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E começa agora mais um "O lado bom da vida". Hoje falamos de filmes com a editora de multimédia do Observador. Bom dia, Catarina Santos.
Bom dia.
Fim de semana prolongado à porta. Que sugestões nos trazes?
É, fim de semana de Páscoa, mas hoje vamos falar de cavalos e cowboys. Peço desculpa.
Parece. Fica sempre bem.
Não havia nenhum filme a estrear com caça aos ovos.
Interessa é que seja bom.
Nem de sandália. Não havia nenhum filme de sandália, isso tu queres dizer.
Não, há vários, mas já não se estão a estrear.
Mas não se estão a estrear. Pois, é isso.
Queremos novidades, venham elas.
Amanhã chega à Netflix "O Cowboy do Asfalto", que tem Idris Elba a liderar o elenco.
Pronto, não precisas dizer mais nada. Pronto, já está.
Próximo.
Não, grande actor.
Chega com um cartão de visita. Mas está lá também a co-protagonizar este filme Caleb McLaughlin, que alguns reconhecerão como o Lucas da série "Stranger Things", agora um bocadinho mais crescido. Resumindo a história: Cole, um rapaz de 15 anos, tem tendência para resvalar por caminhos menos aconselháveis e é expulso da escola em Detroit. É enviado para Filadélfia para passar uma temporada com o pai, Harp, com o qual não tem grande proximidade. E aí vai descobrir todo um mundo novo, bem diferente daquele a que está habituado. A principal ocupação do pai é reabilitar cavalos numa comunidade de cowboys citadinos afro-americanos, uma comunidade com uma cultura muito particular e que vai sendo gradualmente ameaçada por normas governamentais e pela gentrificação.
De cowboys afro-americanos não é muito comum, não é muito comum vê-los no cinema. Cowboys citadinos, também confesso que não sei muito bem o que é.
Exatamente, nada comum, mas eles fazem parte de uma longa tradição, com mais de 100 anos. Os historiadores estimam que, naqueles tempos áureos em que se passam grande parte dos westerns, um em cada quatro cowboys norte-americanos eram negros. E nalguns pontos dos Estados Unidos eles ainda existem, incluindo na zona norte de Filadélfia. É uma forma de vida e é também uma forma de afirmação. Nas palavras do autor do livro que inspira o filme, aquele é um bairro duro, mas se estiveres em cima de um cavalo, as pessoas vão respeitar-te.
Catarina, falaste em inspirações. O filme inspira-se em histórias reais?
Sim, é uma adaptação do romance "Ghettocowboy", de Gregory Neri, e vai beber muito do ambiente uma organização sem fins lucrativos chamada Fletcher Street Cowboys, que procura manter viva toda uma subcultura de cowboys urbanos afro-americanos. E também ocupar os miúdos daqueles bairros e dar-lhes uma alternativa ao crime e à violência, que por ali é abundante, infelizmente. "O Cowboy do Asfalto" foi filmado nos estábulos reais dessa Fletcher Street Cowboys e inclui no elenco muitos não atores que são cavaleiros, que trabalham mesmo ali todos os dias. O filme é uma primeira longa-metragem do realizador Ricky Staub, que vive em Filadélfia e se começou a interessar por aquela comunidade há alguns anos, quando se apercebeu da sua existência. O plano inicial era fazer todo o filme com não atores, aliás, com membros daquela comunidade de Filadélfia que tinham crescido a consumir tudo o que tinha a ver com cowboys, a ver filmes, a jogar videojogos sobre o tema, mas nesses universos não havia uma única personagem que se parecesse com eles. O papel principal acabou por ir parar às mãos de Idris Elba, que se interessou tanto pelo projeto que acabou por envolver-se também na produção. O ator conta que se sentiu como se estivesse a fazer um documentário durante a rodagem. Isto porque muitos dos cavaleiros reais daquela comunidade passavam o tempo a dar dicas ao ator e ao realizador para que o retrato daquela realidade fosse o mais fiel possível.
Mas o Idris Elba tem alguma relação com estas comunidades?
Nenhuma. Aliás, o ator cresceu num bairro do leste de Londres e conta que o pai dele era, esse sim, um grande fã de westerns, mas diz que ele próprio, Idris Elba, olhava para o gênero de soslaio enquanto crescia e que só começou a perceber que existiam comunidades de cowboys negros muito mais tarde, quando ouviu "Buffalo Soldier", de Bob Marley, e que depois se pôs a pensar que havia todo um fenômeno que marcou a história americana e que nunca tinha sido explorado no cinema. Aparentemente, tomou-lhe o gosto, porque já há outro western na calha com Idris Elba no elenco. Chama-se "The Harder They Fall" e há de estrear-se também na Netflix mais lá para a frente. Para já, temos estes "Cowboys do Asfalto" para ver a partir de amanhã.
Na Netflix, eu vou ver. Fica prometido, depois dou a minha opinião.
Isto do "Buffalo Soldier" é de facto interessante, mas é arriscado aprender a história nas músicas do Bob Marley. Consumir-se ali alguns produtos que podem alterar.
Mas não afetam a memória.
Pois não.
Não sei do que falas.
"Cowboys do Asfalto" para ver a partir de amanhã na Netflix. Sugestão da editora de multimédia do Observador, a jornalista Catarina Santos. Boa Páscoa, Catarina. Até para a semana.
Boa Páscoa. Até para a semana.
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