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Começa agora mais um "Lado Bom da Vida". Hoje falamos de filmes com a editora de multimédia do Observador, Catarina Santos. Olá, Catarina, bom dia.

Bom dia.

Já se ouvem passarinhos. É da tua casa?

Não.

Ou é da casa do Tiago? Tiago Dores.

Berbequins, aqui é berbequins. É uma espécie de pica-pau, mas mais crescido.

Olha, afinal são da minha casa. Agora tirei aqui os fones e percebi que são da minha casa.

Estava a ver que estava ficando complicado em termos de audição. Diga então que propostas nos traz, Catarina.

Falta pouco mais de uma semana para finalmente podermos regressar às salas de cinema. Não sei quanto a vós, mas eu estou a rasgar dias no calendário.

A fazer tracinhos na parede. Vamos ver que filmes é que vamos poder ver, não é? Mas fica pra semana essa conversa.

Há tantos guardados, tantinhos guardados, que vai ser difícil atacar por onde. Por agora, vamos lá a mais sugestões para ver em casa. E esta semana temos uma história de bordel, digamos assim, com o filme "Madame Claude", que está disponível na Netflix. Esta Madame Claude, interpretada por Carole Rocher, gere um bordel em Paris em meados dos anos 60, frequentado por uma clientela de luxo, que vai de John F. Kennedy a Marlon Brando ou até ao Xá do Irão, o que lhe dá acesso a segredos de toda a espécie, incluindo segredos de Estado, e também a torna um isco precioso para os serviços de informação.

Ora bem. E pelo que descreves, parece até mais um filme de espionagem do que outra coisa, não é?

Está lá esse ambiente também. O poder desta personagem vai muito para lá das paredes daquele bordel e é baseado na história real de uma mulher que nasceu com o nome de Fernande Grudet e que nos anos 60 chegou a gerir a rede de prostituição mais exclusiva de Paris. Conta-se que Kennedy chegou a requisitar uma call girl à Madame Claude durante a sua estadia em Paris para uma cimeira em 1961, e que terá pedido que a rapariga fosse parecida com a sua mulher, Jackie Kennedy. Alegadamente, ter-se-á enganado na morada e andou a bater de porta em porta em prédios de famílias parisienses. A ser verdade, nem quero imaginar a reação de quem abria a porta à meia-noite e dava de caras com o presidente dos Estados Unidos. Terá sido Frank Sinatra a falar-lhe dos exclusivos serviços de Madame Claude. Era uma experiência parisiense obrigatória naquela altura para uma certa franja da sociedade, quase como ficar alojado no Ritz ou ir jantar ao Maxim's.

Catarina, como descreves, é um poço de histórias essa personagem, mas pelo meio deve haver muitos mitos difíceis de confirmar.

Claro, até porque como estas histórias, estes bocadinhos que contei há pouco, são tão apetecíveis que foram circulando e ganhando força, sejam verdadeiros ou não. Alguns destes detalhes são contados no livro "Madame Claude: O Seu Mundo Secreto de Prazer, Privilégio e Poder", de William Stadiem, autor de best-sellers sobre outras figuras como Frank Sinatra e Marilyn Monroe, mas muito do que se conta em torno desta personagem é difícil de confirmar pelos historiadores, incluindo a narrativa que a própria Madame Claude escreveu nas suas memórias e que dá conta das suas supostas origens aristocratas, da sua suposta resistência ativa ao nazismo e que a teria levado mesmo a ser enviada para um campo de concentração, do seu suposto papel fundamental durante os Acordos de Paris para ajudar a fomentar a boa vontade entre os líderes europeus. É-lhe atribuída uma declaração, por exemplo, que não sabemos se foi mesmo assim, mas que tem a quantidade certa de pimenta para perdurar. Terá dito ela, e cito: "Há duas coisas pelas quais as pessoas vão sempre pagar: comida e sexo, e eu não era boa cozinheira".

Isso promete, então, muita pimenta pra este filme, não é? Há muita?

Passa também bastante dessa pimenta para o filme. Digamos que é bastante frontal, cru e cheio de cenas muito pouco envergonhadas. Acaba por ser um retrato da ascensão e queda de uma personagem astuta e simultaneamente representante de uma certa autodeterminação feminina e do seu absoluto oposto. Depois de uma década em que se tornou, como diz a personagem no filme, uma instituição, Madame Claude acaba por entrar em declínio acelerado nos anos 70. É perseguida pelo Fisco quando Valéry Giscard d'Estaing chega à presidência e promete um combate sem tréguas à prostituição de luxo. Ela acaba por fugir para os Estados Unidos, é presa, regressa à França, tem novamente problemas com a justiça e o processo de declínio nunca se inverteu. Morreu em 2005, sozinha, em Nice, aos 92 anos. No início do filme, escrito e realizado pela francesa Sylvie Verheyde, adverte-se que o que se vai ver a seguir é baseado em fatos reais, inspirados na vida imaginária de Fernande Grudet, conhecida como Madame Claude, nascida a 6 de julho de 1923, em Angers. E depois, segue a ficção, com muitas ambiguidades à mistura.

Como dá para perceber. "Madame Claude", para se entreter e ver na Netflix, quando falta pouco mais de uma semana para podermos regressar às salas de cinema. Sugestão da jornalista do Observador e editora de multimédia, Catarina Santos. Até pra semana, Catarina.

Bom dia, até pra semana.

Bom dia.

Rádio Observador, Montijo e Alcochete, 93.7.

A caminho da hora certa, não se esqueça que depois do jornal há conversas à quinta. Hoje em debate vão estar os 90 anos da Segunda República Espanhola, que terminou em guerra civil. É depois das 11, sempre com o José Manuel Fernandes, Jaime Nogueira Pinto e Jaime Gama. A equipe das manhãs 360 está de saída. Vamos àquele pequeno almoço bem reforçado, mas continuo sem o patrocínio do Tiago Dores. Nem com o postigo, nem com a esplanada.

Hoje está fechado, hoje é dia. Não, por acaso não tem essa desculpa. É à terça.

Devem estar perdidos uns óculos de realidade virtual aumentada.

É possível que seja isso, Paulo. Obrigado.

É isso ou os berbequins lá em casa.

Esta está complicado.

Deixe aqui em paz a minha companhia, o João Miguel Santos. Nós voltamos amanhã, que é sexta-feira. Estamos consigo antes das 19h.

Amanhã é festa.

É. Até amanhã.

Até amanhã. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto