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O que é que une as pessoas? Exércitos, ouro, bandeiras. Nada no mundo tem tanto poder como uma boa história. Histórias que mudam tudo. HBO Portugal. Experimente grátis. Este programa tem o apoio da HBO Portugal. É hora de lado bom da vida. À quinta-feira falamos de cinema e está já conosco a jornalista Catarina Santos. Muito bom dia, Catarina. Boa quinta-feira.

Bom dia.

Com obras em casa?

É verdade, tem um vizinho berbequim que gosta muito de se fazer notar nos últimos dias. Por isso é provável que entre no programa.

Sound surround.

Sim, deixa a economia funcionar. Bem dito.

Tenho pensado nisso sempre que me acorda pouco depois das 08:00 .

As vantagens de ter um trabalho.

Olha, Catarina, vamos começar pelas tuas sugestões de hoje. Guia-nos.

Hoje trago-vos um dos eventos de cinema que tem sido mais falado nas últimas semanas e mais aguardado. A partir de segunda-feira vamos poder ver filmes num ecrã gigante, através do para-brisas do carro, no Jardim Municipal de Oeiras. O drive-in que a Comic Con vai oferecer durante toda a próxima semana traz filmes diferentes todas as noites. É só estacionar o carro, sintonizar a frequência dada pela organização e já está. Até podem recostar o banco até ao limite ou comer pipocas com todo o ruído sem incomodar ninguém.

Fantástico. É assim um regresso aos anos 50 na América, não é?

É verdade.

Convém é ter o para-brisas bem limpinho, sem mosquitos.

Sim, de preferência.

E que tipo de filmes é que vamos poder ver nestas sessões noturnas?

Há muita variedade. Há comédia, há terror, há filmes de super-heróis. A Comic Con é um evento dedicado à cultura pop e, portanto, a programação não foge desse grande chapéu. A estreia, já esta segunda-feira, faz-se com a comédia "O Meu Espião", protagonizada pelo ex-lutador de wrestling Dave Bautista. Muito resumidamente, há um espião, há uma filha de nove anos que descobre o disfarce do pai e há uma chantagem: o silêncio em troca de umas aulas de espionagem. O filme arranca pelas 21h30, mas os carros começam a entrar no estacionamento e a ocupar o lugar designado a partir das 20h. Nos dias seguintes, o cartaz compõe-se com: "Era Uma Vez em Hollywood", de Quentin Tarantino, com Leonardo DiCaprio e Brad Pitt nos principais papéis. Segue-se o sul-coreano "Parasitas", o grande vencedor dos Oscars do ano passado, e no resto da semana há o segundo capítulo do filme de terror "It", há "La La Land", há "Homem-Aranha" e por aí fora. São nove filmes em sete dias. Nas sessões semanais há um filme por noite, na sexta e no sábado há dois filmes seguidos.

Eu ainda não vi nem o "Era Uma Vez em Hollywood" nem os "Parasitas". Como é que eu consigo reservar um lugar para mim e para a minha camioneta? Não, para o meu carro, Catarina.

Pois, Ricardo, na verdade, é simultaneamente muito simples e impossível. É muito simples.

Foi altamente esclarecedora essa resposta, Catarina.

Eu vou explicar. É que era só preencher um formulário no site do evento e depois eles enviam um e-mail com as indicações para se mostrar à entrada do estacionamento. É assim que se marca bilhete. Só que neste momento todos os filmes estão esgotados. As inscrições foram abertas apenas esta terça-feira e uma visita ao site da Comic Con permite ver o carimbo de esgotado em cima de todos os cartazes de filmes programados. Portanto, para o drive-in da Comic Con, já só se houver alguma desistência. Podes ficar sempre atento ao site.

Pronto, não há alternativa, não é?

Sim.

Faço a perceber o sucesso deste tipo de iniciativas, principalmente numa altura destas. Parece mesmo que o drive-in é feito à medida para uma pandemia. E já havia outras versões a explorar este tipo de eventos, de drive-in. Já tivemos também em Portugal concertos e espetáculos de magia.

Exatamente. Há uma grande programação a aproveitar este formato, precisamente porque ele se presta mesmo a permitir-nos segurança para ver estes espetáculos. Noutros países, no caso do cinema, já voltou em força há várias semanas, com sessões a decorrerem até nos locais mais inusitados. Na Lituânia, por exemplo, o aeroporto de Vilnius começou a 29 de abril a exibir cinema na própria pista do aeroporto, que permitiu a entrada de 150 carros num sítio onde normalmente os carros não podem de forma alguma estar, e também exibiu Parasitas nessa estreia. Mas há outros exemplos inéditos. Na Alemanha, montaram-se ecrãs gigantes no meio de campos. No Irão, há mais de 40 anos, desde a Revolução Islâmica, que não era permitido um cinema em modo drive-in, por permitir demasiada privacidade entre casais não casados. Pois bem, o parque de estacionamento em frente da Torre Milad, em Teerão, voltou a acolher um drive-in nesta fase.

E em Portugal nunca tivemos grande tradição em drive-ins, pois não?

Não, houve alguns eventos esporádicos. Ainda no ano passado, houve uma iniciativa em Almada, na Cova da Piedade, mas historicamente não é uma tradição nossa. É mais comum haver, nos últimos anos, cinema ao ar livre em parques ou terraços, mas não dentro do automóvel.

Ainda assim, está no nosso imaginário. Ironicamente, conhecemos os drive-ins só através do cinema.

Exatamente. Quantos filmes já nos levaram para drive-ins nos Estados Unidos durante toda a nossa vida? Há um especial da Maria Ramos Silva no site do Observador, publicado há duas semanas, que ajuda a perceber um bocadinho a história desta plateia dentro do carro, como ela lhe chama. Nasceu nos anos 30 e foi se espalhando e aprimorando técnicas para garantir qualidade de imagem e de som nos Estados Unidos e acabou mesmo por se tornar uma forma de alargar o acesso ao cinema. Numa citação reproduzida no artigo da Maria Ramos Silva, o responsável por um drive-in no Ohio, nos anos 40, explicava que o público-alvo, na altura, ia de casais que não tinham onde deixar os filhos, a senhoras gordas que não cabiam nos lugares dos cinemas convencionais. Nos anos 50, chegou a haver drive-ins com capacidade para 2500 carros nos Estados Unidos. Depois, nos anos 70 e 80, começaram a cair em declínio, mas alguns conseguiram sobreviver e reabrir alguns anos depois. E agora está aí, com décadas de atraso e por motivos muito particulares, digamos, o drive-in conseguiu fazer sucesso em Portugal. Já aconteceu na Batalha, também, em meio de maio. Agora, há esta iniciativa da Comic Con e em julho volta a haver sessões pelo pára-brisas no Festival de Cinema da Avanca, em Estarreja. E não é arriscado apostar que estas iniciativas estão para ficar.

E podemos sempre aliar cinema à rádio, porque o som, como tu explicaste, chega pelo rádio do carro.

Exatamente. Há uma frequência que é dada pela organização, tem que se chegar lá e sintonizar para termos o melhor som. Diria que quem tiver o carro artilhado em modo tuning é como ter um sistema de som instalado em casa.

E quem tiver o autorádio avariado, tem que ir tratar disso para ir ao cinema.

Exatamente.

Levam rádio a pilhas.

Também deve servir.

Ouve no telemóvel. Pois, nalguns dá.

Ou então pede ao vizinho para aumentar o volume.

Sim. Encostam os carros. Não faltam soluções, já percebemos.

Mas os vizinhos estarão a dois metros. Todos os carros estão com distância de segurança.

Até os carros têm de manter distanciamento. Pobres coitados.

Exatamente.

Catarina Santos, muito obrigado pelas tuas sugestões de cinema. À quinta-feira falamos de cinema no "O Lado Bom da Vida" e este fica disponível já daqui a instantes nas plataformas de podcast. Beijinhos, Catarina, boa quinta-feira.

Um bom dia.

Este programa tem o apoio da HBO Portugal. O que é que une as pessoas? Exércitos, ouro, bandeiras. Nada no mundo tem tanto poder como uma boa história. Histórias que mudam tudo. HBO Portugal. Experimente grátis.

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