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É hora de conhecermos as escolhas do Miguel Pinheiro. Olá, bom dia, Miguel.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o teu bom de hoje?
O bom é a juíza do caso Sócrates, que continua a precisar de ter doses maciças de paciência. Ontem foi a vez do advogado do arguido José Sócrates fazer uma cena. Estava a falar-se sobre a operação que alegadamente foi montada para alegadamente fazer compras alegadamente maciças de um livro assinado por Sócrates com o objetivo, que era um objetivo alegadamente do próprio Sócrates, de vender mais exemplares do que José Rodrigues dos Santos. Era o sonho de menino, era escrever ou assinar um livro que vendesse mais do que José Rodrigues dos Santos. E durante o depoimento de uma testemunha, o advogado Pedro del Lil exaltou-se e disse coisas como: "Posso ir-me embora, deixo aqui a toga e não dou o sub-restabelecimento a ninguém, porque é a minha vontade." O sub-restabelecimento é não deixar ali advogado nenhum. Vai-se embora e não fica ninguém a representar José Sócrates. Ou então também disse esta, também é boa: "E acha que tenho de estar aqui de bico calado." Ai, ai. Perante este melodrama todo, a juíza disse isto ao advogado: "Além de perturbar o procurador, está a perturbar a testemunha. Há partes é no Parlamento, não é aqui." E foi muito bem dito. O plano de Sócrates é, sempre foi e continua a ser transformar o julgamento numa balbúrdia. Se não é ele, é o advogado, e só a juíza é que pode impedir isto.
E é preciso uma paciência, de facto.
De santo.
De santo. Vamos ver se o Parlamento reage.
Precisamente.
Miguel, o teu mau é José Luís Carneiro.
Sim, porque ontem o líder do PS decidiu falar aos jornalistas sobre imigração, depois do governo ter emitido um comunicado sobre a libertação dos migrantes. Aqueles senhores foram intercetados no Algarve. Entretanto, foram libertados porque foi ultrapassado o prazo máximo de detenção e ainda não chegou ao fim o processo de afastamento do território nacional. Estamos à espera de perceber, afinal, se é possível expulsá-los ou não. Entraram, obviamente, ilegalmente. E José Luís Carneiro disse o seguinte: "Eu julgo que o governo, com o tempo, vai tomar conta da realidade, vai perceber que a realidade sobre a imigração é diferente. Vamos ver quem tem razão", disse José Luís Carneiro. E eu fiquei baralhado, porque eu já não percebo nada. Mas afinal, o PS acha que há um problema de imigração em Portugal ou não? O PS concorda com o fim da chamada manifestação de interesse como forma de entrar em Portugal, ou não? É que António Costa achava que estava tudo bem. Depois, veio Pedro Nuno Santos para o PS, achava que havia um problema. Agora temos José Luís Carneiro e eu, honestamente, não sei. O PS acredita em quê? O PS quer fazer o quê? Qual é a política que o PS defende? O que o José Luís Carneiro diz? "Vamos ver quem tem razão." Pronto, mas para irmos ver quem tem razão, tem que haver duas posições. Qual é a posição do PS? Eu não faço ideia. Acho que se o José Luís Carneiro pudesse perder só um minuto ou dois a explicar-nos, eu agradecia.
Mas olha, tu não fazes ideia, provavelmente o José Luís Carneiro também não faz ideia da posição que há de ter. Portanto, olha, ficam assim todos.
Não acredito, Paulo. Não acredito. Eu vejo ali um líder, vejo ali alguém com convicções fortes. Agora só é preciso explicar-nos qual é.
Miguel, o teu vilão quer falar.
É, quer falar. Precisamos de falar. É o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Hoje o sindicato começa a organizar um ciclo de plenários. Este ciclo de plenários vai ter lugar em todo o país e, claro, vai afetar o funcionamento dos tribunais, tirando os assuntos mesmo urgentes, como por exemplo, processos relativos à proteção de menores. Parece que as coisas vão parar. E vão parar por quê? Porque o sindicato, eu vou citar, devíamos ter aqui uma música de violinos. Isto foi mal pensado. Imaginem, peço às pessoas, imaginem aquela música de elevador, de filme romântico de terceira categoria. O sindicato quer fomentar o diálogo e a participação ativa dos magistrados na definição de estratégias e de prioridades da classe. Portanto, não há nenhum problema grave, não há nenhum conflito laboral, não há nenhuma greve, não há nada. Simplesmente, os magistrados do Ministério Público querem falar uns com os outros. E como querem falar uns com os outros, os cidadãos que dependem da nossa Justiça, que já é lenta, vão ter de ficar outra vez à espera. "Olha, e pronto, vão lá então falar um bocadinho. Quando acabarem, avisem, para ver se voltamos aqui a tentar resolver estes problemas."
Também com atrasos de anos, mais e menos dias, o que é que importa, Miguel? Estás a implicar aqui.
Isso também é verdade. Mas pronto, arranjem um cafezinho, arranjem um chá, umas bolachinhas, que é para os senhores magistrados poderem estar ali a falar à vontade, bem sentadinhos. Pronto, não há pressa.