, é só aquele PS que mantém a lucidez. Ontem o jornal Público revelou mensagens colocadas num grupo do WhatsApp pela líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Almada a propósito da falta de água, e Débora Rodrigues diz, entre outras coisas, isto: "Enquanto líder da bancada da Assembleia Municipal, concluo que o PS não tem condições de manter a situação política atual por muito mais tempo." E depois diz ainda isto: "Os cargos políticos de liderança exigem o assumir de responsabilidades." O que aconteceu em Almada é muito simples de entender. Em 2026, por causa da incompetência dos políticos, milhares de pessoas ficaram sem água nas torneiras. E isto é impensável e é indesculpável. O PS pode achar que a culpa é do vizinho, que a culpa é do Passos ou que a culpa é do Trump, mas obviamente, não há nenhum presidente da câmara que recupere disto. E o PS fazia melhor em entender isso e começar a tratar da vida. Em vez de ficar a achar que está tudo bem e que vai ficar tudo bem.
Miguel, e é curioso que quando há polémicas com ministros e problemas com ministros, a oposição é normalmente muito lesta a pedir, a exigir a demissão, mas quando se trata de presidentes de câmara, nem sempre isso acontece. Não sei se será dois pesos e duas medidas, mas parece que somos menos exigentes com os presidentes de câmara, mesmo que os problemas até por vezes sejam mais graves.
Pode haver isso, mas eu de facto não vejo como é que o presidente da Câmara de Almada vai ficar a exercer o cargo até ao fim. Não estou a ver muito bem como é que isso é possível, mas o PS lá saberá. Algum PS lá saberá.
Então e quem é o teu mau?
São as nossas forças de segurança. Ontem o Parlamento ouviu à porta fechada a Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna, por causa das falhas de comunicação, naquele caso, dos planos contra o primeiro-ministro por parte do movimento Armilar Lusitano. E nessa audição confirmou-se que a Secretária-Geral acha normal que o primeiro-ministro não fosse informado de nada, acha normal que o corpo de segurança pessoal do primeiro-ministro não fosse informado de nada e acha normal que a Unidade de Coordenação Antiterrorismo não fosse informada de nada. Portanto, todas estas pessoas ficaram a saber pelos jornais e pelas rádios que um grupo organizado tinha um plano para lançar uma espécie de granada à casa particular do primeiro-ministro. Segundo parece, os deputados não ficaram descansados com estas respostas. E ainda bem que nem toda a gente acha isto normal, porque a dada altura somos nós que parece que estamos tolinhos por acharmos que isto é tudo muito anormal. Mas olha, haja alguém que vá continuar a fazer perguntas.
Reforça a importância de se ler jornais, de se ouvir a rádio, de estar atento à comunicação social, porque é aí que estão muitas informações.
Ora nem mais. Não vale a pena. Em vez de estarem à espera do sistema de segurança interna, oiçam a Rádio Observador. É a lição.
Miguel, o teu vilão é outra vez Luís Neves.
Sim, porque nós continuamos a ter novidades desagradáveis sobre as obras no monte do ministro da Administração Interna. Nas entrevistas que deu a televisões no domingo à noite, Luís Neves, que se calhar achava que arrumava o assunto assim. Dava três entrevistas e arrumava o assunto. Mas ele desvalorizou repetidamente aquilo que o seu amigo empreiteiro anda a fazer no seu monte do Alentejo, insistindo que estão apenas em causa, e ele dizia isto com um sorriso: "Meu Deus, são três paredes, uma casa de banho mínima, um alpendre e um tanque." Quer dizer, um tanque? Imaginem lá, alguém que está agora preocupado por causa de um tanque. Mas ontem a TVI e a CNN mostraram imagens do tanque do ministro e macacos me mordam. Se aquele tanque não é igualzinho a uma piscina, é cuspide e escarrar, como se costuma dizer. É igualzinho!
Às vezes as pessoas em diferentes regiões usam palavras diferentes.
Deve ser, mas eu parecia que estava com aquelas coisas que antes havia nos jornais, do descubra as diferenças. Está aqui um tanque, está aqui uma piscina. Agora descubra as 10 diferenças.
Se calhar é um tanque que gostava muito de ser piscina.
Identifica-se como piscina. Ou uma piscina que se identifica como tanque.
É por aí.
Mas além disso, nós continuamos a não conhecer a forma como o ministro pagou ao empreiteiro amigo. Ele nas entrevistas também disse: "Tinha outras coisas pra fazer, estava muito ocupado." O contabilista estaria não sei aonde e pelos vistos também é difícil contactar bancos. Também não temos mais detalhes sobre a falta de pedido de licenciamento. Na entrevista, o ministro disse que achava que não era preciso licenciamento, mas pelos vistos agora vai pedir o licenciamento. Também não entendi. Achava que não era preciso, mas agora já acha que é preciso. Não se percebeu, mas ele também não esclareceu. Enfim, há muitos temas que falta esclarecer, mas perante todas estas dúvidas, o que o ministro fez? O que ele achou que era bom fazer? Qual era a boa medida a tomar? Decidiu dar ordens ao seu gabinete para responder da seguinte maneira aos jornalistas abelhudos. Parece que anda aí muito jornalista abelhudo. E a resposta foi, vou citar: "A intervenção na propriedade em causa ainda se encontra em curso e, uma vez concluída, será reunida e disponibilizada toda a documentação final que se revele pertinente. Até lá, não serão feitos mais comentários sobre este assunto." Portanto, vamos ter que esperar pelo fim das obras, sendo que as obras, segundo o próprio ministro, deveriam ter estado prontas em três meses e já lá vão dois anos. Por isso, se calhar daqui a dois anos acabam as obras e depois, no final disso, o ministro decidirá o que é pertinente e o que não é. Ele logo verá. "Olha, isto é pertinente, eu respondo, aquilo é impertinente, eu não respondo." E até lá, silêncio. O ministro da Administração Interna acha mesmo que pode ser ele a decidir quando é que as pessoas deixam de fazer perguntas sobre este assunto. E a mim, parece-me que Luís Neves não está a ver bem o filme.
Se calhar está. É aquele filme o Titanic, mas numa piscina.
Eu acho que o Titanic numa piscina não. Bom, numa piscina talvez resulte. Num tanque eu acho que não resulta, mas numa piscina, se calhar resulta. Pode ser que seja isso.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é só algum PS, o mau são as nossas forças de segurança e o vilão de hoje é Luís Neves. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.