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8:21 é hora do "O Bom, o Mau e o Vilão" nas manhãs 360 com o Miguel Pinheiro. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Vamos lá ao bom desta sexta-feira.
Vamos ao bom desta sexta-feira. Está quase o fim de semana, não é?
Exatamente.
Então o bom de hoje é António Costa, que ontem conseguiu uma grande vitória na questão do tempo congelado que os professores querem recuperar. Em maio, o PSD e o CDS deixaram-se enrolar numa enorme confusão em que apareceram ao lado do PCP e do Bloco para dar um presente a Mario Nogueira e depois António Costa conseguiu fazer aquele número político em que os encostou à parede. E ontem o Parlamento discutiu outra vez o assunto e percebemos que o PSD e o CDS fizeram um autêntico flic-flac à retaguarda. Eles voltaram a dizer que a recuperação desse tempo é, e vou citá-los, de elementar justiça, mas, e este é um enorme mas, disseram também que isso só pode ser feito se for garantida a sustentabilidade financeira e se houver uma revisão da carreira docente. São dois ses muito importantes. E, portanto, olhando para isto, ouvindo isto, lembrando o que aconteceu na célebre foto daquela madrugada em que estava direita e esquerda todas juntas a olhar para uns papéis e do mesmo lado. Nós concluímos que o PS conseguiu mesmo pôr o PSD e o CDS na linha.
E o PSD e o CDS, na altura, perderam uma boa oportunidade para estar quietos. E se o tivessem feito, talvez não tivessem tido o resultado eleitoral que tiveram depois. Mas enfim.
Sim, foi o mais rápido suicídio político da história, aquela madrugada.
Miguel Pinheiro, quem é o mau de hoje?
O mau de hoje é Marcelo Rebelo de Sousa. Esta semana o presidente recebeu André Ventura em Belém. Já falámos um bocadinho sobre isso ontem. Eles falaram sobre o orçamento, o presidente recebeu os partidos todos e como sempre acontece nestas situações, houve uns minutos para os jornalistas fazerem imagens. Mas nesse período, que normalmente é ocupado com conversa de circunstância, Marcelo Rebelo de Sousa disse isto, fez uma piada, fez uma graça e disse qualquer coisa como: "Então, o que me diz a este tempo que se estragou? Eu tencionava a seguir a recebê-lo ir passear, mas pensei aqui para mim: isto é uma vergonha." E riram-se todos com a piada política do presidente. Ora, Ferro Rodrigues não teve nenhuma razão na forma como repreendeu André Ventura no Parlamento por usar a palavra vergonha, mas aquilo que se viu nas televisões foi ainda pior quando olhámos para estas imagens que foram transmitidas ontem. O que nós vimos foi a primeira figura do Estado atirar, em plena televisão, o tapete à segunda figura do Estado.
E à forma de Marcelo, como quem serve uma vichyssoise.
Exato, é isso mesmo. Por falar nisso, hoje, atenção, vichyssoise à hora de almoço.
Exatamente.
E ao menos que houvesse vichyssoise que sabia bem, ficava o estômago mais aconchegado.
Sim, aqui foi mesmo a frio, não foi só sopa fria.
Exatamente, foi a frio. E só fica a faltar o vilão.
O vilão é Graça Fonseca. A ministra da Cultura foi ontem ao Parlamento falar sobre as polémicas da RTP e para criticar as acusações que o PSD fez à anterior direção de informação, expôs uma tese que mistura conspiração com o absurdo. Graça Fonseca disse, e atenção que sou eu a citá-la, ela disse isto: "Eu também me questiono se o que está em causa não é criar uma situação de desestabilização para denegrir a RTP e criar condições para voltar a defender a privatização da RTP." Eu já disse aqui que a RTP perdeu uma diretora de informação séria e independente, que era a Maria João Pedroso, e também já disse aqui que Rui Rio politizou este caso de forma condenável, mas dizer que tudo isto é uma estratégia do PSD para privatizar a RTP, pura e simplesmente desafia o bom senso. Se Rui Rio politizou este caso, e de facto politizou, então ontem a ministra politizou ao quadrado.
Vamos então ao resumo desta edição. No papel de bom temos António Costa, o mau desta sexta-feira é Marcelo Rebelo de Sousa e no papel de vilão temos a ministra da Cultura, Graça Fonseca. E assim chegamos ao fim de O Bom, o Mau e o Vilão com o Miguel Pinheiro. Todas as edições podem ser ouvidas no site do Observador e sempre em podcast.
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