Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E hoje recebemos na Rádio Observador o diretor do NOS Alive e da promotora de espetáculos Everything Is New, Álvaro Covões. Muito bem-vindo.
Olá.
Olá, tudo bem?
Tudo bem. Boa tarde.
Boa tarde. Estamos a uma semana do NOS Alive. Uma semana não, a menos de uma semana.
Seis dias.
Seis dias. Eu imagino que faça a contagem crescente. Será já dia 11 de julho, vai até o dia 13. Quem passa pelo Passeio Marítimo de Algés tem visto a evolução da construção, como é o meu caso. Muitas vezes vou ali para a praia, na linha de Cascais, e tenho visto cada vez mais a evolução. Como é que está a correr? Já está quase tudo terminado, certo?
Sim, já estamos nos acabamentos finais decorativos e portanto quase prontos para abrir portas.
O que é que começa primeiro? É o palco, o pórtico? Qual é a primeira coisa a ser montada?
A primeira coisa a ser montada é o palco NOS. Depois começamos a montar tudo o que tem a ver ligações à rede de esgotos para montar as casas de banho. E depois, por sua vez, os camarins dos vários palcos e depois as tendas do palco Heineken, do palco TF Clubbing e do palco Comedia, depois o Coreto e depois todos os stands patrocinadores. Portanto, isto é uma cidade que nasce em seis meses.
Pois é, e em várias fases.
Neste caso, começámos mais cedo porque tivemos algumas infraestruturas, como o palco montadas para espetáculo, como os Morangos com Açúcar e os Gipsy Kings.
Que também teve muito sucesso, por acaso.
Exatamente.
O NOS Alive, que deve o seu nome a uma música dos Pearl Jam, o tão conhecido single NOS. Muito obrigada. O single Alive.
Que é de nós todos.
Exatamente. E podemos então contar com Pearl Jam, Álvaro. Eles vão lá estar, certo?
Sim, nós temos a confirmação do lado deles, que vão fazer os concertos em Barcelona, Madrid e finalmente aqui o nosso, do NOS Alive.
Pois é, não são muitos festivais por onde eles passam, o nosso felizmente é um deles.
Eles optaram por fazer só dois festivais. Exatamente, em Espanha e em Portugal.
Estamos muito habituados a ter um cartaz de NOS Alive muito eclético. Há sempre nomes que nos surpreendem. Por exemplo, o artista Aurora, vem-me agora à cabeça. Há olheiros de festivais também para perceber o que se pode trazer cá ao nosso país?
Isso é a nossa profissão. A nossa profissão é estar atentos a tudo que bom que se vai fazendo por este mundo fora e principalmente tudo aquilo que nós achamos que os portugueses vão gostar. Portanto, nós programamos, nós já estamos a trabalhar a edição de 2025 há mais de seis meses. Agora há mais nomes interessantes. Nomes como a Jessie Ware, Kenny Grace, Floating Points, Michael Kiwanuka, Benjamin Clementine. Tantos nomes que fogem aos nomes grandes. The Breeders. São imensos. E claro, e vários portugueses, como T-Rex, A JURA.
Sim, T-Rex, pois é. Há sempre então uma tentativa de trazer também cá nomes que nunca vieram ao nosso país, não é?
É assim, os festivais, numa regra geral, em todo o mundo, têm como principal objetivo garantir uma certa exclusividade, ou seja, ter artistas que durante pelo menos um ano não tocaram na região ou no país. E daí essa procura, se pensarmos do Lipa, já nem me lembro o ano, acho que foi 2022, foi há dois anos. Pearl Jam já não vêm desde 2017, salvo erro. Portanto, essa exclusividade, assim como quando tivemos os The Weasel, eles não tocavam ao vivo há 12 anos.
Verdade.
Essa exclusividade que faz com que os festivais tenham uma característica muito própria.
E única. E Smashing Pumpkins também, Sum 41, portanto são nomes também muito esperados. Eu lembro-me que vi os Pixies, que nunca os esperei ver ao vivo, e os The Cure, que foram concertos incríveis no NOS Alive. Eu sei que, Álvaro, tu não consegues propriamente desfrutar do festival NOS Alive. É uma pena. Tens de ir a outros para desfrutar, não é assim?
Exatamente. Eu faço isso.
E consegues dormir nestes três dias de festival?
Nós aqui dormimos pouco, porque começamos muito cedo, porque ao contrário do que se julga, apesar de abrirmos portas às 15h, temos que estar cá cedo a preparar para que tudo esteja bem. E como termina às 4h, saímos daqui às 5h. Portanto, são umas três noites a dormir quatro, cinco horas, acho que é suficiente.
E também descobri numa entrevista sua que de 30 em 30 minutos sobe alguém ao teto do palco para ver se está tudo bem. Isso é incrível.
Não é a única coisa que fazemos.
Sim, claro.
Mas obviamente há sempre procedimentos de segurança que são fundamentais para verificar se está tudo bem, como é lógico. Também, por exemplo, a nível de abastecimento d'água, também estamos sempre a verificar se está tudo bem, porque temos várias instalações sanitárias espalhadas pelo recinto, funcionam com água potável e portanto são canalizações que são montadas de propósito só para o festival, e portanto temos que estar atentos para evitar que não haja nenhuma rutura e corra tudo bem.
O público de festivais costuma ser muito exigente?
Os portugueses são dos povos mais exigentes do mundo.
Curioso.
O que isso é positivo. A título de exemplo, são poucos os países sem livro de reclamações. Os portugueses utilizam mesmo o livro de reclamações, e bem. Mas o nível de exigência também é bom, principalmente para as pessoas que fornecem serviços ou organizam eventos, porque nos permite também perceber o que é que o consumidor quer. E se não pudermos reagir de imediato, podemos reagir no ano seguinte, e isso é bom
Os festivais são, de facto, uma grande fonte de desenvolvimento económico. Eu ouvi por ti, disseste que, em média, as pessoas passam mais tempo em Portugal quando vêm algum evento, quando comparado com outro país.
Não, isto é assim: a estadia média de um turista em Portugal é 2,3 dias.
Sim.
Num evento como o Nos Alive, já temos feito vários estudos, 80% dos estrangeiros que nos visitam ficam cinco dias a mais que isso.
Ok, quando comparado com outro, sim.
Isto é a forma de resolver o problema até termos um aeroporto novo, porque como não podemos aumentar o número de voos, se aumentarmos a estadia média das pessoas, significa que vamos ter mais dormidas. Não temos mais turistas em nome individual, mas temos mais turistas a dormir. Ou seja, se passar 2,3 para cinco, mais que duplicamos o número de turistas que nos visitam em termos de noites.
E é sempre bom porque fica cada vez mais variado o público. Eu sei que cerca de 20% do público é estrangeiro.
Exato.
Isso é extraordinário.
Incluindo Portugal, à data de hoje temos 71 nacionalidades.
71 nacionalidades?
Vêm de todos os continentes, incluindo Austrália e Nova Zelândia.
Sim.
E a música tem este efeito. A música tem exatamente este efeito. E como nós somos um país de surf, atraímos muitos países onde o surf é um desporto nacional e, portanto, eles aproveitam para vir ao festival e já agora vão surfar.
Claro, e vão às praias.
Ou ficam por aqui, por Cascais ou Ribamarilhas, Ericeira, ou vão para Lagos.
De facto, somos um país muito. Achas que ainda dá para explorar mais?
Não dá, mas o nosso mar é infinito, quase. Sob o ponto de vista de exploração económica exclusiva, nós temos uma área quase do tamanho da Europa, portanto, isso é uma riqueza que temos que aproveitar. Claro que os surfistas estão junto à costa, como é lógico, mas acho que devíamos aproveitar e o nosso futuro vai passar pelo mar, como sempre passou. Já no século XV, tivemos que ir para o mar para criar desenvolvimento económico e trazer riquezas.
E sei, Álvaro, que vai ter uma reunião com a Ministra da Cultura dentro de alguns dias.
No âmbito da Associação de Promotores.
Exatamente, sobre os privados na cultura. Tem esperança que cada vez mais isto melhore o panorama cultural, também ligado ao privado, porque como disse aí muito bem, cada músico é como se fosse uma entidade privada, não é?
Um músico que não trabalhe por conta de outrem é um empresário, é empresário a si próprio, tem uma empresa que é ele próprio. E não são só os músicos, como é lógico, são todas as empresas que trabalham no setor, desde empresas de audiovisuais, de palcos, de outro tipo de equipamentos, salas de espetáculos privadas, promotores de espetáculos. Isto é um conjunto imenso de pessoas que trabalham e de empresas que trabalham no setor privado. E de facto, até agora não temos tido reconhecimento. Basta olhar para os programas dos governos que têm passado por Portugal nos últimos 50 anos, nem a palavra setor privado da cultura existe. Era a mesma coisa que, de repente, nós na Secretaria de Estado do Turismo, o programa fosse só gerir equipamentos como o INATEL, que são do Estado, e depois tudo o resto não existe. Portanto, temos que mudar esse paradigma, até para aumentar a diversidade e garantir que Portugal é, de facto, um país verdadeiramente livre. Eu disse, e é verdade, no dia 29 de março de 1974, aconteceu um espetáculo muito importante no Clube dos Outros Recreios, um mês antes do 25 de Abril, onde músicos portugueses que contestavam o regime de então puderam fazer um espetáculo, onde o José Calfonso cantou pela primeira vez o "Grande Ola Villa Morena". Imagine-se, e isto só foi possível porque foi num teatro privado. Há sempre uma tentação do Estado, há sempre uma tentação de afunilar.
Sim.
E os privados, não. Os privados são o garante da diversidade.
Da diversidade, sim.
Que outros têm direito.
E a heterogeneidade.
Isso é muito importante. E, portanto, nós temos uma expectativa muito grande com este governo, que ainda agora vimos o anúncio recente das medidas económicas de até 2026, 2027, ir baixando o IRC às empresas. Temos uma expectativa muito grande que finalmente o setor privado da cultura tenha reconhecimento e se comecem a fazer políticas culturais a contar com o setor privado da cultura. Porque não se pode fazer, por exemplo, nos museus, gratuidade nos museus públicos. E depois há museus privados que são abandonados à sua sorte, que não podem dar gratuidade e não são compensados pela concorrência desleal que é feita dessa forma. Nós temos que trabalhar em conjunto, porque trabalhamos todos pelo mesmo. O setor público da cultura é claro que trabalha pela cultura, mas nós também trabalhamos pela cultura. Não podemos é estar de costas voltadas.
Sim, não pode haver essa-
E felizmente ainda temos as autarquias que ainda desenvolvem trabalhos do setor privado da cultura. Agora, de resto, eu não posso viver num país onde teatros públicos, que são de todos nós, de repente têm um programador ou um presidente de câmara que entende que, por exemplo, stand-up comedy não faz parte da linha programática do único teatro que existe na cidade.
E por acaso podemos contar aí já há alguns anos no Nos Alive.
O Cavazar usava a censura. E agora, aqui usa-se é um truque, é um sofisma. E o stand-up comedy, por isso é que nós do Nos Alive temos um palco.
E é muito bom. Diria que é o melhor palco de comédia de festivais. É verdade, e tem tido muito sucesso.
Como é que alguém, em nome do povo, como é que alguém, em nome de todos nós, porque os teatros públicos são de todos, não são das pessoas que foram nomeadas, são de todos nós. Como é que alguém faz isso? E é este paradigma que temos que mudar. Temos que fazer chegar o 25 de Novembro à cultura também, porque os privados não são nenhum bicho feio.
Álvaro Covões, muito obrigada. Espero que tenha boa sorte para a reunião, porque é sempre preciso também sorte nestas coisas. Muito obrigada.
Acima de tudo, o que é importante é passar uma mensagem.
Exato, sim.
Todos nós temos que consumir mais cultura, temos que aumentar os nossos hábitos culturais. Não tem que ser necessariamente a vir a festivais. Pode ser a ler mais livros, visitar mais museus, ir a espetáculos de dança, ir a espetáculos de ópera, ir a espetáculos de música clássica. Temos que consumir mais, que isso é que nos faz bem.
Muito obrigada, Álvaro Covões. De certeza que vai ser mais uma bela e memorável edição do Nos Alive. O festival vai decorrer de 11 a 13 de julho, sendo que já está esgotado o dia 13. Portanto, Álvaro, vemo-nos no Nos Alive. Até à próxima.
Exatamente. Cá esperamos a Rádio Observador, como sempre.