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Junta-se agora a nós o Miguel Pinheiro para o Bom, o Mau e o Vilão. Bom dia, Miguel. Vamos ao bom desta terça-feira.
Bom dia. O bom desta terça é António Sales, secretário de Estado da Saúde. Na conferência de imprensa de ontem, António Sales mostrou vários gráficos para provar e mostrar que as autoridades estão a aumentar o número de testes que são feitos todos os dias. Eu já falei desta questão dos testes ontem, por causa da atuação do Ministério do Trabalho e da Solidariedade nos lares. Mas agora vemos que também o Ministério da Saúde se converteu, finalmente, à necessidade de fazer o maior número de testes possível. Vendo que isto já não é uma questão apenas de um ministério ou de dois ministérios, e que o ministério que está à frente e no centro deste combate também acha isto. Olhando para isto, percebemos que acabou de uma vez por todas aquela ideia bizarra de que fazer muitos testes podia ser inútil ou até prejudicial.
Provavelmente chegaram agora aos testes, não os tinham, não é?
Eu suspeito que isso é capaz de ter alguma coisa a ver com o assunto, Paulo. Suspeito.
Uma leve suspeita.
Uma leve suspeita.
E vamos ao mau desta terça-feira, Miguel.
O mau desta terça é Graça Freitas. A Diretora-Geral da Saúde revelou, na sua conferência de imprensa diária, que uma cerca sanitária no Porto estava a ser equacionada naquele preciso momento e disse até que provavelmente seria tomada uma decisão ainda ontem. Esta frase tem dois problemas graves: um é que, como se percebeu rapidamente, nenhuma autarquia ou autoridade local sabia de nada. O outro problema grave é que os habitantes do Porto ficaram a saber de uma medida que podia estar iminente, o que corre o risco de arruinar a eficácia da própria medida, porque as pessoas que deveriam ficar nas suas casas podem ter a tentação de sair para outras zonas do país, podendo levar consigo o vírus. Ou seja, resumindo, quem devia saber, não sabia e quem não deveria saber, ficou a saber. E o pior é que depois de dizer o que disse, Graça Freitas entrou em silêncio durante o resto do dia. A Diretora-Geral da Saúde tem muitos problemas técnicos para resolver, sabemos disso. Isto é uma altura complicada, mas não pode nunca esquecer que também é responsável por resolver problemas políticos como este.
E Miguel, resta-nos o vilão.
O vilão é Rui Moreira, que respondeu a esta confusão sobre a cerca sanitária como se fosse um líder de fação. Além de todas as críticas legítimas à atuação de Graça Freitas, soltou uma frase fatal. Ele disse: "A Câmara do Porto deixa de reconhecer autoridade à senhora Diretora-Geral da Saúde." Quase como se a estivesse a demitir do cargo para cima. Não é a primeira vez que Rui Moreira cai na tentação regionalista ao tratar deste tema. A sua atitude tem sido a de um valente herói que defende as suas gentes contra o centralismo de Lisboa. E isto é perigoso por duas razões. A primeira é porque não é verdade. O Porto não está a ser abandonado à sua sorte pela chamada Corte de Lisboa. E a segunda razão é porque isto faz com que os portuenses acrescentem ao normal medo do vírus, um outro medo baseado em conspirações fantasiosas. Rui Moreira está a comportar-se como se fosse uma espécie de vice-rei do Norte, mas eu tenho uma novidade para Rui Moreira: ele não é o vice-rei do Norte.
Em jeito de resumo para o caso de não ter ouvido desde o início, o bom desta terça-feira é António Lacerda Sales, secretário de Estado da Saúde, o mau é Graça Freitas, a Diretora-Geral da Saúde, e o vilão é Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto. Foi o Bom, o Mau e o Vilão, as escolhas diárias de Miguel Pinheiro nas manhãs 360 da Rádio Observador. Olá, eu sou o Miguel Pinheiro. Obrigado por ouvir. Se gostou, pode subscrever este podcast e se gostou mesmo muito, pode partilhá-lo. Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio online e também em FM, 98.7 na Grande Lisboa e 98.4 no Grande Porto.