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Às sextas-feiras, a Rádio Observador tem música ao vivo aqui no seu estúdio e hoje temos conosco uma das revelações do ano na música nacional, graças a "Dores de Crescimento", disco de estreia. É nossa convidada hoje no ao vivo, a Carolina de Deus. Bem-vinda, Carolina. Obrigado por estares conosco e agora com o microfone, que era o que não estava acontecendo.

Olá, boa tarde. Obrigada.

Está contigo o António Santos, que te vai ajudar daqui a pouco para uma das tuas músicas. Vai apresentar aqui precisamente o "Dores de Crescimento" ao vivo daqui a pouco, mas vamos conhecê-la um pouco melhor. Está a ser um grande ano. Eu estava a ver a tua lista de concertos deste ano e das duas, três. Estás rica e muito cansada, não é? Foi um grande ano, o melhor até agora na tua carreira?

Sim, também começou há pouquinho tempo. Desculpem.

Começou em outubro. Estamos em dezembro.

Não, podia ser. Começamos em janeiro de 2022 com o "Talvez". E sim, sem dúvida que acho que o primeiro ano já foi inacreditável, mas este aqui foi ainda mais.

Tens 22 anos.

Não.

Perdão.

Já fiz 23.

Vinte e três.

Quase.

A internet ainda não atualizou.

Ainda não fez as contas aos meses. Tens 23 anos, mas "Talvez", que é um dos grandes sucessos deste disco, tem a tua autoria na letra e na música. Queres contar-nos um pouco sobre o processo de composição? Li algures que és autodidata do piano, é isso?

Sim. Eu comecei a aprender a tocar piano sozinha aos 13, mas o "Talvez", por acaso, não foi com o piano primeiro. Eram 5h30 da manhã e eu comecei a escrever, a melodia só me veio à cabeça e eu no dia seguinte é que peguei no piano e lá transpûs.

E isso costuma acontecer, inspirações?

Não, é raro.

Mas isso quer dizer o quê? Tens uma hora por dia em que te dedicas ao ofício, qual emprego?

Não, não é bem assim. Acontece muitas vezes virem melodias à cabeça e eu gravo no meu dictaphone e chego à casa e escrevo uma letra, por exemplo.

Mas não és primeiro a melodia?

Não, no "Talvez" foi primeiro o poema, que é coisa que não é habitual pra mim. Normalmente, é primeiro a melodia. Às vezes, vem tudo de uma vez, quando a pessoa está muito inspirada.

Enxurrada, uma enxurrada de inspiração.

E fica muito parecido com o resultado final, aquela primeira ideia, ou sofre muitas transformações?

Depende. Normalmente não há grandes mudanças, porque à medida em que eu vou mudando, depois deixo de gostar tanto.

Às vezes a primeira impressão é a melhor.

É o instinto.

E no francês, também és autodidata. "Je vais" é uma das canções deste disco. Por acaso gosto muito da canção e adoro a língua francesa. E safas-te muito bem em francês. Como é que é essa relação? É familiar?

Não. Eu andei numa escola francesa dos três aos 16. E tenho a dizer que eu não gostava muito de francês. Foi uma das razões pelas quais eu saí.

Foi o excesso, excesso de francês. A pessoa fica alérgica.

Era muito cansativo. E eu não era muito boa. Mas depois, mais tarde, descobri a música francesa e tenho a dizer que me apaixonei pela língua. E a música não é minha, o "Je vais" é da Zaz, e eu gosto tanto da música, é uma das minhas músicas preferidas.

Que interessante, porque eu quando ouvi pensei: "Express Zaz". Afinal, é mesmo.

É mesmo.

Ok. Porque ela tem esse lado, esse instrumental muito francês também. Apesar das coisas que fazes em termos de letra e música da tua autoria, há aqui também vários colaboradores e letristas neste disco. Estava me lembrando a Barbara Tinoco, tem uma canção também. Até os concertos, tens sempre muitos convidados nos concertos, aqueles que são mais em nome próprio e aqueles mais especiais e maiores que fizeste este ano. E já vamos falar daqueles que tens pro próximo ano. Mas como é que nasceu a colaboração com António Zambujo, por exemplo, que é ele que canta neste tema que traz aqui?

Na "Dores de Crescimento". O Tiago Nogueira e a Mariana Moreira foram quem escreveram a música e compuseram. Eles mostraram a música, eu adorei, quis que ficasse minha. E depois, numas conversas com o meu manager e com o Tiago e com a Mariana, achamos que a música ficaria bem em dueto. E então surgiu o nome do António, nós propusemos e ele felizmente aceitou e deu resultado.

E resultou bem. Parabéns, gosto muito.

Obrigada.

Nós temos aqui sempre uma pergunta mais ou menos fixa. Que é saber com quem é que gostaria o nosso convidado ou a nossa convidada de ainda colaborar num dueto ou ter uma canção, uma parceria.

Eu tenho um grande problema em comprometer-me com as minhas decisões. Eu não sei.

Temos todos, Carolina. São dores de crescimento, sabes?

É um bocadinho por aí. Meu Deus.

Sim, alguém que tu admires muito, então.

Eu vou dizer Barbara Tinoco.

Isso já aconteceu.

A Barbara ajuda-me, mas a Barbara é das minhas grandes influências.

Eu já percebi que tu tens uma trupe. A Barbara, os Quatro e Meia, o António Zambujo, até colaboram mais ou menos nesses concertos mais especiais. Eu estava curioso era se havia alguém até fora desse núcleo.

E há. Atenção, eu sou super eclética, eu gosto de rock, eu gosto de pop, eu gosto de jazz, eu gosto de tudo, só que lá está. Tem que ser português?

Não.

E tem que estar vivo?

Não.

Para uma parceria, a não ser agora com inteligência artificial. Podia ser que nos estivesse a ouvir.

Olha, eu diria talvez entre Caetano Veloso e João Gilberto.

Só um é que ainda pode colaborar contigo.

Vamos ao Brasil.

Mas não é completamente impossível. Aliás, ele tem várias colaborações com músicos portugueses. Para o próximo ano, já estão anunciados dois concertos em Coimbra e em Lisboa, e com mupis pela cidade. Como é que é essa sensação de te veres aí retratada pela cidade?

É engraçado. Estou sempre a receber mensagens e fotografias de familiares e amigos.

Na paragem de autocarro, a fazer uma selfie.

Sim, exatamente, aquela típica selfie. "Estás à frente da minha casa, estás na minha paragem de autocarro." Mas eu acho engraçado, não me faz impressão. Tudo bem. Eu não vejo muitos mopis por aí. Se calhar devia sair mais de casa, não sei.

Ou deviam ter posto na tua rua e não puseram. Ou é só azar. Muito bem. Estava a tentar só confirmar. Tens concerto amanhã?

Tenho.

CAI, Portalegre, Centro de Artes e Espectáculos. Aí fica essa dica também para quem estiver por Portalegre. Amanhã há concerto da Carolina de Deus e depois há estes já anunciados a 2 de março em Coimbra. Recorda-me só a sala?

É o Convento de São Francisco, Coimbra.

E 8 de março, Coliseu dos Recreios.

Coliseu dos Recreios.

Isso é que vai ser.

Vai ser espetacular. Venham!

O António Zambujo está nos dois concertos, é convidado, mas tens em Coimbra os Quatro e Meia?

Os Quatro e Meia e o António Zambujo, e depois em Lisboa, António Zambujo e Bárbara Tinoco.

Muito bem, está aí a trupe toda da Carolina de Deus.

Um cartaz forte.

Fortíssimo. Já fui a festivais piores, se calhar. Carolina de Deus é a nossa convidada no ao vivo de hoje. Muito obrigado por teres vindo. Obrigado também ao António Santos, que te vai acompanhar aqui nas teclas deste belíssimo "Dores de Crescimento". É o tema título do disco de estreia da Carolina de Deus e aguardamos por esse 2024, que ainda me parece que vai ser também quase tão produtivo como o último ano foi para ti. Obrigado por teres vindo. Parabéns.

Obrigada eu, obrigada pelo convite. Vamos a isso. Bora, António. Se me trancam em mim mesma, não me conformo cá dentro. Cresço além de mim, afastando-me do centro. Rio e choro, tal como o céu. Mudo e é normal mudar, porque eu, dia sim, dia talvez. Tenho dores de crescimento. Dia não, de quando em vez. Cresço mais do que aparento. Se me pedem pra ficar, viro costas e nem tento. Vou além de mim, afastando-me com o vento. Sou de luas, tal como o céu. Mudo e é normal mudar, porque eu, dia sim, dia talvez. Tenho dores de crescimento. Dia não, de quando em vez. Cresço mais do que aparento. Dia sim, dia não. Toda se a razão, fala o coração. Dia sim, dia talvez. Tenho dores de crescimento. Dia não, de quando em vez. Cresço mais do que aparento. Dia sim, dia talvez. Tenho dores de crescimento. Dia não, de quando em vez. Cresço mais do que aparento. Dia sim, dia não. Toda se a razão, fala o coração. Obrigada.

Carolina de Deus, a nossa convidada no ao vivo de hoje. Muito obrigada à Carolina e ao António Santos. O Artur Costa esteve aqui nos cuidados técnicos. O vídeo é do Tiago Couto. Bom ano, boas festas.

Bom ano, boa noite. Obrigada.