Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

À quinta-feira já sabe, falamos de filmes no lado bom da vida. Quem nos traz as melhores sugestões é a editora de multimédia do Observador, Catarina Santos. Bom dia, Catarina.

Bom dia.

Que sugestões nos trazes hoje?

Hoje trago várias, 35 pra ser mais precisa. Trinta e cinco pequenos filmes que nos permitem dar a volta ao mundo sem sair de casa e que foram eles próprios feitos sem sair de casa.

E onde é que está esse cesto cheio de filmes?

É verdade, é um cesto cheio de filmes e cheio de bilhetes pra viagens. Está tudo no site do Corona Short Film Festival. É uma iniciativa que, como o nome indica, nasceu nas circunstâncias atuais e que se descreve como o primeiro festival internacional de curtas-metragens em autoisolamento. E diz a organização: "Esperemos que seja o último". Este festival lançou um desafio a cineastas que estivessem fechados em casa e recebeu mais de 1200 curtas-metragens provenientes de 70 países. Foram selecionadas 35 e entre elas há uma luso-brasileira. Chama-se "Mulheres em Quarentena" e é assinada pela realizadora Bárbara Tavares, e está, juntamente com os restantes filmes em competição, disponível para visionamento e para votação do público até 24 de maio em coronashortfilmfestival.com.

O título parece bastante autoexplicativo, mas vamos ao engano, ou "Mulheres em Quarentena" é mesmo isto, mulheres em quarentena? O que nos pode dizer sobre isso?

É mesmo mulheres em quarentena. É o retrato de duas mulheres brasileiras que estão fechadas em casa com os filhos, uma em Brasília e outra em Lisboa. Agora, os pormenores mais curiosos. As filmagens foram feitas com os telemóveis das próprias personagens e enviadas à realizadora brasileira, que atualmente vive no Porto. Vamos ouvir um pequenino excerto do material recolhido.

Eu te amo muito e isso tudo vai passar. Você sabe que isso vai passar? Não sabe? Ele sente falta da vida como antes, de ir pra escola, de ir pro caratê e de sair pra fazer compra. Escuta bem o papai. Escuta bem o papai.

Esta que acabamos de ouvir é uma das mulheres retratadas. Ela tem um filho pequeno que não está a lidar muito bem com o confinamento, e então a dada altura decide deixá-lo ir às compras com o pai. A realizadora Bárbara Tavares contactou as amigas, recebeu mensagens de voluntárias de várias partes do mundo e a partir desse material construiu uma curta-metragem que chegou à seleção do festival alemão.

É uma seleção que inclui vários outros filmes de vários países, não é, Catarina?

É verdade.

Começaste por prometer uma volta ao mundo, portanto estamos à espera.

Têm razão, querem um bocadinho de jet lag, não é?

É isso.

Eu devo avisar que não tenho o talento de viajante da Filomena Martins, mas vamos tentar. Vamos a isso. Fazemos primeiro as malas para Itália, que é só mais uma hora de diferença, como costuma dizer a Filomena. Onde uma realizadora nos mostra o mundo à volta de sua casa, com as sirenes noturnas, os alto-falantes das autoridades a pedir para as pessoas ficarem em casa, o vento a bater nas árvores e, por fim, o silêncio absoluto das ruas vazias. O filme chama-se "The Cure and the Venom". E agora sim, vamos gastar milhas a sério. Descemos e fazemos perto de 4 mil milhas até a Índia, onde dois cineastas filmaram o abandono dos postos de trabalho, de trabalhadores migrantes das obras em frente à casa destes cineastas. Seguimos o elevador exterior de um enorme prédio em construção em Bombaim, ao som do anúncio do confinamento feito pelo presidente da Índia. As imagens mostram o antes e o depois daquelas ruas, e este chama-se "Meluah Overtime". Esta gestão de milhas que estou aqui a fazer não é a melhor, devo confessar, mas vamos saltar novamente quatro milhas para trás, pra aterrar à beira de um lago na Croácia, onde uma pessoa filma outra, que caminha de máscara e luvas, e vai inventando toda uma história, sussurrando para o telemóvel, sobre os percursos que a outra pessoa está a evitar enquanto passeia, porque decide virar numa rua e não na outra. Enfim, toda uma estratégia para matar o tempo, imaginando o que vai na cabeça dos outros. Quem nunca, não é? Esta é a história que está no filme "Person". Não sei se já estão cansados, se dá para mais algum bocadinho de passeio.

Dá.

Dá, sim. Até porque já temos a experiência do jet lag.

Sim, estão habituados a viajar.

Sempre acumula milhas.

E a andar pra frente e pra trás. Então vamos lá descer outra vez até ao Irão. E aqui podíamos aproveitar para ir ter com o realizador Jafar Panahi, que tem vasta experiência a filmar em casa, até porque esteve em prisão domiciliar durante vários anos e está impedido pelo governo iraniano de fazer filmes e de sair do país. Mas desta vez não vamos ter com o Jafar Panahi, vamos ter com a realizadora da curta "Don't Worry", que conta a história de uma adolescente que passa o aniversário sozinha em casa, amuada, aborrecidíssima, até que a mãe, que é enfermeira e que está a lutar na linha da frente contra o COVID-19, lhe aparece na televisão de surpresa. A nossa viagem fica por aqui, mas podem continuar a acumular milhas em coronashortfilmfestival.com.

Bom, que grande viagem. E disseste, Catarina, que o público pode votar nestes filmes. O que os vencedores vão merecer?

Este prêmio do público vai render €500 e o grande prêmio, atribuído por um júri de atores e cineastas, terá um valor de €1500. No início dessa página, onde se pode ver os filmes e onde se pode votar, a organização esclarece que o festival nasceu sem orçamento e sem fins lucrativos, e apela, por isso, a quem quiser contribuir de alguma forma, que canalize a sua solidariedade, fazendo antes uma doação aos Médicos Sem Fronteiras.

Que excelente! Só boas propostas e ainda um lado bom interativo.

Sim, têm muitos mais filmes para ver.

A jornalista e a editora de multimédia do Observador, Catarina Santos. Obrigada, Catarina. Até pra semana.

Obrigada. Um bom dia.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.