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E a nossa convidada para o ao vivo desta sexta-feira, a Inês Marques Lucas, é uma das revelações do ano na música nacional. Está aqui conosco em estúdio. Olá, Inês, bem-vinda.

Olá, obrigada por me receberem.

E muitos parabéns por este teu primeiro disco, "Horas Mortas". Já vamos falar um bocadinho sobre ele. Indo um bocadinho atrás, começaste por dar nas vistas no The Voice Portugal. Este trajeto de se fazer um programa de televisão de talentos, como é que foi essa experiência? Há quem goste muito, há quem não goste assim tanto.

Eu já tinha ido ao The Voice em 2013, quando tinha 18 anos, e passei a primeira fase. E depois saí logo nas batalhas, mas, na verdade, eu não estava preparada pra aquilo e dessa vez eu não gostei. E acho que me fez bem ir também para perceber se eu queria mesmo isto ou não.

Chegaste a alguma conclusão?

Na altura, pensei: não, isto não é pra mim.

Ah, bom.

Mas depois uma pessoa acaba por voltar. Eu acho que é um bocado difícil escapar. Pode não ser profissionalmente, mas a música continuou a fazer parte da minha vida.

Também já fazia antes.

Sim, sempre fez. Mas quando eu fiz 18 anos, foi quando entrei pra faculdade, foi um bocado difícil pra mim escolher o que eu queria seguir.

O que é que escolheste?

Escolhi audiovisual e multimídia, porque pensei que podia fazer videoclipes pra mim. Por isso, na verdade, fugi à música.

Tu querias produzir os teus álbuns.

Exato. E, na verdade, na altura, quando acabei o curso, acabei por preferir design gráfico, mas eu acho que a música sempre foi o sonho e a paixão.

Mas dessa segunda vez que foste ao The Voice, correu melhor, não é?

Desta segunda vez correu bastante bem. E na verdade, eu tive aulas de canto e depois voltei a ter aulas de guitarra e senti-me muito mais preparada para um programa de televisão, que por si só é um programa de televisão, não é um programa de música. E acho que às vezes é difícil perceber isso pra quem vai ao programa e só acha que vai pela música. Aquilo não é só música.

Não, é um show, não é?

Exato, é pra entreter. Mas pronto, desta vez correu bem e tive a sorte de ganhar bastante público. As pessoas seguiram no Instagram e correu bem. E na altura fiz a versão da Chaga que foi bastante falada. E depois quando saí do programa, achei que era a altura certa para produzir o álbum e finalmente, em 2023, ele está cá fora.

E agora é Horas Mortas, não é?

Agora chama-se Horas Mortas.

E este título diz alguma coisa sobre a tua inspiração pras canções? Estavas numa hora morta e decidiste...

Não a inspiração das canções, mas chama-se Horas Mortas exatamente porque o compus, escrevi e produzi nas minhas horas mortas. Ou seja, era sempre, saía da escola, ia fazer música, saía do trabalho, ia fazer música.

É um regime pós-laboral.

Exatamente.

Podia se chamar Pós-laboral.

É o meu segundo trabalho.

Próximo álbum é pós-laboral.

Não, espero que seja o horário de trabalho normal.

Começaste por aprender piano, mas agora estás numa relação com a guitarra, como vemos aqui.

Exatamente. Eu aprendi, sim.

Como é que nascem as tuas canções? É à guitarra?

É à guitarra, sempre.

E o piano, desapareceu da tua vida?

O piano não desapareceu, mas foi dos cinco aos 10 que aprendi piano e depois achei que era, não sei.

Acho que é mais fácil compor ao piano. Tenho sempre essa ideia.

Eu acho que depende do instrumento da pessoa. Eu acho que a teoria musical é mais fácil ao piano, porque é muito visual o instrumento. E a guitarra não é tão visual, mas não sei, dos 10 anos até agora eu toco é guitarra, por isso pra mim é muito mais natural compor à guitarra.

Estavas a falar do trabalho, compor. Já deixaste esse daytime job de design gráfico?

Ainda não.

Gostas das duas coisas? Gostas de acumular as duas coisas?

De acumular, não diria. Se eu pudesse, fazia só música, mas por enquanto, e é o primeiro álbum e ainda estou a começar.

Ainda não dá.

E no início ainda há um grande investimento.

Certo.

Acho que ainda tenho de voltar aos zeros e depois logo se vê.

Tens que chegar ao break even, eu imagino.

O objetivo é deixar o design ou só fazer design pra mim.

Eu tinha esta curiosidade, que alguém que trabalha em design gráfico deve ser mais picuinhas com os discos, com as fotografias que entram nas broncas capas. Tive esta intervenção nessa matéria?

Eu fui eu que fiz tudo.

Ok. Também não deixavas mais ninguém fazer, né?

A questão era: alguém mais teve intervenção nessa questão?

Não. Na parte gráfica, não. Fui eu que fiz tudo, mas por um lado é ótimo.

Há conta disso, não é? Poupas dinheiro.

Fica mais barato, sim, também. Fica em conta.

Por um lado é ótimo, por outro, se calhar, às vezes é preciso deixar outras pessoas fazer.

Mas no caso da produção, foi dividida entre ti e o Xoro?

A produção oficialmente foi o Xoro, mas nós fizemos juntos.

Foi um desafio pra ti no primeiro álbum também colaborares na produção?

Foi a primeira vez que eu colaborei com alguém. Já fiz música com muitas pessoas, mas era mais tocar umas coisinhas. Tive uma banda no secundário.

Como é que se chamava? Gosto sempre de saber o nome das bandas. Diz lá.

Sempre peço muito Tua mãe.

A tua mãe? Tua mãe.

Boa. Era: "quem é que vai tocar a seguir?" "A tua mãe."

É pá, gosto muito disso.

Estou a decorar.

Isso é bom. Melhor do que isto só ela ter uma cassete com uma atuação no liceu.

Não tenho.

E tu agora metias isso. Eu gostava mesmo de ver isso, era muito giro. Muito bem, deixa-me só terminar aqui olhando para algumas datas, porque tu amanhã estás em Chaves.

Exatamente.

E depois no próximo dia 8 é que há esse concerto então no Teatro Maria Matos em Lisboa.

Ainda há alguns bilhetes.

Por acaso fiquei com curiosidade. O próximo 8 já é este.

É quarta-feira.

Quarta-feira. Fiquei com essa curiosidade, porque tu fizeste alguns festivais no verão e nos últimos tempos. Como é que tu achas que a tua música vive melhor nestes ambientes indoor, numa sala, do que propriamente num festival, ou não?

É a primeira vez que eu vou tocar num teatro, por isso não sei bem.

Mas há um esforço de adaptação, pensaste nisso?

Há, porque as pessoas não vão dançar. A não ser que se queiram levantar.

Nunca se sabe.

Mas há sempre as avós que não se vão levantar.

E a tua mãe. E a tua mãe.

A tua mãe. Sim, a tua mãe era: "e esta música da tua mãe?" Porque dava sempre para tudo.

Isso é bom. Inês Marques Lucas, ouçam o álbum dela, chama-se "Horas Mortas". De resto, aqui na playlist do Observador temos em rotação duas canções, a do avesso e também "Não Restou Nada", porque eu não sabia qual gostava mais e acabei por escolher ter aqui as duas em rotação. Mas é a do avesso que trazes hoje aqui na tarde em direta rádio Observador. Há sempre música ao vivo à sexta-feira com os novos e com os consagrados autores da música nacional. Esta é uma das mais recentes e temos gostado muito das tuas canções do disco de estreia, "Horas Mortas". Inês Marques Lucas, o nosso palco é teu. Muito obrigado por teres vindo.

Muito obrigada.

E até dia 8 no Maria Matos em Lisboa.

Já não sei quem és, com quem te deitas ou quem rejeitas quando sais às dez. Já não sei ao que cheiras depois de um cigarro. Eu já não te agarro às sextas-feiras, às sextas-feiras. Como posso dormir sem saber com quem vais hoje à noite ao cais quando fores sair? Como posso dormir sem saber com quem danças ou os olhares que lanças quando fores sair? Já não te conheço, tu não eras assim. Estás do avesso ou será de mim? Já não te conheço, tu não eras assim. Estás do avesso ou será de mim? Já não sei quem és, com quem te dás ou quem vai atrás das tuas marés. Já não vejo o sorriso que dantes via brilhar todo o dia. Foste sem aviso. Já não te conheço, tu não eras assim. Estás do avesso ou será de mim? Já não te conheço, tu não eras assim. Estás do avesso ou será de mim? Já não te conheço, tu não eras assim. Estás do avesso ou será de mim? Já não te conheço, tu não eras assim. Estás do avesso.

Muito bom.

Obrigada.

Inês Marques Lucas na Rádio Observador, convidada esta semana do "O Lado Bom da Vida" ao vivo e a 8 de novembro podem vê-la ao vivo no Teatro Maria Matos em Lisboa. "Horas Mortas" é o disco de estreia. Obrigado. Cuidados técnicos aqui do Bernardo Almeida.