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Hoje, no "Lado Bom da Vida", recebemos Bruno Vasconcelos, também conhecido por Beato, um nome que tem vindo a crescer no panorama musical nacional. É cantor, compositor, produtor, fez parte também de alguns grupos musicais e em 2022 lançou o primeiro disco a solo. Hoje, Beato vem nos apresentar "Lara Lara Lara", o novo single que promete um novo disco para 2024. Bem-vindo.

Obrigado.

Obrigada por teres vindo à Rádio Observador.

É um prazer. Acho que é o último programa do ano, não é?

Exato.

É um prazer enorme poder fechar aqui o ano.

Com a chave de ouro.

No lado bom da vida.

Claro que sim, o prazer é todo nosso. Olha, Beato, começo, se calhar, por perguntar-te como é que foi o processo criativo para este novo single.

O processo criativo foi muito semelhante ao do primeiro disco. Eu gostei muito do resultado, então mantive um bocado o processo. Eu escrevo em casa, tenho um pequeno estúdio, como quase toda a gente que faz música hoje, tem um pequeno estúdio em casa. Era uma música que já estava, que saiu também muito naturalmente. Convidei o Pedro Silva Martins pra me ajudar a escrever a letra. A música quando foi escrita, a parte melódica e harmônica e mais ou menos o arranjo, só sabia que ela ia ser sobre a Lara, Lara, Lara.

Mas já sabias isso?

Isso já sabia. Tinha algumas ideias.

E sabes quem é a Lara?

Não. É assim, nós sabemos, eu e o Pedro sabemos, na verdade. Aliás, nós revemo-nos muito na letra, foi muito engraçado, porque ao falarmos sobre a história que a música iria contar, encontramos muitas afinidades. De um lado, aquela pessoa mais introvertida e depois existe alguém mais extrovertido.

Contrabalançar.

É, contrabalançar.

Falavas da continuidade em relação ao teu primeiro álbum. O que este novo álbum trará de diferente?

O primeiro disco eu fi-lo em bloco. Foi um disco que eu escrevi à moda antiga, por assim dizer. Escrevi as músicas todas. Este disco, de uma forma propositada, vou fazer de outra forma, que é vou começar a escrever aos poucos e vou tentar criar uma linha condutora, porque as músicas acabam por marcar determinadas fases da nossa vida. Seja ao nível lírico, seja ao nível de arranjo, seja ao nível da harmonia. E acho que é importante também dar um bocado de espaço pra isso, porque na verdade, no final, acho que o disco vai soar de uma forma coerente, porque é assim, sou eu.

Porque é teu.

Exato, é um bocado isso.

É Beato.

E vai ser produção minha. No disco anterior eu tive a produção do Nuno Rafael, fizemos a coprodução. Este disco não é tanto estar mais como lobo solitário a fazer isto, porque eu gosto muito de fazer colaborações e acho que é importante ter o input de outras pessoas. Mas vai ser assim o processo.

E é precisamente pegando aqui nas colaborações. Tu no "Bonança", que foi o teu primeiro álbum em 2022, colaboraste também com a Joana Barra Vaz, tiveste uma música no disco. Sei que se calhar não nos podes revelar muito, mas no próximo disco podemos esperar mais colaborações.

É assim, digo com a certeza que vão haver colaborações, porque como eu disse, eu acho que enriquece o disco. Acho que há pessoas com quem eu gostava de trabalhar e ter um disco e ter músicas a serem preparadas é sempre um bom motivo pra fazer o convite. E pra mim é sempre um privilégio. Pra mim foi um privilégio ter a Joana a cantar a música comigo, gosto muito da voz dela. Aliás, essa história é uma história que já vem desde o Festival da Canção, quando nós nos encontramos nos bastidores do Festival da Canção numa das edições, e aconteceu. Acho que encaixou muito bem, acho que a música ganha muito com a participação da Joana. E o próximo também vai ter, certeza.

Então podemos esperar o disco pra 2024.

É assim, se tudo correr bem, sim. Eu tô a trabalhar pra isso, como estava há pouco a comentar. Este ano, 2023 foi o ano da paternidade, fui pai no final de junho, e portanto, uma nova dinâmica se impôs.

Claro.

Por mais avisos que uma pessoa receba, só quando se está na onda é que se percebe realmente o impacto. Tá sendo maravilhoso. Mas acho que vai acontecer, porque eu já tenho muito material e vou estreitar esta colaboração com o Pedro Silva Martins também, pra me ajudar a escrever as letras, porque ele é muito bom. É um escritor, escreve sobre o cotidiano e eu gosto muito disso nas letras, e são muito visuais a forma como ele escreve.

Então deixa-me voltar aqui ao tema das colaborações. Elas acontecem de uma forma mais ou menos orgânica, pessoas que vais encontrando também nas digressões, nos concertos, em festivais, eventualmente, ou vais à procura, tens aquela ideia de que precisas do trabalho de alguém e vais lá bater à porta, desafiar para te acompanhar?

É assim, até agora tem sido um bocado pelo encontro, porque acho que a parte pessoal também é muito importante. Tem que haver ligação, tem que haver uma afinidade de interação, que acho que é essencial pra depois o trabalho correr bem. Eu posso querer muito trabalhar com alguém, mas se calhar não estamos na mesma sintonia e depois a coisa não rola.

Claro.

E já aconteceu também. A parte do contato com outros músicos, com outros artistas, lá está, nos concertos, mesmo com outras bandas com quem eu toco também, é muito importante para criar essas ligações. A música é muito emocional, tem que haver essa componente.

Claro. Ainda sem a certeza que chegue um álbum em 2024, mas tudo indica que sim.

Sim.

Com a chegada deste novo disco, podemos também esperar alguma espécie de digressão nacional, uma série de concertos?

Olha, é assim, já desde o primeiro disco, aquilo que eu prometi a mim mesmo é que não ia entrar ansiedades em relação a concertos.

Vais com a maré.

É, eu vou com a maré. É óbvio que há trabalho a ser feito, mas é um contexto muito competitivo, também não muito fácil. Vamos ver o que vai acontecer. Aliás, vocês transmitem aqui as notícias diariamente. Existe essa expectativa, claro, mas não vou criar ansiedades. Por mim, eu gosto de fazer discos, gosto de fazer canções, gosto de fazer os arranjos, é uma coisa que me dá muito prazer mesmo. Depois, a parte ao vivo, se der, dá, vamos ver.

Então és mais de estúdio, de ficar recolhido. Porque temos recebido cá muitos músicos que dizem que onde se sentem bem mesmo é no palco.

Eu já pensei muito sobre isso. Eu gosto muito de trabalhar em estúdio, gosto muito de fazer os arranjos. Aliás, também faço muito trabalho pra televisão, e isso é uma coisa que me dá muito gosto de fazer, música pra imagem.

E banda sonora, não é?

E banda sonora, sim. E é uma coisa que me dá muito gosto de fazer, porque mesmo quando estou a fazer as canções pra disco, penso sempre visualmente. Não sei se é da minha influência dos anos 80, em que os videoclipes eram fantásticos, eram autênticas produções. Acabo por gostar muito de trabalhar em casa. O concerto eu gosto muito, mas há ali uma parte de nervosismo que às vezes me deixa um pouco arreliado. Mas é sempre bom quando temos o feedback do público, a situação de estar em contacto com uma audiência em direto, ao vivo. É maravilhoso.

Tens algum ritual antes de entrar em palco?

Normalmente é aquecer as mãos. Eu sofro de mãos frias. Aqui no vosso estúdio está ótimo, não tenho de aquecer muito as mãos. Mas normalmente há concertos em que estamos em contexto menos protegido em termos climáticos. O meu ritual normalmente é sempre alguma concentração, falar com os músicos, tentarmos criar um ambiente de entrar no concerto.

Quebrar o gelo.

Já que falavas de vídeos, este single vai ter ou já tem vídeo? Já pensaste nisso?

Não, este single que eu vou tocar hoje já foi lançado no final de setembro e tem um lyric vídeo que eu fiz com a Diana Mendes, que foi ela que fez a sessão fotográfica. Eu queria fazer uma coisa simples e depois acabámos por fazer uma fotografia viva.

E envolves-te muito nesse processo?

Sim, sou muito chato. Quando estou a fazer uma música, estou a pensar logo em imagens, em situações.

É logo o cara dos anos 80. Os vídeos são dos anos 80.

É um bocado isso. Aliás, há um vídeo do disco anterior, do "Assim na Terra como no Céu", que fui eu que fiz com uma amiga. Juntamo-nos com a família toda do norte, que somos para aí 60. Nós costumamos fazer sempre encontros de família e deu-me um gosto tremendo fazer o vídeo. É uma grande canseira.

Dá muito trabalho, é verdade.

Tem de se ter muita arte, pressão, eficiência e isso tudo.

Portanto, já nos falaste que este "Lara Lara Lara" é sobre uma Lara, não é? Que está em comum entre tudo. Não podia ser, sei lá, uma Joana.

Mas qualquer pessoa se pode rever.

Então podemos todos nos rever neste "Lara". Não temos muito tempo aqui na Rádio Observador. Gostava, antes de mais, de te agradecer por teres vindo à Rádio Observador, para fechar o ano em bom. Muito obrigada mais uma vez, um ótimo 2024. Vamos ouvir agora Beat na Rádio Observador com o mais recente single, chama-se "Lara Lara Lara", com a promessa que há um álbum em 2024. Vamos ficar à espera. Obrigada.

Quando numa festa me quero esconder, arranjas forma de me revelar. Conheces alguém que tens que me apresentar. Eu nem um "boa tarde" bato para dizer e tu já numa boa a conversar. Em dois minutos fomos convidados para jantar. E em três já temos nas férias onde ficar. Lara, Lara, Lara, Lara, tens essa virtude rara de chegar e de sorrir, falar e fazer-te ouvir. Lara, só tu para o que nos separa unir. Numa situação mais protocolar, não fazes cerimónia com ninguém. Dizes o que sentes sem nunca olhar a quem. Eu, que guardo tudo até rebentar e da etiqueta sou refém. Queria ter essa à vontade às vezes também. Tremo quando penso que posso melindrar alguém. Lara, Lara, Lara, Lara, tens essa virtude rara de chegar e de sorrir, falar e fazer-te ouvir. Lara, só tu para o que nos separa unir. Há quem confunda a tua franqueza com alguma falta de noção. E sei que te magoa muito essa opinião. Mas não vejas isso como uma fraqueza, vê mais como um dom ou vocação. Eu vivo na cabeça, tu vives no coração. Vi nessa franqueza a nossa lei da atração. Lara, Lara, Lara, Lara, tens essa virtude rara de chegar e de sorrir. Lara, Lara, Lara, Lara, tens essa virtude rara de chegar e de sorrir, falar e fazer-te ouvir. Lara, só tu para o que nos separa. Lara, só tu para o que nos separa. Lara, só tu para o que nos separa unir.

Foi ótimo. Obrigada, Beat, por teres vindo à Rádio Observador. Obrigada a nós.