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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia. Bom dia. Bom dia, Miguel. O teu bom dia hoje é muito especial. Nós aqui não gostamos de ser umbigoistas, mas não vi outra maneira. O bom tem mesmo que ser os nossos ouvintes, porque ontem o Paulo lançou aqui um desafio e a resposta foi extraordinária. Tu não estavas cá, Maria João, por isso eu vou só relembrar rapidamente. Obrigada, Miguel. Eu estou sempre a pensar no outro, portanto, não tens que agradecer. Então, no primeiro dia de debate sobre o orçamento, apesar de ter avisos com números, avisos com cores e avisos com apitos, José Luís Carneiro não conseguiu completar a sua intervenção no tempo disponível, o que mostra uma enorme dificuldade em comunicar com eficácia. O líder do PS estava a fazer uma pergunta ao primeiro-ministro e a frase ficou a meio. Foi assim: "Se está disponível ainda pra avançar com caráter piloto, com os contra..." E ficou por aí. Nós ontem pedimos aos ouvintes pra nos enviarem aquilo que achavam que seria o final da pergunta. Fomos inundados de sugestões. Não estou a exagerar. Se calhar, estou um bocadinho. Mas vieram sugestões, eu escolhi três que nos chegaram. Há uma que eu excluí, porque não pode ser dita a esta hora, mas obrigado, António. O António sabe quem ele é. Obrigado. Não dá mesmo, peço desculpa. Então vamos a isto. Ana Farias aventa a possibilidade de José Luís Carneiro estar a reconhecer aquilo que a nossa ouvinte diz ter sido a destruição que o PS fez na educação com o fim dos contratos com escolas privadas e por isso a pergunta completa seria: se está disponível ainda para avançar com caráter piloto, com contratos de associação entre o Estado e escolas privadas. Eu acho que é uma hipótese boa, seria uma boa inversão de política do PS. E liga bem aqui os contratos. Não, liga perfeitamente. Está perfeito. José Esteves foi um bocadinho mais torcido. Então, segundo ele, a pergunta era esta: se está disponível ainda para avançar com caráter piloto, com contratos de fornecimento de um GPS para ajudar Mariana Mortágua a encontrar a noção. Está certo. Mauzinho. Mauzinho, mas eu acho que era uma hipótese. José Luís Carneiro que não adora o Bloco. Finalmente, o nosso ouvinte Bruno Ambrósio foi mesmo estudar. Isto é incrível. Foi mesmo procurar a resposta. Deu-se ao trabalho, Deus o abençoe, de ir ao site do PS, eu imagino o sofrimento, mas foi ao site do PS e encontrou um texto onde se revela a resposta. Então, o que José Luís Carneiro queria mesmo dizer era isto, cá vai: se está disponível ainda para avançar com caráter piloto, com os contratos territoriais de desenvolvimento. Portanto, contratos territoriais de desenvolvimento. A pergunta do líder do PS era muito chata. Tínhamos aqui alternativas melhores. Sim, era mesmo chato. Era assim que José Luís Carneiro queria acabar a sua grande intervenção no Parlamento, a falar em contratos territoriais de desenvolvimento. É chato. Mas enfim, obrigado a todos os ouvintes. Chegamos à verdade, é o mais importante. Nós aqui queremos verdade, queremos rigor e conseguimos isso. O Paulo está todo contente. Não, obrigado aos ouvintes, sem dúvida. Vamos ter que fazer isto mais vezes. Claramente. Acho que iniciamos aqui uma nova era no Bom, Mau e o Vilão. Um governo sombra de ouvintes. Cada um deles vai dar propostas políticas. Vamos lá. Então e quem é o teu mau? É Mariana Mortágua. Esta fase final da líder do Bloco de Esquerda tem sido penosa. Sozinha no Parlamento, com o mesmo peso político do PAN e do JPP, percebe-se que Mariana Mortágua preferia estar em qualquer lado menos ali. Acho que humanamente percebe-se. Ontem, no debate sobre o orçamento, ainda líder do Bloco, voltou a falar contra o IVA, contra os gastos militares, contra os bancos, mas de fato, nada daquilo funciona, nada daquilo resulta. Falta um mês pro Bloco de Esquerda mudar de líder. Vai ser um mês muito longo. Alguns finais são sempre difíceis, e este é um deles, sem qualquer dúvida. Provavelmente é tardio. Sim, é um mês. Um mês não deveria ser muito tempo, até porque, claro, estas coisas têm que haver aqui um período de transição pra ser responsável, mas de fato, cada minuto é um peso. Percebe-se isso na cara de Mariana Mortágua, deve ser horrível.

Miguel, o teu vilão é o LIVRE.

Pois é, olha, eu tenho vindo a falar disto. E como as pessoas que nos ouvem se lembrarão, Rui Tavares criou uma telenovela à volta da candidatura presidencial. O partido disse que ia ouvir os militantes sobre quem apoiar e depois, de surpresa, avançou o deputado Jorge Pinto, que obviamente tinha a cobertura da direção do partido. E o Observador escreveu aqui há uns dias, e eu falei aqui sobre isso, escreveu falando com fontes do partido. Como é óbvio, jornalismo. E escreveu que havia várias hipóteses pra sair disto, segundo nos disseram. Uma era não haver as tais primárias, porque ia surgir o Jorge Pinto. Outra era haver primárias, estar lá o nome de Jorge Pinto e de todos os outros candidatos da esquerda pra os militantes escolherem, onde estaria o nome de Jorge Pinto, o nome de Catarina Martins, o nome de Seguro e o nome de António Filipe, e as pessoas tinham que pôr uma cruzinha à frente de um deles. E haveria ainda uma outra hipótese que era haver primárias, mas só estar o nome de Jorge Pinto no boletim de voto, com a hipótese dos militantes dizerem apenas apoio ou não apoio. Era isto. Era isto, mas não era isto. Não aconteceu nada disto, porque com a sua infinita criatividade, Rui Tavares inventou uma outra opção. Isto é democracia a ser inventada. Então vá lá, o que ele inventou? E acho que as votações já estão a decorrer desde a meia-noite de hoje. O boletim de voto das primárias do LIVRE vai ter quatro questões. Primeira: o LIVRE deve ou não apoiar um qualquer candidato às presidenciais? Segunda questão: esse candidato, se quisermos apoiar alguém, deve ser Jorge Pinto? Terceira questão: o LIVRE deve ou não apoiar outro candidato da sua área política? Quarta questão, não é bem uma questão, é um faça você mesmo: quem achar que o LIVRE deve apoiar outra pessoa, em vez de ter uma lista com os nomes possíveis, portanto, Seguro, Catarina Martins ou António Filipe, tem um espaço em branco, e os militantes é que têm de escrever o nome que preferem. Só falta dizer que quem quiser escrever um nome tem que estar a fazer o pino enquanto segura um ovo com uma colher com a boca e enquanto faz a tabuada dos nove. Tem que fazer isso tudo ao mesmo tempo, não é só escrever o nome, só falta isto. Ao mesmo tempo que inventava este boletim de voto que parece o "Jogos Sem Fronteiras", e um boletim de voto onde as alternativas a Jorge Pinto estão e não estão ao mesmo tempo, a direção do LIVRE fez mais duas coisas. Atenção, isto não foi suficiente. Primeiro, no anúncio disto, escreveu, vou citar, que as candidaturas apresentadas até ao momento e identificadas como do campo da esquerda não representam a área política do LIVRE. Isto escreveu a direção. E depois acrescentou o seguinte, eu vou citar outra vez: o LIVRE deve declarar apoio à candidatura do camarada Jorge Pinto. Portanto, só faltou fazer um desenho.

Com umas setas a apontar.

Sim, com umas setas a apontar para o nome de Jorge Pinto e com uma fotografia dele ao lado do Rui Tavares, os dois muito sorridentes, a tirarem uma selfie. Só faltou isto. Desculpem, eu entusiasmo-me com a democracia interna. Desculpem, eu estou me a entusiasmar. Mas enfim, o que concluímos daqui é: Rui Tavares adora a democracia interna, desde que escolham o que ele quer. Se escolherem o que ele quer, vamos ter democracia.

O Paulo gosta tanto do tema que vai falar mesmo com o vencedor.

Não sei se vou. Isto está morto de alguma maneira.

Ó Paulo, isto está vivíssimo.

Não, Miguel, mas eu acho que o próximo passo no LIVRE vai ser: construa o seu próprio candidato. E então vais ter uns braços de um candidato, umas pernas de outras, umas ideias de um, umas ideias de outras, e cada um faz o Lego do seu candidato. Eu acho que isso é a democracia.

Um origami.

Está a falar de ideias.

Isto é que é uma democracia plena. Eu quero as ideias sobre educação do Jorge Pinto, mas quero o tom de voz do Seguro, por exemplo, e as ideias sobre defesa da Catarina Martins.

O Rui Tavares, se nos estiver a ouvir, acho que tem aqui uma grande ideia.

Miguel, regressas depois do meio-dia para mais um "Realpolitik" com o Sérgio Sousa Pinto. Do que vão falar hoje?

Vamos falar um pouquinho sobre o Bloco, tentar perceber se isto é uma crise passageira ou se o partido corre mesmo o risco de acabar agora depois desta liderança de Mariana Mortágua. Vamos falar também sobre a nova radicalização de André Ventura e sobre a aprovação do orçamento e da Lei da Nacionalidade. Aconteceram no mesmo dia, com partidos diferentes. Vamos tentar perceber o que isto quer dizer.

"Realpolitik" para ouvir, como sempre, depois do jornal do meio-dia. Quanto ao bom, ao vilão desta quarta-feira, o bom são os nossos ouvintes, o mau é Mariana Mortágua e o vilão é o LIVRE.