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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão" das manhãs 360, que já sabe que também pode ouvir a hora que quiser em podcast, sempre com Miguel Pinheiro. Fala, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. Quem é o bom desta quarta-feira?
O bom desta quarta é o Tribunal de Vila Real, que ontem condenou o ex-presidente da Câmara de Bursa, João Teixeira, a uma pena suspensa de três anos e meio de prisão por prevaricação e falsificação de documentos agravada. Atenção só a um ponto: eu não conheço este processo, portanto, não tenho opinião sobre a decisão concreta. E além disso, obviamente, o ex-autarca ainda pode recorrer desta decisão. Além do mais, também convém dizer que este processo diz respeito a fatos com 10 anos. Não foi ultrarrápido. Mas o que me interessa aqui não é tanto a decisão em concreto, é o processo. É perceber que, afinal, é possível investigar autarcas, é possível haver uma acusação, é possível haver um julgamento, é possível haver uma decisão. E se calhar, a Procuradoria-Geral da República, nomeadamente a procuradora que lidera o Ministério Público, podia tentar perceber por que este caso de Vila Real chegou até aqui, não é até o fim porque faltam recursos, mas chegou pelo menos a uma primeira decisão, enquanto outros casos continuam perdidos nas catacumbas do Ministério Público. Talvez fosse bom ver que aqui as coisas correram como é suposto correrem, ali não, o que se passou? É fazer disso um case study, basicamente. É isso. Como se diz em bom português. Como se diz em bom português. É um estudo de caso. Em Vila Real dá, em Lisboa não. Por quê? E depois ir tentar perceber se há aqui alguma coisa.
Então e quem é o mau?
O mau é o Miguel Cruz, o ex-secretário de Estado do Tesouro, que ontem foi ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP. Ele não é o vilão por ter feito alguma coisa grave ou por ter sabido de alguma coisa grave. Ele é o vilão precisamente pelo contrário, por não ter visto nada nem ter sabido de nada. Miguel Cruz, vejam lá, achava que Alexandra Reis e a ex-CEO da TAP se davam muito bem. Nunca notou nenhum mal-estar entre elas, quando todos sabemos hoje que as duas nem sequer conseguiam trabalhar em conjunto. Miguel Cruz também achava que Alexandra Reis tinha mesmo renunciado ao cargo na TAP por sua exclusiva vontade. O inocente. Hoje sabemos todos que a antiga administradora foi empurrada pela CEO da empresa. Aliás, Miguel Cruz só soube da renúncia quando um assessor lhe ligou a dizer que tinha saído um comunicado da CVM, e só soube do valor da indenização quando os € 500 mil saíram no correio da manhã. Miguel Cruz também achava que tinha uma relação muito próxima com o ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, e diz que não houve um único sinal de que a TAP tinha um impedimento em contactar as finanças, quando, na verdade, todos agora conhecemos o e-mail de Hugo Mendes pra ex-CEO da TAP a ordenar-lhe que não falasse com as finanças. Portanto, Miguel Cruz foi o secretário de Estado com a tutela da TAP no Ministério das Finanças, mas passou-lhe tudo ao lado. E, portanto, eu não fico muito admirado quando depois vejo que as coisas acabaram assim. Atenção, ele disse que dedicava cerca de 50% do seu tempo, enquanto secretário de Estado, precisamente com a TAP. E os outros 50% pra todos os outros assuntos. Imagino o que não se tenha passado noutros dossiers, se esse tinha metade da atenção dele. Ô Paulo. Achas que não. Vamos de primas. Pronto, ok. Vou ficar caladinho agora. Estava a correr tão bem. A manhã estava a correr tão bem. Estamos aqui, toda a gente muito bem disposta e tu agora, pimba. Ponte a pé na boca.
Até amanhã seguimos em frente. Vamos ao vilão.
Vamos a isto.
É melhor.
Vamos ao vilão. Estávamos no mau, vamos pro vilão. Achas que não vai piorar, Maria João? A sério.
Desde que não haja mais ponte a pés na boca.
Estás muito otimista. O vilão é o governo. Supostamente, a partir de amanhã, passaria a ser proibida a utilização daqueles sacos de plástico muito levezinhos, que normalmente existem nos supermercados pra levarmos a fruta, os legumes ou o pão. Por acaso, pro pão agora já começa a ver outras coisas. Mas enfim, ia ser proibido a partir de amanhã. Temos que salvar o planeta, mas o governo recuou. Recuou porque aparentemente as empresas de retalho explicaram ao governo e convenceram o governo com os seus argumentos, fizeram ver que não há boas alternativas ecológicas àqueles sacos e as empresas fizeram ver também ao governo que as soluções que existem poderiam até pôr em causa a segurança alimentar. E o governo, pelos vistos, depois de decidir, foi ouvir e convenceu-se. Muito bem, a história podia acabar por aqui. Mas não acaba por aqui, porque como o governo não conseguiu impor uma solução às empresas, foi fazer o quê, então? É simples, virou-se pros consumidores. Como é evidente, não podia deixar de ser de outra forma. Segundo o Jornal de Notícias, em vez de proibir a utilização dos sacos, o governo vai passar a taxar a utilização de sacos. Portanto, vamos lá ver se percebemos todos bem isto. Não há uma boa alternativa ecológica e segura aos sacos. Não existe, mas alguém tem que pagar. E, portanto, os clientes é que vão ter que pagar. Pra este governo, realmente, salvar o planeta é só mais uma desculpa pra criar novas taxas e taxinhas. Portanto, já sabem, muito em breve, ir ao supermercado vai custar mais caro. É impressionante, de fato, como é que se chega a este ponto. É assim, damos cabo do planeta, mas ao menos ficamos ricos, não é? Sim. Nós, o Estado fica rico. Isto já deu uns milhões ao Estado. Mas portanto, ô Paulo, pras empresas não há uma boa solução, mas pros clientes tem que haver. Eles que se safem. Claro. Se não querem pagar, que se safem. Não sei, levem também um saco. Gostava de saber, se as pessoas levarem um saco seu de casa...
E como é que distinguem? Um saco plástico...
E depois aquilo é pesado como? E se aquele saco é mais pesado, se vão pesar com o saco. Enfim, enquanto tudo isto se passa. Estás a complicar, Miguel, paga essa taxa e acabou. Ô Paulo, eu não estou a complicar, mas eu este fim de semana tenho que ir fazer as compras do mês e estou aqui a ver como é que vou resolver isto. Não me apetecia estar a pagar. Não me apetece. Pronto, está bem, eu pago.