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Está no ar o "Ao Vivo" da Rádio Observador. Costumamos ter música às tardes de sexta-feira aqui na Rádio Observador, mas também podemos falar disso com o nosso convidado. De que é que não podemos falar com o nosso convidado? Tenho dúvidas qual é que será o assunto. António Sala, muito obrigado por ter vindo à Rádio Observador. Como está?
Eu estou bem, agradeço muito o convite.
Sempre com belíssimo aspecto.
Sempre.
Quem diria que tem 60 anos de carreira?
Ninguém.
E a voz, o mais importante.
Eu ainda dava tudo por esta voz, quem me dera.
Mas também começou muito novo. 60 anos de carreira, mas começou novinho.
Comecei com 15.
Começou a fazer o quê? Lembra-se da primeira coisa que fez em rádio ou ainda não foi em rádio?
Não foi em rádio, mas o que eu queria era teatro e portanto eu queria ser ator. Canastrão, não tinha jeito nenhum, ainda bem que não fui. E comecei a fazer uma coisa que na altura era um grande êxito, que era a radionovela, os teatros radiofónicos. E havia de tudo. Havia desde os de humor, como "Perdientes de Lisboa". Havia o teatro de boulevard, coisas muito ligeiras e havia coisas muito sérias dos grandes autores portugueses, dos clássicos. E eu participei então numa peça dessas, era o pajem do Afonso Henriques, numa peça histórica chamada "O Milagre de Ourique", da Batalha de Ourique. Tinha meia dúzia de intervenções, era uma coisa muito ligeira. E logo na altura se descobriu que eu pro teatro não tinha o mínimo jeito. Mas a senhora dona Maria Leonor, que era uma colega nossa famosíssima e que foi uma grande locutora da antiga Emissora Nacional, no final de umas certas provas e de eu ter participado naquilo, ela chamou-me e disse: "Meu miúdo, tu não tens grande jeito pra isso, mas tens uma voz própria. Nas coisas em que tiveres de improvisar, safas-te bem. Se tu trabalhares arduamente, se quiseres, dedicares, tu podes vir a ser um locutor ou até um bom comunicador".
Mas na altura ficou triste com essa opinião?
Fiquei.
Reparem na diferença, o António Sala começa a fazer uma peça de teatro. A minha primeira intervenção na rádio foi um passatempo de um talho. Por isso já observam porque é que ele chegou ao seu-
Atenção, do ponto de vista alimentar, o meu é mais purificante. E isso é a primeira imagem que eu tenho da rádio. Mas depois ficou-me o encanto também, há um certo encantamento com a rádio. Hoje estamos aqui numa cabine muito bonita, parabéns, porque isto é muito bonito. Isso do ponto de vista visual.
O nosso estúdio é grande.
É grande e é bonito. Mas os estúdios antigos, havia uma certa magia à volta daquilo.
Magia e intimidação. Sentiu-se intimidado?
Senti.
Aquela porta que batia com muita força. Estar no ar, estar em antena.
Sim.
Tinha peso.
Quando eu começo com estas coisas, a televisão em Portugal era uma criança. Portanto, a rádio ainda era muito importante.
Tinha outra importância.
Eram os dias da rádio ainda.
Eram os dias da rádio.
Por acaso tinha essa curiosidade de perceber como é que o António Sala olha também para o meio em 2024. Ia dizer 2023, mas já estamos em 2024. Como é que tantas vezes votada quase à morte: a rádio vai morrer, porque veio a televisão, depois porque veio a internet.
Rádio e teatro são coisas condenadas à morte.
E aí estão ainda. Mas é uma rádio muito diferente.
A rádio é diferente e a rádio tem tido, quanto a mim, a capacidade de saber montar muito bem. O montar aqui entre aspas, naqueles que são os seus adversários mortíferos.
É a televisão?
Primeiro dizia-se que era a televisão. E a rádio soube muito bem aproveitar a televisão. É o momento, para mim, que é histórico. A nossa televisão começava ao princípio da tarde, tocava-se o hino nacional, chegava meia noite e tal, uma hora e fechava. E eu venho de uma geração, o "Despertar" quando começa, não havia programa da manhã ainda na televisão. E começa com uma experiência que é o "Bom Dia Portugal", do Raúl Durão, e em que eles não sabiam bem o que haviam de fazer durante um programa da manhã. Ou era marcadamente informativo, ou para ter outras coisas que não fossem a informação dura e crua, o que é que se faz? Que artistas é que se convidam pra cantar às 7h da manhã? E na altura, o "Despertar" tinha uma série de iniciativas e fazia despertares ao vivo em cenários completamente longe do que é tradicional em termos de rádio.
Mas conte-nos um pouco mais da gênese.
E eles vêm atrás.
Como é que surgiu essa ideia do "Despertar" e como é que depois se foi desenvolvendo também a dinâmica que tornou o "Despertar" um fenômeno nacional?
A rádio estava muito formatada e era muito engravatada e, portanto, estava habituada a viver dentro das paredes de uma cabine, apenas. Saía muito poucas vezes. Saía pra coisas oficiais, a nível de informação e pouco mais.
Mas não havia aquela reportagem que também era entretenimento?
Não, na área do entretenimento não existia praticamente nada. Na informação, sim. Tinha de sair, tinha de ir aos locais, estar lá e fazer a coisa. Em termos da área do entretenimento, não havia. Pura e simplesmente não se fazia. E eu começo a pensar: como é que eu salto aqui pra fora e vamos mostrar aquilo que fazemos de manhã noutros sítios e outras coisas? E percorri os cenários possíveis. Fiz na Avenida dos Aliados do Porto com mais de 40 mil pessoas às 7h da manhã, fiz no Castelo de São Jorge, fiz no Rossio, fiz nas ruínas do Carmo, fiz nos castelos todos que podem imaginar ao longo do país, em sítios perfeitamente alguns que não lembram ao Diabo. E se me dissessem qual era a grande atração das pessoas: era os artistas? Era. Também tinha a sua magia e o seu interesse.
Mas era ouvir os senhores da rádio.
Era perceber como é que aquilo se fazia e conhecer e ver as pessoas da rádio, aquilo que ouviam diariamente ao ir pro emprego ou em casa ao levantar, fosse o que fosse, era a oportunidade. Mas eu achei muita graça, porque no primeiro grande despertar ao vivo que houve, que teve milhares e milhares de pessoas àquela hora E eu disse: "Meu Deus, essa malta..." E no final um senhor veio ter comigo e disse-me: "Olhe que eu não venho cá porque os artistas que cá vieram, eu estou farto de os ver em espetáculos e em variedades", como na altura se chamavam espetáculos, variedades. "Nós viemos cá para conhecer o Olga e para o conhecer a si". Isto é uma coisa impressionante.
E o António, com um programa de rádio, tornou-se a figura mais popular entre os portugueses, superando até Mário Soares. Isto em meados dos anos 80.
Mas vamos lá ver uma coisa. O Mário Soares era político, era primeiro-ministro, tinha de carregar impostos, tinha de fazer coisas umas muito boas, umas outras menos agradáveis. Eu estava a dar às pessoas e nós damos, no fundo, a área de entretenimento. Acabamos por estar a dar o filé mignon. Damos aquilo que as pessoas mais gostam: música, que gostam de ouvir, as conversas fascinantes com personalidades da área da cultura de que elas gostam. Fazemos concurso, oferecemos prémios.
O jogo da mala.
Sim, o jogo da mala. Ainda hoje. É engraçado que aquilo foi um fenómeno em termos de concurso e de popularidade. É incrível.
Uma das coisas que eu também recordo muito do António Sala eram os livros de anedotas. Editou uma série deles e de histórias.
Foram dois.
Eu às vezes via a fotografia: "Mas o António Sala também escreve livros". E este tipo de produto popular, parece-me que o António Sala quase fez tudo, escreveu canções.
Na altura não havia muito a tradição disso. Aliás, o mérito não é meu. Eu lembro-me que numa das primeiras emissões eu contei uma anedota. Não me lembro qual, não me perguntem que eu não me recordo. Mas contei uma anedota e passado dois, três dias, começo a receber montanhas de cartas. Na altura ainda não havia e-mails, nem pouco mais ou menos, a net ainda não tinha nascido. E começo a receber cartas de ouvintes que me mandavam anedotas e diziam: "Então e conte lá esta". E o meu problema começou a ser: "Bem, tenho que criar uma rubrica diária e conto uma anedota ou duas". Então passei a contar uma anedota por hora, que já dava três por dia e recebia milhares de coisas. Ao fim, para aí de um ano e tal, a Rita Louro, que era a diretora das nossas relações públicas, disse assim: "António, faça uma seleção de A a Z e publique um livro. Faça uma introdução bonita para ele, vai ter um prefácio de alguém que seja uma pessoa ligada ao humor e uma contracapa também nos mesmos moldes, e vamos fazer isto". Então fez-se o "Dicionário de Anedotas", em que no fundo eu para ali não conto nada, porque as anedotas eram aquelas que me mandavam. Normalmente muito inocentes, muito politicamente corretas. Na altura tinha que ser um bocadinho assim. Ainda por cima, a liberdade de contar as coisas na Católica não é propriamente a liberdade nessa altura que hoje nós temos aqui com a nossa conversa. Ou das coisas que poderíamos agora dizer.
Isso era uma dificuldade na altura? O António foi para a Renascença no final dos anos 70.
Foi em 79.
E a Renascença, na altura, não era líder de audiências, mas tornou-se líder de audiências.
Era a terceira estação. Isto era cíclico. Ganhava o Rádio Clube Português, normalmente, que hoje é comercial. E o segundo lugar era discutido com a RDP.
Mas pôs a Renascença em primeiro lugar.
Não digam que fui eu. Há uma série de coisas. Há os astros alinhados. Ninguém me disse para eu escolher a locutora. Disseram: "Olha, há uma senhora no Porto, que é a dona Olga Cardoso, ela costuma fazer do Porto intervenções matinais, em que fala do tempo, do trânsito e a previsão para o dia seguinte. Não a vamos deixar fora, você conserve-a". E eu tive uma conversa telefónica com ela, nunca mais esqueci. Uns três dias antes de começar a fazer o programa e disse-lhe: "Olga, não tenho prazer em te conhecer, vamos trabalhar juntos". E ela disse: "Eu estou prontinha para ter aquelas intervenções". Mas a conversa foi tão saborosa com ela e foi tão gira, e ela tinha uma voz tão fresca. Estivemos sei lá, 20 minutos ao telefone. E eu quase a terminar, disse-lhe: "Vamos fazer uma coisa, Olga, amanhã não esteja pronta só para as rubricas que faz. Esteja lá desde o princípio, auscultadores e o dedinho pronto se quiser ligar o microfone, e vamos entrar em conversa. E outra coisa, lá eu consigo uma molhada de discos, nem quero saber quais são, e vamos fazendo um pingue-pongue entre Lisboa e Porto nas músicas que se tocam".
Como é que isso corria tão bem à distância?
Corria da mesma maneira que nós estamos aqui a conversar e que está a correr bem.
Estavam muito bem alinhados.
Havia química.
Hoje utiliza-se muito a palavra química para definir isso.
Sabiam os timings um do outro? Tiveram que experimentar fora da antena?
Queres aprender os segredos?
Não.
Tinham um doc partilhado, como nós temos aqui nos nossos computadores. Um doc partilhado em que ela via e ele via. Não, se calhar não era bem assim.
Foi altamente intuitivo. Aquilo surgiu porque surgiu e corria bem porque tinha que correr bem. Outras vezes não corria. Mas eu recordo um episódio muito engraçado. De vez em quando, a Olga vinha a Lisboa ou de vez em quando eu ia ao Porto. Normalmente, se tinha espetáculos, e tinha muitos para apresentar, e na altura ainda tinha, nós já não tínhamos o "Maranata", mas já começava a ter espetáculo próprio. E por vezes acontecia que ela estava em Lisboa, porque tinha de vir a Lisboa e fazia um programa comigo e nós tornávamos isso uma festa. É engraçado, os programas não eram tão giros nem corriam tão bem, nem quando eu ia ao Porto e estava com ela. Há um dia, que é giríssimo, em que ela estava no Porto, eu estava em Lisboa e a determinada altura eu toco uma canção da Rita Lee. Não me lembro do título, mas era uma canção que era muito dançante. Era uma coisa que eu lembrei de microfone aberto e disse: "Ó Olga, concede-me esta dança, vamos dançar esta?" E ela: "Ó António, é um prazer".
Isto é espetacular.
Microfones abertos e tal, e passado aí 30 segundos, diz assim: "Ó Salas, é a segunda vez que você me pisa". "Como locutor não é mau, mas desculpe, você é um bocado canastrão". E eu: "Ó Olga, peço imensa desculpa. Vamos lá. Agora temos esta voltinha". Tivemos aquela brincadeira, chegamos ao fim. Ela disse: "Foi um prazer". "Ah, mas aprendeu um bocadinho". Terminámos. Continuámos o programa. Chega ao fim do programa, eu venho para o bar tomar o pequeno-almoço e diz-me a funcionária do bar E adornou algo e disse: "Já cá ouves." Ele disse: "Desculpe, eu estava a ouvir o programa, vocês estiveram a dançar, o senhor até pisou e tudo." E eu fiquei e disse assim: "É engraçado".
Nunca pensou: "Estou a mentir às pessoas"?
Não, não é mentira.
É magia.
É a magia da rádio, atenção. Para mim, rádio e livros são as coisas que ainda conseguem fazer cada um de nós desenhar o que quer e realizar o livro como nós queremos. Estamos a ler o mesmo livro.
A música não?
A música sim, também.
É uma parte muito grande da sua vida também. Com os Maranata, mas não só.
Sim, mas a música é diferente. Eu tenho consciência daquilo onde posso navegar um bocadinho bem e outras coisas onde não me meto, porque eu gosto, mas se calhar não exploro bem.
Como o teatro.
Como o teatro, exatamente.
Na televisão, a experiência na televisão correu bem?
Correu bem a partir de uma certa altura, porque eu quando começo em televisão, começo com as referências que eu tinha, que era o Carlos Cruz, que era o Júlio, uma série de pessoas, e eu tento fazer um bocadinho como eles. E andei durante muito tempo a representar papéis, a fazer aquilo que não era.
Quando é que encontrou o seu registo?
No primeiro concurso que eu faço a sério, que se chama Palavra de Puxa Palavra.
Fazia assim com os dedos, não era?
Era Palavra de Puxa Palavra. Era a única coisa que era um pouco mais teatral. Tirando isso, quem é que está a fazer aquilo? Era eu mesmo. E fazia de quê? De António. E portanto, quem gosta, gosta, quem não gosta, não gosta, mas resulta natural e normal em nada que seja nem plastificado, nem falso ou coisa parecida. Eu sou péssimo a ler textos, eu sou péssimo em coisas que têm um guião demasiado definido e que eu tenho que estar a espartilhar. E a conquistar assim. Mas sabe que isso é giro, porque eu na RDP, quando há a nacionalização da rádio, eu vou para a atual Antena 1 e o diretor de programas era o Ignez Queiro, um grande nome da rádio, do cinema, da televisão, mas um grande radialista. E às vezes almoçávamos e há um dia em que ele me chama e diz: "Tenho um desafio para lhe fazer". E depois diz-me uma coisa que foi brutal. Diz-me assim: "Olhe, eu hoje quis almoçar consigo, tenho um convite para lhe fazer, que é: quero que você seja o realizador e o apresentador do programa da manhã da RDP1, atual Antena 1". Aquilo era um programa histórico, tinha vindo lá Artur Agostinho, Fernando Pessoa, Pedro Moutinho, Maria Leonor, Fernando Correia, os grandes monstros da rádio tinham tido aquele programa. E ele disse: "Mas com uma condição única. Eu gosto imenso de almoçar consigo e acho muita piada e gosto muito do Sala dos almoços, porque você é um tipo simpático, descontraído, brincalhão e tal. E não gosto nada do Sala que ouço na rádio, que é improvável, que tem a voz feita e colocada, tal, tal, tal. Você se quiser ser o Sala dos almoços a fazer este programa, está entregue e eu começo já daqui a 15 dias. Se você me vai dizer que quer manter o estilo que tem, aquilo que ouço e aquilo que faz, eu não o estou a convidar."
Isso foi um grande passo na altura para a Antena 1.
Foi um desafio, para já foi para mim.
Sim, mas para a Antena 1 também, que era muito mais formatada.
Vocês não estão a ver, mas eu estou a falar com a mesma voz com que digo bom dia às pessoas e com que converso com vocês. É esta. Na rádio acontecia isso com os meus colegas, entrávamos e eles estavam a conversar descontraídamente assim e depois diziam: "Atenção, atenção!" Ligavam o microfone e metiam o chip. "Olá, bom dia". Não sei o quê, não sei que mais. E eu era exatamente um desses tipos. E a partir da altura em que me é feito aquele desafio, em que eu aceito aquela provocação e começo, não é um êxito imediato. Para já porque eu quebro com uma determinada barreira. Vocês imaginem que há 40 e tal anos, o ouvinte era tratado por estimado ouvinte, o senhor ouvinte, o rádio ouvinte, havia uma série de palavrões feitos para falar ao ouvinte. E eu sou de uma geração que quebra e começa a aparecer e digo: "Olá, amigos, bom dia". Eu sou chamado pela minha administração, o meu administrador chama para perguntar se eu tenho a certeza de que todos os tipos que me ouvem vão ser meus amigos. E eu digo, e agora ia dizer o título dele, mas não quero dizer.
Digamos engenheiro, por exemplo.
Podia ser arquiteto. Ou ser a vozinha. E ele diz-me assim: "Tem a certeza?" E eu disse: "Olha, à partida, a sintonia ainda é uma das coisas que é livre e as pessoas podem escolher. A não ser que seja um masoquista, mas à partida o indivíduo que de manhã sintoniza e está ali, não deve ser para sofrer, gosta minimamente de alguma coisa." De maneira que acho que eu já o considero um bocadinho amigo.
Um amigo. Nós também consideramos o António Sala um amigo, até porque embarcou há algum tempo aqui numa aventura no Observador, que era uma radionovela chamada "Quem matou António Sala?"
É o maior desgosto da minha vida, foi uma das coisas que teve princípio, meio, não teve fim. Eu não sei como é que me mataram.
Foi a pandemia, aquilo foi na altura da pandemia.
Ficou alguma coisa por fazer na sua carreira na rádio?
Eu acho que sim, que há tanta coisa. Quer dizer, vamos lá ver, um sonho louco que eu gostava e quando comecei nestas andanças e começo a ver televisão, que não havia televisão em Portugal. E quando começam mais tarde os Oscars, eu achava, e ainda hoje acho, para um indivíduo como eu da área do entretenimento, eu ter a oportunidade de apresentar os Oscars de Hollywood deve ser uma coisa louca.
Aqui tínhamos os Globos, só se fosse os Globos de Ouro da SIC em Portugal.
Mas é diferente, tem grandes personalidades e grandes artistas. Não está lá a Meryl Streep, não está o Spielberg, que ainda por cima podia gozar com eles, quer dizer, é uma coisa única.
E ser pago para isso.
E ser pago, ainda por cima pago. E bem pago, se calhar.
Estamos a ficar sem tempo e de facto 60 anos de carreira dava para mais duas ou três horas de conversa com o António Sala. Mas queria olhar aqui rapidamente para uma exposição que inaugura precisamente esta sexta-feira às 18h00, na Avenida Marquês de Tomar, em Lisboa. De resto, fevereiro é o mês da rádio, por isso esta inauguração também calha um bocadinho nesta altura por causa disso. Retratos contados de António Sala, o comunicador, exposição 60 anos de carreira. O que encontramos por lá? Fiquei curioso.
Não faço ideia.
Também vai lá agora?
Vou agora para lá.
Vai ver o que é que se passa.
Cedi milhares de fotografias. O curador é o Nelson, que é muito bom.
Nelson Mateus, não é?
O Nelson Mateus Estava a me esquecer, peço desculpa.
Eu estava a estudar.
Não, sou Mateus. Obrigado.
Só pensavam que era eu que soava ali.
Eu cedi as fotografias, ele é que faz a seleção, a curadoria é dele e eu espero ser surpreendido. Portanto, acredito que vai ser uma coisa muito bem feita, bonita e que ao longo de retratos que vão desde o meu primeiro retrato, não sei se ele selecionou este, mas que é aquele que eu tinha três meses ou quatro, todo nú, barriguinha para baixo e rabo para cima. Aquela fotografia tradicional em cima de uma almofada normal. Que daí até aos dias de hoje que vai haver muita coisa. Acho que pode haver coisas giras. Nem é por mim, é por quem está ao meu lado, porque a minha vida nisso foi uma riqueza que eu nunca pensei, nunca sonhei. Há nomes e personalidades que eu li, que eu vi, que eu aplaudi, quer portuguesas, quer estrangeiras, que nunca passou pela cabeça em miúdo que um dia ia privar com elas ou se não privar, pelo menos estar ao lado delas, ele deixar-me fotografar ou ela deixar-me fotografar ao seu lado. Isso é uma riqueza impressionante.
Isso é uma coisa que nós sentimos com o António Sala. É engraçado que o António Sala sinta isso com outras pessoas. Muito rapidamente, há um espetáculo que já passou pelo Casino Estoril, acho que foi lá que estreou, chamado "60 Anos de Carreira: António Sala, o Comunicador" e tinha a ideia aqui a informação também de que há um espetáculo próximo em Santa Maria da Feira, daqui por 15 dias, mais ou menos.
É exatamente de hoje a 15 dias, atendendo a que é no dia 16, que é uma sexta-feira, dia 16 de fevereiro, 21h, no Europarque.
O espetáculo é este. Até porque o senhor não está sozinho.
O espetáculo é muito bonito. Não, eu sou uma espécie de pivô, sou o elo de ligação entre as diferentes décadas. E depois são atores, cantores, bailarinos, músicos ao vivo que contam a história. A história não é só a minha, é fundamentalmente a minha, mas envolvidos nós nunca somos só nós, somos nós e a circunstância, e o sítio onde estamos, o país, as circunstâncias do mundo. E é isso que é contado nesse espetáculo, penso que de uma maneira atrativa. Claro que há a oportunidade no palco para simular e teatralizar coisas. O jogo da mala, o palavra-cruz-palavra que falámos há bocado, a minha estadia na tropa. A única vez que eu tive um problema com a censura aí antes do 25 de abril. O 25 de abril está muito presente e muito marcante, porque eu sou um homem da rádio e não me esqueço que a rádio foi o cenário principal para tudo, quase tudo, sem ser a operação militar, mas para que ela se pudesse despoletar da maneira que aconteceu. E foi a rádio. Não foi uma televisão que foi ocupada inicialmente, foram estações de rádio, as senhas partiram de rádio. O Movimento das Forças Armadas ocupa o Rádio Clube Português para ser o seu posto de comando em termos das comunicações para o país. E isto eu penso que está muito bem feito. O espetáculo é muito bonito.
Espero que surjam mais datas para além desta.
Não, vai estar o ano inteiro e já estivemos em Cantanhede, vamos estar no Porto, em Lisboa, em Faro, em Coimbra, na Figueira da Foz, vamos às ilhas. Vai ser um ano de 2024 muito movimentado. Em cheio. Deus me dê força, vida e saúde pra eu poder viver.
Também são 60 anos de carreira. António Sala, nosso convidado hoje no "Ao Vivo". Pesquisem pela internet estas próximas datas deste espetáculo, "O Comunicador, 60 Anos de Carreira" e em Lisboa a partir de hoje está patente essa exposição na Avenida Marquês de Tomar, número 1. Uma exposição "Retratos Contados" de António Sala. Sempre um prazer recebê-lo aqui na Rádio Observador.
É um prazer.
Esta antena é para si quando quiserem voltar, António.
Já agora, permitam-me só dizer isto, porque faço questão. Eu sou um homem da rádio, e da rádio que é palavra e comunicação, porque acho que os discos, as canções, todos podem tocar. E hoje em dia as pessoas têm as suas playlists e ouvem só o que querem, praticamente. A rádio tem uma componente musical forte, mas acima de tudo, a rádio é outras coisas. E nesta altura, eu quero dizer isto, a minha casa de rádio e aquela que me fez e onde me cresceram os dentes, foi a Rádio Renascença. Mas nesta altura, se me perguntarem se há uma estação com quem eu me identifico muito, é com a Observador. Eu sou assinante do Observador, ainda apenas escrito, e depois, desde a primeira hora, sou ouvinte fiel da Observador. Ouço muita rádio, sou um curioso, sou um furioso dramático por estar sempre em sintonia com a rádio, mas se me perguntarem qual é a rádio que eu me identifico nos temas, nas abordagens, nas conversas, na maneira como fazem as coisas e como transformam pedaços de vida em pedaços de rádio, é esta rádio onde eu aqui estou e queria vos dar os parabéns.
Muito obrigado.
E agradecer-vos exatamente tudo que me têm oferecido e que me oferecem diariamente.
E se eu tivesse que escolher alguém para esse elogio, era de certeza o António Sala. Obrigado por isso. António Sala, nosso convidado no "Ao Vivo". Até breve, António.
Muito obrigado e até breve.