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E hoje, como é quinta-feira, há novidades de cinema com a editora de multimídia do Observador, Catarina Santos. Bom dia, Catarina.

Bom dia.

Bom dia. O que nos trazes hoje?

Mais uma vez, cinema em casa.

Cinema de pantufas.

Exatamente. E de pijama, se quiserem, ninguém vai ver. A boa notícia é que, tal como aconteceu em março e abril, a oferta nesta área está a crescer, com várias produtoras e distribuidoras a disponibilizarem filmes online. A Medeia fez regressar a Quarentena Cinéfila esta semana e vai libertando filmes que ficam disponíveis por alguns dias. Até ao meio-dia de hoje, por exemplo, ainda podem ver Posto Avançado do Progresso, de Hugo Vieira da Silva. Para quem sai às 11:00, como é o vosso caso, ainda dará para ver metade do filme, se forem rápidos.

Pois, Catarina, mas era só metade. Mais vale apanharmos a bolha seguinte, se calhar. Qual é o filme que se estreia hoje?

Hoje, ao meio-dia, fica disponível O Mundo no Arama, do alemão Rainer Werner Fassbinder. Este fica mais alguns dias e ainda abraça o fim de semana, por isso têm até ao meio-dia de segunda-feira para o ver. O filme leva-nos para um mundo artificial que é uma mistura do universo de Laranja Mecânica, com o de Matrix e com o eXistenZ, do Cronenberg. Foi lançado originalmente como uma minissérie televisiva em 1973 e é bastante impressionante vê-lo agora e reconhecer nele temas que são mais atuais do que nunca: a tecnologia a tomar conta de tudo, a dissolução da identidade individual e a preponderância de identidades virtuais, o jogo de interesses entre grandes empresas e o Estado. Enfim, nós leremos muito da nossa época neste O Mundo no Arama. Fassbinder há de ter lido muito da sua Alemanha dos anos 70, da Guerra Fria, quando o fez.

Muito interessante.

Este fica disponível até segunda-feira, mas o que mais cabe nesta quarentena cinéfila e onde é que podemos ver tudo isto?

Está tudo em medeiafilmes.com, de forma gratuita, e depois de segunda-feira vão passar por lá títulos como Chantrapas, do georgiano Otar Ioseliani, O Pequeno Mundo de KanKan, de Bruno Dumont, que foi considerado o melhor filme em 2014 pela revista Cahiers du Cinéma, e ainda Alguns Dias em Setembro, de Santiago Amigorena. A Medeia Filmes planeia uma segunda fase para esta quarentena cinéfila e anunciará em breve mais nomes para este catálogo.

Muito bem, ficamos à espera. E que mais temos para ver online já a partir de hoje, Catarina?

Como dizíamos no início, esta tendência de abertura de portas online é cada vez mais vasta e como aconteceu, aliás, naquela primeira fase da pandemia, também a produtora O Som e a Fúria está desde a semana passada a libertar um novo filme por semana no canal do Vimeo, do Som e a Fúria. É possível alugar cada um por €2,99. Na semana passada ficou disponível Tabu, de Miguel Gomes. Hoje é a vez de Volta à Terra, de João Pedro Plácido. É um documentário e conta a história de uma comunidade que está em vias de extinção numa aldeia do norte de Portugal. Os habitantes que não emigraram são camponeses e ainda praticam agricultura de subsistência. E o filme vai-se focando em algumas personagens, como António, um antigo imigrante que realizou o sonho de regressar ao país e que está a preparar a festa da aldeia para o verão, e Daniel, um jovem pastor sonhador que anda à espera que o amor lhe bata à porta.

Parece também interessante e mais bonito, pelo menos, do que O Mundo no Arama. A cada quinta-feira podemos alugar um filme novo, não é? O que é que há mais nesse catálogo?

Nas próximas semanas teremos obras de nomes como Sandro Aguilar, João Nicolau, Salomé Lamas, Ivo M. Ferreira, entre vários outros. A planificação vai até 27 de maio, pelo menos, e pode ser consultada no site da produtora O Som e a Fúria e em vimeo.com/osomeafuria. E claro, há também programas pensados especialmente para os mais pequenos.

Isto interessa-me particularmente, sobretudo agora com os miúdos em casa e sem aulas.

Há pois.

Também a ti, Tiago.

Exatamente.

Mas não é pra ti.

Estou a escutar.

É mais pra mim.

Vamos lá, Catarina, que filme podemos ver com os mais novos?

Uma alternativa às plataformas de streaming mais comuns, ou para o caso de já as terem esgotado, é o videoclube da Zero em Comportamento. A associação cultural tinha retomado algumas sessões de cinema presenciais, mas agora teve de voltar a concentrar a programação nos seus Filminhos, no site. A sessão deste mês dura cerca de uma hora e inclui várias curtas-metragens. Por exemplo, a história de Ian, que tem paralisia cerebral e vai tentando integrar-se com as outras crianças no recreio, as aventuras do pequeno Rudy, um lápis vermelho que vai colorindo o ecrã à medida que a narrativa se desenvolve, ou o dia em que o sol descobre que não é bem-vindo. São nove pequeninos filmes e a sessão para os ver a todos juntos custa €3. Estão disponíveis no site da Zero em Comportamento.

Muito bem, ficam as sugestões de filmes para ver em casa, sugestões da Catarina Santos, editora de multimídia do Observador. Catarina, boa quinta-feira para ti.

Bom dia.

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