Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta sexta-feira, o lado bom da vida ao vivo é com Nico Paulo. É uma portuguesa que vive no Canadá e que me deixou boquiaberto com a qualidade da sua voz, porque tenho estado a ouvir o seu disco, o primeiro, longa duração, depois de um primeiro EP, e são canções tão bonitas que eu resolvi convidá-la para que o Bruno Vieira Amaral e a Judite França também a conhecessem. Nico, obrigado por estares indo à Rádio Observador.

Obrigada vocês por me terem aqui.

Às vezes, nós costumamos ter aqui artistas que já conhecemos, mais ou menos. Vamos perguntando coisas, temos curiosidade sobre o teu trabalho, mas aqui, no teu caso, eu tenho curiosidade sobre as tuas origens, como é que tudo começou. Apesar de teres nascido no Canadá, pelo que percebi, viveste alguns anos no Bombarral e tinha até dúvidas. A música começa na tua vida ainda no Bombarral, ou não?

Sim, completamente. Muito.

Com bandas de garagem.

Sim, mais nas Caldas da Rainha, porque eu fui estudar para as Caldas no ensino secundário. Na altura, já tinha uma vertente, queria seguir mais artes, etc. E acabei por ir para as Caldas da Rainha, que oferecia artes na altura, no secundário.

E tu também trabalhas em artes visuais, ainda hoje, não é?

Sim.

É engraçado. Muito bem. Nota-se nos teus vídeos, até alguns têm realização ou co-realização contigo.

Sim, exato.

Há uma matriz folk pop, pode-se dizer assim, na tua música. Sempre foi este o gênero que quiseste abraçar ou é um processo de descoberta e de experimentação?

É um bocado um processo de descoberta e de experimentação. Eu acho que ter ido pro Canadá e ter emergido, submergido, ter estado mais presente com o folk americano, realmente fez-me descobrir partes daquilo que eu queria fazer, que eu não conhecia.

Puseste o hip-hop de lado, foi?

Pus o hip-hop de lado, exato. Imagina.

A tua sonoridade, a sonoridade das tuas canções é muito suave, elegante, mesmo que a temática, por vezes, seja um pouco mais agreste, as relações e os amores nem sempre acabam bem. Isso é uma forma das canções, o som, tentar amenizar um pouco o conteúdo?

Não, eu acho que tudo tem um ciclo. Dá reconforto. Dá para ouvir e para ficar às vezes mais contemplativo. Mas eu acho que a ideia das canções é às vezes estar mesmo numa mais de sentir as coisas que às vezes não são tão boas, de uma maneira mais suave e mais direta também. Há muita gente que prefere às vezes pôr as coisas de lado durante muito tempo. E eu acho que estas músicas ajudam a ir mesmo ao fundo das questões e de reavaliar a esperança e desejos, e sonhos, e coisas assim.

No novo disco, há uma canção chamada "Amor, Amor, Amor", onde te ouvimos em português, francês e inglês. Quando queres compor canções, qual é a tua língua materna?

Recentemente, tem sido mais inglês, mas como é óbvio, eu sou fluente primeiro em português. O francês é uma língua que apadrinhei, porque tenho familiares em França, os meus avós, por acaso estive lá a visitá-los agora há pouco tempo, da parte do meu pai. E cresci muito com verões em França ou verões com primos de França cá. Aprendi a falar francês um bocadinho. Entendo completamente. E essa música é um showcase das três línguas, mas maioritariamente em inglês.

E quanto às tuas referências, às tuas influências e inspirações, falaste da Faust, da Gal Costa, da Nico, dos Velvet Underground. Tens referências nacionais, na música nacional?

Sim, eu ouvia muito, quando era mais nova, Mafalda Veiga, Ana Moura, Sara Tavares, que uma triste notícia semana passada. Como é óbvio, depois descobrimos um bocado o Fado. Eu nasci em 92, foi na altura em que o Fado começou a ficar mais-

Moderno.

Mais moderno, exato. E como é óbvio, descobrir a Mália foi uma coisa que veio, já estava no Canadá, por exemplo, mais tarde. Mas eu acho que quando descobres coisas assim, quando és mais adulto, às vezes bate de uma maneira diferente.

É melhor.

É, eu acho que sim.

Como é que correram os concertos? Andaste aqui em outubro, novembro, com muitas atuações em Portugal, e fiquei curioso para perceber se a tua aposta artística contempla o nosso país ou se de alguma forma estás mais radicada no Canadá e é por lá que seguirá a tua carreira musical também.

Sim, é assim, a carreira começou lá, na verdade, mais profissional. Mas a ideia é vir aqui sempre que posso, porque eu tenho família, tenho muitos sobrinhos e eu acho que faz todo sentido.

Em 2021, colocaste um tema na coletânea Novos Talentos FNAC.

Sim, exatamente.

Talvez foi assim uma...

"Please Don't Forget" era o tema. Sim, eu tenho tentado, mas eu também não gosto de forçar as coisas. Acho que as coisas acontecem. Eu também percebo, porque quando não tens uma coleção com músicas maiorzinha, com 10 canções ou assim, é difícil também chamar a atenção. E eu acho que é mesmo trabalho, é mostrar o trabalho. E eu acho que a minha faz bem.

Gostavas de fazer uma colaboração com um músico português?

Adorava. Sim, era muito giro.

Estava me a lembrar que há uma banda que até toca aqui na nossa playlist, que são as Golden Slumbers.

Exato, era muito giro.

Achei que são mais ou menos desse universo pop.

Sim! Eu não as conheço assim diretamente, pessoalmente.

Queres o número? Essa Catarina.

Se me deres o número, aceitava, da Cat ou da-

Catarina Falcão.

Exatamente.

As Manas Falcão.

As Manas Falcão. E existe uma terceira, que é mais velha, que chegou a fazer um concerto comigo No Music Box. Por acaso eu esqueço-me do nome do projeto, mas elas são três ou quatro irmãs. E são todas artísticas.

Há uma que é a Amanda e a outra tem o projeto, também são os Varwell, que é um pouco mais electronic.

Mas não é Varwell, é ainda o outro projeto, da mais velha de todas.

Muito bom. Só aqui a olhar os próximos concertos, no dia 1 de dezembro podem ver a Nico Paulo no Porto, no Festival Perímetro. É assim que se chama, não é?

Sim.

No próximo dia 6, há concerto no Bota, que fica nos Anjos, em Lisboa, e eu estou muito curioso. Já agora, estes concertos, estás sozinha, estás com uma banda mais completa, um formato mais reduzido?

Vão ser em formato duo. Sou eu e o Adam Hogan, que veio do Canadá, importadíssimo, diretamente da Terra Nova, e que me tem estado a acompanhar e a conhecer família, etc.

Muito bem. A Nico também preparou aqui uma versão um pouco mais despida da "The Master". É de facto uma das minhas favoritas deste disco, o primeiro longa duração de Nico Paulo. Gostei muito de te conhecer. Espero que gostem, é uma belíssima voz a da Nico e espero que venhas mais vezes a Portugal para que possamos falar. O nosso palco é teu, quando quiseres. Obrigado.

Ok. This is it. I came a long way. The fire is out, but I can feel the flame. What tangles inside of me? The question remains. The question remains. The question remains. How come you never get mad, put your feelings outside? How come you never get angry? How come you never get sad? Oh, I believe I can master that. Oh, I believe I can. This is now who I am. Stretching into another shape I don't quite understand. Looking up at the moon that used to hold my faith. That old dream again and the question remains. How come you never get mad, put your feelings outside? How come you never get angry? How come you never get sad? Oh, I believe I can master that. Oh, I believe I can. Oh, I believe I can master that. Oh, I believe I can.

Muito bom.

Obrigada.

Recordem este nome, Nico Paulo. Está disponível já este longa duração, auto intitulado "Nico Paulo" e esperamos ver-te em breve. Cuidados técnicos aqui do Bernardo Almeida. Obrigado, Nico. Até breve.

Obrigada.