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E à quarta o "Lado Bom da Vida" tem um olhar nostálgico para o passado, para uma data redonda. Tiago Pereira, bem-vindo. Muito boa tarde. Bem disposto?

Olá, Nelson.

Tudo bem?

Olá, Judite. Olá. Olá, Bruno.

Olá, Tiaguinho. Como é que está?

Cá está. Aquele calor, aquela emoção.

Parecem amiguinhos.

Exato.

Olá, tudo bem?

Estás meu amigo. Trouxeste os berlindes. Olá.

Foi giro. Vamos falar de Beatles no teu segmento nostalgia do "Lado Bom da Vida".

Vamos.

Através de que ângulo?

Através do ângulo, dois pontos: agora por estes dias celebram-se, não a uma data redonda, mas a nostalgia também não acontece só com datas redondas, com datas acabadas em zero e cinco.

Claro que não.

Portanto, esta acaba em oito. Há 58 anos.

É redondinha.

Duplamente redonda. Pois é, agora é que vocês me tramaram. Há 58 anos, os Beatles conseguiam o primeiro single número um nos Estados Unidos. O primeiro single número um foi "I Want to Hold Your Hand" e esta chegada ao número um aconteceu poucos dias antes da banda aterrar no Aeroporto JFK, em Nova Iorque. Isso aconteceu a 7 de fevereiro de 1964. E é curioso saber que, até hoje, são os Beatles-- já estamos a ouvir qualquer coisa. Deixa estar.

Se era isso que tu querias.

É isso mesmo. Até hoje é a banda que tem mais números um na história do top americano, do top de singles. São 20.

Nada mal.

Pois é.

Tem alguém perto ou nem por sombras?

Tantão devem ter os Backstreet Boys ou os NSYNC.

Não, a Rihanna tem muitos números uns, por exemplo.

E merece.

E merece, claro que sim. Mas nunca ninguém conseguiu assim esta marca. O que eu decidi? Recordar cinco desses singles, que não são necessariamente os mais óbvios.

E que chegaram ao número um nos Estados Unidos.

E que chegaram ao número um nos Estados Unidos. Estamos a ouvir "I Feel Fine", que eu peço aos nossos ouvintes para depois, quando tiverem tempo, ponham a canção do início. A canção começa com um feedback.

Mas devias ter começado, Tiago.

Mas podemos pôr para trás.

Devias ter começado precisamente pelo "I Wanna Hold Your Hand".

Não, mas essa já toda a gente conhece.

Sabes que ele é um membro do painel do "Isto Não Passa na Rádio".

Eu sou contra.

É uma filosofia que se instala nas pessoas.

Sou contra porque o "I Want to Hold Your Hand" passa muitas, se calhar demasiadas vezes, em várias ocasiões.

Eu concordo.

E o "I Feel Fine" a gente nunca ouve.

Até foi feito um filme, porque essa canção é que explica, de facto, o sucesso dos Beatles nos Estados Unidos, que se deve muito ao impacto que a canção teve.

É verdade.

É verdade, e até foi feito um filme nos anos 80.

E por isso mesmo, como tem um filme.

Chama-se "I Wanna Hold Your Hand".

O "I Feel Fine" não tem um filme. É verdade.

Não tem.

E como o Bruno Vieira Amaral dá todas estas informações, também era de se esperar ter trazido a música, que ele já está a dizer que é que interessa sobre isso.

E além disso, não é ele que manda nesta rubrica.

Esta parte não é importante.

Dizes tu, meu.

Dá-se o caso. Ora bem, estava eu a dizer: esta canção começa com um feedback e eu gostaria de lembrar que são os Beatles em 1964 e era tudo menos habitual começar com um feedback. Já agora, o feedback é provocado pela corda lá do baixo de Paul McCartney.

Uou! Queres ouvir o feedback ou não?

Consegues pôr?

Queres ouvir o feedback?

Espera aí. Acho que está aqui. O lá. Viram?

Pois é. Feedback em 1964, meus amigos. A canção saiu nos Estados Unidos no álbum "Beatles 65". Nos Estados Unidos, houve uma série de álbuns em que era tudo recompilado à medida do mercado americano. Portanto, não é a discografia clássica que nós conhecemos dos Beatles, porque na discografia clássica a canção fez parte do álbum "Beatles For Sale".

Ok.

Esta é a primeira dose de trivia que eu tenho para vocês. A seguir, 1966. Aconteceu esta pequena maravilha que eu desafio toda a gente a ouvir muito alto um dia que possam conduzir num sítio sem perigo. Atenção!

E sem pessoas.

No autódromo.

Ou a andar de bicicleta, ou então a correr. Qualquer coisa que implique movimento. 1966.

Esta eu já gosto mais.

E tem uma pandeireta que faz toda a diferença. A pandeireta, junto com a harmónica, são os dois melhores instrumentos do rock and roll.

Há músicas de Beatles com cowbell?

Há, pois.

Espero bem que sim.

O "Taxman" acho que tem cowbell.

Espero bem que sim.

Por exemplo.

Eu adoro cowbell.

Foi número um nos Estados Unidos durante duas semanas e foi superada, esta canção, por "Strangers in the Night", de Frank Sinatra.

Olha.

Mais conhecida como "Changers in the Night".

Isso mesmo. Adoro essa música. Sinatra, que foi durante algum tempo o grande inimigo dos Beatles nos tops, mas depois acabaria por perder e entrar numa fase descendente da sua carreira. Em 1966, esse foi o ano da última digressão dos Beatles. Esta canção foi a única canção nova nesse ano incluída no alinhamento que eles tocavam ao vivo. E este single, como aconteceu com vários singles dos Beatles, não faz parte de nenhum álbum oficial. Até porque a política de edição de singles era diferente. O single valia por si só, tinha um lado B, e muitas vezes quando os singles eram editados antes da edição de qualquer álbum, já não fazia parte desse álbum. E depois, também é bom de ver que já dá para perceber aqui neste som também. Os Beatles já estavam em plena transformação. O single que foi editado depois deste foi "Eleanor Rigby", que já não tem nada a ver com os Beatles que nós conhecemos do início.

Aliás, o salto é gigantesco. Entre 64 e 66, parece que não é a mesma banda.

Exatamente. Tens o "Rubber Soul", tens o "Revolver", por aí fora. Depois, em 67, tens o "Strawberry Fields". Também tens o single duplo, mas tens o "Sgt. Peppers" e depois o resto é história. 1967. Vamos em frente, Nelson?

Vamos. Queres ouvir "Hello, Goodbye"?

Sim. Cá está. Eu gosto muito desta canção.

Eu também. Adoro esta canção.

É uma canção que não sei até que ponto é fácil.

É uma canção fácil.

Pois, mas que é bem vista, não é?

Deve estar ali entre o "Ob-La-Di, Ob-La-Da".

Pronto, é por aí. A canção faz parte de um especial musical que a banda fez pra televisão britânica, o "Magical Mystery Tour". Depois houve um disco que reuniu as canções que fizeram parte desse especial. Mas há duas coisas muito interessantes. Primeiro, eu lembro-me que, nos anos 90, sempre que as compilações dos Beatles, neste caso, a compilação, não sei se lembram, a azul, que tinha a segunda fase do percurso dos Beatles, chegava ao top e estava no top mais, na maior parte das vezes passava o vídeo do "Hello, Goodbye". Eles vestidos com aquelas roupas.

Eu lembro-me era do "If I Fell".

Também era outra. Também passava, sim, e também faz parte dessa coletânea. E depois, tem esse lado que a canção parece muito simplista e até infantil, mas se vocês olharem com atenção, é uma canção que está construída na ideia de repetição, tanto musical como nas palavras. E aliás, toda a canção é um jogo de palavras, é uma coisa muito inteligente e muito bem feita e devíamos todos prestar mais atenção a isto, meus amigos.

A letra é, pois. Sim.

Porque há aqui muito segredo e há aqui muito trabalho, isto não é fácil. Essa é que é a verdade.

E depois têm o teledisco.

Exatamente.

Aqueles vestidos com aquelas cores, inacreditável.

Coisa fantástica.

E a "For You Blue"? Desta não me lembro.

"For You Blue" tem uma história engraçada. 1970 já, álbum "Let It Be". Podem ver várias coisas sobre isto no especial que está na Disney, o "Get Back". A canção é o lado B da "Long and Winding Road", mas aparece na lista de singles de forma dupla, portanto, as duas canções aparecem listadas, e isso era uma coisa muito rara. E eu achei piada porque o "For You Blue" é o único destes singles que não foi escrito por Lennon McCartney. Esta é uma canção do George Harrison. É ele que está a cantar. É o John Lennon que está a fazer esta guitarra em slide, que lhe dá aquela cor especial. É um 12 Bar Blues clássico. O próprio George Harrison, no meio da letra, diz a expressão 12 Bar Blues. E tem outra coisa muito interessante: é uma canção que foi dedicada à então mulher de George Harrison, Patty Boyd.

A mais bonita das ex-namoradas dos Beatles.

Que em 1977, haveria de casar com Eric Clapton.

E Eric Clapton escreveu-lhe a "Layla".

Grande amigo de George Harrison, que haveria também, exatamente, dedicar lhe canções, não só a "Layla", mas, por exemplo, "Wonderful Tonight", também é dedicada à Patty Boyd. E portanto, este dado de inspiração romântica pareceu-me fundamental trazer aqui.

Era muito bonita e nova ela, as fotografias da altura dos Beatles.

Nota que o Nelson diz "era muito bonita e nova".

Sim, sei lá. Quero dizer, era daquela fase das namoradinhas dos Beatles.

Mas agora os de sempre achei mais nada. Nada a comentar.

Achei que era muito bonita.

Pronto, vamos à quinta.

E vamos à última.

A última é um clássico. O "Get Back", eu não tenho que dizer, é só uma grande cantiga.

É incrível. Adoro isto.

Mais uma vez, se puderem espreitar o especial que está na Disney+, tem um momento raro e de incrível beleza, que é ver a música a nascer.

A ser criada, sim. Também podem ler no site do Observador o especial Get Back Beatles Observador. É assim que se escreve no Google, não é? Get Back Beatles Observador. Encontram o artigo que o Gonçalo fez sobre o filme.

O Gonçalo fez de forma muito inteligente, como é seu apanágio.

E brilhantemente editado.

Sim, sempre.

Editor de cultura do Observador.

Esta canção, que já por si é fantástica, ainda tem no lado B, "Don't Let Me Down".

Não, agora não é nada. Gosto muito mais desta.

Mas é só para vermos, não é? O que vamos pôr aqui no lado B? Epá, pomos esta, "Don't Let Me Down".

Esta que está aqui um bocadinho a mais.

Não é? Este resto.

Muito bem.

É os restos dos Beatles. Já são as iguarias da maior parte das outras bandas.

Dava um belo banco de suplentes.

Olha. Vimos hoje 58 anos no lado bom da vida, às quartas, nostalgia. Há 58 anos, os Beatles conseguiram o primeiro single número um nos Estados Unidos e fizemos aqui uma viagem por cinco dessas canções que chegaram a número um. Foram 20 no total da carreira da banda, e aqui escolhidas também pelo Tiago Pereira. Muito obrigado, Tiago.

Sempre às ordens.

Amanhã estás de volta. Falamos de streamings, coisas que podemos ver em ecrãs.

Por aí fora.

Amanhã, no lado bom da vida. Tiago, bom resto de dia. Um abraço.

Um abraço.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto