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Na tarde em direto, sempre depois das 16h30, o lado bom da vida com o Tiago Pereira. Olá, Tiago. Bem-vindo.
Olá, Nelson. Olá, Judite. Olá, Bruno.
Olá.
Bruno.
Como está? Toda a gente inveja o Bruno.
Tanta saudade.
Toda a gente inveja o Bruno, não é?
Não é inveja.
Vocês também gostavam de estar aqui.
Saudades.
Sim, saudades. Eu tinha imensa saudade do Bruno.
As pessoas quando estabelecem laços estão sempre à espera de continuamente reforçá-los, não é?
Aqui estamos nós a fazer isso.
Quando não é possível fazê-lo.
Reforçar laços? Também não exageremos. Os laços estão bem, não precisas de os reforçar.
Não, quer dizer, laços são como uma planta, têm que se alimentar constantemente.
Muito bem. Se não se rega sem água, não morre.
Depende. Do calor. E como isto tem estado extremo.
Tinha sede de ti.
Imagino.
Dava um belo livro do Chagas Freitas. Sim, não podemos continuar. Mas tinha sido espetacular continuarmos nisto. Vamos continuar antes com música, porque é disso que falamos à segunda-feira. E trouxeste aqui um cantautor, que é uma palavra que os jornalistas gostam muito.
Um cantador.
Um cantautor de quem eu gosto muito. E que bem que ele canta.
Eu estava à espera que entrasse aqui o sintetizador.
Que moderno que ele está também, diria.
Sim, foi um bocado por isso que decidi trazer aqui à vossa presença o senhor Marlon Williams. Esta canção chama-se "River Arrival" e faz parte do álbum "My Boy", que sai no dia 9 de setembro. Aliás, a canção foi lançada numa espécie de single triplo. Isto agora na indústria dos lançamentos musicais está tudo um bocadinho trocado, porque muitas vezes quando se lança um single é só lançado em formato digital e depois aparece com, antigamente, originalmente o single tinha o lado A e o lado B, do vinil. Agora há lado A, lado B, lado C, lado D mais 1, seja o que for. E faz parte desse conjunto de três canções, que inclui também My Boy, a canção que dá título ao disco, e Thinking of Nina.
Que é a minha favorita até agora.
Eu quis mostrar aqui o River Arrival, porque acho que mostra um bocadinho um outro lado do Marlon Williams. Nós estamos habituados desde que ele apareceu, e sobretudo desde o Make Way for Love, de 2018, que é um grande disco, a tê-lo um bocadinho mais como um romântico, com uma voz antiga, a fazer lembrar, por exemplo, o Roy Orbison, uma espécie de crooner, meio anos 50, e depois com uma guitarra acústica a chorar de horrores pelo coração despedaçado. Mas ele nunca foi um tipo distante da realidade e daquilo que acontece. Ele é neozelandês, o que também é muito curioso, porque eu nunca estive na Nova Zelândia, mas acho que é curioso. Se calhar porque nunca estive lá.
É cada vez menos curioso, porque têm saído muitos talentos da Nova Zelândia.
Sim, mas já estiveste lá, Nelson.
Não, claro que não.
Eu sei que é guilhe.
Nem faço ideia. Eles têm um índice de felicidade bruta bastante alto.
Epá, agora não estava à espera dessa.
Nem eu. Isso não é no Butão? Não. Acho que esse era, não sei se ainda é. Não tenho visto, era o mais feliz. A Amazonas está bem classificada. A Nova Zelândia está bem classificada.
Isto para dizer que Marlon Williams, apesar do seu lado de alma antiga, consegue ser um jovem moderno e atual e brincar com sintetizadores. Ele gosta muito de dançar, quem já o viu em palco sabe disso.
E dança bem.
E dança bem, tem um bom jogo de anca e com o sintetizador as coisas vão todas melhores e eu acho que isto vai correr muito bem.
Estou muito expectante também para conhecer este disco "My Boy", que chega em setembro e que é o segundo, diria. Deve ser o segundo LP ou ele tem algum anterior a Make Way for Love.
Ele teve um nos entretantos, se não me engano. Fora coisas que faz com outras pessoas.
Exato. Bem, avancemos. Jack White, "If I Die Tomorrow". Com este título podia ser uma canção de um James Bond, não era?
E não é só com o título. Bota lá o play. Conseguem ver? Lê as letras.
Se calhar ele escreveu isto para algum filme. E não foi. E foi rejeitado.
Exato. O Jack White vai ter um álbum novo ainda esta semana, sexta-feira. Chama-se Entering Heaven Alive e, portanto, o título do álbum é chegar ao céu vivo. E esta canção chama-se se eu morrer amanhã. Portanto, há aqui uma tendência.
Faz pensar no Live and Let Die. Die Another Day. Tomorrow Never Die.
Exato.
Eu estava a suar Macandiroses, mas era da música, não propriamente essa associação de títulos. Se a fizer, ainda mais. Será que é o spaghettini?
Aliás, e a canção do Jack White era Another Way to Die. Para o James Bond. Agora que me lembrei disso.
Muito bem. Ainda bem que estás cá.
É isso, para lembrar essas coisas. Estamos habituados a um Jack White mais elétrico e frenético, mais nervosinho com a sua guitarra a fazer imensos barulhinhos e coisas. E aqui está um bocado mais, eu não sei se se lembram daquela banda que ele teve aqui há uns anos, que era os Raconteurs.
Nunca soube pronunciar.
É assim como eu estou a dizer.
Raconteurs.
Mas não está aqui ninguém a dizer o contrário, portanto, fica. Faz-me lembrar um bocadinho umas coisas que ele fazia com essa banda, porque ele nos White Stripes era um tipo dado ao punk. Aquela coisa do garage e tal, só guitarra e bateria, e vamos partir isto tudo em dois minutos.
Partiu muito bem.
E partiu muito bem. E nunca mais ele partiu tudo como deve ser, assim. Ainda assim, atenção, eu aprecio bastante o senhor Jack White Dá ótimos concertos. Já tive o prazer de o ver ao vivo mais que uma vez.
Só para se exibir.
Vá lá. Qual é a porcentagem de gente que já o viu ao vivo? Deixa ele falar, porque assim vai queimando tempo. É para isso que ele ganha balúrdios. Tem aqui estas guitarrinhas pelo meio, portanto, se ouvirem a canção até o fim e estiverem com saudades disto, têm aqui um consolo. Mas vamos ver o que é que aí vem. O Jack White aqui há uns tempos deu uma entrevista ao Conan O'Brien, no podcast "Conan O'Brien Needs a Friend". Acho que é esse o título. Espero não estar enganado. Eles são amigos há muito tempo. Amigos de-
Churrascada lá em casa?
Irem ver jogos de beisebol juntos e beberem uns cupazios. Apesar de boa parte da entrevista parecer uma espécie de programa de humor, o que é normal com o Conan O'Brien, ele fala de muitas coisas da sua vida e parece-me um tipo muito bem resolvido. Estranhamente, parece-me uma pessoa que de repente não tem problemas.
Estavas à espera de um atormentado?
Eu espero sempre tormento por parte de quem faz canções que eu gosto de ouvir, porque normalmente quando o tormento vai embora, as canções adormecem. Mas é só a minha teoria.
Pode-se criar o tormento? Não?
Não.
Achas que é preciso sofrer como um condenado?
Não, mas o nervo não se cria assim, acho eu. E isso depois nota-se.
O nervo não se cria assim. Avançamos então para a música de Raquel Dimantas, "Lunares", aqui também. Normalmente, o Tiago cumpre sempre uma cota de música do Brasil, de nova música do Brasil, e aqui está mais um exemplo. Tenho descoberto belas coisas da nova música do Brasil às tuas contas.
É assim. Raquel Dimantas. Este álbum chama-se "8 Hits".
"8 Hits"?
Exato.
Ok.
Mas tem mais do que oito faixas.
Mas só oito é que são hits. Só oito é que são boas.
Exato.
Eu não conhecia isto, gostei muito.
O disco não é novo, ou seja, não é da semana passada nem dá duas semanas, já tem uns meses, mas é deste ano. Esta canção chama-se "Lunares". A Raquel Dimantas tem sido englobada naquilo que se tem chamado de nova cena indie do Rio de Janeiro. Vale o que vale, mas a verdade é que se conseguimos prestar atenção àquilo que tem acontecido no universo pop rock brasileiro nos últimos anos.
Não tenho.
Pronto. Vamos descobrir alguma da música e algumas das canções mais intrigantes e sedutoras que eu tenho ouvido nos últimos tempos. Sinceramente.
Estamos a querer a Raquel Dimantas. Li umas coisas que ela é neta e filha de realizadores.
Não é de realizadores, meu amigo. Eu vou dizer este nome e vou testar o Bruno Vera Amaral. Raquel Dimantas é neta de Roberto Farias.
Roberto Farias.
Não.
Filha de?
Não, pai.
É só pai?
Sim. Roberto Farias é pai de Maurício Farias, e Maurício Farias é que é pai da Raquel Dimantas. Ora, o Roberto Farias era realizador, ele já morreu, e ficou na história por ter realizado os três filmes clássicos com o Roberto Carlos.
Sim, senhora.
O "Ritmo da Aventura", o "Diamante Cor-de-Rosa" e os "300 quilômetros por hora", entre 1968 e 1971.
Muito bem, não sabia que era ele o realizador. E o Maurício era um realizador da Globo, de certeza que assinou novelas que nós conhecemos.
Acho que há sempre aquela história da diferença entre séries e novelas, acho que era mais dada às séries. Mas pronto, esperem aí. Raquel Dimantas. Não vão encontrar MPB, vão encontrar música em que pouco ou nada se canta neste álbum também, muita brincadeira em estúdio, muita manipulação sonora, vale muito a pena.
Gostei muito. Raquel Dimantas, "Lunares" é uma das sugestões do Tiago. E fechamos com Sam the Kid.
É pá, fechamos com um palhaço notável. É o que eu tenho a dizer.
Faixa nova para Sam the Kid, chama-se "Entrega", não é?
Faixa nova de um álbum novo, só de beats.
E era isso que eu estava à espera de algum tempo do Sam the Kid, porque se o "Beats volume um: Amor" era dos meus favoritos, que é o típico álbum de produtor de hip-hop, não de rapper.
E este é mais um. Passem por onde conseguirem para ouvir o disco, porque vão gostar de várias maneiras, vão gostar só porque gostam do bom gosto do Sam the Kid a manipular sons e a construir ritmos, vão gostar porque vão imaginá-lo a rapar por cima disto, vão gostar porque vai servir de banda sonora para vários momentos dos vossos dias, ou então vão só gostar porque beberam três copos a mais.
"Entrega", não é? Delivers. Cumpre para vários desses objetivos.
Bota lá esta playlist da Rádio Onça.
Vai já. "Entrega", Sam the Kid, última sugestão do Tiago Pereira no "Lado Bom da Vida", que à segunda-feira olha para as novidades do mundo da música. Obrigado, Tiago. Até amanhã.
Até amanhã.